Cadê a Relevância? Vocês viram a Relevância por aí?

Recentemente presenciei um papo sobre a intenção ou pretensão de escrever algo relevante quando tudo nas livrarias é absolutamente irrelevante. Então fiquei pensando nessa tal de “relevância”. Quem é ela? Como se comunica ou como se manifesta?

Contra argumentei que a relevância de uma obra literária é decidida pelo leitor e não pelo autor.

A mim parece extremamente contraproducente procurar por ela, já que a creio como nebulosa, fluídica, sem textura e multifacetada; proporcionando interpretações as mais diversas, de acordo com o observador (ou leitor, no caso).

Preocupar-se com ela na hora de escrever é dar a nós mesmos uma importância maior do que temos de fato (e essa importância está sujeita ao nível de relevância que temos entre nossos iguais). Ou então o autor procura algo que seja relevante para ele e não para um hipotético leitor. Aí posso considerar a procura válida, embora egocêntrica. Nesse caso não se publica o livro. Imprime-se um único e raro exemplar e deixa-se na cabeceira da cama para consultas diárias (até que o próprio conceito ou critério de relevância se altere e aquele único exemplar vá parar na lata de lixo).

Ah, mas se trata do cânone e não do gênero?

Continuo pensando a mesma coisa. Só é relevante aquilo que o receptor considerar assim. Não importa em que gênero. O que consideramos relevante é desconsiderado por outros. O que é relevante hoje pode não ser mais amanhã, pode não ser mais daqui a poucos segundos.

A não ser, claro, que se trate de devaneio filosófico sem nenhum objetivo maior que não exercitar a abstração e a metafísica. Porque querer ser relevante em literatura contemporânea, seja o gênero que for, é dar soco em ponta de faca. Ou então escrever estudos acadêmicos… Aí há relevância… Pelo menos para um pequeno grupo interessado. Para outros o assunto continua extremamente irrelevante.

E estejam certos de uma coisa, tudo o que escrevi até agora nessa postagem é filosofia barata, de porta de botequim.

Desconsiderem-na se procuram aqui alguma relevância.

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6 Respostas to “Cadê a Relevância? Vocês viram a Relevância por aí?”

  1. Tweets that mention Cadê a Relevância? Vocês viram a Relevância por aí? « -- Topsy.com Says:

    […] This post was mentioned on Twitter by José Roberto Vieira, tmoricz. tmoricz said: Cadê a Relevância? Vocês viram a Relevância por aí?: http://wp.me/pAp8d-CD […]

  2. Osíris Reis Says:

    Interessante, bem interessante, Tibor.

    Eu acho que a palavra “relevância” realmente tem uma veia muito egocêntrica, ou até muito aristocrática. Afinal, o que é irrelevante não tem importância, não DEVE ser levado em consideração, é insignificante.

    Se nessa conversa com seus amigos trocássemos o “relevante” pelo “interessante”, ficaria menos mal, mas ainda complicado. Afinal, costumamos pensar no interessante como algo que muda de pessoa para pessoa, de época para época. Mesmo assim, dizer que tudo nas livrarias é desinteressante faz de quem fala isso, no mínimo, alguém muito “radical”, ou muito difícil de ser agradado.

    Eu me arrisco a afirmar que todos buscamos escrever algo que seja: em parte interessante para o público, em parte interessante para nós mesmos, em parte interessante para o público pensando em nós como medida. Mas façamos de conta que alguém diga: “Quero escrever algo interessante, ou realmente interessante”, sem entrar no juízo do que está nas livrarias. Afinal, 99% dos autores querem que seus textos despertem interesse, correto? Nem precisa julgar as outras obras por conta disso, nem precisa se achar que, para ser interessante, obrigatoriamente tem que se ser importante, relevante. Até porque “interessante”, em boa parte das vezes (não necessariamente na maioria), tem mais a ver com prazer, ludicidade, que com importância.

  3. jrcazeri Says:

    Eu escrevia um comentário sobre a “relevância” ser tomada em partes, e não como um todo inatingível, mas percebi que seria uma opinião irrelevante…

    Ótimo post, sem irrelevâncias.

  4. Saint-Clair Stockler Says:

    Adorei, Tibor! Texto extremamente relevante… rsrsrs (Sorry, não resisti).

  5. Anne Says:

    Bom bom post Tibor =D

  6. Ricardo França Says:

    Puxando mais uma cerveja filosófica deste botequim o que percebo como diferença entre interessante, relevante e importante, além do viés do “para quem” seria do grau do efeito da obra dentro ou fora de sua “classe”.

    “Relevante” para mim seria a obra que provoca mudanças de estilo, ou de comportamento, ou de reflexões além do próprio autor em primeiro lugar e além do próprio meio em segundo. “Importante” já seria o que redefine os critérios dentro das fronteiras de um certo meio.

    Mas como falta onisciência até aos autores e críticos mais experientes este é um tipo de julgamento que só pode ser feito pela posteridade. Nem mesmo o relativo sucesso contemporâneo é marca de relevância universal. E o que é satisfatório pro autor o é por comparação a algo que ele já conheça de si e dos outros com seus próprios critérios.

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