Procura-se revisores. Vivos os mortos.

lingua

“A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar.”

Atribuem a Monteiro Lobato a declaração acima. Nada é mais verdadeiro. Quem que no trato com as palavras, na lida literária, não passou (nem passará) por poblemas como esses?

Lembro da enxurada de críticas que Síndrome de Cérbero recebeu devido a problemas de revisão. Problemas que foram evitados em Fome.

Qual é, afinal, a grande dificuldade em ler e corrigir sentenças? O que dizem os revisores, eles mesmos, na labuta, que apesar de supostamente preparados para isso, também deixam passar sacis?

Segundo José Costa, personagem de Chico Buarque em Budapeste, o húngaro é a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita. Mas será mesmo? Não caberia ao português, tão cheio de regencias, de regras, de concordâncias, de conjugações, de inflexões, de tratamentos, de objetos diretos e indiretos, de bigodes, tão cheio de tantas coisas que se torna um tormento decifá-la adequadamente, o status de ser a língua que o diabo mais deveria respeitar?

É tão comum pegar em livros e sair topeçando em cagadas e cagadinhas. Ninguém escapule. Não há editora que possa dizer que está livre desses sacis.

Rocco, Objetiva, Cia das Letras, Planeta… Que dirão as editoras menores, onde erros inesplicáveis (confissões do) bordejam a torto e a direito.

Onde está a solução? Revisores competentes (existem, não existem?), prazos menos exígos (na correria ninguém consegue trabalha direito), pagamentos melhore (ganhando pouco não existe estímulo), Lei da Chibata como incentivo (tanto para revisores quanto para editores sovinas), adoção do esperanto como lingua oficial?

Que se manifestem os revisores, por favor.

Obs: Aposto que se solicitar a 10 revisores que leiam esse artigo, eles não serão unânimes em sugerir as correções aos erros propositalmente cometidos.

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11 Respostas to “Procura-se revisores. Vivos os mortos.”

  1. Ana Lúcia Merege Says:

    Ah, bem que eu vi que esses errinhos não eram coisa de Tibor!

    Felizmente não sou revisora (ô trabalho ingrato!) e não me darei ao trabalho de apontá-los. Mas o que você diz é verdade. Mande o corvo, a águia e o lince lerem um texto… pelo menos uma gralha vai escapar aos olhos de cada um!

  2. Vianco Says:

    Errar é o mano.

  3. Daniel Folador Rossi Says:

    Bem que eu vi aqueles eSplicar ali xD

  4. Carlos Orsi Says:

    O problema é que, quanto mais familiarizada uma pessoa fica com a linguagem escrita, mais ela “lê sem ler”, prevendo as palavras que surgirão a seguir e deduzindo o que está escrito pelo formato geral da palavra (é por isso que dá pra ler uma coisa como TR4V3SS31R0 como “TRAVESSEIRO”). Tipo, quando se encontra a expressão “A situação era muito delicada, o leão atacava furiosamente, e a vida de Héracles pareceu, por um momento, equilibrar-se no fio da…” todo mundo que conhece um pouco de linguagem já pressupõe que a palavra seguinte vai ser “navalha”, então se estiver escrito “navalla”, “navilha”, “novilho”, a chance é passar batido. Principalmente na revisão de textos longos, a atenção para esse tipo de detalhe vai sumindo com o tempo.

  5. Carlos Orsi Says:

    Acho que mostra uma limitação básica da atividade… Tipo, nem o Bolt é capaz de correr uma maratona com a mesma velocidade com que corre os 100 metros, certo?

    Existe, claro, uma diferença entre incompetência e exaustão, mas existe também uma zona onde ambas se sobrepõem.

  6. Erick Sama Says:

    Haha, quantos erros tem no post do Tibor, o provocador? Ele só está esperando alguém como eu e você morder a isca, né, Daniel? 😉

  7. Oficio Editorial Says:

    Verdade seja dita, bons revisores estão sumindo. Creio que a culpa seja das próprias editoras. A gama de profissionais dentro de uma editora é reduzida. Antes tínhamos preparadores de original, revisores de prova, copidesque, revisores de estilo, tradutores, norma interna para revisão etc. Hoje temos uma pessoa, no máximo duas, administrando uma rede infinita de freelances. O pior é que nem ao menos somos (sim, na 1a p.p.) unidos. Onde está nosso sindicato?
    Há um artigo muito interessante sobre esse assunto, “«En un lugar de la “Mancha”…» Procesos de control de calidad del texto, libros de estilo y políticas editoriales”, http://www.tremedica.org/panacea/IndiceGeneral/n_21-22_revistilo_SenzBueno.pdf
    (não irei morder a isca, mas não posso me conter a fazer 1 só comentário: o lugar em que ocorrem mais erros é no título.)

  8. Mila Says:

    Quando um texto está livre de erros, o mérito é do autor. Quando está cheinho deles, a culpa é do revisor…

    E eu não vou apontar os seus porque não trabalho de graça. 😉

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