Mercado editorial. Ou vai ou racha.

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A Tarja Editorial aperta o pé no acelerador e além das coletâneas que vem patrocinando, apresenta o livro Os dias da peste que está em pré-venda. Pelo trecho que li e que está disponível no site da editora e pelo que se fala do livro, não espero menos que um “ótimo” na sua classificação de qualidade. Nazarethe Fonseca está bombando com Alma e Sangue, o despertar do vampiro e Império dos vampiros, publicados pela Editora Aleph. A Terracota vem com coletâneas atrás de coletâneas. A Editora Draco está lançando a Imaginários (volumes 1 e 2) e Xochiquetzal – uma princesa asteca entre os incas, o novo romance de Gerson Lodi-Ribeiro. As editoras que promovem coletâneas pagas estão em franca produção (não me agrada isso, mas fazer o quê?), Nelson de Oliveira mantém o pique de seus portais e ainda promove outras coletâneas voltadas para o gênero, publicando na, pasmem, Editora Record. A Editora Devir relança Padrões de Contato de Jorge Luis Calife e Crônicas de Gerson Lodi-Ribeiro e Despertar de J.M. Beraldo, ambos no universo Taikodom. A Não editora bombou com Ficções de Polpa – que continuará em novos volumes – e Areia nos Dentes de Antonio Xerxeneski, e editoras sob demanda, ou não, investem no gênero, despejando no mercado material em abundância.

Estamos vivenciando um boom editorial dentro do gênero, ou um lampejo de sanidade antes de uma cardiopatia fatal? Veremos o paciente saltar, lépido e fagueiro, ou estamos prestes a assistir ao seu último suspiro?

Que esse ritmo “Page Turner” da literatura de gênero no Brasil continue frenético, é o que espero.

Ainda me falta assistir ao lançamento de um romance do top Carlos Orsi Martinho, outro do criativo Octavio Aragão, do talentoso Eric Novello, da incrível Cristina Lasaitis, do surpreendente Antonio Luiz (creio que ele tem um, e bom) e de muitos outros talentosíssimos escritores, que apenas aguardam a vez.

Que esse ritmo acelerado, em vem de conduzir à cardiopatia citada acima, funcione como um gigantesco acelerador de partículas, fazendo surgir do entrechoque de talentos, aquelas almas diferenciadas que brilham mais que muitas estrelas, elevando o gênero a um patamar impossível de ignorar por parte das grandes editoras que a ele torcem o nariz.

Que as cornucópias vertam cada vez mais.

É bom para o mercado, é bom para as editoras e é excelente para novos escritores que têm mais chances de serem vistos, publicados e lidos.

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6 Respostas to “Mercado editorial. Ou vai ou racha.”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    Gostei muito da capa do livro da Tarja. Esse vai ser um lançamento que vou fazer questão de comprar e ler com lupa!

  2. Horacio Corral Says:

    Eu considero que o “boom editorial” é muito mais um filho da facilidade que existe hoje para publicar – imprimir e fazer livros – do que um esforço consciente da ‘intelectualidade editorial’ em abrir espaço para este ou aquele gênero literário. O modelo de negócio Cauda Longa, isto é, maior diversidade + menores quantidades, tem se popularização, assim como tem surgido nichos de mercado mas nada além disso. Um fator crucial que os autores/escritores esquecem é: a venda da obra/produto. Isso continua sendo pífio e mal gerenciado. O planejamento comercial que é essencial na maioria das editoras é inexistente ou amador. Quantos dos autores dessa nova geração ‘de gênero’ são conhecidos dos leitores brasileiros? 99% são absolutamente desconhecidos, o 1% é representado por Srs. como Causo, Lodi-Ribeiro, Calife, etc. O investimento para sair do “gueto” é muito maior, complexo e requer mais profissionais, ainda há pouquíssimas pessoas que “vivam só disso”. Esperança há, sempre há, mas não é a esperança e a boa vontade que vai atrair leitores e investidores para este mercado.

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Concordo com o que você expõe, Horacio. Mas, em sua opinião, há alguma(s) alternativa(s) pra tornar esse crescimento mais consistente?

      • horaciocorral Says:

        Saint-Clair, tem solução sim: O profissionalismo das editoras e um bom planejamento comercial.

        Livro é produto, como qualquer outro, e a venda dele é que permite a existência da profissão conhecida como escritor.

        Um exemplo, a editora Ano-Luz, já extinta, contou com excelentes autores e obras, o que faltou para deslanchar? Profissionais da área comercial e marketing dedicados exclusivamente a comercializar e divulgar as obras e os autores, feito isso da maneira correta, a editora ainda existiria.

        Me atrevo a dizer que o problema das editoras não é falta de boas obras é falta de competência comercial para colocar o livro na prateleira certa pelo preço certo e na quantidade certa.

        Há esperanças, nós dois conhecemos algumas pessoas que se empenham nisso mas me nós dois sabemos que o empenho de poucos não salvará milhões, e esses milhões – ou melhor centenas – tem tendência a brincar de remora.

        Ajudar e divulgar os livros, autores e editoras, sim. Mas isso é primordialmente um trabalho das editoras e não dos fãs.

        Bom, desculpe discorrer tanto sobre o tema é que é algo que eu vivo falando e ninguém parece perceber que o X da questão não tem nada de misterioso ou incalculável, ainda mais se você tem um noção de como funciona o resto da equação.

  3. Cristina Lasaitis Says:

    Pois é, Tibor! Falando em romance, prometo que vou ligar o acelerador de partículas.

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