Vampiros são hype.

dracula

Vlad Tepes, histórico príncipe da Valáquia, conhecido pelas empalações que executava em inimigos e desafetos, jamais imaginaria a repercussão que seu nome alcançaria devido ao que a inventividade humana foi lhe atribuindo com o passar dos tempos.

O vampiro histórico, do cinema e da literatura, pouco mudou desde o início, guardando as características mais comuns que o tornam tão peculiar e que o imortalizaram.

Para uns, caninos proeminentes, para outros, incisivos. A sede que o transtorna e o fortalece, o encantamento, a sensualidade e o erotismo explícitos no assédio. O temor secular pela luz do dia, por caçadores que conhecem suas fragilidades, por réstias de alho, crucifixos, água benta.

Bela Lugosi, Christopher Lee e Gary Oldman ajudaram a imortalizar Drácula no cinema em películas que aterrorizaram e deliciaram milhões de espectadores em todo o mundo. O vampiro que nossos avós conheceram é, com mínimas alterações, o mesmo que conhecemos hoje em dia.

A presença do vampiro acompanha gerações pelas mãos hábeis de autores talentosos (ou não), mas com o condão de manter vivo o mito. O avanço científico deu a alguns escritores a possibilidade de introduzir sangue sintético no lugar do natural, e filtros solares poderosos. Um poupa os humanos e o outro impede a morte terrivelmente dolorosa do vampiro incauto ou ousado sob a luz do Sol.

Com exceção desse make-up quase obrigatório diante dos avanços científicos por que passamos, o vampiro histórico é o mesmo de outrora. Sem evoluções genéticas que poderiam torná-lo naturalmente mais resistente às suas seculares deficiências (supondo que os vampiros pudessem sofrer mutações evolutivas num ritmo muito mais acelerado que os humanos).

Temos hoje vampiros adaptados à urbe, vampiros hype; vampiros executivos, vampiros hi-tec, vampiros boys, colegiais, traficantes, policiais, bonzinhos e mauzinhos, depressivos, bulímicos, com psicopatias sociais, histéricos, românticos, gays… Vampiros para todos os gostos, perfeitamente socializados, vivendo um cotidiano mainstream, apesar dos dentões e do regime alimentar no mínimo peculiar.

E, apesar da extrema banalidade característica do “viver-humano” que os contaminou, vendem bem nas livrarias, como podem atestar vários autores contemporâneos.

Há abordagens que procuram escapar do lugar comum, acrescentando ao personagem poderes e características inusitadas, como o faz André Vianco com seus vampiros tugas que estudaram na famosa escola do Professor Xavier.

Assim como narrativas fascinantes e de inquestionável qualidade literária de autoras como Giulia Moon e Martha Argel.

Assim como abordagens extremamente tradicionalistas como nos livros de Nazarethe Fonseca, com suas histórias “sangue com açúcar” (com a devida licença do Antônio Luiz).

E outras dezenas de autores, mais ou menos competentes (mais ou menos medíocres), que batalham por espaço nessa disputada prateleira.

Eu mesmo já escrevi um conto desse gênero, publicado na extinta Kalyopes. Quem n’algum momento não se rendeu ao fascínio desse universo?

Fascínio e lugar comum. O tema é tão explorado, explodindo com mais ou menos intensidade em períodos sazonais, que é raro ser surpreendido por narrativas originais. É extremamente comum começar um conto antevendo as linhas seguintes, numa sucessão monótona e entediante.

Alia-se a isso a inaptidão de parte dos novos autores em construir, estruturar e dar ritmo às suas narrativas.

Eu disse certo momento neste blog que esse universo é cansativo. Quero me redimir. Cansativos são os autores que são incapazes de inovar e trazer algo de inusitado, de insólito a um tema já tão explorado.

Tiro o chapéu a quem ousa.

Os demais perdem grande oportunidade de acrescentar algo ao tema, de construir um cenário revitalizado.

Talvez esses autores cuja abordagem é quase vitoriana de tão tradicional vendam bem, mas a história não se lembrará deles e sim dos outros que, com coragem, deram asas à imaginação e ousaram bem mais.

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8 Respostas to “Vampiros são hype.”

  1. Alexandre Heredia Says:

    Atualmente quando começo a ler um texto e percebo termos como “abraço”, “sangue pulsante”, “temida luz solar” e “maldição imortal” eu derrubo 95% das minhas expectativas. Isso quando consigo continuar lendo.

    Escrever é criar. Criar é inovar. Se não no conteúdo, inove na forma.

    E principalmente: use seus predecessores como degraus, mas não sente na escada. Seus leitorese (por que não?) a literatura agradecerão.

    E eu também.

  2. Saint-Clair Stockler Says:

    Bom, até eu já “cometi” um conto de vampiros – mas, humildemente, acho que não copiei ninguém, com meu vampiro tijucano…

    Gente, esse vampiro da foto é a cara do Bráulio Tavares! rsrsrsrsrs

  3. Flávio Medeiros Says:

    Eu escrevi um romance inteiro. Ouso dizer que ousei ousar. Só não sei quando é que, à boa moda dos vampiros, ele podewrá ver a luz do dia…rs*

  4. Vianco Says:

    Ei, Tibor, na real foi professor Xavier que estudou com Drácula primeiro. kkkkk. Fazer chover???? O Drácula já fazia. Ler mentes? Drácula já fazia. Se transmutar em outras formas? Drácula já fazia. Virar névoa? Drácula já fazia. Pois é, os X-men são Drácula demais.

  5. Guilherme "Casmai" Says:

    Eu escrevo contos sobre vampiros, no meu blog pelo WordPress e atualmente estou escrevendo contos sobre vampiros… Gostaria de ter algumas opiniões de leitores experientes no assunto. Quem quiser passar lah, sinta-se a vontade.

  6. samuel ramos Says:

    quero ser vampiro

  7. annie Says:

    eu tbm estou aberta a sugestões e ideias novas que mude o contexto cliche dos atuais vampiros. se alguem quiser postar algum comentário em meu blog, por favor, a vontade.

    anjosrevolucionarios.blogspot.com/

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