Critérios de qualidade nada personalíssimos

Meus comentários têm atraído não só elogios em relação à minha posição independente e ao caráter crítico idôneo, mas também reclamações que contraditam minhas opiniões, baseando-se essas em elementos iguais aos que me baseio para fazê-los. Ou seja, bastante subjetivos no que tange à avaliação do conteúdo intrínseco de uma obra (ou de um comentário).

Quero que saibam que quando digo ser este ou aquele conto muito (ou pouco) ruim, me sustento primeiramente na qualidade narrativa. Não adianta nada um conto (ou noveleta, novela, romance) ter uma história boa, original e criativa se a estrutura que contém essa mesma história é deficiente, se o controle narrativo é tosco.

Muito comum tropeçar na leitura de trabalhos que desrespeitam técnicas narrativas básicas. Que dirá aqueles que se enovelam em parágrafos quase ilegíveis, eivados de erros ortográficos e gramaticais. Eu, pessoalmente, não consigo ler desse jeito. E se o faço, é com extrema má vontade, efeito nocivo para a avaliação final do trabalho.

É claro e evidente que grande parte dos autores não faz passar seus trabalhos por leitores beta exigentes. E alguns dos que o fazem parecem ignorar os conselhos, como se estivessem acima do bem e do mal na crítica literária. Ninguém está isento de errar. Mas publicar trabalhos com esses erros, virtual ou fisicamente, é um erro que pode ser mortal para um escritor iniciante.

Sei que, de modo geral, literatura de gênero ignora a forma. O enredo acima de tudo. Mas para mim não funciona assim. Admiro textos bem escritos e, acreditem, um conto ruim muito bem escrito sempre deixa uma impressão positiva no avaliador. Um conto bom, mal escrito, só agrada àqueles para quem estrutura, construção e fluidez nada significam. E esses, infelizmente, não abrem portas no mercado editorial.

Existem também os experimentalistas para quem a forma suplanta totalmente o conteúdo. Mas se falamos em literatura de gênero, voltado a um público leitor específico, que procura, sobretudo, entretenimento, esses experimentalismos de nada servem a não ser para monólogos entediantes.

Aprimorem a narrativa. Entreguem seus textos para leitores com senso crítico elevado. Ouçam o que eles dizem. Melhorem sempre, porque sempre há o que melhorar. Leiam e releiam exaustivamente o que escreveram. E tentem, por fim, fugir do lugar comum. Nele já há muitos se acotovelando.

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10 Respostas to “Critérios de qualidade nada personalíssimos”

  1. Ivo Heinz Says:

    Falou tudo Tibor.

    Idéias originais não adiantam nada se a narrativa é truncada, cansando o leitor.

    Se já gastei meu dinheiro comprando um livro, só vou continuar gastando meu tempo lendo se tiver interesse.

    Infelizmente muitos escritores (novos e velhos) cometem erros crassos: já começam a história com 3 páginas de explicações detalhadas e enfadonhas, personagens rasos, ações mal-explicadas, etc….

    O leitor tem de estar interessado em saber como vai acabar, em querer continuar lendo.

    Mas parece que tem muita gente que gosta só de escrever, não de ler para aprender ou ouvir críticas.

    Abração

    • Tibor Moricz Says:

      Valeu pela participação, Ivo. Falando em beta readers, estou te devendo um original. Segue hoje…rs

  2. Fabiano Says:

    É cara, é sempre difícil ler uma coisa mal escrita e mais dificil ainda é ter a humildade de aceitar que está errado. Acho que na fantasia o problema está que ultimamente todo mundo est´preocupado em criar os elfos mais legais e se esquecendo de deixar a narrativa mais coerente.

    Parabens ae pelo post, Tibor.

  3. Camila Fernandes Says:

    Tibor, para mim a mensagem se resume lindamende ao último parágrafo do seu texto. O resto é apenas prólogo, mas o parágrafo derradeiro matou a pau. Conselho válido para você mesmo, para mim e para todo mundo que leve a escrita minimamente a sério.

  4. Ramiro Catelan Says:

    Para a maioria dos autores, mensagens como esta podem soar duras demais; já eu acho que são muito pertinentes. Não fossem alguns conselhos e dicas recebidos por ti na Escritores de Fantasia, eu ainda estaria rastejando na lama dos mesmos erros de sempre. É claro que minha escrita ainda tem muitos defeitos, mas é por conta de críticas sinceras, muita leitura e estudo, que vou, aos poucos, tornando-a melhor. Abraço!

  5. Giseli Says:

    Concordo com a Mila, o último parágrafo resume a mensagem importante do post =)

  6. BT Says:

    Olá, Tibor. Pelo que vejo, as janelinhas de YouTube irão tornar obsoletas as citações entre aspas, no futuro… Sobre o que você coloca, eu diria como o famoso Conselheiro Acácio: “Esta é a minha opinião, e dela eu compartilho”. Existe gente que é meio daltônica para História e só enxerga Estilo (p. ex., os editores do mainstream). E o vice-versa disso se encontra muito na FC. São duas tribos de sacis, os sacis-de-perna-esquerda e os sacis-de-perna-direita. A verdadeira literatura se faz com as duas pernas. (A metáfora redundou numa coisa meio surrealista, mas, dá pra sacar o que quero dizer). Grande abraço.

  7. Saint-Clair Stockler Says:

    Bancando a Bette Davis:

    Putz, o cara tem uma semana só que tem blog e já tá cagando regras… O bichinho do blog te pegou, hein? 😉

    KKKKK, calma, tô zoando: concordo com tudo que você disse! Sábias e importantíssimas palavras.

  8. Érica Says:

    Muito boas as dicas que coloca para o escritor. Concordo. Ele tem de buscar seu aperfeiçoamento. Tem de estudar, gastar tempo escrevendo-relendo-cortando-reescrevendo, tem de ler muito.

    Há algumas boas dicas no jornal Rascunho, em Decálogo: http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao=0&ordem=2554

    Abraço

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