Ficção de Polpa volume 2 – Comentários 1ª parte

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Mergulhei em mais um Ficção de Polpa e cumpri com 50% da missão. Vou comentar dez contos agora e os demais amanhã. O primeiro volume me causou uma surpresa bastante agradável e comecei a leitura deste com uma expectativa elevadíssima, o que pode ter gerado grande parte da insatisfação que tive até agora. Que isso sirva de lição para todos: jamais superestimem qualquer leitura sob o risco de se decepcionarem. Isso não significa que os contos não sejam relativamente bons (e um ou outro excelentes), apenas que não são tão bons na média quanto pensei que seriam. Vamos a eles:

1- Vácuo – Frederico Cabral

Cenários alienígenas, astronautas perdidos em sua superfície, sobrevivência dificultada por condições hostis… Alguém já leu um livro ou viu algum filme com esse mote? Acho que todos. Nenhuma novidade.

2- Visitas – Samir Machado de Machado

Este conto me remeteu, ao seu final, diretamente a uma cena de Contatos imediatos do terceiro grau, onde o menino Barry Guiler (Cary Guffey) corre para fora de casa, deixando para trás Gillian (Melinda Dillion), sua mãe, apavorada. As semelhanças são apenas conceituais, mas impossíveis de serem desassociadas. Porque a mãe sorria no final? Choque? Uma história bem contada, mas difícil de engolir.

3- A coruja empalhada – Guilherme Smee

Fiquei o conto inteiro aguardando por algo que me surpreendesse. Infelizmente esse algo não surgiu.

4- Sala de espera – Rodrigo Rosp

O conto acabou? Cadê o resto dele?

5- Olhos vazios – Luciana Thomé

Um bom e triste conto.

6- Emet – Rafael Bán Jacobsen

Uma narrativa boa. Bons cenários e ambientação. Mas porque o Golem pirou? Esse conto merecia um final mais climático, o que, de certa forma, até aconteceu. Mas quando o autor devia tê-la encerrado, continuou, diluindo o clímax obtido. Gostei, de qualquer forma.

7- Morte anunciada – Rafael Spinelli

O conto seguiu bem. Pude prever o final, embora apenas isso não estragasse a história. Estava claro que o Sr. Delacroix representava o conjunto de demônios que o protagonista vira em pesadelos. O que lamento foi o final anticlimático e inexplicado. Percebeu uma sombra e sentiu uma pancada na cabeça? E daí? Quem deu a pancada? O que aconteceu depois? Morreu, cumprindo o vaticínio? Perdeu os sentidos? A impressão que fica é que faltou um parágrafo.

8- A ilha de Tobias – Leonardo Silviotti

Esse é um conto que termina sem ter começado.

9- Nós, Robôs – Bernardo Moraes

Imagino que esse argumento se passe num futuro relativamente distante, onde robôs e andróides convivam irmanamente, possuindo inteligência artificial avançada. Então fica difícil de engolir que um precise carregar as baterias numa prosaica tomada e o outro (o andróide) se preocupe com as poucas horas de carga que sua bateria ainda lhe oferece. Já que é para extrapolar, imaginemos baterias com cargas extremamente duradouras, dezenas de anos ou mais.

10- Cura-te a ti mesmo – Carlos Orsi

Esse conto do Orsi é um caso clássico do que falei no início, sobre superestimarmos uma leitura. Cura-te a ti mesmo é, em si, uma excelente história. Mas estou acostumado a ler obras do Orsi que sempre me surpreendem, seja pela incrível imaginação, seja pela criatividade, seja pela inteligência do argumento (Tá, sou fã do cara, e daí?). Este, em especial, não deveu em nada disso, mas fechou, a meu ver, de maneira óbvia, sem surpresas. Isso tirou um pouco do brilho.

Amanhã posto os comentários em relação aos últimos dez contos.

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Uma resposta to “Ficção de Polpa volume 2 – Comentários 1ª parte”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    Sabe o que eu mais gosto nas suas resenhas e comentários, Dr. Moricz? Eles são diretos, vão ao cerne da questão. E dá pra perceber que quando você faz uma crítica negativa, você não está espezinhando o autor: está apenas fazendo o comentário que um leitor apaixonado tem todo o direito de fazer, ao terminar de ler o conto/novela/romance que estava lendo.

    Tem gente que vira crítico para compensar sinistras faltas em sua psiquê: são os famosos sádicos. Mas a gente nota que não é o seu caso. Você torce para que o texto seja bom!

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