O fim do mundo é agora.

Quando era criança, cheguei a ser levado ao Poço das Antas três ou quatro vezes, ou pelo meu pai ou por meu irmão mais velho. Esse recanto natural fica localizado ao pé da montanha em Mongaguá, São Paulo.

À época tínhamos que percorrer trilhas em meio à mata virgem até chegar a uma piscina natural, abastecida por uma cachoeira. Pedras salientes serviam como plataformas de mergulho de onde, os mais corajosos, se lançavam às águas geladas em mergulhos denodados.

Fiquei muito tempo sem voltar lá, só o fazendo anos mais tarde, quando resquícios de urbanização se faziam notar. Era ainda um lugar maravilhoso e com mais fácil acesso.

Ontem, domingo, arrisquei-me a ir ao Poço das Antas, com minha mulher e meu sobrinho de dezesseis anos que veio passar o final de semana conosco.

Uma fila de carros tornou o avanço impossível pela estrada de terra que dá acesso ao local. Tive que estacionar à margem da rua, assim como muitos o estavam fazendo, para seguir a pé os cerca de duzentos metros que nos separavam dos guichês de entrada.

Uma turba seguia em frente, carregando nas mãos, sobre a cabeça e no lombo, caixas de papelão, isopores, sacos e sacolas contendo as mais bizarras combinações. Ao chegarmos ao guichê vimos que cobravam dez reais por carro ou dois por pessoa. Não nos intimidamos e entramos pela saída, ignorando qualquer olhar reprovador e misturados à multidão que fazia o mesmo.

Ficamos chocados com a vista.

Era mais assustador do que qualquer coisa que já tenham escrito dentro de um cenário pós-apocalíptico. Milhares de pessoas se entrechocando, suadas e bêbadas. Focos de incêndio (churrasqueiras de tijolos ou montadas às pressas com as pedras do lugar) a perder de vista, num espantoso panorama digno da obra Divina comédia de Dante Alighieri. Num arroubo de imaginação, catapultado pela visão de horror, imaginei seres de caudas pontudas, chifres e dentes pontiagudos volitando ao redor dessas fogueiras, portando tridentes, enquanto carnes humanas assavam no fogo que vinha das entranhas da terra.

Latas de refrigerante, copos descartáveis dos mais diferentes tamanhos, pedaços de papel alumínio, ossos roídos, maços de cigarro, bitucas de cigarro (muitas ainda acesas, as pessoas pisando em cima e saltando assustadas com o ardor, sem, contudo, questionar a origem ou o poluidor), tampas de garrafa, embalagens diversas… Tudo jogado ao chão sem nenhuma cerimônia.

Percorremos a centena de metros que nos levaria ao Poço propriamente dito, como se estivéssemos em Serra Pelada, seguindo a corrente em busca do ouro no fim da garganta. Ao chegarmos, nos deparamos com uma piscina rasa devido a escassez de chuvas na região e com o populacho brigando por centímetros de água.

A fumaça impregnava todo o lugar. Cheiro de gordura queimada. Gritos de crianças, de mães, de pais, de gente estranha, de animais famélicos e totalmente insensíveis a toda destruição que iam promovendo.

Fomos embora terrivelmente chocados.

Mais um recanto natural de indizível beleza destruído pela ação do homem. E eu me senti envergonhado pelos outros. Envergonhado por ser humano. Envergonhado pela minha própria natureza.

Esse lugar não é nosso. E o equilíbrio natural só se dará quando formos expulsos daqui, de uma forma ou outra.

Quiçá ocorra logo.

ADENDO – Prefeitura de Mongaguá responde. Responde?

TIBOR, puxa, não sei nem o que dizer dessa matéria, já vi e presencie durante o ano passado alguns dias como o de domingo, gostaria de observar que somos poucos prontos para olhar para o amanhã e muitos dispostos a destruir o hoje, mas mesmo assim, não desanimo, tenho insistentemente me colocado a frente dos destruidores, colocado “a cara pra bater sem medo”, desafiando com o NÃO NOSSO DE CADA DIA essas pessoas que só vem pra levar e não contribuem com nada. Acredite, estou fazendo a minha parte como representante do poder publico nesta pasta, contrariando interesses em prol do que acredito, gosto e onde vivo.

Atenciosamente,

Luciana Trizzini
Diretor Municipal de Cultura e Turismo
Prefeitura da Estância Balneária de Mongaguá/SP.

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37 Respostas to “O fim do mundo é agora.”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    Acho que vai ocorrer mais rápido do que pensamos, Tibor. Só tenho pena dos meus sobrinhos, coitados.

  2. Saint-Clair Stockler Says:

    Voltei. Acaba de sair uma reportagem que tem a ver com o seu texto. Dá uma olhada:

    http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/mudanca-climatica-afetara-primeiro-a-agua-08022010-0.shl

    Desolador, não? Saber que temos uma jóia de valor incalculável nas mãos e que a estamos destruindo alegremente…

  3. Dalton Almeida Says:

    O homem tem tanto direito ao mundo quanto os outros animais. O problema do homem é que sem um Estado que preste e um senso de proporção e bom senso que funcione….ele destrói o mundo a sua volta.

    Acredito que problemas como o que vc viu tenderão a diminuir…

    Não acredito em uma utopia…. mas pior que a distopia que estamos fica difícil.

    Não abandone a humanidade ^^ enquanto houver cristãos de qualidade, ainda há esperança 🙂

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Aqueles mesmos cristãos que, na Idade Média, mataram milhões de “hereges” e os mesmos cristãos que, há bem menos tempo, mataram outros milhões ao redor do mundo (África, Américas, incluindo o Brasil e nossos índios) “evangelizando-os” e os levando à Verdadeira Fé?

      Tenho medo dos cristãos. Muito medo, aliás. O Cristianismo nunca trouxe nada de bom para a humanidade.

      Aliás, foi justamente uma ordem do Senhor, cumprida à risca por qualquer igreja cristã até hoje, que contribuiu bastante pra situação chegar ao ponto insustentável em que está: “Crescei e multiplicai-vos”. Pergunta pra qualquer líder cristão se não está na hora de haver um controle de natalidade e você vai ver o pânico nos olhos dele. Ninguém quer ouvir falar em redução do número de ovelhas (que eu chamo de “gado”) do Senhor, por motivos óbvios…

    • Sacha A.Ramos Says:

      Sei que provavelmente não quer e poderá até gritar e arrepelar cabelos, Erick, mas vou mesmo rezar por você. Sem ironia e com verdade. Aguente-se!!

      Tibor, a desdita da Cachoeira (e a sua) impressiona e entristece. Pois os seres humanos deviam ter, sim, mais respeito por toda a Criação, além de por si mesmos e uns pelos outros. Aliás, o primeiro tipo de respeito não surge sem o segundo. Como ensinou, entre outros, S.Francisco de Assis (essa é ;), sim Erick! hehe).

      Mas isto não é motivo para desistir da humanidade, pelo contrário, é ocasião para meter mãos à obra. Em defesa de TODA a Criação… da qual também fazemos parte, goste-se ou não.

      B&A deste cantinho de Portugal

    • Sacha A.Ramos Says:

      LOOOOOOOOOOOOOOOLLLL
      Que mau da minha parte!!!!
      É de estar sempre a ver o Erick Santos “verdinho” no gtalk, só pode, claro!!!! Pensei Saint-Clair, escrevi Erick… mesmo não tendo nada a ver…hehe quem me conhece não estranha estas minhas confusões de nomes… e eu já estou tão habituada que nem noto (excepto no trabalho), para minha (des)graça!!
      Desculpas pela troca, a todos os envolvidos… Saint-Clair!! o próprio Erick e ao autor do Blog, Tibor!
      sorry sorry….
      Mas vou rezar à mesma pelo… Saint-Clair Stockler…
      😉
      b&a à mesma!

  4. Bruno Cobbi Says:

    Eu também me faço a mesma pergunta: o que aquele arcanjo está esperando para soprar a bendita trombeta?

  5. Daril Says:

    Realmente a lógica aponta para o caus futuro. A menos que o homem fuja da terra para o espaço. O que é uma incoerência: Gastar trilhões de dólares em pesquisa espacial enquanto terceiro mundo passa fome!
    A propósito, quanto aos comentários sobre cristãos: Sou cristão e à favor do controle de natalidade. Mas mais eficiênte que o controle de natalidade sería o controle da impiedade, o controle do egoísmo, o controle da incredulidade e do desamor!
    É também bom lembrar que, apesar dos falsos cristãos que vivem do leite e da carne das ovelhas, se temos direitos humanos e trabalhistas hoje no mundo, devemos isso à Bíblia e aos cristãos! Basta olhar para a história sem preconceitos para se ter prova disso.

    • Saint-Clair Stockler Says:

      “se temos direitos humanos e trabalhistas hoje no mundo, devemos isso à Bíblia e aos cristãos!”

      Hahahahahahaha, quase me mijei agora de tanto rir aqui… Direitos humanos e trabalhistas graças aos cristãos? Em que realidade paralela, filho? Porque não é na que eu vivo. Vai ver você está em outro mundo parecido com o nosso, uma coisa assim meio “Fronteiras do universo”. Se dependesse das igrejas cristãs, os homens seriam ainda escravos, mão-de-obra gratuita e reprodutores, nada além disso.

      E no Brasil os direitos trabalhistas não surgiram graças aos cristãos, muito pelo contrário. Começaram, basicamente, graças a um homem chamado Getúlio Vargas (se ele foi populista que nem o nosso atual presidente, o Barbudo Vacilão, esse é outro papo), ao qual muitos brasileiros mais idosos se referem respeitosamente como “O pai dos pobres”. Bom, foi assim pelo menos no Brasil em que eu vivo. Pode ser que no seu os cristãos tenham feito alguma coisa a mais além de sugar as massas como carrapatos…

  6. Ila Fox Says:

    Ficou faltando uma foto do antes e depois. 😉
    Realmente lamentável este tipo de coisa. 😦

  7. BT Says:

    Ótima história de viagem no Tempo, Tibor.

  8. Giseli Says:

    Precisamos mesmo dar uma limpada por aqui ^^ Tipo, devia só sobrar 1 bilhão de pessoas =P

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Gi, existem prognósticos sérios (repetindo: sérios) que dizem que nos próximos 100 anos a humanidade vai ser reduzida a não mais do que algo entre 500 mil e 1 milhão de pessoas. Sim, isso mesmo: menos de 1 milhão de pessoas no mundo todo. E você perguntará: para onde irão as demais, os bilhões todos? Tirando a diminuição na taxa de natalidade, as já nascidas serão mortas por doenças, escassez de água, furacões, terremotos, enchentes, etc. É Gaia (o planeta entendido com uma única entidade) quem vai “se limpar” dos vírus que tanto mal fazem e ainda lhe farão: nós mesmos, homens e mulheres.

      • Giseli Says:

        Pois é… tudo o que é exagerado faz mal. Já tem gente demais da conta por aqui e é questão de tempo até algum mecanismo, natural (como Gaia) ou artificial para controlar a população. Não duvido nada de que leve menos que 100 anos para isso, viu, Stockler.

  9. Daril Says:

    Sr. Saint-Clair, talvez estejamos mesmo em mundos diferentes. Pelo menos espiritualmente falando!
    Ou talvez o senhor esteja confundindo cristãos com alguma instituição religiosa. Cristão é algo como um Cristo pequeno. Se Cristo estava errado, então os cristãos também estão. Se certo Ele, certos eles. Todavia infelizmente nem todos que se dizem cristãos o são!
    Tanto a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776) que se baseou na tradição profética judaico-cristã como a Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa (1789), baseada no humanismo idealista de origem grega supõe que todos os homens foram criados pelo único Deus, pai de todos, que os dotou com
    uma única natureza racional, que lhes confere a dignidade de pessoas humanas.
    Daí se originaram os demais tratados de direitos humanos.
    Hoje toda carta magna tem seu germe no Decálogo de Moisés.
    Hoje existe descanso semanal remunerado nos países ocidentais porque Deus no relato bíblico puniu didaticamente os transgressores do sétimo dia, dando a entender que o homem precisava de um descanso após 6 dias de trabalho.
    O movimento sindical somente teve início em 1895 por cristãos alemães.
    Antes disso e depois desse marco inúmeros cristãos gastaram suas vidas pelos direitos humanos e trabalhistas.
    Muito mais poderia ser dito, mas aqui não é o lugar para isso.
    Um texto interessante que indico sobre o assunto é a “A Bíblia e a fundamentação ético-teológica dos direitos humanos” de Inácio Strieder:
    http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/2934/2934.PDF
    Ou melhor, leia a Bíblia! Sua excelência dispensa comentários

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Daril, é preciso um exercício de imaginação muito grande pra dar a mesma volta que você deu e a gente conseguir concluir que a Democracia (e todos os seus frutos) começou com os cristãos! Assumo publicamente a minha incapacidade de exercer tão amplamente assim as minhas capacidades imaginativas!

      Sobre Cristo, tenho apenas o seguinte a dizer: ainda bem que ele não era cristão! 😉 Gosto de Cristo e de Buda porque nem um era cristão nem outro era budista. O que seus seguidores fazem em nome deles (o que os cristãos já fizeram de ruim em nome de Jesus é infinitamente superior ao que fizeram os budistas em nome de Buda) não lhes pode ser colocado sobre os ombros.

      Espiritualidade, no meu humilde modo de pensar, não tem nada a ver com religião. O problema já começa aí: pra se sentir “santificadas” as pessoas acham que precisam fazer parte de alguma organização religiosa. Ainda bem que consegui escapar dessa ilusão há um tempão. Me sinto espiritualmente forte sem precisar acreditar em um Deus ou fazer parte de uma organização religiosa qualquer. Deus, pra mim, não passa de uma idéia atávica.

  10. Pliniosanches Says:

    Sabe porque o poço das antas fica (ou está) desse jeito?
    porque uma multidão de turistas (como vc) ,entram “pela saída” (como vc),carregando toda aquela parafernália,porque turista vem, bagunça tudo e vai embora sem ter compromisso com a cidade.tudo que vc’s não podem fazer nas suas casa , vem fazer aqui.
    O turista pensa que a cidade é uma terra de ninguém.
    PlinioSanches, morador da CIDADE DE MONGAGUÁ.

    • Tibor Moricz Says:

      Você se engana em vários pontos, Plinio.
      Primeiro, não sou turista e sim, morador da região.
      Segundo, O Poço das Antas está como está porque não tem controle, não tem regras, não tem fiscalização, não tem administração e não tem o principal: moradores da cidade preocupados o suficiente para cobrar da prefeitura um trabalho mais eficaz nesse sentido ao invés de apenas fazer bravata de seus pontos turísticos.
      Quanto a entrar sem pagar, fiz o que uma multidão ia fazendo. E porque faziam isso? Porque não havia cancelas, nem correntes, nem guardas para impedí-los. Uma verdadeira balbúrdia, uma verdadeira anarquia. Provavelmente me preocupo mais com o Poço das Antas do que pessoas como você, que são muito boas na hora de gritar indignados em caixas de comentários, mas na hora do “vamos ver”, fecham as portas de casa e deixam a cidade aos “vândalos” que vem de fora.
      Vá bater panela na porta da prefeitura, homem! Exija uma administração mais competente para a cidade.

      • Tibor Moricz Says:

        Ia me esquecendo: afaste os turistas de Mongaguá e a cidade irá à falência. O que precisam é de leis e que sejam cumpridas. Se a administração deixa as coisas ao Deus-dará, ficam do jeito em que se encontra o Poço das Antas, agora.

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Lendo o comentário de um “morador do local” é que começo a entender o porquê das coisas terem chegado ao ponto em que chegaram… rsrsrsrs.

  11. Dalton Almeida Says:

    Caro Saint-Clair,

    A sua leitura sobre o cristianismo esbarra gostosamente no pueril.

    Você cita como é praxe os “cristãos” que mataram seus ditos “milhões” na Idade Média. Tenho certeza que vc conhece mais da Idade Média do que isso. Diga-me, após a queda do Império Romano, que foi ao chão graças a descontinuidade em especial das bases morais da sociedade (e olha que tentaram cristianizar mas não deu tempo), o que sobrou na Europa? Apenas uma coisa. A Igreja Católica (a quem vc chama de cristãos.. cuidado…não é tudo a mesma coisa). Bom… a Igreja era a única instituição que sobreviveu ao império, com uma língua única, hierarquia e distribuída pelo território europeu. O resto? Só feudos.
    Os seus ditos “milhões” de mortos pelos “cristãos” (duvido que sejam milhões.. dá trabalho matar milhões de pessoas), ajustemos, os muitos mortos que a Igreja mandou pra fogueira, mandou com um processo de investigação, veja só, a Inquisição, e é fato, os processos estão no Vaticano pra quem quiser ver, outros “milhões” foram salvos. O que a Igreja fez foi instituir alguma ordem e método para julgamento. Ou vc acha que na Idade Média, pós- Roma, as pessoas não se matavam umas as outras pelos mais diversos motivos? Antes da Igreja, acusados de bruxaria (aquela que mata criancinhas para fazer poção da imortalidade e não aquela babaquice idiota que é a Wicca) eram mortos sem julgamento. Os cristãos salvaram milhões, os reis cristãos expulsaram da Europa os árabes muçulmanos que a invadiram (e hoje matam os não muçulmanos aos borbotões),os cristãos fundaram as bases de nossa moral e regras de convivência (inclusive as leis). Além de criar coisas como o método científico. E as primeiras explicações para o mundo.

    Quer um exemplo? Na antiguidade dizia-se que as coisas caem para baixo, porque lá é o lugar delas. Dá vontade de rir. (se vc não pensar a respeito). O que a ciência disse? Nada. Ela calculou a velocidade em que as coisas caem, que influências a gravidade (a força que faz as coisas cairem para seus locais) tem sobre a luz e outros corpos. Mas dizer, porque é que uma planeta atrai o outro, como ele “sabe” que á outro por perto. Isso ela não explicou. Olhando em retrospectiva, a Igreja deu uma simples explicação para o porque e ela ironicamente não entra em conflito com a mensuração da propriedade (gravidade).

    Continuando (Pós exemplo)…

    Nossa sociedade é chamada de judaico-cristã pois deve muito a Igreja Católica e tbm as várias protestantes. Um exemplo, são os protestantes que foram a América criar um novo mundo e que seriam importantes para muitos séculos depois barrar o terror perpetrado pelos comunistas não-cristãos, pelos nazistas entre outros.

    Ao transformar a história de erros e acertos acontecidos na Idade Média, em um padrão apenas negativo para leitura do cristianismo, vc simplesmente ignora pensadores básicos em nossa história, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino (e que são considerados relevantes e importantes, inclusive pelos ateus, no que concerne a leitura d e mundo e do homem). Além, nas entrelinhas, de achar que a ciência resolve tudo. Aliás, isso faz sentido na sua leitura sobre o excesso de pessoas no mundo. Isso é bobagem. O que falta ao mundo é organização e vc não deve perder de perspectiva a lógica da infra-estrutura social. Limite agora o número de nascimentos a menos do que 3 filhos por casal, e vc terá em 4 ou 5 gerações graves problemas sociais e a condenação de sua cultura. E é essa mentalidade cretina que leva os cristãos que mantêm no mundo de hoje, a democracia e a lei de forma aceitável, a serem substituídos pelos, esses sim bárbaros, muçulmanos na Europa (de forma paulatina e ironicamente pacífica), Muçulmanos estes que são incapazes de respeitar a individualidade e a auto-determinação (ao contrário do que dizem muitas liderança religiosas, hoje não há um país muçulmano que respeite as liberdades como um cristão). Vc realmente acha que poderia estar falando as “pueridades” que fala sobre o cristianismo sob um governo muçulmano, falando do islamismo? Tente um, que tal a República Islâmica do Irã? Vejamos quanto vc dura, sem ser morto pelo Estado, no caso, controlado pelo “carola” assassino do Kamenei.
    Cuidado com o relativismo moral e cultural padrão no ocidente de nosso tempo. Já parou pra pensar que ele defende os fanáticos orientais, enquanto condena os ortodoxos, pragmáticos e moderados cristãos? A quem vc acha que interessa tal relativismo? Ele lhe parece sustentável? Já pensou a respeito? Ou simplesmente replica-o sem análise.

    Bom…A solução de nosso mundo não está em redução de natalidade, controle populacional feito de forma estúpida (ou seja, sem levar em conta as necessidades da nação a médio e longo prazo), está sim em um cristianismo levado mais a sério e que por ser sério, respeita leis, a ordem, o direito a vida e dignidade do próximo, a moralidade e acredita na existência de um certo e um errado.

    E cuidado, na ciência e na filosofia, como tbm na religião, existem aos montes os germes do fanatismo e como em um Estado há três forças que se regulam, na sociedade tbm há três. Ao vc excluir uma ou duas (pois além da religião suas análises são rasas em questão de filosofia), vc tende ao fanatismo naquela que sobrou. E nenhum fanatismo faz bem a curto, médio ou longo prazo.

    De qualquer forma alegre-se, vc só pode discursar contra a sociedade judaico-cristã, sua moral, seus costumes e tradições, porque ela permite. Aproveite, ela tende a acabar, não só nas mãos dos relativistas, como devido a individualismos como o seu, que fazem o número de jovens cair, o número de velhos aumentar e a sociedade aos poucos literalmente morrer. Isso deve alegra-lo. Em mais uns 100 anos toda a Europa será eminentemente muçulmana. Deverá ser o que vc chamará de período dourado da humanidade.

    Abraços,

  12. Dalton Almeida Says:

    Esqueci… separei e não comentei essas sua frase caro Stockler:

    “Tenho medo dos cristãos. Muito medo, aliás. O Cristianismo nunca trouxe nada de bom para a humanidade.”

    Então vc tem memória curta. Visto que o cristianismo trouxe o sentido de paz, caridade, preocupação com o próximo, respeito a dignidade e a vida humana (leia para variar algum comunicado do Papa). Pare para pensar a respeito do exército da salvação, cruz vermelha, a ordem hospitalária dos cavaleiros de malta, o fato da Igreja Católica ser a maior instituição caritativa do mundo (com milhares de escolas, creches, orfanatos, hospitais e programas sociais pelo mundo).

    Quanto a Àfrica, a Igreja levou e leva ajuda humanitária, tenta evangelizar nativos que escravizam-se, mutilam mulheres e devido a própria lógica de infra-estrutura moral e familiar fazem da Aids um flagelo. (sim.. o problema na Aids está muito mais em os africanos terem relações fora de uma vida conjugal cristã, do que com a falta do Papa apoiar algo incompatível com lógica cristã que defende, o sexo fora do casamento).

    Vc tbm citou os evangelizadores cristãos. Não confunda quem vai a missa, com quem desce do barco atrás de escravos.

    Os jesuítas cristianizavam índios e assim faziam com que esses não pudessem ser escravizados. Aliás, a lógica do funcionamento da escravidão e complexa e é não-cristã. Na Europa da época não havia escravidão. Havia quando muito a servidão. A escravidão é algo cultural africano. Não inocenta os europeus que se aproveitaram do esquema. Mas mostra claramente que não tem nada haver com a Igreja.

    Ah… e foi a ordem cumprida a risca do “crescer e multiplicai” que permitiu as cristão sobreviverem as perseguições religiosas mais diversas. Pois sua força não estava nos exércitos e sim na dificuldade de eliminá-los devido a quantidade. Já pensou se os romanos tivessem nos exterminado, o que seria do mundo?
    Acho que não…. provavelmente aqui ainda seria um monte de mato, com indígenas se matando com tacape e tacando fogo na floresta para pegar os animas na saída.

    Abraços…

    • Sacha A.Ramos Says:

      Oi Dalton

      Gostei de ler o que escreveu e apoio a 100 por cento 🙂

      Faço reparar somente duas coisas…

      Primeiro, curiosamente os únicos aqui com uma mensagem de esperança para a Humanidade e a Criação são e assumem-se cristãos e são-no de forma consciente e informada, como aliás tem de ser e não supersticiosa. (As duas, Humanidade e Criação, são inseparáveis, aliás, poderíamos ser exterminados mas aí, quem existiria para apreciar belezas da natureza, como o “Poço das Antas”?).

      Segundo, a expressão “crescei e multiplicai-vos” pode ser também (ainda) interpretada como “crescei como homens, racionais, inteligentes e bons uns para com os outros, e multiplicai-vos como cristãos, ou seja, convertei outros”.
      Não será?

      B&A

      • Tibor Moricz Says:

        As belezas da natureza só poderão ser assim admitidas se estiverem sob o olhar do homem? Não podem ser belas por si mesmas, de e para os seres cuja consciência não atingiu a mesma magnitude que a nossa e, justamente por isso, são mais fascinantes e puras?
        A idéia de “crescei e convertei outros” me remete diretamente à Idade Média e à concepção de violências, influências, obrigações (a idéia do pecado é aterradora e serve como objeto de dissuasão poderosa). Que tal: “crescei e permiti que as pessoas escolham seus próprios caminhos e sejam, assim, felizes através das próprias escolhas?”
        Ser cristão não é melhor que não ser. Não é a crença que nos faz melhores. Somos bons ou maus independentemente das crenças a que fomos dissuadidos a seguir.
        Deus é para os cristãos? Deus é para todos, cristãos ou ateus ou muçulmanos, sem preferências.
        O Apartheid acabou 😉

      • Daril Says:

        Amigo Tibor,
        As belezas da natureza só poderão ser assim admitidas se estiverem sob o olhar do homem?
        R) Naturalmente os chamanos seres irracionais admiram a natureza tanto quanto nós. Talvez até mais porque não tiveram seus sentidos naturais corrompidos como nós tivemos. Mas é bom lembrar que o homem é a razão da natureza. Ela foi feita para nós pelo Supremo Criador!

        A idéia de “crescei e convertei outros” me remete diretamente à Idade Média e à concepção de violências, influências, obrigações (a idéia do pecado é aterradora e serve como objeto de dissuasão poderosa).
        R) Tudo o que fazemos é tentar de alguma forma influenciar nosso semelhante. É o que você está fazendo agora mesmo!

        Que tal: “crescei e permiti que as pessoas escolham seus próprios caminhos e sejam, assim, felizes através das próprias escolhas?”
        R) Ótimo! Esta é a prerrogativa que jamais pode ser anulada. O livre-arbítrio de cada um! Nem Deus pode anular a vontade individual! Sempre haverá dois caminhos à escolher.

        Ser cristão não é melhor que não ser.
        R) Só se pode responder isso com certeza absoluta se se vivenciou as duas situações! Eu já vivenciei as duas! E você?

        Não é a crença que nos faz melhores.
        R) A ciência e as pesquisas têm provado o contrário!

        Somos bons ou maus independentemente das crenças a que fomos dissuadidos a seguir.
        R) Corretíssimo! Mas o que você crê apontará o teu destino!

        Deus é para os cristãos? Deus é para todos, cristãos ou ateus ou muçulmanos, sem preferências.
        Corretíssimo! Deus quer todos! Mas quantos querem Deus?

        Grande abraço

    • Tibor Moricz Says:

      Hmmm… “Aqui ainda seria um monte de mato, com indígenas se matando com tacape e tacando fogo na floresta para pegar os animas na saída.”
      A resposta está nesta afirmação. O mundo sem cristãos seria muito melhor. Não haveria o progresso (hahaha) nem o preconceito contra os indígenas.
      Agora chega que esse assunto já deu no talo. Mais uma palavra e saio deletando comentários.

  13. Ricardo França Says:

    Parem de dizer de Deus como ele deva se comportar!

    Ou o que Ele deva pensar (?), sentir (??) ou agir (???).

    Pensando melhor, deveria se parar também de tentar aplicar os próprios padrões éticos como se eles fossem universalmente válidos p/ todos os seres conscientes. Apesar de existirem termos em comum biológicos, psíquicos ou estruturais e o julgamento se ancorar forçosamente no “a priori”, o mundo pode ser melhorado sim, apenas se apelando um pouco para a relativização dos próprios pontos de vista e abrindo seus princípios para o diálogo.
    (válido p/ católicos, protestantes, islâmicos, e todo e qualquer seguidor de qualquer credo monoteísta).

  14. JotaFF Says:

    Religião só pode ser discutida entre as pessoas de mesma crença. Nunca vi, nesse tipo de discussão, um lado realmente acabar por dando o braço a torcer ao outro.Pelo contrário. Ambos os lados sempre acaba encontrando mais e mais argumentos para seus posicionamentos. Não seria mais fácil se todos concordassem, como o Tibor sugeriu, a apenas aceitar as crenças dos outros? Ser cristão, não ser cristão, ser muculmano, budista, ubandista, satanista, onanista, é quase que uma aposta, onde cada um coloca as fichas onde acredita ser o lance da sorte, e só vão saber quem estava com o coringa na mão quando acabar a rodada.
    A religião, todas as religiões, do ponto de vista social, desempenhou um grande fator no desenvolvimento da humanidade ao redor do globo. Foram cometidos exageros horríveis em todos as facetas da vida em sociedade e a religião também contribuiu com seus excessos.
    Agora vamos deixar de pregação e nos atentar ao real problema trazido originalmente por esse post que é a depredação do patrimõnio público e ecológico. E o que cada um de nós pode realmente fazer para ajudar.

    Abraços

  15. Daril Says:

    Me desculpem todos! Não quiz ofender ninguém! Acho mesmo que toda esta discussão é em vão! Me desculpem, faltou me tato!
    Tibor, me desculpe por eu existir!
    Sincero abraço

  16. Will Says:

    A discussão esta deveras interessante, então resolvi dar meu palpite também. Acredito que o que o Dalton quer dizer não é sobre a cristandade em si, mas sobre o paradigma moral geralmente associado a individuos que seguem os costumes judaico cristãos. Não quero dizer com isso que esses conceitos morais só se apresentem entre esses individuos, posto que a moral é individual e não garantida pela fé, mas no caso sitado, a fé em Cristo apoia esse determinado conceito basico de moral mais do que outras religiões. Também não estou dizendo que este é o certo, isso foi apenas uma observação.
    Ao ver o Dalton com seu humanismo apaixonado, me dá até uma ponta de inveja pois gostaria de possuir a mesma fé no humano que ele, mesmo achando-o exagerado, e em alguns pontos, históricamente inconsistente. Do outro lado temos o Stockler, que com sua completa falta de fé chega as raias do niilismo.
    Imagino que possa sim haver nos proximos anos uma depredação ainda maior de tudo a nossa volta e que isso acarrete a morte de muitos, embora não nas proporções citadas. Penso que o entusiasmo humanista de um seja representado por pequenos grupos de proteção ambiental que ver surgindo e se fortificando ao redor do mundo nas ultimas décadas, embora, em ultima analise, sem um resultado muito relevante.
    Acredito em dados, e os dados historicos sobre os homens realmente não depoem a favor dos mesmos no quesito preservação do meio, mas ao mesmo tempo que mostram iniciativas a esse favor, mostram uma coisa ainda mais incrivel, e que considero o ponto forte da raça humana: “adaptabilidade”. Esse termo nos fez beirar a extinção por diversas vezes e ainda assim nos resgatou dela em cada uma. O ser humano muda, se adapta, sobrevive. Duvido que possamos adiquirir consciencia ecologica antes de ser muito tarde, assim como duvido que pereçamos por nossa própria incapacidade, mas acredito, cada vez mais, num futuro como o descrito no “fome” de nosso grande Tibor.
    Era isso.
    Abraços a todos.

  17. PLINIO Says:

    morador e DEMAGOGO,EU, FAÇO ALGUMA COISA PELA CIDADE, SOU ARTESÃO DE PRODUTOS RECICLAVEIS,E VC O QUE FAZ ?

    • Tibor Moricz Says:

      Não me interessa o que você faz, Plinio. Talvez seja um bom artesão, talvez, não. Mas com certeza é um idiota, provocador, frustrado e sem o menor senso crítico. Se o tivesse, não estaria esbravejando. Faço mais que você, pelo menos no caso do Poço das Antas. Discuto o assunto publicamente, insto a prefeitura a tomar providências. Viu que me responderam? Cheguei lá, meu bom. Faço mais que você, que se esconde atrás de suas artes e resmunga impropérios sem tomar nenhuma iniciativa pró-ativa. De moradores como você a cidade pode abrir mão.

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