Diário de Rafinha. Lido e comentado.

Muitos devem estar se perguntando por que o blog anda tão sem atualizações. A verdade é que desde que saí do Hospital, estou meio sem pique. O From Bar to Bar ocupa uma parte de meu tempo; contatos com o outro lado do abismo que nos separa de um mundo onde a ficção científica nem é tão mais privilegiada do que aqui, absorvem minha atenção num nível acima do que eu esperava.

De qualquer forma, me surpreende que, mesmo sem atualizações, o blog consiga manter um pique de visitas que ultrapasse os 180 hits por dia.

Mas isso não significa que não vou movimentar mais essa joça.

Há cerca de uns 45 dias (ou mais) fui sorteado com um livro lá no O Bule. Sabe como é, livro de graça a gente quer. Nem importa muito o assunto. Dado, até pontapé.

Não é de gênero. Não é literatura fantástica. Por isso, nem ia comentar. Mas resolvi falar um pouco sobre esse troço.

Comecei a ler logo que o ganhei e parei na metade. Outros livros me salvaram. Mas esses outros acabaram e fiquei sem nada pra ler. Ir ao banheiro fazer o número 2 sem ler, nem pensar. Mesmo que seja bula de remédio. Mas todas as bulas de casa já foram lidas pelo menos três vezes. Pensei em retomar o Órion renascerá do Poul Anderson, mas não achei o livro. Não sei onde foi que o meti.

O Diário de Rafinha, as duas faces de um amor estava lá, dando sopa.

Olhei pro danado, cocei a barriga e quase desisti. Mas fui em frente, com denodo. Peguei o danado e só saí do banheiro quando liquidei com ele (minha mulher esmurrou a porta uma porção de vezes. Pensou que eu tinha morrido).

Vou ser franco. Muuuuito franco: é o pior livro que li na vida.

Um verdadeiro festival de canalhices num pastiche a Nelson Rodrigues e Sabrina (é, aquele livrinho chinfrim, romance barato que se compra nas bancas por 5 reais). Personagens que se digladiam em safadezas, numa trama tão superficial quanto uma poça d’água.

Diálogos horríveis. Situações inverossímeis.

Narrativa rasteira. Daquelas que se você não tomar cuidado, cai de bunda. As pernas pro ar.

Escrito por Alex Bruno Rodrigues de Jesus (Léo Dragone) e publicado (impresso?) pela Giz Editorial.

É aquele tipo de livro que você acha que não pode ser pior, mas acaba surpreendido no final. O autor guardou o melhor para as últimas páginas, em cenas cinematográficas e absurdamente irreais. Resgates, viagens marítimas, fugas internacionais, choro, muito choro. Todo mundo chora nesse livro. Eu mesmo chorei 18 vezes.

A Garganta do Diabo está até agora fazendo gargarejo, tentando se livrar dos dois malditos que lhe caíram goela abaixo.

Gente, é aquele tipo de livro que é tão ruim, mas tãããããããão ruim, que chega a ser bom.

Não recomendo. A não ser que queira se surpreender. Como eu fui.

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7 Respostas to “Diário de Rafinha. Lido e comentado.”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    Bom, pela capa o Rafinha deve ser garoto de programa. Isso me lembra um livro da Eleonora V. Vorsky em que um personagem diz pro outro aquela inesquecível frase que eu nunca esqueci: “Chama meu cu de pastel e recheia ele de carne!” rsrsrs

  2. Guilherme Says:

    Olá Tibor,

    Gostaria de te enviar um livro de cortesia, para ser resenhado. Como posso entrar em contato contigo?

    Um abraço!

  3. Daniel Borba Says:

    Seus comentários foram ótimos, Tibor….hehe….

    • Tibor Moricz Says:

      Acho que fui muito rude. Mas o rapaz está começando agora; é de pequeno que se torce o pepino…rs

  4. Valdeck Almeida de Jesus Says:

    Oi… O Leo é um jovem de 19 anos e está apenas começando. Com certeza ele vai aprimorar muito no decorrer de sua carreira…

    Gostaria de enviar um livro eu para você fazer comentários.

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