Morte aos críticos literários!

Existem escritores e críticos. Existem escritores críticos. Existem críticos escritores. Não dá para conceber um mercado literário sem um e sem o outro.

Sempre que lançamos um texto na virtualidade ou o publicamos em papel, esperamos por feedback. Todos, sem exceção. Mesmo os críticos escritores. Porque eles, embora tenham pleno domínio da teoria literária e da rotina crítica, como escritores padecem do mesmo mal que todos nós: ansiedade.

Ansiamos ser bem aceitos. Ansiamos pelos elogios. Ansiamos por comentários pontuais. Ansiamos em ser aprovados num mercado em franca competição.

Mas não ansiamos por críticas. Nenhum de nós. As detestamos. As tememos.

Os críticos têm o odioso hábito de revelar publicamente as falhas de nosso trabalho. O dom de erguer cirurgicamente a pele vistosa no ponto exato onde, por baixo, borbulha o que há de mais putrefato. Os críticos são pessoas detestáveis, monstruosas, falsas, dispostas a destruir nosso amor próprio. Críticos literários deveriam ser pendurados de cabeça para baixo em praça pública e apedrejados.

Mas só quando o alvo de suas críticas está voltado para o nosso trabalho.

Se o alvo for o trabalho de outrem, o crítico é o mais abalizado, pessoa equilibrada, harmoniosa, de bom senso e atenção arguta. Gentil pessoa injustamente apedrejada.

Coitados de nós. Enquanto não formos capazes de assumir nossos erros, admitir nossas limitações e lutar para melhorarmos, tomando por base justamente esses comentários críticos, seremos obrigados a assistir o fuzuê lamentável e constrangedor que assolou a rede nos últimos dias.

Precisamos enfiar uma coisa na cabeça: toda crítica, mesmo a mais ácida, tem algo a nos ensinar. É ela que nos faz enxergar os erros cometidos, se tivermos humildade suficiente para isso.

Morte aos críticos! Uma morte metafórica, claro, porque são imortais. Com o poder adquirido das Fênix, renascem sempre no texto seguinte.

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14 Respostas to “Morte aos críticos literários!”

  1. Thiago Says:

    “Ansiamos ser bem aceitos. Ansiamos pelos elogios. Ansiamos por comentários pontuais. (…)
    Mas não ansiamos por críticas. Nenhum de nós. A detestamos. A tememos.”

    Ficaria mais sincero se essa parte fosse totalmente pessoal. Quero dizer, sei lá. 😛

  2. TS Bovaris Says:

    Pregar no deserto é uma missão para alguns, mas uma dádiva para outros. Cobras e lagartos não criticam, apenas observam e esperam. O pregador sorri ao ver aqueles seres que observam-no com olhar atento.

    Sem críticas.

    Sem ressentimento mútuo.

  3. Alvaro Says:

    Hilário!

  4. @lecobastos Says:

    Boa, que todos leiam…

  5. abortoceleste Says:

    Só passei a escrever um pouco melhor quando um escritor hoje consagrado passou a criticar sistematicamente os meus textos em sua oficina. Só mais tarde percebi o quanto isso foi necessário – e produtivo.

  6. Roberto Belli Says:

    Eu tenho um problema, eu sou o meu maior crítico. Os críticos não veem nem um décimo de minhas falhas. Por isso, nunca vou atirar pedras nos críticos, porque enxergam pouco e me dão o prazer de mostrar o que ficou visível. Tibor, excelente sua crônica, parabéns! Esse é um tema importante para todos nós.

  7. Marcelo Bighetti Says:

    A beleza de um diamante só é apreciada após os rigores da lapidação e mesmo antes disto o lapidador sabe que lá ela está escondida. Além dos críticos creio que somos os principais lapidadores de nossos textos.

  8. Osíris Reis Says:

    Falow e disse, Tibor! Preciso tanto na nossa agonia sobre os críticos quanto também sobre o quanto eles são necessários…

  9. valeska gonçalves Says:

    Vou me manifestar pq esse post contribui com um preconceito já tão difundido, gasto e limitador que não me aguento. Limita a potência das relações. Um autor tem o direito de lidar com a critica Real, a boa critica, sem misticismos ao redor dessa relação. Poxa vida, o critico não existe pra “criticar” a obra. Não fundamentalmente e da maneira como se espera, exposto aqui… (estou sendo categórica, mas mais proponho pensarmos, que imponho meu pensamento, é meu jeito de falar) Criticar é colocar em crise. Em crise a obra? Não. A boa critica coloca em crise a obra em relação a seu tempo. Essa relação que deve interessar tanto e tanto ao autor. Um olhar especializado, generoso.. sim, a Boa Critica é generosa, não confundir com os parlapatões que têm por aí. Então, é muito ruim colocar as coisas como nesse post de forma tão generalizante, incluindo a todos, sem exclusão de ninguém. Um post como esse tem que dar nomes. Ficaria mais bacana. Pq afinal como em todas profissões existem profissionais e profissionais.

    http://twitter.com/acabouoasfalto

  10. Flávio Medeiros Jr. Says:

    Uma das frases mais geniais do genial (estarei me repetindo?) Braulio Tavares: “O leitor é a mãe do escritor, e o crítico é o pai”.

  11. Albarus Andreos Says:

    Gostaria de colocar aqui um trecho de um entrevista que dei para o site Contos Fantásticos (CF), onde o entrevistados perguntava exatamente sobre meu hábito de comentar os textos de colegas escritores que deixam lá seus contos. Versa exatamente sobre a crítica e sua adequação, quanto expressão pessoal da qualidade de um leitor com relação ao texto alheio. Aqui vai:

    Olha só. Vou falar um pouco (vou tentar) sobre o meu conceito de crítica… Aprendi na minha pós-graduação que não existe crítica construtiva. Só existe crítica, e se você vai ser hábil para construir algo com ela, depende só de você. Se os outros tomarem conhecimento das críticas que te fazem é devido ao fato de você ter se exposto à mídia e por isso deve agüentar as conseqüências (com classe, se possível).
    “Os leitores que virem as críticas que te fizerem vão ter que ponderar se te cabem bem ou se o crítico é que está viajando na maionese… E os leitores conscientes tem condições de ver, por si próprios, após ler o texto lá no CF, se o crítico está sendo justo ou não. Ninguém é tonto! Está tudo lá. Não sou um bom crítico no sentido de “falar bem” (já viu que tem gente que só fala bem, nos comentários que faz no texto de alguém? Seria medo de dessem o troco? Internet tem disso. Dar opinião no conto de alguém abre a possibilidade de receber o troco até de outros que não o próprio autor resenhado, e isso pode parecer insuportável para o jovem escritor que necessita de afagos no ego. Esquece-se que está na hora de aprender a escrever e o que um outro falar pode ser o verdadeiro “pulo-do-gato”, se ele puder selecionar o que é pertinente e o que enriquecerá seu texto!!).”
    “Mandar textos para um site como CF e ser comentado, é quase uma oficina literária grátis. Não sou bom também como crítico quando o mote é “falar mal” (o que poderia ser considerado a tal “crítica negativa” (que também não existe), quando o criticado se sente o alvo de algum “complô” contra seu gênero literário, sua pessoa, sua panela etc…). Crítica é crítica, sem sobrenome. Repito: o que o autor vai fazer com ela, se vai usá-la para melhorar seu próximo texto ou vai deixar-se levar pela depressão criativa, isso é lá da conta dele, entende?! Crítica não é construtiva, nem positiva, nem negativa… Crítica é crítica! É a opinião de um sujeito sobre o material criativo de outro. É claro que isso não pode ser simplesmente subjetivo (embora, no fundo, seja isso mesmo!), tem que estar embasado em conhecimento técnico por parte do crítico, conhecimento de mundo, de muito que ele já leu e fez e refez na vida etc… Não pode dizer “é ruim porque não gostei”! Tem de dizer, “é ruim por causa disse e disso e daquilo” etc.”
    “O que acham que Harold Bloom faz? Ok, Bloom não. Vamos nos restringir só a seres humanos… (não resisti. Li isso em algum lugar e resolvi colar aqui. Créditos devidos ao verdadeiro autor, que não faço a mínima idéia de quem seja, agora). Realmente acho que não tenho lá o aprofundamento intelectual para dar lições a ninguém. Sou só um cara que gosta de ler e que aprendeu a escrever assim (presunção à parte!). Sou tão crítico com meu próprio texto, para não escrever porcarias, que acho que desenvolvi alguma técnica para poder compartilhar com quem quiser. Quando vejo um texto ruim de um colega que conheço, tenho, às vezes, a maior vontade de dizer o que ele poderia melhorar ou de dizer que ele é capaz de fazer algo melhor, ou até que ficou uma merda, mas a literatura é um troço cheio de suscetibilidades e a crítica deve ser algo entendido como uma lição: se você não respeitar ou não conhecer o professor, a lição pode até ser boa, mas o aluno pode achar que seu escopo literário é igual/maior que o do leitor/crítico, e se ofender (aquele que só elogia, em duas linhas, deixa claro que o que está dizendo é algo vazio, sem arcabouço, simples afago na vaidade do outro, e isso eu não consigo fazer… Se for assim prefiro não falar nada).”

  12. Luiz Dreamhope Says:

    Ora, vamos pensar assim.

    Que se danem os críticos e que venham os leitores!

    Afinal, estamos escrevendo pra encantar a imaginação dos últimos, e não para sermos avaliados pelos primeiros.

    Considero os leitores mais importantes, porém, críticas clorídricas são impossíveis de se escapar, então que venham também.

    São essas duas coisas (críticos e escritores) que fazem a literatura andar.

  13. Flávia Ferraz Says:

    Não concordo em tudo. A crítica não é mais que uma análise. Não é feita pra apontar erros e atribir defeitos.

  14. Silvio Roberto Says:

    Criticos literários. Estou com uma obra literária pronta, mas, primeiro gostaria de presenteá-los, quem se candidataria a receber um volume? Acredito que vai se surpreender, aguardo a fera. Abraços

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