Imaginários volume 3 – Lido e comentado

Foi com enorme prazer que recebi da Draco Editora o terceiro volume da coleção Imaginários. Com a recomendação do Erick “Draco” Santos para ler e comentá-lo com a mais absoluta sinceridade. Claro que fiquei meio ressabiado. Temeroso de que uma avaliação negativa pudesse queimar meu filme na Editora.

O Erick, porém, reafirmou o desejo de uma leitura e de uma avaliação sinceras, como é de praxe ocorrer no É só outro blogue.

Eduardo Spohr, Marcelo Ferlin Assami, Rober Pinheiro, Douglas MCT, Lidia Zuin, Marcelo Galvão, Cirilo S. Lemos, Fernando Santos de Oliveira, Ana Cristina Rodrigues e Fábio Fernandes desfilam seus trabalhos em quase 130 páginas.

Assim como algumas leituras anteriores me fizeram criar categorias como Duplo Eca! e Triplo Eca!, encontrei nas páginas desse livro um conto que me forçou a criar a categoria Duplo Uau! E isso me deixou muito feliz, acreditem. Não há coisa melhor do que ser arrebatado por uma leitura.

Vamos aos contos e aos meus comentários:

1- A torre das almas – Eduardo Spohr

Não conheço o livro de sua autoria A batalha do apocalipse, mas me parece que esse conto percorre o mesmo universo. Guerra de anjos contra anjos, com a ajuda de humanos. O conto tem um bom ritmo e cenas consistentes.

2- Breve relato da ascensão do Papa Alexandre IX – Marcelo Ferlin Assami

Esse conto me criou algumas dificuldades. Numa primeira leitura me senti meio perdido, sem referências. Comentei isso com o Erick e ele me disse que o conto merecia uma segunda leitura. Li novamente. Eu o considero bem escrito, com descrições e algumas imagens que surpreendem, mas senti falta de uma pedra angular que a tornasse mais sólida. Não tenho nada contra narrativas não lineares, desde que eu encontre nelas um fio condutor que me possibilite uma leitura sem dúvidas excessivas. Minha leitura se deu com desconforto. Faltou um contato mais efetivo entre eu e a trama. 

3- As noivas brancas – Rober Pinheiro

Quem tentar comparar o conto dele publicado na coletânea UFO (De amizades e restos de Sol) com esse, vai enxergar um abismo separando-os.

Uma história de resgate numa aventura Space Opera, cheia de ação, descrições elaboradas, cenário e ritmo bons. Muito bem escrito.

4- Bonifrate – Douglas MCT

Demorei um pouco a me adaptar à prosa um tanto quanto sui generis do Douglas (estilo próprio ou ainda procurando um?), mas acabei mergulhando de cabeça numa bela narrativa. FC ou fábula, com direito a Gepetto e Pinochio (figuradamente), a idealizações pré-programadas, lutas e busca por respostas.

5- Dies Irae – Lidia Zuin

Uma história Cyberpunk com bom ritmo e muito bem escrito. Só achei que o cenário e a ambientação são recorrentes, tirando dela qualquer pretensão de originalidade.

6- Vida e morte do último astro pornô da Terra – Marcelo Augusto Galvão

Já havia lido esse conto na comunidade de Ficção Científica do Orkut, em prêmio literário realizado. O Marcelo me disse, no Fantasticon, que acrescentou algumas coisas. Minha opinião não mudou. Continuo achando o conto ótimo.

7- Corre, João, corre – Cirilo S. Lemos

Fui surpreendido por esse conto. Achei-o comovente. Uma belíssima narrativa onde um pai procura defender com unhas e dentes… A alma do filho. Trata-se de uma verdadeira aula de como imprimir emoção num texto. Arrebatador.

8- Uma segunda opinião – Fernando Santos de Oliveira

Estudante traída resolve, com ajuda de uma misteriosa figura, se vingar daqueles que a traíram. Trata-se de uma mistura de Sessão da Tarde, Betty a Feia e horror trash. Trama sem nenhuma novidade; aborrecida. Muito fraco.

9- Maria e a fada – Ana Cristina Rodrigues

Trata-se de um conto belo, com ótima ambientação. Por outro lado, tem o ritmo prejudicado por certa apatia que afasta da história o sentimento. Sem emoção, ele corre num ritmo fluído, mas frio.

10- O primmeiro contacto – Dr. Eleutherio Penna Filho (Fábio Fernandes)

Hipotético conto resgatado do passado (1929) e escrito por autor não satisfatoriamente identificado. Escrito com a grafia original da época, o que a torna especialmente interessante. Guerra dos mundos em realidade alternativa rica em citações, batalhas espaciais e uma tremenda vontade de querer ler mais. Que essa história tenha um prosseguimento. Muito envolvente. 

Nada como um sopro de ar fresco depois de longa imersão nas águas profundas e poluídas de algumas coletâneas de valor discutível. Pela somatória de avaliações eu dou ao Imaginários 3 um , chegando bem perto de um . Parabéns a todos os autores e ao Editor Erick Santos pela excelente organização. A continuar assim, teremos uma coleção primorosa ainda pela frente.

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16 Respostas to “Imaginários volume 3 – Lido e comentado”

  1. Saint-Clair Stockler Says:

    Imaginários 3 – Eu queeeeeeeeero! 🙂

  2. Matheus A. Quinan Says:

    É aí que se vê a diferença. Ainda não li, mas estou louco para comprar.
    (E conheço o conto do Cirilo. Realmente muito bom. Classificação mais do que merecida!)

  3. Cirilo S. Lemos Says:

    Fico feliz que tenha gostado, Tibor. Mal posso esperar para ver o livro.

  4. Guilherme Lourenço Says:

    A Batalha do Apocalpise está no top 10 de livros da Veja. Vale muito a pena ler.

    http://veja.abril.com.br/livros_mais_vendidos/

  5. Douglas MCT Says:

    Obrigado pela resenha, Tibor. 🙂

    Você realmente pescou a essência de “Bonifrate”.
    Procuro embutir na estrutura narrativa o conceito da trama, por isso optei pelo “estranho” na condução dessa história, tanto na escrita quanto no plot.

    Expliquei pro Romeu Martins um pouco mais sobre isso em seu blog:
    http://cidadephantastica.blogspot.com/2010/06/vai-ter-steampunk-na-imaginarios.html

    Interessante que Gerson Lodi-Ribeiro definiu esse conto como ‘história alternativa. Meu editor Erick como ‘steampunk’. E Antonio Luiz como ‘new weird’.

    No final das contas acho que ele cumpriu seu propósito de causar estranheza em algum (ou em todo) momento da leitura, levando-o a ser considerado em vários gêneros fantásticos.

    Abraços!

    • Tibor Moricz Says:

      Curioso, não vi nadinha de nada de steampunk nesse conto. Está mais pra weird (e não new) do que pra história alternativa (embora não descarte essa possibilidade, teria que reler pra ter certeza). De qualquer forma é um bom conto. E bons contos estão difíceis de encontrar por aí.

      • Douglas MCT Says:

        Agradeço novamente, Tibor.

        Acho que cada leitor/crítico pode classificar o conto como achar melhor, dentro do seu entendimento da história.

        Não vou dar minha visão da trama, além daquilo que já falei no blog do Romeu (que serve mais como sinopse), pra não limitar a visão do pessoal sobre.

        Mas na minha opinião, ‘steampunk’ também pode ser considerado no sentido da estética. Se há algum elemento que funcione dentro do que esse gênero propõe, então é steam. Se há algo no cenário que remeta ao mesmo, então ele é também. Não me refiro ao meu conto, mas num geral. Ainda que “Bonifrate” tenha corações a vapor, dirigíveis (para o sentido de cenário que falei acima) e outro maquinários do tipo.
        A discussão em cima disso é legal.

        Porque de fato a proposta dessa história é gerar debates, independente do gênero, porque quando a escrevi não tinha um gênero em mente. Apenas a vontade de contar uma trama que causasse certa estranheza. 🙂

        Abraços!

  6. Douglas MCT Says:

    Na verdade, ali eu quis dizer “FICÇÃO alternativa”. Sorry. =P

  7. Flávio Medeiros Says:

    Gostei da análise, principalmente porque já tenho o livro, mas ainda não li, o que cria uma boa expectativa. A Draco está reunindo um timaço nas coletâneas, hein…

  8. Navegando… « Café de Ontem Says:

    […] Tibor Moricz lê e dá o seu parecer sobre a coletânea Imaginários 3, da editora Draco, no É Só Outro Blogue. Quem já tava com vontade de ler vai sair correndo comprar depois de ler os comentários do Tibor. Leia aqui. […]

  9. Gerson Says:

    Isto. Defini a noveleta do Douglas como FICÇÃO ALTERNATIVA (Gepetto, Pinocchio, etc.) e não como história alternativa.

  10. Douglas MCT Says:

    […] e críticos como Eric Novello e Antonio Luiz da Costa (da Revista Carta Capital) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e […]

  11. Imaginários 3 « Galvanizado Says:

    […] dos primeiros volumes da Imaginários e autor deSíndrome de Cérbero, Fome e O Peregrino – lembra que já havia lido uma versão anterior do texto, na ocasião de uma premiação literária, e que […]

  12. Imaginários 3 « Galvanizado Says:

    […] dos primeiros volumes da Imaginários e autor de Síndrome de Cérbero, Fome e O Peregrino – lembra que já havia lido uma versão anterior do texto, na ocasião de uma premiação literária, e que […]

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