Caso pessoal. Autocrítica e ineditismo.

Semana passada um amigo me questionou sobre contos meus disponíveis na internet e perguntou por que eu não publicava mais. Que deveriam existir mais trabalhos meus a disposição dos leitores.

Tenho um ritmo de publicações bastante modesto. Desde que publiquei meu primeiro livro, Síndrome de Cérbero, só tornei público onze contos até agora. Além do fix-up Fome, é claro.

Meu ritmo de publicações não é lento porque produzo pouco, mas sim porque sou muito crítico com as coisas que escrevo e não quero ver trabalhos mal acabados soltos por aí. Tenho uma porrada de contos guardados na gaveta. Alguns deles nunca verão a luz do Sol. Outros só aguardam o momento certo para serem libertos.

Também tem o lance de não tornar contos inéditos em não inéditos, publicando-os virtualmente de forma indiscriminada.

Acho curioso como alguns publicam repetidamente (Me refiro a publicações “finais”, em sites de contos ou blogs voltados à literatura de gênero, e não àquelas feitas com o propósito único de angariar opiniões, em sites próprios e divulgados em comunidades que funcionam como uma espécie de oficina literária), pouco se importando com a crítica ou com a imagem que vão deixar. Claro que não há textos incólumes à crítica. Mesmo o melhor deles. Cada leitor tem um viés, faz uma análise baseada em critérios próprios que não combinam necessariamente com os dos outros.

Textos mal acabados depõem contra o autor. Várias vezes tive a oportunidade de ver trabalhos assim serem criticados e o autor se desculpar, concordando com a crítica. E depois publicar de novo, apresentando os mesmos problemas já apontados e ouvir as mesmas críticas e voltar com as mesmas desculpas. É bizarro.

Os contos meus que foram publicados são estes:

Ordem Crepuscular (Ma Cherie) – No CLFC ou em livro próprio impresso pela Secretaria da Cultura de Araraquara.

Eu te amo, papai – 2º volume da Coleção Imaginários

Cibermetarealidade – Coletânea Contos Imediatos

Filamentos iridescentes como numa chuva de neon – Orkut – 1º Concurso de Contos Braulio Tavares 2008.

Passagem para o hoje seguinte – Revista Kaliopes

Do human dreams of other realities – Revista Terra Incógnita

Gárgulas – É só outro blogue

O duelo – Revista Scarium

Mandinga tem poder – Revista Machado e Scarium

Pôr-do-Sol – É só outro blogue

O franco atirador – Terroristas da Conspiração

Há, ainda, o conto Mundo fatal, escrito a quatro mãos com o Calife para a chamada Pulp Ficcion a portuguesa, organizado pelo Luis Filipe Silva, a noveleta Variável da imponderabilidade, apresentado, sob convite, ao Marcelo Branco para uma coletânea internacional que ele está organizando para a Editora Devir e o conto Eu sou foda!. No primeiro caso, já aprovado, aguarda publicação. No segundo, recusado, volta à gaveta. E o terceiro está prestes a ser divulgado no PODespecular, transformado em PODficcion (uma proposta que considero inovadora e criativa. Não merecia menos que um conto inédito) a convite de Paulo Elache.

Vou explicar a recusa do Marcelo Branco, para que não pensem que se trata de trabalho abaixo da crítica. Ele foi inicialmente aprovado, com francos elogios. Mas houve uma solicitação de alteração que julguei melhor não fazer (mudar o local da trama, dos EUA para outro País qualquer). Então o conto ficou no aguardo. Seria aprovado e integraria a coletânea se algum convidado estrangeiro desistisse. Como não houve essa desistência, minha noveleta ficou de fora. Se juntará a outra coletânea, assim que houver um convite. É premissa do autor aceitar ou não um pedido de alterações feito pelo editor. É premissa do editor recusar o trabalho cujas alterações não foram feitas. É a regra do jogo.

Então são essas as razões que torno impeditivas de sair por aí publicando meus contos em sites e blogs.

Além da preocupação com a qualidade, também prezo o ineditismo, fundamentalmente.

 

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13 Respostas to “Caso pessoal. Autocrítica e ineditismo.”

  1. Marcelo Bighetti Says:

    Oi Tibor, também concordo contigo. Estou em início de carreira literária e confesso que muitas vezes o ego carente pode se curvar à tentação em publicar material sem muita qualidade apenas pelo simples desejo de ver sua obra em uma pseudo publicação. Assim tenho me esforçado para resistir a este impulso e procurado ajuda profissional. Muitas vezes temos que deixar o orgulho de lado e acatar as dicas de pessoal mais experiente mas NUNCA deixar de lado sua inspiração. Vou ler seus contos e depois colocarei minha opinião a respeito no meu outro blog (http://bighettiliterario.blogspot.com/). Quem sabe eu te contemple com ECA! Grande abraço meu amigo, e mais uma vez parabéns.

    • Tibor Moricz Says:

      Aguardo suas considerações a respeito dos meus contos, Marcelo. E se sobrar um ECA! pra mim, não tem problema!

  2. Luciana Says:

    Olá Tíbor,

    Acompanho o seu blog e fico feliz de ler suas palavras, pois é a metodologia que uso também pros meus textos, muitos estão na gaveta aguardando ou um momento propício ou uma escritora mais experiente.

    Se eu tivesse seguido os conselhos que me deram, teria continuado a participar de 1001 antologias ou publicado um livro escrito às pressas apenas para contar que tenho um romance no mercado.

    Não é assim que funciona. Não se você quiser disponibilizar algo com qualidade para seus leitores. Não se você quiser ser levado a sério por quem realmente entende de literatura.

    Infelizmente (ou felizmente) só entendi isso depois de ter a experiência de publicar algo às pressas, coisa que jamais farei novamente, em respeito à imagem que quero construir como autora e também, é claro, aos leitores que comprarem um livro meu.

  3. Tibor Moricz Says:

    Deve ser divertido receber ECA! 🙂
    Se receber um, mesmo merecendo, vou rolar de rir (depois, melhorar a porcaria que fiz).
    Como adendo, tenho leitores beta que não se acanham em dizer que esse ou aquele conto está uma merda. A ajuda deles é importante.

  4. Luciana Says:

    Com certeza me lembrarei dos leitores betas e quanto mais críticos melhor e neste caso, não apenas para mim, mas prá eles também que ganham crédito, porque ser profissional dá trabalho.

    Eu costumo dizer que se Machado de Assis (um exemplo) fosse vivo ainda estaria aprendendo e refinando seus escritos, então imagine nós? 😉

  5. Gerson Balione Says:

    Nunca pensei em ser escritor. (Será que e um dia serei? Bom, quem sabe. rsrsrsrs) até o dia que escrevi um poema, nem sei se posso chamá-lo de poema, mas enfim, e que acabou ficando engraçado. Sem querer, não sei se foi o destino, acabei encontrando um desses Sites de contos e me rendi a ele. A tentação falou mais alto. Confesso que literatura nunca foi o meu forte :-(. Como não conhecia ninguém do meio, comecei a escrever e a publicar nestes sites, meus leitores betas são, minha mulher, que não gosta muito do que escrevo, mas fala que está bom, rs, e minha irmã, que acha legal tudo que escrevo, talvez ela fale isso só por ser minha irmã rs. Até que recebi convites para participar de 2 antologias e meus contos foram aceitos. Opa! Já sou escritor! Pensei comigo, Até o dia do seus comentários sobre a antologia UFO. Repito nunca pensei em ser escritor, mas estou gostando desta experiência, de poder passar para o papel coisas que imagino. Na maioria delas, besteira, muita besteira e de trabalhá-las com humor negro, que é o que mais gosto. E agora esta sua matéria vai ser de muita valia. A vida é um constante aprendizado.

    Mas que irá determinar quando estarei pronto?

    A propósito estou escrevendo um livro (cheguei ontem e já estou escrevendo um livro rsrsrs) que é um pesadelo em vários sentidos. Um pesadelo engraçado repleto de humor negro. Tibor, o senhor gostaria de ser meu leitor beta? rs De repente pode ser a maior quantidades de ECAS debicadas a um texto rsrsrsrs

    Grande Abraço

  6. jorgecalife Says:

    Isso aí Tibor, a gente tem que se valorizar e muito nunca foi sinonimo de qualidade. Ontem encontrei uma mensagem engraçadinha na minha caixa de e-mail. A editora FTD, de livros didáticos, queria permissão para colocar meu conto O Terceiro Mundo num livro de leitura para a sexta série. De graça! Imaginem, eles ganham uma nota com esses livros didáticos e querem reproduzir o trabalho da gente sem pagar nenhum centavo. Vão esperar sentados pela minha autorização. Nós autores temos que dar um basta nesse tipo de exploração.

    • Tibor Moricz Says:

      Ou então torça para que eles publiquem seu conto mesmo assim, sem autorização. Você move uma ação judicial e ganha uma boa grana…rs
      Se não nos valorizarmos, logo nos transformamos em gado. E desvalorizamos também o gênero em que atuamos.

  7. Afonso Luiz Pereira Says:

    Bom… sou gerenciador do site Contos Fantásticos e meu hobby, vamos dizer assim, é publicar contos inéditos ou não, tanto de escritores amadores quanto de escritores que já têm boa visibilidade, com livros publicados e tudo mais. Então, penso que publicar em sites literários com bom acesso de público é algo que se deve fazer com muito cuidado, com o mesmo cuidado que se deve ter quando se cogita a possibilidade de enviar a obra para uma editora. Os sites podem ser, sim, uma boa vitrine, mas também podem “marcar”, de modo negativo no olhar do outro, as nossas experiências literárias.

    O texto online, pronto e acabado, está sob o julgamento de todos, ele é uma amostragem sólida do que se pode esperar quando os outros textos do autor estiverem no livro impresso. Não é a mesma coisa que você o disponibilizar numa comunidade no orkut, por exemplo, onde ele está sendo avaliado, testado, sujeito as mudanças sugeridas pelos participantes. Os comentários, nestas condições, são mais francos e te apontam os erros. Os comentários feitos nos sites, uma parte considerável deles, são melindrosos e procuram não “apertar” muito em relação às escorregadelas do autor, o que pode gerar uma confiança exagerada. Em relação a isto, estou vacinado. Aliás, tenho que urgentemente fazer um “upgrade” nos meus e incluir as experiências que consegui adquirir nesta função de administrar o site. Na casa de ferreiro, o espeto é de pau! (rs, rs, rs)

  8. Parreira Says:

    Eu já publico bastante na internet – e não paro de reescrever. Não guardo quase nada na gaveta. Pra mim, isso serve até como espelho: tempos depois de ter publicado algo ruim, refaço, mudo, procuro melhorar. Isso queima o meu filme? Talvez. Mas não ligo. Boto pra circular mesmo!

  9. Eduardo Zhukov Says:

    Acho muito legal ler esses testemunhos vivos de cada um… e ainda mais quando se está na categoria natural de escritor de ficção, fantasia e aventura iniciante. Quem tiver bom senso e humildade vai tirar das opiniões e experiências de cada um, que aqui escreveu, algo para enriquecer ainda mais a sua construção como profissional honesto e capacitado na arte de escrever. Todos que aqui postaram ou que irão postar, ou também no meu blog, ou nos dos outros, que também costumo visitar, sem excessão, me ajudam a compreender e a ser cada vez mais útil dentro dessa extensa realidade literária. Penso que a atualização e revisão sobre nós mesmos, em nossos labores da escrita, deve ser incessante. A opinão dos outros ajuda, mas precisamos refletir com maturidade sobre elas para que elas tenham realmente algum proveito. Mais uma vez valeu Tibor pelas iniciativas e obrigado companheiros de profissão pelas suas preciosas opiniões e sugestões!

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