Se vão pagar, pelo menos exijam seus direitos.

Novos autores

Não pretendia voltar a este assunto tão cedo, mas é impossível ignorar a quantidade de acessos que meu blog recebe, baseado em pesquisas feitas em ferramentas de busca com o tema: editoras+autores novos+publicação (e inúmeras outras variações).

Nas últimas três semanas foram computados mais de 80 acessos a partir desses  termos. São inúmeros novos autores desesperados em busca de editoras dispostas a publicá-los.

Sabemos que o mercado é extremamente seletivo e somente aqueles com talento indiscutível (ou ótimo potencial) e produção constante encontram lugar. Mesmo assim à custa de muito esforço, de muita batalha. Esse pequeno exército de autores novatos é mercado fértil para aqueles que organizam antologias pagas.

Recentemente vi um comentário numa das comunidades do Orkut voltadas a FC ou Fantasia, de uma nova autora procurando editora onde pudesse pagar pouco para publicar. Surpreende a inversão de valores. Sente-se que, pouco a pouco, vai se cristalizando o conceito de que para publicar é necessário pagar.

Li também uma curta entrevista com um autor do Sul, que publicou agora o primeiro livro. Ele diz num certo momento que se recusava a pagar para publicar e que só o faria se fosse através de seu talento. Caso contrário amargaria a não-publicação. Encontrou uma editora, por sorte (e por competência), que bancou seu livro.

São dois  extremos da mesma história. Mas essa gangorra vai lentamente tendendo mais para o lado das editoras sob demanda e as que organizam coletâneas pagas. Elas vão engolindo o mercado, sôfregas, se aproveitando dessa massa de “autores” desesperados, dando-lhes um lugar no papel, mas não lhes garantindo nada depois disso.

Apesar de estarem prestando serviços, tratam o “cliente” como se fizessem para ele um imenso favor. E os “clientes” agradecem o favor recebido, incientes de terem financiado todo o projeto e além dele.

O anonimato continuará a rondá-los (à grande maioria), mesmo que exibam, orgulhosos, o livro onde constam seus nomes, misturados a outras dezenas, igualmente anônimos nessa turba de escritores desvalidos.

Não me parece que haja meio de reverter isso.

E lamento.

Dica 1: Se forem publicar em coletâneas pagas, exijam um contrato onde sejam tratados como clientes e onde estejam estipulados todos os dados inerentes à obra e ao seu texto. Nesse contrato deve fazer parte a lista de obrigações do contratado,  tais como: revisão, distribuição, análise crítica, pagamentos de DA e cláusulas relativas a uma possível segunda edição. Se qualquer uma dessas cláusulas não for obedecida, vocês têm o direito de exigir o dinheiro de volta (mesmo com o livro já publicado).

Dica 2: Procurem um bom advogado ou alguém mais experiente para detectar os “truques” de contrato, as cláusulas leoninas, as ausências. Não se deixem levar no bico. Vocês estão PAGANDO!

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3 Respostas to “Se vão pagar, pelo menos exijam seus direitos.”

  1. Antonio Luiz Says:

    Somando a isso, Tibor, gostaria de lembrar o caso do funcionário de editora que apareceu na mesma comunidade defendendo que contrato de edição é “relação trabalhista”: ele acha que o escritor é um tipo de empregado (e que ainda paga para trabalhar…)

  2. Cirilo Says:

    Sou adepto de manter meu dinheiro no bolso e o original na gaveta. Já faço um esforço tremendo e me sacrifico horrores para escrever, não é justo ainda ter de desembolsar uma grana…

  3. Mila Says:

    Pois é, Tibor. Se a fruta vende bem, continue plantando. 😉

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