Metafísica da especulação – Diálogos I

letras

Ele:

— Ora você condena os escritores pela teimosia em publicar textos ruins, ora os incentiva dizendo que não devem desistir nunca.

Eu:

— Condeno os ruins.

Ele:

— Mas ruins e bons se misturam, no início. Se for para insistir, o conselho deveria servir para ambos os lados.

Eu:

— Sou mesmo contraditório.

Ele:

— Você é maluco.

Papo interessante esse. Mas não reclamo de todos. Só os que não têm mais jeito. Mas aí entra outra questão: eu sei quem tem e quem não tem jeito? Não, claro que não. Sei quem não tem jeito agora, mas amanhã ou depois é futuro.

É tudo metafísica.

Explica-se pela teoria de universos paralelos, pelo choque de átomos, pela explosão de Quarks… Um copo de glúons com aveia pela manhã, dizem, ajuda a combater o colesterol.

Literatura é especulação. E quem não especula não faz literatura. Então especulo o dia inteiro. Algumas teorias se mostram furadas, outras se mostram perfurantes. Ambas são polêmicas como se vê neste blog. Trazem comentários anuentes ou irados.

Mas não pensem que meus conceitos e opiniões são formas pétreas. Mudo de idéia de vez em quando. A vida não teria nenhuma graça sem uma certa volubilidade.

Eu gosto disso. Dessa exposição, quero dizer. Uma forma de mover as peças de um imenso tabuleiro de xadrez. Peças autoconscientes, que são movidas e se movem também, deliberadamente.

A vida é um jogo. De especulação. De literatura.

Os bons que me sigam. Os ruins voltem amanhã, que é outro dia.

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2 Respostas to “Metafísica da especulação – Diálogos I”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    «Mas está a falar de escritores ou de livros? Há pessoas que escrevem e há escritores. Não sei do que está a falar.»

    Pergunta feita por António Lobo Antunes (para mim, o maior escritor português vivo) a um cara que estava escrevendo um livro sobre ele, quando foi informado de que um outro escritor português tinha sido campeão de vendas no Natal.

    Acho que isso resume tudo: há pessoas que escrevem e publicam e há escritores. Nem todo mundo que tem livro publicado é escritor…

  2. Afonso Says:

    Acho que bem ou mal, provocativo ou não, bem querência ou antipatia que isto possa deflagrar contra você, Tibor, fico na premissa que os teus comentários aqui neste espaço possam “chacoalhar” um pouco aqueles pretendentes a escritores no sentido de rever os seus conceitos e suas próprias limitações para que possam superá-las. Eu, por exemplo, já recebi convites para participar de “Antologias” sob demanda, mas recusei porque ainda não me sinto preparado. Sempre afirmo categórico: gosto de escrever, se escrevo bem… ah, isso já é outra história. Sei que me falta investir ainda nas regras de ortografia, que sempre nos impõe rasteiras nem sempre visíveis, conhecimento para buscar coesão e criatividade, etc.

    Penso que há pessoas que não pretendem de fato ser um novo André Bianco, mas querem, por gosto, publicar um livro, sim, como um desejo pessoal… e que seja realmente lido. Ledo engano é pensar que se pode sobreviver de literatura neste país se o cara não for realmente bom no que faz e isto vale para qualquer profissão.

    Agora, é preciso ponderar um fato que talvez contribua com a massa de escritores que enveredam a publicar contos no papel de qualidade duvidosa. Grande parte do blogues e afins possuem um retorno para o escritor: os comentários dos textos. No Recanto das Letras, por exemplo, o mais concorrido site de literatura, onde qualquer um pode publicar o que lhe vier na veneta, as pessoas recebem sempre comentários elogiosos, mesmo que o texto não apresente as referidas qualidades. O escritor, então, passa achar que de fato ele é bom no que faz.

    Hoje, depois de ler centenas de textos para publicar no meu “site-blog”, depois de ler a polêmica por aqui, volto nos meus cinco textos que tenho publicado lá e penso… putz, tá faltando muita coisa ainda. Ler os diversos estilos nos faz “enxergar” defeitos que não queríamos enxergar antes. Vou ter que fazer algumas mudanças nos meus contos, quando o tempo me sorrir.

    Ainda sobre os comentários dos blogues, é certo também, que as pessoas que o fizerem, sob o viés de uma postura crítica, saibam, de fato, fazê-lo! Um comentário depreciativo ou grosseiro não ajuda em nada o “melhoramento” do potencial escritor.

    De qualquer forma, Tibor, considero positiva essa sua “cruzada” pela qualidade da Literatura Fantástica!

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