A Tríade. Lido e comentado.

Claudio Brites me enviou o livro A Tríade para ler e comentar.

Publicado pela Terracota Editora e escrito por Carlos Andrade, Claudio Brites, Kizzy Ysatis e Octavio Cariello.

Quando o recebi, fiquei surpreso ao constatar que eram quatro os autores responsáveis pela construção do argumento e pela escrita propriamente dita. Sempre tive para mim que a reunião de mais de um autor para qualquer trabalho acaba transformando o objeto em uma espécie de Quasimodo, com corcundas pronunciadas aqui e ali.

E comecei a lê-lo em busca dessas corcundas, claro.

Foi uma surpresa muito maior ver que não encontrei nenhuma corcunda, mas apenas pequeníssimos degraus formados por diferenças de estilo e somente vistos por olhares atentos durante a leitura. Um leitor menos preocupado com isso não vai notar absolutamente nada. A leitura transcorrerá tranquilamente até seu desfecho.

A Tríade acabou se mostrando muito mais que um bloco coeso, onde vários estilos conseguem se amalgamar de forma a quase se tornarem num só.

Vou me abster de entrar demasiadamente no cerne da história para não acabar dando spoilers indesejados.

A narrativa conta a aventura de um personagem em busca de um poderoso artefato que proporcionará a ele o poder máximo e a conquista do altíssimo reino divino, de outro que em busca de respostas para um enigma, acabará transformado no que jamais poderia imaginar e de um terceiro que no árduo trabalho de proteger relíquias sagradas, acaba metido em muito mais confusão do que gostaria.

Esse é um resumo bem humorado da obra.

Destaque positivo para o narrador. Onisciente até a última gota.

Destaque negativo para a revisão. Encontrei muitos erros crassos que uma revisão pé de chinelo teria evitado.

A Tríade é, de longe, a melhor coisa que li nesse gênero este ano. Vence tranquilamente o livro do Leonel Caldela – O caçador de apóstolos – e é melhor que boa parte da obra de Bernard Cornwell reunida (vou ser apedrejado agora, mas acho Cornwell um bom contador de guerras, um ótimo historiador, mas um péssimo escritor).

No mais, o livro é um ótimo entretenimento que vem demonstrando força também nos pontos de venda. Segundo Claudio Brites, os 2000 exemplares iniciais já estão esgotados. Ótima notícia para um mercado onde o gênero sai a tapa em busca de espaço e onde os leitores andam escassos.

Aconselho a compra do livro e garanto que você terá diversão da primeira à última página.

Adendo: O livro receberia um UAU! se não tivesse os erros de revisão que tem.

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16 Respostas to “A Tríade. Lido e comentado.”

  1. jose roberto vieira Says:

    eu já estava interessado neste livro há tempos.. agora só aumentou a curiosidade

  2. Claudio Says:

    Tibor, obrigado pelo espaço que dá para nosso trabalho e, principalmente, pela leitura sincera. Quando mandei o exemplar era por isso que estava em busca. Leitura que avalia o trabalho e não a rede invisível de bons-mocismos e simpatias que o mundo literário/editorial às vezes força.

    Sobre a questão do revisor, pode deixar que no caso de uma reimpressão iremos passar a lupa.

    Sobre os exemplares esgotados, é importante ressaltar que isso reflete que todos as cópias estão em poder do mercado, compradas ou consignadas, ou seja, houve demanda e a Terracota não tem mais do que 50 consigo. E isso, sinceramente, nos deixa muito feliz porque, além de estarmos começando, conseguimos divulgar o livro muito pouco e mesmo assim ele foi aceito e procurado.

    Valeu mesmo.

    • Tibor Moricz Says:

      Aviso ao leitores: nunca apresentei nenhum projeto à Terracota e não tenho intenção de fazê-lo brevemente. Puxa saquismo aqui não existe, embora eu reconheça que isso é diplomaticamente bom a curto prazo. Mas prefiro ser o cara que fala as coisas na lata, mesmo atraindo antipatias do que ser um duas caras, espécime extremamente comum no fandom. E tenho dito.

      • Claudio Says:

        Outra coisa que preciso esclarecer, sem protocolos. A culpa dos erros não é do revisor. Eduardo é um revisor fantástico e de competência indiscutível. A culpa é nossa, autores, que percebemos alguns erros de narrativa, pontas soltas e brechas imperdoáveis no último momento e passamos uma semana escarafunchando o livro e como o lançamento estava marcado para o Fantasticon, não tivemos tempo de devolver para o Eduardo rever. Culpa nossa que será corrigida na segunda impressão. Só nossa.

      • Tibor Moricz Says:

        Esse negócio de autor mexer e não devolver pro revisor dar uma última olhada é o fim da picada…rs

      • Claudio Says:

        Pior quando revisor lê a crítica e descobre isso. 😛

  3. Luciana Muniz Says:

    “Antes poucos sinceros do que muitos falsos” 😉

  4. Afonso Luiz Pereira Says:

    Putz, Tibor, não fala mal do Bernard Cornwell, não! O lord Inglês, assim como o Asimov é pra ficção científica, é um exímio contador de história de temática medieval. Tu vacilou, meu bom! Tu desceu 2 pontos no meu conceito! … brincadeira.

    E aí? Quando é que saí “O Pegrino”? Eita coisa amarrada pra vir à Luz!

    • Claudio Says:

      É, esqueci desse ponto. O Bernard Cornwell, li a trilogia do graal uma 10 vezes para me ajudar com A Tríade. O cara conta uma história como ninguém, não sei o que os tradures podem fazer com o que você chama de “qualidade de escritor”, mas ele não merece.

      • Tibor Moricz Says:

        O Bernard conta histórias muito bem, conhece história como ninguém, narra uma batalha com uma riqueza de detalhes impressionante. Mas ele se esquece de imprimir emoção às suas histórias. Então eu as leio com admiração e decepção. Não consigo me envolver com as narrativas dele, eu as leio de maneira distante. Mas não fique bravo comigo. Eu não gostei de O nome do vento (embora tenha uma história bastante interessante) e outras pessoas adoraram. Cada um é cada um. Interagimos com nossas leituras de maneira diferente. Hmmm, essa resposta vale também pro Afonso, que me apedrejou da mesma maneira…rs

    • Tibor Moricz Says:

      O Peregrino está estourando, Afonso. Mais alguns dias e trarei uma imensa novidade para todos!

  5. Giulia Moon Says:

    Oi, Tibor! Ontem, ao passar o dia com Kizzy em um evento em Sorocaba, ele me contou a verdadeira batalha que foi escrever a Tríade. Uma batalha no bom sentido, claro, onde restou, pela sua avaliação, um bom trabalho. Fico contente pelo resultado!
    Beigius gelados da sua amiga vamp! 😉

  6. Bruno Cobbi Says:

    Olá Tibor,

    Sem dúvida, um dos melhores do gênero que li esse ano.

    Compete fácil com os blockbusters gringos não só pelo capricho no enredo como pela precisão histórica e preocupação narrativa.

    A Tríade une boa alta-literatura com o estilo medival fantástico sóbrio e sombrio (o “dark fantasy, low magic”).

    A reunião dos quatro cavaleiros, ao meu ver, conseguiu o contrário da colcha de retalhos. Enriqueceu o romance e amplificou o espectro dos protagonistas.

    O ponto fraco é que não serve pra qualquer leitor de fantasia medieval. Exige um pouco mais de habilidade de leitura, curiosidade e repertório.

    Uma fraqueza fundamental num nicho tão juvenil quanto o de produção para medieval fantástico no nosso país.

  7. A Tríade | o Caixote de Claudio Brites Says:

    […] Aqui você pode ler o que o Tibor Moricz falou. […]

  8. | maquinadeafetos.com.br Says:

    […] Aqui você pode ler o que o Tibor Moricz falou. […]

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