Um esparrame de coletâneas. Nelas se alimentam os rodapés.

Pilha de Livros2

Pipocam, cada vez mais, as coletâneas por aí. Menos bancadas pelas editoras, mais pelos autores no afã de entrarem no mercado literário ao preço que for.

Questiono, nesses casos, o mérito dos organizadores, já que não está em jogo a qualidade dos trabalhos e sim o poder econômico sustentado por contratos nem sempre tão claros. Autores na ânsia de ver seus trabalhos publicados, se sujeitam aos rigores desses contratos, garantindo antecipadamente os lucros da editora envolvida (que lucra duas vezes, uma pelas mãos dos autores, outra pelas mãos de leitores eventuais que adquirem os livros nas livrarias). Além do fato de que nessas coletâneas mais claramente se vê o joio que o trigo.

Mas independente disso, as iniciativas, todas elas, tem sua importância. Fazem agitar o mercado, trazem atenção sobre um mundinho ainda meio que ignorado (estamos aqui a falar da literatura de gênero, mais especificamente de ficção científica e fantasia) e acabam por revelar nomes antes desconhecidos, mas bastante talentosos.

Paradigmas, Ficções de Polpa, Portais, coletâneas promovidas pelas editoras Andross, Terracota e Giz (não vou citá-las uma a uma), Fábrica dos Sonhos, Pulp Ficcion a Portuguesa (embora lusa, abriu espaço para autores brasileiros) e outras mais.

Esses formatos têm-se mostrado dinâmicos, e inundado o mercado com contos que revelam o esforço dos autores em narrativas curtas nem sempre bem sucedidas. Se servem para fazer flutuar em sua superfície aqueles cujo resgate é obrigatório, também auxiliam no discernimento dos outros que afundam e a quem o mercado não estenderá a mão (em algumas coletâneas, muito mais esse caso que o outro).

Há lugar para mais dessas coletâneas? Claro que sim. Mas seria utópico almejar que fossem bancadas pelas editoras, com organizadores inteiramente voltados aos melhores trabalhos, fornecendo um padrão médio de qualidade mais elevado do que se vê hoje por aí? Fica a pergunta.

É bastante confortável organizar um livro que já sai lucrativo do prelo, independente do conteúdo que carrega no bojo. Melhor isso que se enervar, incerto se a tiragem alcançará venda que justificará a publicação. Pelo menos é assim que pensam as pessoas envolvidas no processo. E não quererão largar esse osso, depois de tê-lo roído um pouco.

Aos compradores eventuais fica a adrenalina de um esporte radical, onde não se sabe se o dinheiro investido resultará em benefício ou em irritação. Aos autores tudo é lucro, mesmo tendo enfiado a mão no bolso para garantir que o projeto não soçobrasse (e jamais soçobra) e com ele suas esperanças de entrar no fascinante mercado literário.

Quem mais se alimenta com tudo isso além das editoras e dos organizadores envolvidos são os armários, os rodapés, os cantos de sala, os vãos sob as camas. Entulham-se neles os livros que o autor não pôde vender e os comprou ele mesmo por força de contrato.

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46 Respostas to “Um esparrame de coletâneas. Nelas se alimentam os rodapés.”

  1. Fernando Torres Says:

    Ótimo texto, você tem exatamente o mesmo posicionamento que eu acerca do tema.

    Hoje, muitas editoras já não vendem livros, mas o sonho de ver o nome de um autor estampado em uma capa (ou release) de livro.

  2. Samir Says:

    Oi Tibor,

    Quem nos dera se as edições de Ficção de Polpa já saíssem do prelo pagas! Não sei como é o funcionamento disso em outras editoras, mas as edições são financiadas sempre por nós (e com o primeiro volume, que saiu pela Fósforo, e o terceiro, que lançamos esse ano, foram investimentos que saíram direto do meu próprio bolso), e o trabalho de organização é feito diretamente por mim.
    Na seleção para os volumes 2 e 3, precisei analisar mais de 200 contos (não tenho o número exato de cabeça), e mesmo entre os autores que foram convidados a participar, precisei recusar vários textos que não se encaixavam no conjunto que tomava forma. Cada autor publicado ganha de dois a cinco exemplares (varia em cada edição). Cada volume de Ficção de Polpa é um novo risco, do ponto de vista financeiro, tanto que nos comprometemos sempre a não lançar um novo volume antes do anterior ter coberto seus custos de produção – mas posso dizer que não há nenhum conto publicado ali que não tenha sido escolhido por mérito.

    Abraços,
    Samir

    • Tibor Moricz Says:

      Oxalá os deuses de Cobol escutem as suas palavras, Samir. Que outras editoras enveredem pelo mesmo e espinhento caminho que a Não Editora. Parabéns pelo seu trabalho.

  3. Ademir Pascale Says:

    Sr. Moricz,

    Sou organizador de coletâneas, respeito as opiniões mesmo sendo contrárias as minhas. O título “Um esparrame de coletâneas. Nelas se alimentam os rodapés” já é um desrespeito aos organizadores, escritores que participam de coletâneas, editoras que incentivam a ideia, livrarias e leitores. Pessoas como você acham que ganhamos fortunas, mas enxergam apenas isso pela falta de conhecimento. Você não sabe quantas horas, dias e meses passo em frente ao micro e muito menos a dedicação que tenho por este trabalho. Iniciei minha carreira como escritor participando justamente dessas criticadas coletâneas. Como pode perceber, não participo de panelas e estou do lado daqueles que também não participam. Sou ativista cultural e como disse antes, cada um tem uma opinião e as respeito, mas não sou obrigado a receber suas mensagens, ainda mais quando tenta desmerecer o nosso trabalho. Não digo isso apenas por mim, mas por todos os autores que lutam por um espaço no tão difícil mercado.

    Do organizador de coletâneas Ademir Pascale

    .

    • Tibor Moricz Says:

      Ademir, você leu o artigo inteiro? Tem uma parte que está escrito assim:
      Mas independente disso, as iniciativas, todas elas, tem sua importância. Fazem agitar o mercado, trazem atenção sobre um mundinho ainda meio que ignorado (estamos aqui a falar da literatura de gênero, mais especificamente de ficção científica e fantasia) e acabam por revelar nomes antes desconhecidos, mas bastante talentosos.

      Se este é o seu caso, meus parabéns. Já terá valido a pena a publicação da coletânea onde seu nome figurou como autor.

  4. Ivo Heinz Says:

    E a pergunta que não quer calar: com tantas coletâneas de CONTOs, onde estão os ROMANCES ???

    OK Tibor, você me conhece e sabe que eu, pessoalmente, prefiro ler histórias mais longas.

    Mas, mesmo assim, não estaríamos presenciando um saturação de “Coletâneas’ no mercado ?? Quando alguém viesse te mostrar um livro, você já bateria o olho na capa, veria a palavra “Coletânea” e acabaria pensando “lá vem outra coletânea’.

    Qual a sua opinião ?

    • Tibor Moricz Says:

      Minha opinião é a de que temos autores de baciada com pique para textos curtos, mas sem fôlego para longos. A sua pergunta sobre onde estão os romances é a mesma pergunta que se fazem as editoras. O país parece se firmar cada vez mais como um celeiro de contistas. Os romancistas continuam adormecidos.

  5. Danny Marks Says:

    Olá, Tibor,

    É uma pena que tenha colocado no mesmo “caldeirão” todos os modelos de antologias e editoras. Sim, há mais de um modelo de antologia e nem todos são por demanda.

    Dizer que as empresas não visam lucros seria ingênuo, para não dizer outras coisas, mas ter lucro com um trabalho bem feito é algo que considera-se justo, afinal todos somos trabalhadores e é justamente a qualidade do nosso trabalho que garante que ele continuará sendo requerido.

    Claro que algumas antologias, chamadas popularmente de “por demanda” são financiadas pelos autores, mas dizer que os organizadores ganham fortunas é um total desconhecimento dos fatos rss. Para dizer a verdade, quem já publicou algum livro sabe que quem mais lucra nesse mercado são as Livrarias que ficam com até 50% do valor de capa apenas para disponibilizar o livro em alguma prateleira (muitas vezes no fundo da loja). As editoras além de ter que pagar os custos de impressão também tem que pagar funcionários e eventos, mas ainda tiram algum lucro nisso. Os organizadores recebem de 3 a 10% do valor liquido das tiragens e tem que fazer o trabalho de revisão estilistica e ortográfica e muitas vezes a diagramação, além de selecionar os autores. Não é bem pagar e entrar que funciona, há um compromisso com o trabalho já que é o seu nome que está em destaque na capa e (como sempre) se alguém não gostar dos contos vai dizer que é o organizador que não presta e não o autor.

    Então chegamos ao autor, aquele que após ser selecionado, ter seu conto revisado, acaba pagando pela publicação (no caso citado). Qual o lucro dele? Se vender os livros tem o retorno financeiro e ainda uma margem pequena de lucro que pode negociar ou não, mas tem o seu nome e o seu trabalho divulgado para o público, aprende sobre as dificuldades de vender um livro e de conquistar desconhecidos (eu sempre recomendo que vendam para desconhecidos prioritariamente, amigos e parentes não são público para nenhum autor). Então convenhamos, estão pagando pela experiência de ter uma publicação e divulgarem o seu trabalho.

    Quando organizei o Dias Contados junto com o Ricardo Delfin pela editora Andross, demos toda a assistência aos autores antes mesmo de aprovação final, alguns tiveram os seus contos revisados, melhorados e depois desistiram de publicar. Um trabalho perdido? Creio que não, já que eu e o Ricardo consideramos que ajudamos um colega a se aprimorar, mesmo os que foram recusados receberam dicas sobre o que fazer caso realmente quisessem investir em suas carreiras.

    Eu dou palestras gratuítas para os interessados, ofereço dicas, aponto caminhos que deram certo e outros mais complicados, não vivo de vender livros, uma coisa realmente difícil de acontecer no território nacional, infelizmente, mas um caminho para se mudar essa cultura de repúdio ao que aqui é produzido é trabalhar para que esses talentos apareçam.

    As antologias pagas ou não, os fanzines gratuitos (e há muitos nesses moldes) e as publicações solo mesmo que por demanda, são alguns fatores que ajudam a revelar novos talentos. Alguns apenas querem saber como é, nunca mais publicam nada, outros continuam estudando e se aprimorando e se tornam pelo mérito os novos autores nacionais.

    Se há uma crítica a fazer, que seja feita com base nos modelos adotados, discriminando as partes ruins e valorizando as boas, apontando perspectivas melhores. Como deve saber, toda crítica tem que ser fundamentada em fatos e apontar as alternativas, senão vira opinião e esta cada tem direito de a ter, mas não de atacar ou denegrir a do outro.

    Comecei como autor em antologias, fui organizador (e espero voltar a fazer mais algumas quando tiver tempo para dedicar a isso), tenho livro solo publicado e conheço muitos autores excelentes que trilharam o mesmo caminho.

    Vale a pena investir em antologias pagas? Sim, mas eu sempre recomendo que, como em todo negócio, seja feita uma pesquisa sobre o material já publicado anteriormente pela editora. Que se conheça o trabalho do Organizador para avaliar sua competência, que se procure entrar em contato com os autores que já publicaram para ter as suas impressões sobre como foi o negócio e o trato com a editora.

    Ser escritor é gostar de fazer pesquisa, é fundamentar os seus textos em fatos para que eles não fiquem apenas no “achismo” e possam realmente dar uma contribuição para a evolução da sociedade e daqueles que a compõem.

    Há pessoas que se aproveitam dos ingênuos, no mercado literário, mas isso não é uma exclusividade desse mercado. O que eu quero ressaltar é que há sim pessoas dedicadas a fazer bons livros e revelar novos talentos. Pessoas que consomem muitas horas nesse trabalho e obtem em termos de valores financeiros muito menos do que conseguiriam fazendo outros tipos de trabalho, mas não tem preço a satisfação dos autores que tiveram o seu trabalho publicado em um livro que eles consideram de altissima qualidade e que se torna o primeiro passo dessa difícil carreira de escritor brasileiro.

    Espero que da próxima vez que fizer um texto, leve em consideração as particularidades da escrita e não generalize tanto, assim não mata as boas sementes junto com as que já estão apodrecidas e, no máximo, servem de adubo.

    Abraços

    Danny Marks
    http://www.osretratosdamente.blogspot.com

    • Tibor Moricz Says:

      Danny, em nenhum momento disse que os organizadores ganham “fortunas” com esse trabalho. E também não generalizei como você frisou. Assim como para o Ademir, destaco a passagem em que digo, com todas as letras, que essas iniciativas são importantes porque fazem surgir autores de talento e ajudam a mexer com o mercado literário, dando algum destaque à nossa literatura de gênero. Só reclamo (e reclamo mesmo) que faltam editoras e editores interessados em publicar coletâneas NÃO financiadas pelos autores. Reclamo que não querem se arriscar num negócio de retorno duvidoso e preferem, assim, publicar obras que já nascem pagas.

  6. Camila Fernandes Says:

    Bom texto, bastante honesto! Nada como um tema polêmico para exercitar um pouco a cabeça. Mas, Tibor, considero sua visão geral sobre o tema um tanto pessimista (e, sim, eu li o texto todo).

    Não sou editora nem represento qualquer empresa do tipo; creio que, como editor, o Samir já disse tudo. Mas como leitora e autora quero deixar também minha opinião. Não vejo problema em autores ajudarem a bancar as tiragens das coletâneas de que participam, desde que recebam sua parte em livros. Se isso será um bom negócio para eles, cabe a cada um decidir. Vale lembrar que estamos falando de autores iniciantes e editoras também novas, que assim como os autores buscam um lugar ao sol no mercado literário – um mundo no qual todo mundo tem pouca verba e muito sonho. Um autor, iniciante ou não, que se leve suficientemente a sério como escritor tem condições de decidir se participar desse tipo de publicação compensa para ele ou não. Assim como cabe à editora fazer a melhor seleção possível para a coletânea e avaliar se ela deseja que um material de qualidade duvidosa – pré-pago ou não – carregue o seu nome e sua reputação mercado afora.

    Quando recebo algum convite para uma coletânea, pergunto que outros escritores estão participando também. Notei que um ou outro se ofende com esse tipo de pergunta. Eu, não. Faço questão de estar em boa companhia. A qualidade tem que estar acima de tudo.

    Gosto de antologias. Para os autores, elas valem como laboratórios, onde ele poderá desenvolver sua própria narrativa, comparar seu progresso ao de outros mais (ou menos) experientes que ele e avaliar o efeito que seus textos causam no leitor. Para o leitor, em especial o inexperiente, um exercício de capacidade crítica, onde ele poderá reconhecer e separar aquilo que o agrada daquilo que o repele. Para as editoras, um bom jeito de saber se estão no caminho certo ou se é momento de repensar estratégias.

    Tá na dúvida? Não compra…

  7. M. D. Amado Says:

    “Minha opinião é a de que temos autores de baciada com pique para textos curtos, mas sem fôlego para longos. ”

    Nessa bacia tem muita gente com pique para mais de um romance, com certeza. Conheço alguns e me incluo nessa. A questão é que já é difícil participar de coletâneas. Imagine trabalhos solo de um autor que nunca ouviram falar (principalmente as editoras).

    Concordo que existem algumas coletâneas que são “furada”. Mas a generalização do seu texto (sim, eu tbm li o texto todo) é no mínimo injusta com pessoas como o Ademir Pascale, Richard Diegues e outros que vem levando a sério a literatura fantástica no Brasil.

    Concordo com a Camila: Tá na dúvida? Não compra… Mas não generalizemos.

    • Tibor Moricz Says:

      Oi M.D. Amado,
      Também acho o trabalho do Richard muito bom e não estou sendo injusto com ele. A Tarja desenvolveu o projeto Paradigmas cobrando dos autores menos da metade que caberia a cada um se lhes fosse cobrado o preço real (o que não acontece por aí, mas venhamos e convenhamos, nem isso é o ideal)). E ainda lhes deu uma quantidade de livros bastante razoável por esse valor. Eu disse no artigo que existem projetos “menos bancados pelas editoras e mais pelos autores”. Apresentei as duas vertentes. Cabe a cada um dos editores e organizadores vestir a carapuça que mais lhe serve.

    • Tibor Moricz Says:

      Ia esquecendo um detalhe importantíssimo. O Richard Diegues ainda disponibilizou os livros Paradigmas por preços baixos, uma prática que demonstra um caráter de lisura que raramente se vê.

  8. Carlos Orsi Says:

    • Tibor Moricz Says:

      Editoras contratam escritores. Escritores são contratados por editoras. Editoras pagam, escritores recebem. É assim que funciona a lógica de mercado e não de outro jeito qualquer.
      Pay the writer.
      E não, essa resposta não é para o Orsi…rsrs

  9. Danny Marks Says:

    Tibor,

    Eu sugeriria que fizesse uma leitura critica do seu próprio texto, de preferência usando chaves de leitura. Pode não ter sido intenção sua apresentar da forma como está sendo interpretado, mas é a forma como se tornou visível para o público.

    Essa é uma armadilha comum nos textos. O autor pode ter uma visão e acabar passando outra na forma escrita. O problema é que nem sempre o autor percebe o que está sendo apresentado pois para ele está claro o que queria dizer.

    Eu concordo que seria melhor se tivéssemos editoras dispostas a bancar as antologias, apostando nos novos talentos, mas isso é mais do que utópico, vai contra toda a lógica de mercado.

    Os americanos dizem que não há almoço grátis, e isso é um fato em qualquer empresa. Se há um investimento é porque há, no mínimo, uma boa chance de retorno (e isso vale para editoras e autores).

    A Record publicava antologias de FC com autores estrangeiros e nacionais, em papel jornal para reduzir os custos, distribuida em bancas. O que aconteceu? Tomou um prejuizo tão grande que teve que cancelar a publicação e renegociar a divida.

    Isso uma empresa grande, imagine uma editora que está começando?
    Por outro lado, porquê um autor não pode se autofinanciar (digamos investir no próprio talento) se ele acredita no seu potencial? É um custo pequeno se for em uma antologia que terá uma divulgação maior (cada autor divulga todos os outros por tabela, além da editora que faz o mesmo). Se o autor for bom ele acaba se destacando, senão, o custo do investimento é menor do que ele bancar a revisão+diagramação+publicação+distribuição+eventos+publicidade sozinho.

    Eu não trabalho para nenhuma editora e a maioria dos organizadores que eu conheço trabalha como prestadores de serviço, ou seja, para uma antologia apenas, sem vinculo empregatício com a editora.

    Há editoras que fazem concursos e pagam prêmios para os selecionados, outras assumem os custos de publicação mas só quando o autor é conhecido e já tem um público (retorno praticamente garantido).

    Quem dera fosse como nos EUA onde há uma cultura de leitores críticos e as editoras podem publicar com maiores chances de terem retorno. Lá também há cursos de formação de escritores e (admirável isso) de leitores críticos, o que nos falta muito ainda para atingir.

    Eu acho boa a polêmica, mas receio que da forma como a apresentou fica sujeito a interpretações diferentes do que possa querer realmente dizer. Todo texto está passível de sofrer o mesmo problema e é por esse motivo que os autores tem que tomar cuidado como escrevem e os revisores tem que ser chatos e apontar as falhas antes que elas atinjam o público da forma errada.

    Para fechar a questão e tentar ajudar no que interpreto ser a sua intenção ao escrever o texto, eu posso acrescentar uma reflexão:

    Se fosse tão simples e fácil publicar livros de qualidade no Brasil, não apenas bancando os autores iniciantes e desconhecidos, mas até antecipando os direitos autorais (como é feito em alguns países), então os primeiros nomes das listas de Best Sellers não seriam autores estrangeiros que pouco ou nada sabem sobre a nossa cultura, e haveria muitas empresas brigando para publicar o próximo desconhecido talentoso. Infelizmente o que vemos nesse sentido é apenas em relação ao futebol, mas isso é outra história

    Abraços

    Danny Marks

    • Tibor Moricz Says:

      Danny, destaco aqui um trecho do que escreveu: Eu concordo que seria melhor se tivéssemos editoras dispostas a bancar as antologias, apostando nos novos talentos, mas isso é mais do que utópico, vai contra toda a lógica de mercado.
      Não acredito que li isso. Juro que não acredito. Me arranca o tubo!…rs

  10. Eric Novello Says:

    Meus dois centavos: só não cair na armadilha de considerar ruim por ser nosso. Se fosse uma coletânea estrangeira, p.ex., seria “uau, saí numa coletânea lá de fora”. Ou então a gente compra uma coletânea de um tema qualquer que saiu lá fora e “uau, como é foda…” Aí, chega aqui, só pq frequento o mesmo bar que o cara, acabo dizendo que é ruim. Se for uma coletânea de uma editora que me parece inacessível “uau, consegui…” Se for uma coletânea de um editor que já me conhece “afe, mais uma coletânea…”

    Não tô dizendo que você disse isso, que ninguém disse isso, que alguém pensou em dizer isso. Só lembrando.

    No fim das contas o que vale é a qualidade do que foi escrito. Abss!

  11. Fernando Torres Says:

    Me digam uma coisa, o prêmio SESC é contra a lógica do mercado? A Bolsa da Funarte é contra a lógica do mercado? O que é necessário é uma política (tanto pública quanto privada) de incentivo à publicação de autores iniciantes.

    Poucas editoras apostam nos autores novos, pois não querem assumir o risco inerente ao seu próprio negócio. Algumas, e digo isso sem qualquer dúvida, cobram preços exorbitantes para publicar romances.

    As coletâneas são um remendo no monstruoso rombo que temos em nosso mercado. Faltam revistas sérias de ficção e ensaios. Existem algumas iniciativas aqui e ali que deveriam seguir como exemplo, mas em sua imensa maioria fechadas para os autores já estabelecidos dentro do mercado.

  12. Saint-Clair Stockler Says:

    Acho que o Eric colocou o dedo em uma das feridas: lá nos EUA (o que significa, por extensão, todo o mundo de língua inglesa) se lançam centenas de antologias e coletâneas, e ninguém reclama disso. Acham é muito bom. Aliás, o que são as revistas tipo Isaac Asimov Magazine (e as outra todas que tem lá nos EUA) senão antologias/coletâneas? E todo mundo adora e quer mais!

    Vejo com bons olhos esse pipocar de coletâneas – claro está que com a seguinte condição: desde que seja feita com seriedade, com autores sérios e editoras sérias. É um grande caminho, eu acho. Os novos autores podem “testar” seus textos, o retorno é mais rápido, o gasto de tempo e energia não é tão exagerado. Acho que a ficção de gênero no Brasil tem que passar por essa etapa, obrigatoriamente, até que comecem a surgir mais boas novelas e romances. Não que o conto seja um degrau para uma novela ou um romance (cada gênero é diferente e não guarda tantas relações entre si, sequer hierarquicamente), mas, num país em que é tão difícil publicarem gente nova, começar pelos contos ajuda a se tornar inclusive conhecido.

    E para aqueles que estão achando que já começa a ser “demais da conta” tanta antologia/coletânea, aviso: preparem-se porque vem outra aí, dividida em dois volumes, antes do final do ano. E esclareço, para que não haja dúvidas nem maledicências: feita por uma editora séria e com autores sérios e de muito boa qualidade! Quem viver, verá 😉

    (E mais não digo porque ainda não posso. Attendez, s’il vous plaît!)

    • Tibor Moricz Says:

      Esqueceu de dizer que se tratará de uma antologia inteiramente bancada pela editora, Saint. É esse o mote principal dessa matéria.

  13. Fernando Torres Says:

    Saint-Stockler, acho que o que está em discussão aqui não é se as coletâneas em sí, mas o fato de uma parcelas delas serem bancadas pelos autores e sendo as editoras meras diagramadoras e revisoras que recebem ao final como se investidoras fossem.

    Eu um conflito de interesses gravíssimo com qualquer produção cultural (isso inclui o cinema nacional) que é lançado no mercado com seus custos e lucros já garantidos a quem compete distribuir e vendê-lo.

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Fernando,

      não vejo conflito em os autores bancarem a sua parcela numa antologia, desde que a editora faça o papel de uma editora, que é editar (não meramente lucrar; isso é coisa pra bancos). O problema é que essas editoras aceitam tudo e qualquer coisa. Se houvesse uma editora séria que cobrasse mas fizesse a editoração (leitura crítica; sugestões para melhora do texto, etc.), e remunerasse honestamente o autor, eu não teria nada a reclamar.

      • Fernando Torres Says:

        Saint, não acho execrável o autor participar dos investimentos. Grandes autores fizeram isso em editoras muito respeitáveis (como a antiga José Olympio).

        MEu problema é exatamente a falta de interesse de uma editora em distribuir e vender livros (que deveria ser sua função) pois todos os custos e os lucros já foram garantidos de antemão.

        A seriedade vem do próprio risco.

  14. Fernando Torres Says:

    “Eu vejo um conflito” — deveria constar do segundo parágrafo.

  15. Ivo Heinz Says:

    Este debate está bom.

    Sim, se o autor quer “investir em si próprio”, não vejo problema algum, pode até queimar algumas etapas devido à exposição, e aprender muito com isso.

    Eu vejo problemas, concordando com Tibor e outros aí em cima, é com coletâneas feitas sem muito critério. Aliás, basta um conto que destoe muito dos demais para já deixar o leitor de má vontade em continuar a ler os outros trabalhos do livro.

    Saint-Clair, bem lembrado, lá nos EUA tem a Isaac Asimov Magazine, Interzone, e mais um punhado de revistas que publicam contos e noveletas, e PAGAM os autores por isso.

    Coincidentemente estou lendo agora uma coletânea editada pelo Gardner Dozois (The New Space Opera), e tem trabalhos de gente como Dan Simmons, Ian Mcdonald, Robert Silverberg, Gregory Benford, etc…), não vou nem falar que eles com certeza ganharam para autorizarem seus contos nesse livro, né ??

    O risco, na minha opinião, é a inversão de papéis que pode acontecer, como o Fernando escreveu acima: se a Editora RECEBE do escritor, então ela está prestando um serviço, quem recebe o serviço prestado é CLIENTE. Já se a editora PAGA a quem escreveu, é o escritor que será o prestador de serviço, e a editora o CLIENTE.

    Este relacionamento é que pode complicar, em alguns casos e falando de qualidade, sem generalizar.

  16. Alexandre Heredia Says:

    Vou tentar ser sucinto pois ninguém tem saco para ler comentários imensos e não quero ser mal compreendido.

    Escrever para outros lerem é uma profissão. E uma profissão pressupõe TRABALHO.

    E quando eu trabalho, espero ser remunerado.

    Simples assim.

    Sabem qual a diferença entre um escritor e um pedreiro? O pedreiro não fica se gabando no bar por ter contruído “aquele muro ali”. E se ele construiu, foi porque foi pago para isso.

    Eu escrevo por amor, mas publico por dinheiro.

    Ótimo texto, Tibor. Causou.

    Abraços,
    Alexandre Heredia

  17. Fernando Torres Says:

    Ivo, vocÊ entendeu perfeitamente a inversão de valores, na minha opinião perversa, que em muitos casos ocorre.

    Talvez eu seja mais radical que você em outros pontos, pois eu acredito que o autor “investir em sí” significa coisa diversa. O investimento do autor deve ser feito em livros, cursos, colóquios etc. Ou seja na sua formação e educação. Paa mim, quando um autor paga para ser publicado, ele deixará de comprar uma série de livros, deixa de frequentar cursos importantes que ajudarão ele a entender o próprio mercado e novas técnicas, enfim, coisas que são normais em outras profissões de caráter artístico.

    Claro que existem exceções. Muitas por sinal. Mas está na hora de se separar o joio do trigo, tanto entre os escritores quanto entre as editoras.

  18. Altair Lima Says:

    Desculpe, mas não me pareceu certo ler o que disse o Alexandre no seu comentário. Ainda mais que ele começou assim também, como bem pode atestar o trecho dessa entrevista com Ademir Pascale – aliás, um organizador de antologias:

    Ademir Pascale: Conte um pouquinho pra gente como foi o seu trabalho no desenvolvimento como co-editor do zine Necrozine.

    Alexandre Heredia: O NecroZine surgiu de uma necessidade de um grupo de autores, até então desconhecidos, de ser lido. O grupo se uniu com este objetivo. Estávamos cansados de apenas escrever em listas de discussão na internet. Queríamos levar essa carreira a sério, ampliar os horizontes. Criamos então o NecroZine. Todos contribuíam, não apenas escrevendo, mas também na arte, revisão, diagramação, divulgação e distribuição. As sementes da coleção Necrópole foram lançadas lá, não apenas com os autores participantes, mas também com a qualidade gráfica, um custo acessível e com textos primando pela originalidade. Foi uma experiência excelente, que cimentou as fundações de minha carreira.

    O que me parece é que as antologias no formato de cooperativa eram boas quando ele ainda não era conhecido, mas parece-me que ele mudou de opinião, já que antes era aceitável que todos colaborassem em busca de atingir o grande público mas agora ele quer “receber”.
    Nada como o tempo.

  19. Alexandre Heredia Says:

    Altair,

    não sei em que parte de minha entrevista você entendeu que eu PAGUEI para publicar. O NecroZine era uma publicação independente, quase artesanal, que criamos para divulgar nosso nome. Era feito no Word, xerocado com tiragens limitadas e distribuído GRATUITAMENTE em eventos diversos. Já a Coleção Necrópole foi completamente bancada pela Editora Alaúde, sem que entrássemos com um centavo sequer na sua produção, lançamento ou mesmo divulgação, como deve ser feito.

    Eu NUNCA paguei para publicar. E eu NUNCA mudei de opinião a este respeito. Quem me conhece desde antes de eu ter publicado qualquer coisa sabe que eu NUNCA fui a favor de que o autor pagasse por sua publicação. Pelo contrário, fui sempre um defensor ferrenho da remuneração dos autores.

    Você pode me acusar de qualquer coisa, menos de hipocrisia.

    Abraços,
    Alexandre Heredia

  20. Erica Says:

    Ótimo debate. Gostei do artigo e também o li inteiro. Li também os comentários. Acho muito bom que estejam surgindo coletâneas no mercado, acho também excelente que escritores estejam se unindo para publicar um livro, seja como editora, seja como coletânea, e para criticar o mercado editorial. A não ser que se ganhe um prêmio literário ou uma bolsa do governo, é muito difícil que médias e grandes editoras comerciais publiquem um escritor estreante (com experiência). Publicar um livro é sim o caminho para começar a ser notado. Acho que a questão é: será um livro impresso? ele será disribuído nas livrarias? O público leitor brasileiro escolhe livros na livraria, fisicamente. Poucos, ainda, compram pela internet. A grande questão que vejo é: publique seu livro e, antes disso, pergunte: quem são seus distribuidores e livreiros? o livro será distribuído por todo o Brasil? No caso de reedição, eu ganho DA? No caso de venda de direitos de tradução, eu ganho DA?
    Se já não cansaram de ver, tem um post interessante do Nelson de Oliveira: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2659
    Parabéns pelo blog.

  21. talkativebookworm Says:

    Só ressaltando que a Fábrica dos Sonhos, como coletivo de autores, publicou uma coletânea em formato de ebook – como editora virtual- e uma como marca da editora Multifoco, sem ônus para nenhum dos autores participantes. Outras duas estão prontas, em busca de editoras ‘em papel’ até o mês que vem, quando irei publicar direto em ebook mesmo, caso elas não surjam.

    No mais, o formato da coletânea, temática ou não, é benefico para o mercado e para os autores, como prova o hiperativo mercado americano, que coloca coletâneas aos borbotões. O que não é, é a vampirização promovida por editoras que exigem uma quantidade absurda de dinheiro para publicar contos em livros super inchados, alguns com 50 ou mais autores. É o ‘loteamento literário’.

  22. Altair Lima Says:

    Na boa,, cara, longe de mim chamar alguém aqui de hipócrita, mas o fato é que você publicou pela Multifoco, editora do Rio que, se não é totalmente “demanda”, como algumas pés-de-chinelo por aí, tem um esquemão bem parecido com elas, pois o autor tem que arcar com as vendas até cem livros, para somente depois ir para as livrarias, isto é, SE conseguir vender cem exemplares. Não digo que o estilo Multifoco é ruim, acho até que é um meio termo razoável entre as demandas e as tradicionais. Mas que, de certa forma, paga-se para publicar, não tenho dúvidas. O livro é bom, tem lá suas qualidades, a editora também trata o autor com decência maior que a grande maioria do segmento, mas até os cem livros… vc paga, sim.
    Mas, enfim, muito pior que pagar para ser publicado é morrer desgostoso, com a gaveta cheia de textos, sem nunca ter publicado uma linha sequer. O certo é deixar que cada um escolha seu caminho e siga seu rumo como melhor lhe convém. Se o Paulo Coelho começou pagando do próprio bolso e hoje já ultrapassou os cem milhões de livros vendidos, tudo mais é possível nesse mundo. Mas só pra quem acredita.

  23. Ana Cristina Rodrigues Says:

    Opa, colega, vc não está bem certo do que está falando.

    Eu publiquei pela Multifoco a coletânea Espelhos Irreais e NÃO PAGUEI um centavo. Ninguém pagou. O que acontece é que até vender 100 exemplares, o valor do d.a. é menor (5%) e eles realmente tem essa politica de não colocar em livrarias, só vendendo direto pelo site deles. Mas não cobram um tostão. Não tem nada de demanda no sistema deles.

    Há sim, um selo de antologias – do qual Espelhos Irreais NÃO faz parte – que pede que os autores recebam em consignação 15 exemplares do livro pra tentar vender durante um mês. Caso não consigam, podem devolver seus exemplares para a editora, sem ônus. O problema foi que – espero que por inexperiência – os organizadores das coletâneas, acostumados ao esquema Andross, divulgaram que era necessário comprar. Mas isso já foi esclarecido.

    Tibor, meu outro comment não entrou?

  24. joão sebastião bastos Says:

    Lí um comentário sobre a pobreza de romancistas e a fartura de contistas. Soou meio preconceituoso (?!) , porque se de tudo isso sair um novo Dalton Trevisan, acho melhor que um milhão de romancistas mais ou menos, voce não acha ?

    • Tibor Moricz Says:

      Depende do romancista que surgir. Poderíamos baixar essa quantia quase astronômica pela metade. Quiçá por um terço. Quem sabe, alucinando um pouco, um quarto?

  25. Afonso L. Pereira Says:

    Tibor, sempre passo por aqui para dar uma espiadinha básica nos teus posts e, desta vez, meu bom, o assunto das coletâneas “publique e divida a conta” gerou polêmica e entorno dela uma série de comentários muito pertinentes e interessantes. Compreendi perfeitamente as argumentações das pessoas que defendem este tipo “investimento”, o trabalho que envolve, mas não há como negar que a saturação pode mais atrapalhar do que ajudar. E espero que esta “epidemia” de coletâneas sob demanda venha a se constituir parte de uma fase promissora da qual, realmente, desponte novos talentos e fortaleça aqueles que já são promissores, principalmente na Literatura Fantástica, da qual sou admirador incondicional.

    E mais do que constatar as tais coletâneas para se buscar o sucesso e a separação do “joio e do trigo” é ler “as resenhas destas publicações” por pessoas idôneas, de reconhecimento literário já estabelecido, que tenham “know-how”, sem predisposições por amizade ou troca de favores. Uma resenha séria, bem escrita, por pessoa gabaritada para fazê-la, sim, pode ser a solução para colher “pérolas” no meio deste mar!

  26. Eric Novello Says:

    Outra que me lembrei: a gente fica nessa de “beleza, um monte de contistas, cadê os romancistas?’ e se esquece de perguntar “cadê os livros de contos de 1 autor só?”. Abss!

  27. Ângelo Duilliuol Says:

    Então quer dizer que o senhor pagou para publicar na Terracota? Ouvi falar que ela não cobrava pra publicar os autores? Estou perguntando, porque mandei um texto para eles.

    • Tibor Moricz Says:

      Oi Ângelo, fui convidado a fazer parte de uma coletânea organizada pelo Roberto de Sousa Causo para a Editora Terracota. E não estou pagando nada para isso (recebendo, aliás). Pelo que me consta, a Terracota não promove coletâneas pagas, agindo como uma editora tradicional.

      • Ângelo Duilliuol Says:

        Que bom! Eles parecem sérios, mas o texto deu entender que ela também cobrava. E eu estou cansado de ser enganado por esse tipo de cooperativa intelectual. Não que eu ligue bancar meus textos, mas se tivesse um trabalho sério na qualidade dos livros… Então continuarei a aguardar o resultado.

  28. Dalton Almeida Says:

    Gostei do texto e concordo com a lógica do escrever e ser pago por isso.

    Tenho colegas que pagam para ser editados. Eu me considero mais tradicional. Prefiro que me paguem ou eu não publico. Na minha opinião, se não me pagam ou não sou selecionado para antologias gratuitas, é porque não tenho nível ou não apresento nada de inovador. Então não mereço ser editado e eu de ter de conviver com minha irrelevância.

    Abraços,

    Dalton

  29. Dan Ramos Says:

    Este debate está tão interessante de acompanhar que estou comentando aqui mais para assinar o track de comentários.

    Sou um contista muito do amador (hobby; quem quiser se arriscar, o link do blog onde escrevo com minha noiva, que é bem melhor, está relacionado ao meu nome pra clicar aí em cima), mas realmente não gostaria de pagar para trabalhar. No meu ganha-pão (ilustração e direção de arte publicitária), o problema já é trabalhar de graça pra amigos e empresas picaretas que te prometem “visibilidade”, e há um grande movimento contra isso há muito tempo.

    Favoritei o blog, Tibor! Abraços!

  30. Tiago Lobo Says:

    Gostei bastante do artigo Tibor, concordo em grande parte com as opiniões que tu apresenta.

    Eu acho que posso falar com base em experiência nos dois expectros: o de autor que pagou para publicar e o de editor, mesmo que novo.

    Como autor eu paguei para publicar um conto em uma antologia e aconteceu o que tu disse no artigo: acabei não vendendo os exemplares e tive que pagar por razão de contrato. Me arrependo e por isso não repito a dose e não compactuo com a proposta.
    O conto só serviu para conhecer pessoas bacanas com quem firmei boas amizades.

    Como editor, após sentir na pele o que narro acima, resolvi criar um concurso cultural para a publicação de uma antologia onde os autores são pagos pelo seu trabalho. Como entendo que deva ser. Tive a sorte de achar uma editora que “comprou” a idéia e topou investir.

    O que vejo em alguns novos autores é que, na ânsia de publicar seu material, eles acabam pensando que editores fazem caridade ao publicar um livro, agradecendo imensamente a “oportunidade”. E não existe isso. A editora investe na produção intelectual do autor e o transforma em um bem de consumo. É uma sociedade. Ponto – é assim que funciona.

    Abraço.

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