O decálogo do bom organizador

Tentei elaborar uma lista que poderia até ser maior, tendo em vista que o papel (jamais profissão) do organizador é tão sério que não pode ser conduzido de maneira insensata, expondo a si mesmo e aos autores, que confiaram seus trabalhos numa organização presumivelmente séria, ao ridículo. Sei que estarei sendo redundante para muitos,  que já entendem essa responsabilidade com circunspecção. Por outro lado, sei que estarei ajudando a outros que ainda não “acordaram” para a seriedade do seu trabalho.

Aos que tiverem novos conselhos e regras, que as dêem na caixa de comentários. Vou atualizando a postagem na medida em que as receber.

1-Deixar bem claro desde o início as regras objetivas da coletânea, que deverão ser rigidamente obedecidas, tanto pelo autor como pelo organizador;

2-Estabelecer regras subjetivas (que não serão públicas) e essas poderão ser alteradas ao bel prazer do organizador;

3-A organização não deverá ser democrática. O organizador é feitor, é carrasco, é taco de beisebol. Sua vontade sempre vai imperar e quem não se adaptar a isso que vá arriscar seu trabalho em outro terreiro (salvo se o organizador tiver infringido o primeiro mandamento).

4-Nunca anunciar a coletânea sem ter uma editora parceira já na manga da camisa.

5-A busca por qualidade deve estar sempre em primeiro lugar. Se o organizador só recebeu textos fracos, então deve postergar o prazo de entrega dos textos e fazer novas chamadas. Jamais permitir que a coletânea seja publicada sem um nível aceitável de qualidade.

6-A regra acima deve imperar mesmo em coletâneas pagas. Se não houver qualidade mínima, a coletânea não sai, sob o risco de desmoralização do organizador e da editora envolvida.

7-O autor concorrente é como um fiel em confissão. O organizador é como o padre no confessionário. Jamais, de forma nenhuma, revelar em público (fóruns de discussão e redes sociais) parte ou partes de um texto recebido, no intuito de descaracterizá-lo, ridicularizá-lo ou ironizá-lo, sob pena de estar cometendo ato leviano e irresponsável. Essa atitude também desmoraliza o organizador.

8-Cabe ao organizador tratar todos os concorrentes de maneira igual, sem preferências nem pesos diferenciados.

9-As avaliações deverão obedecer a critérios técnicos, exclusivamente (embora caibam aí critérios também subjetivos, desde que obedeçam ao bom senso), elegendo apenas os melhores trabalhos, independente de quem os tenha escrito. Nome não ganha vaga.

10-Cabe ao organizador acompanhar todos os processos editoriais e assegurar-lhes a qualidade. É a ele que os autores confiaram seus trabalhos, e é a ele que vão culpar se alguma coisa der errada.

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8 Respostas to “O decálogo do bom organizador”

  1. Huguinho Says:

    Ah, vá! Tenho certeza que você ficou assistindo ontem o filme “Os Dez Mandamentos” no TCM, e daí veio a ideia do post de hoje!
    hehehe!

  2. Tibor Moricz Says:

    Sincronicidades, Huguinho, sincronicidades…rs
    Na verdade, atitudes levianas cometidas recentemente na WEB me inspiraram. Me desagradaram demais; achei necessário estabelecer os limites de um BOM organizador.

  3. @lecobastos Says:

    Muito boa, quando eu quiser virar um organizador. (Acho difícil) Irei cumprir todas as regras…ou NÃO. hahahaha(risada maléfica de organizadores que querem dinheiro!!)

  4. Douglas MCT Says:

    Interessante. A seleta de contos para o livro “Território V” (Terracota, 2009), feita pelo Kizzy Ysatis, seguiu exatamente estes 10 mandamentos. Foi a única, recentemente, que vi fazer um trabalho tão primoroso. =)

  5. Carlos Orsi Says:

    Pô, Tibor, por que não profissão? Nos EUA, gente como Martin H. Greenberg e Gardner Dozois praticamente vivem de organizar antologias. No geral, boas…

    • Tibor Moricz Says:

      É que aqui essa “profissão” é ainda cambaleante e alguns que se dizem organizadores “profissionais”, ainda não o são com mérito. Produzem verdadeiras porcarias.

      • Ricardo França Says:

        Se encararmos profissionalmente esta atividade, então das duas uma:

        Ou o organizador é o editor (podendo ter mesmo uma participação societária menor) e neste caso estaria comprometido com a politica editorial, caso no qual se trataria praticamente de uma “encomenda” em que os autores teriam que seguir rigorosamente a proposta da coletânea.

        Ou o organizador é um prestador de serviço/intermediário que está vendendo uma idéia para a editora. Tal figura teria um papel executivo mas também de negociador, e aqui haveria forçosamente uma maior flexibilidade. O sentido da relação de forças de certa forma se inverte aqui em que a idéia vem de “baixo para cima” permitindo até uma utilização de material não “encomendado” por parte dos autores.

        É claro que se tratando de relações comerciais pode se apresentar um espectro maior do que só estas duas alternativas.

  6. Tiago Lobo Says:

    Gostei bastante do artigo.

    Na minha opinião, “organizador” é sinônimo de “editor”.

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