Quem é Ivan Carlos Regina?

Ivan Carlos Regina, a direita nesta foto, nasceu em Bauru, tem três filhas, plantou trinta e três árvores e escreveu treze livros. Entre estes, estão textos sobre vinhos, espiritualidade humana e poesia. Na área da ficção Científica, foi sócio fundador do Clube de Leitores de Ficção Científica, fundado em 1985 por Roberto Nascimento, que, juntamente com seu fanzine “Somnium”, ajudou a impulsionar a chamada “Segunda Onda” deste nosso gênero literário, (anos oitenta) seguindo-se à chamada “Geração GRD”, que teve este nome devido ao editor Gumercindo Rocha Dórea, nos anos sessenta. Ganhou as duas primeiras edições do “Nova” (1987 e 1988), prêmio atribuído aos melhores contos de FC nacional. Em junho de 1988 lançou o “Manifesto Antropofágico da Ficção Cientifica Brasileira”, iniciando um movimento pela revalorização de nossa temática dentro de um universo de FC com características brasileiras. Estreou com a inclusão de um conto na coletânea “Enquanto houver Natal”, tem contos dentro das coletâneas “Estranhos Contatos”, “Os melhores contos brasileiros de FC”, “Outras Copas, Outros mundos”, “Vinte voltas ao redor do Sol”, etc. A maior parte de seu reduzido trabalho está no livro “O Fruto maduro da Civilização”, tendo escrito sobre Stanley G. Weinbaun para a Coleção Império e traduzido o conto “Os que se afastam de Omelas”, de Ursula K. Le Guin. Foi jurado do último Concurso de FC brasileira da Devir Editora. Escreve pouco atualmente, mas, como diria Lobato, a velha quimera, de vez em quando, ainda solta umas fumaçinhas pelas ventas..

É só outro blogue: O Manifesto Antropofágico escrito por Oswald de Andrade vem com uma proposta de assimilação enquanto o seu nos remete à ideia de repúdio às influências das literaturas estrangeiras, principalmente a anglo-saxônica. Não lhe parece, hoje, que essa proposta tem muito de romantismo ou até de ingenuidade? Você ainda se mantém literalmente fiel a ela?

Ivan Carlos Regina: Há que, inicialmente, se estabelecer a real posição relativa do “Manifesto Antropofágico da Ficção Científica Brasileira” enquanto texto.

Não podemos perder de vista que ele nasceu como um poema, uma brincadeira com o original de 1922, e que foi publicado num fanzine em 1988, um ano depois do desastre radioativo ocorrido em Goiânia.

Nesta ocorrência, um grupo de pessoas do centro do Brasil desmontou uma cápsula radioativa usada originalmente para radioterapia, se espantaram com o aspecto e brincaram com o cloreto de sódio, espalhando um círculo enorme de morte e sofrimento.

Enxerguei na ocasião que este incidente era uma metáfora perfeita para o que eu pensava (e continuo pensando) sobre a utilização da tecnologia pelo povo brasileiro. O que era para salvar vidas (era um equipamento médico), matou. Por isto escrevi no Manifesto: “Emulamos tecnologias sem conhecê-las”.

Recentemente, em entrevista publicada, o poeta e crítico literário uruguaio Eduardo Milan assim se referiu à produção da cultura na América Latina – “Passamos da escassez à superprodução de bens culturais cujo valor desconhecemos”.

É disto que umbilicalmente trata o Manifesto. Causa espécie aos brasileiros que viajam constantemente  ao exterior, a maneira como somos tratados aqui dentro do Brasil, e, só para ficarmos com dois exemplos, paro nos transportes coletivos e nos serviços bancários.

“O brasileiro não vive e não é servido, finge ou sofre”.

Os serviços bancários, os da área da saúde, os de informática, etc, não são efetivamente prestados, mas somente cobrados.

Assim nossa relação com a tecnologia não pode ser de amor, mas sim de ódio e repulsa. Nem a máquina de vender refrigerante funciona aqui.

Nós, brasileiros, vivemos permanentemente dentro do ambiente psicótico criado por Phillip K. Dick, com clonagem de cartões e policiais corruptos…

O simulacro, o ersatz, o falso, o fake, fazem parte de nossa vida cotidiana. Numa rua badalada de São Paulo, muito conhecida, você pode comprar imitações de produtos de marcas famosas. Uma bolsa original, por exemplo, custa alguns milhares de dólares. Você pode comprar uma falsificação muito boa por uma centena de dólares, mas o mais impressionante é que você pode comprar uma falsificação vagabunda por uma dezena de dólares. Assim, fica estabelecido o falso do falso, uma criação tipicamente brasileira… o que você não pode é passar a vontade de ter a bolsa e não ter orçamento para comprá-la…todos os desejos são atendidos, falsamente…

Muitas vezes acredito que o Brasil não exista como coisa real, é apenas uma ficção ou ilusão coletiva criada por nós, brasileiros, uma espécie de simulacro de um país. Talvez seja por isto que o resto do mundo nos desconhece.

Publicado primeiramente como poema ou brincadeira, o Manifesto da FCB foi imediatamente alvo de centenas de críticas, pró ou contra seu conteúdo.

Ouso afirmar que é o texto literário mais discutido dentro da FCB. E por quê?

Porque era necessário. Precisava ter existido neste país e naquele momento. Não sou crítico literário, mas simplesmente autor. Enquanto colaborei, contudo, com Roberto Nascimento, o idealizador não só do Clube de Leitores de Ficção Científica mas também do “Somnium”, seu fanzine, pude perceber que a grande maioria dos contos de ficção científica que nos chegava às mãos era de qualidade horrorosa, horripilante. Não eram só ruins em sua essência. Eram principalmente cópias deslavadas dos clichês do gênero, sem nenhuma criatividade. Estávamos imitando o pior dos gringos.

Oras, acreditar que no ano 4.872 todas as naves serão norte americanas e as mulheres servirão cafezinho na ponte de comando usando mini saias coloridas  é atentar contra a menor das inteligências constituídas. Este era o padrão, mas o panorama tinha que mudar.

Assim, enquanto o pessoal de 1922 acreditava que estávamos presos a modelos literários estrangeiros,  portanto produzindo literatura estéril, constatei que, ao menos para a FCB, a liberdade de criar nosso modelo não havia ainda sido decretada.

Não tínhamos a alforria (e logicamente menos ainda o orgulho) de ser brasileiros. Quando eu e outros autores começamos a por no comando da astronave Paulos, Robertos, Marias da Penha, Dolores ou Josés, fomos chamados de loucos, onde já se viu um conto sem James, Patrick ou Evans?

Isto para ficar na superfície dos fatos, na forma, na moldura do enredo.

Como dizia o Manifesto da FCB, queríamos ser (e fomos) uma revolução do conteúdo.

É importante ressaltar que ganhei as duas primeiras edições do Prêmio Nova, o mais importante de sua época. Com um conto ainda dentro do padrão “anglo- saxônico” de escrever, o “Pela valorização da Vida” abordava um universo onde partes de seres humanos eram clonados para substituir trabalhadores integrais, e se revoltavam, pois todos nós, seres humanos, caminhamos para a liberdade e sermos íntegros com nós mesmos.

No segundo ano ganhei novamente, usando a publicidade como pano de fundo, e o conto “A derradeira publicidade do hebefrênico Alfredo” era, em sua essência, um conto brasileiro.

Não basta, porém, demonstrar nem dizer. Quando os ouvidos estão tampados pelas mãos, é necessário gritar e exagerar.

Por isto escrevi  “O Caipora Caipira”, texto descaradamente antropofágico, ilustrativo, numa espécie de colagem exaustiva do arsenal proposto. Ele é estranho, aborrecido, e ao mesmo tempo mágico. Mistura tecnologia com folclore, humor com ritmo, tem uma evolução, um andamento sincopado que remete imediatamente à brasilidade.

Com ele fui vice-campeão do Prêmio Nova em sua terceira edição, acertadamente dado ao Bráulio Tavares. Foi o vice-campeonato mais comemorado da história deste país, pois o recado tinha sido dado.  Era possível, e ainda é.

Agora, não tenho repúdio algum da FC anglo-saxônica (leia-se norte americana e inglesa), sem dúvida a melhor e mais importante do mundo. O repto é chegar à qualidade dela.

Alguns amigos, inclusive, me criticam por ler pouca ficção científica brasileira. Parafraseando Churchill, em matéria de FC sou um leitor muito simples, contento-me somente com o melhor.

A vida é muito curta para ler porcarias, sejam elas brasileiras ou estrangeiras. Como disse Antonio de Alcântara Machado, na primeira Revista de Antropofagia: – “O antropófago come o índio e come o chamado civilizado: só ele fica lambendo os dedos”.

Assim, curto o Saci Pererê, a Mula sem Cabeça e o James T., todos eles arquétipos coletivos de nossa viagem rumo ao infinito de nossa raça.

Não houve romantismo ou ingenuidade na proposta original do Manifesto da FCB.

Seria mais interessante vê-lo como um remédio, um antibiótico, que veio para curar a septicemia momentânea do gênero, e conseguiu-o.

***

É só outro blogue: A busca por uma literatura com identidade nacional, valorizando, sobretudo, a nossa rica cultura é válida. Mas apegar-se a essa busca como se ela fosse, per si, a salvação de nossa literatura é um tanto quanto exagerado. A liberdade de criar permite que exploremos quaisquer cenários, mesmo aqueles que nos foram trazidos por culturas estrangeiras. Você não acha que a boa literatura de gênero está além dos limites de fronteira?

Ivan Carlos Regina: Após a eclosão do Manifesto Antropófago de 1922, ocorreu uma cisão entre seus membros, alinhando-se ideologicamente seus contendores com novas ideias políticas vindas de ultramar. Esta divisão mostrou-se, na prática, acima dos ideais de brasilidade que os levaram a se agregar debaixo de uma mesma bandeira, e, embora os continuassem praticando, a cisma foi inexorável.

Após o Manifesto da FCB, em 1988, ocorreu algo semelhante, ainda que sem caráter político. Uma facção contrária se mostrava partidária de uma FC sem fronteiras, pugnava que este gênero literário é, por excelência, a saga da humanidade como um todo, e, portanto, acima de quaisquer nações ou países.

A outra facção radicalizou, propondo uma literatura com modelos, molduras, cenários e enredos brasileiros, posicionando-se como uma espécie de bastião ou baluarte da brasilidade.

Para ser sincero, ambas estavam certas, embora o embate produzido tenha sido profícuo e deixado algumas sequelas.

Talvez a FC seja um gênero perfeito em si próprio, enquanto idealizador das novas tentativas que o homem fará para completar sua missão no Cosmos, ainda que menosprezar que existam culturas completamente diferentes é grossa besteira.

Tem a velha piadinha do mineiro que, chegando a um país estrangeiro, ouviu de um cidadão local: – “Aqui só temos machos”, ao que o “mineirim” retrucou – “Lá nas Geraes, metade é ôme e metade é muié, e nos damo muito bem!”.

Talvez possamos criar um modelo brasileiro de explorar o espaço em conjunto com outras nações, coisas que alguns acham impossível.

Já tivemos um astronauta brasileiro, nossos conterrâneos têm se mostrado ótimos pesquisadores, talvez a primeira nave tripulada a deixar o Sistema Solar seja brasileira… ainda que uma grossa comissão tenha sido paga “por fora” por seus fabricantes aos políticos que aprovaram a viagem…Quem sabe?

Somente a busca por uma literatura de FC brasileira não a salvará. O que temos que perseguir é qualidade. Ainda resta a ocupar nossos nichos e cenários com a mesma competência que outros o têm feito.

Chama a atenção a grande quantidade de romances de FC ambientados no Brasil (especialmente na Amazônia), escritos por autores de língua inglesa. Eu diria que eles “descobriram a riqueza de nosso ambiente”, fato que raramente o fazemos, limitando-nos a exemplos como o Roberto Causo que insiste em “marcar território”, ambientando seus romances em cenários tipicamente brasileiros como a floresta.

Há um verso de uma canção típica chilena que diz – “A rosa, quando é botão, há de tomá-la”. Infelizmente, não estamos colhendo nossas próprias flores, e outros o têm feito.

***

É só outro blogue: Você tem acompanhado a evolução de nossa literatura de gênero desde os anos 80? Tem lido os autores contemporâneos? Como você avaliaria a literatura que fazemos hoje em comparação a que era feita na sua época?

Ivan Carlos Regina: A chamada “Geração GRD” foi aquela que nos inspiramos para criar. Autores como Jerônimo Monteiro, Rubens Scavone, Fausto Silva e Nilson Martello atingiram uma grande maturidade no gênero, deixando trabalhos de ótima qualidade, graças ao esforço pessoal de Gumercindo Rocha Dórea.

A geração dos anos oitenta, posterior à GRD, encontrou um cenário desolador. Como já disse, a qualidade dos trabalhos era péssima.

Por assim dizer, reinventamos a roda de escrever. Alguns poucos nomes me vêm à memória como bons autores de FC, como:

– Roberto de Souza Causo, cujo trabalho de divulgador do gênero acaba se sobrepujando à alta qualidade de seus textos;

– Bráulio Tavares, outro cujo destaque vem mais do desempenho como agitador cultural do que graças a seus inegáveis dotes de bom escritor;

– Roberto Schima e Cid Fernandes – autores bissextos, que por não estarem “na mídia” acabaram relegados ao segundo plano;

– Carlos Orsi Martinho – se aplica o já dito, alta qualidade literária e pouca divulgação.

– Fábio Fernandes e Lucio Manfredi, autores herméticos, com trabalhos maravilhosos mas poucos conhecidos do grande público

Poderia citar mais um ou outro, mas seria mais pelos seus desempenhos na mídia do que pela qualidade literária de seus trabalhos.

Somos poucos, estamos no deserto. A geração dos sessenta teve seu Moisés, o Gumercindo, que nos trouxe uma tábua de dez grandes livros de FC.

A nossa geração preferiu o silêncio, optou pela cizânia, não houve união. Alguns poucos trabalham pela Ficção Científica no Brasil.  A maioria optou por fazer marketing pessoal de seu próprio nome, muitos pagando para publicar livros de qualidade duvidosa, na vã tentativa de que fossem guindados ao panteão da imortalidade pela escassez de concorrentes.

A vida não é assim.

Sentimos falta de um elemento aglutinador, uma nova casa editorial específica do gênero de FC, ou mesmo de uma universidade que pudesse abrigar sob seu teto nossas discussões e aspirações.

Não temos mais críticos literários, aí incluso o próprio “mainstream” da literatura geral. Paulo Franchetti, em recente artigo intitulado “A Demissão da Crítica”, nos ensina – “o crítico literário – tanto o da imprensa quanto o da universidade – é, para os escritores de hoje, uma nova espécie de colunista social”.

Assim os críticos e os escritores, ao invés de se preocuparem com a qualidade de seus escritos ou sua bagagem literária, estão mais interessados em registrar seus comentários no Facebook,   Orkut e Wikipédia. Eles creem que serão julgados não pela qualidade intrínseca de seus trabalhos, mas pela sua atuação como agitadores literários.

Talvez por isto, pela falta de uma referência editorial ou acadêmica, toda geração brasileira tem que partir do zero, reinventando-se a si mesma.

Fiz parte do júri do último concurso de contos de FCB, lindamente patrocinado pela Devir, e constatei que:

– existiam trabalhos péssimos, de gente que, claramente, se ressentia da ausência de um paradigma literário ao qual acima me referi.

– existiam trabalhos ótimos, muito bem escritos, reafirmando o que eu penso que o brasileiro tem um grande talento, uma vocação especial para escrever FC.

De certa maneira, a lei de Theodore Sturgeon continua válida: 90% de tudo é lixo, e somente 10% dos trabalhos merecem serem lidos e publicados. Nos Estados Unidos da América, o autor “aprende” a escrever FC e os ruins e péssimos tornam-se medíocres, fazendo trabalhos literários razoáveis.

O grande autor já nasce feito pela vida, não há quem ensine a escrever, somente acredito em ler (de tudo) e depois vomitar o texto pronto.

É assim que penso.

Dos brasileiros já falei, embora, ressalto, não seja um crítico literário, pode ser que existam bons jovens autores por aí, talvez ignorados pelos motivos que já expus.

***

É só outro blogue: Quais são suas referências literárias e quais autores nacionais contemporâneos são os seus preferidos e quais autores da chamada segunda onda mais o impressionaram?

Ivan Carlos Regina: Sou um leitor inveterado, gosto de tudo, mas só do melhor. Procurei trazer para a Ficção Científica temas e sensações raramente vistos no gênero, como: futebol, diversidade sexual, samba, poesia, obsessões psicológicas, sátira, humor, escárnio, filosofias orientais.

Escrevi pouco, mas estou contente com o que fiz. Sou um pobre homem de Bauru (parafraseando o grande Pedro Nava) e nunca fui a um Curso de Letras. Vivi minha adolescência nos anos sessenta, os mais contestadores que jamais houve. Li toda a geração “hard” de FC e, quase na mesma época de seus criadores, pude descobrir a nova FC “soft”, e saber que o homem podia ser mais do que uma máquina, talvez feito de cuspe, sangue e sêmen, como provavelmente Ginsberg o disse melhor nalgum porão de São Francisco. Bebi da água da contracultura e da mesma fonte que eles, e Blake foi meu padrinho de batismo.

Assisti Ionesco, Becket e Arrabal saírem do anonimato para se tornarem clássicos, e isto não foi nenhum absurdo. Vi a poesia dizer cada vez mais, para depois tornar-se subitamente muda.

No âmbito circunscrito da FC, do qual estamos nos referindo, é inegável dizer que adoro, e provavelmente tenha recebido influencias de:

– Robert Sheckley, pelo humor e irreverência de seus textos;

– Phillip José Farmer, pelo senso de maravilha de seus romances, e, principalmente, pelo seu lado “noir”, pouco conhecido, dos trabalhos como “Relações Estranhas “ e “A Imagem da Besta”;

– Robert Heinlei, pela sua evolução, de autor “hard”, para depois escrever “Um estranho numa terra estranha”;

–  Phillip K. Dick, pelo experimentalismo de seus textos e pela visão do mundo, paradoxalmente perto da nossa;

– Stanley G. Weinbaum, para mim, o paradigma do gênero, o autor que, se não tivesse morrido prematuramente, teria unificado as duas tendências de FC numa só magistral corrente;

– Úrsula K. Le Guin, uma autora que sempre  me faz pensar na importância do gênero para o futuro do mundo.

***

É só outro blogue: Você tem escrito? Existem projetos novos seus, aproveitando a recente expansão do mercado editorial de gênero?

Ivan Carlos Regina: Um conhecido divulgador de FC, o Marcelo Branco, sempre me questiona por eu “ter virado as costas para a FC”, pelo fato de ter escrito pouco.

Talvez ele, como muitos, cobre de mim o fato de eu não ter virado um divulgador de meu próprio trabalho. Digo, insisto, repito: nunca paguei para publicar meus contos de FC (não estou dizendo que isto é errado), ao contrário, tenho recebido, ainda que pouco.

O trabalho que tentei fazer foi alargar as fronteiras das possibilidades do gênero enquanto autor brasileiro e do meu tempo.

Ser autor de FC no Brasil não é gratificante, exige muito sacrifício (somo um povo estoico), ou muita vaidade pessoal. Não tenho nem uma nem a outra qualidade, sou um lotófago (ver conto de Stanley G. Weinbaum com o mesmo nome).

Tenho escrito outras coisas, como livros sobre vinhos ou poesia ou mesmo um, curioso e que me consumiu cinco anos de puro prazer, no qual recrio receitas literárias a partir da emulação de grandes autores da língua portuguesa. Por ser de gênero inclassificável, talvez “ficção gastronômica”, não consigo muito espaço para publicação, mas continuo tentando, e talvez consiga em pouco tempo.

É pena que os remanescentes desta luta cultural por uma melhor FC brasileira não se unam para produzir o ambiente literário profícuo a um desenvolvimento genuíno do gênero.

Enquanto isto, os velhos dinossauros, como eu, sobrevivem no deserto da mediocridade literária, na qual estou incluído. Sozinho, abandonado e sedento, mas com uma tiara verde e amarela. Um brontossauro de chapéu.

Ou talvez um mamute congelado, com a bandeira brasileira engalanada nas patas, aguardando novos  tempos ou a morte, sinônimos do que vier primeiro.

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30 Respostas to “Quem é Ivan Carlos Regina?”

  1. Alvaro Domingues Says:

    Ivan é sempre surpreendente.

  2. Marcello Branco Says:

    Excelente entrevista. Não poderia esperar menos do Ivan. Agora, a minha cobrança para ele escrever FC não tem relação quanto a ele ser um divulgador do seu trabalho. Ora, se podemos colocar assim, a melhor (ou a mais produtiva) forma de um autor (bom autor, aliás), divulgar o seu trabalho é continuar escrevendo e publicando. Num oceano de mediocridades como o da FCB atual, uma figura como a do Ivan seria um farol a mostrar que é possível produzir uma literatura de FC brasileira com inovação temática e qualidade de estilo.

    • Tibor Moricz Says:

      Devo lembrar que esse “oceano de mediocridades” não é privilégio dessa geração. O mesmo oceano existiu em gerações anteriores e o Ivan seria apenas mais um “farol” a mostrar que é possível produzir boa literatura, já que temos outros “faróis” realizando bons trabalhos.

  3. Marcello Branco Says:

    Também acho Tibor. Todas as gerações foram “medíocres” no sentido em que a palavra é empregada em um dicionário: mediana, razoável. Já sobre os faróis, o Ivan é um dos pocos que surgiram na FCB. Seja em qual geração for.

  4. Afonso Luiz Pereira Says:

    Apesar dos depoimentos fortes, carregados, que praticamente gritam por uma FC genuinamente brasileira, penso que os argumentos do senhor Ivan Carlos Regina, em que pese o fato de muito leitores jovens deste gênero ( e outros não tão jovens assim ), considerarem a sua postura radical, tais argumentos podem, sim, servir para dar um “tranco”, uma “sacudida” na cabeça da rapaziada. Reflexões interessantes podem surgir daí, ver a FC já com outros olhos, principalmente para quem viveu ou vive na bolha cultural importada e nunca leu o tal manifesto.

  5. Decio goodnews Says:

    Há autores de FCB que simplesmente são “invisíveis”. Conhecidos por milhares e mesmo milhões de leitores em sites literários, contos publicados em fanzines e livros, Inexplicavelmente (?) são ignorados por pessoas que escrevem sobre FCB, como se simplesmente inexistissem. A FCB é precária porque é feita por patota. Todo autor que não tenha nascido e crescido no meio dela, é simplesmente ignorado e “persona non grata”. Chamo a atenção do pessoal da patota para, por exemplo, acessarem os sites http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews) ou o site http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith) onde há contos, romance, roteiro de cinema no gênero em pauta. Este autor, que também usou o nome literário Decio One não é chegado a agrupamentos de pessoas que se aplaudem mutuamente, ignorando que o fazer literário não se fia em guias de fãs clubes.

    • Tibor Moricz Says:

      Decio, a “invisibilidade” do gênero é uma verdade praticamente inquestionável. Mas não podemos esquecer que também há autores que se impõe uma espécie de “auto-invisibilidade”, o que é o teu caso, me parece. Não é papel do mercado ir buscar autores em sites literários (embora isso até possa acontecer). É papel do autor se “enturmar”, se fazer visível no mercado, bater panelas junto às comunidades ligadas ao gênero, mostrar que tem talento, que tem estofo. Evitar “agrupamento de pessoas” é definir para si mesmo a invisibilidade. Existem “n” coletâneas onde você e outros podem concorrer a espaços. Você tenta? Sim? Mesmo assim não consegue espaço? Se for esse o caso, seria importante avaliar a qualidade do que você escreve. Sempre haverá espaço para autores bons. O ditado “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, nunca foi tão válido. Dizer-se apartado de “agrupamentos de pessoas” que se “aplaudem mutuamente” parece umas espécie de ressentimento, uma mágoa de quem procura e não acha. Então se isola e passa a reclamar do mercado quando o problema, muito provavelmente, está em você mesmo.

  6. Decio goodnews Says:

    Caro Tibor, réplicas e tréplicas não solucionam o mérito dessa questão. Argumentos “cheios de razão”, com correta linha de pensamento não quer dizer que estejam certos. Um argumento, vc sabe, pode ser perfeitamente lógico e está totalmente errado. Parece-me autoevidente que existem autores que não gostam nem querem se enturmar. Isso não quer dizer que não queiram ser reconhecidos pelo que escrevem. Não há ressentimento nem mágoa em não procurar grupos enquanto pessoa física. O mérito de um autor está em sua produção literária e não em sua presença física em “agrupamentos de pessoas”. Se isto é um problema, certamente não é meu. Sinto-me bem em expor meu trabalho sem ter de estar investindo em visibilidade física. Não argumentei que o papel do mercado é ir buscar autores em sites literários. Sequer insinuei isto. Mas, considerando a quantidade de acessos a meus textos, acredito que os mesmos possam ter sido lidos por pessoas desse agrupamento o qual (suponho) mencionamos. Frequentei, fiz palestra no Clube de Leitores de FC de SP quando ele existiu. Comercializei livros entre pessoas desse grupo. Estranhei que uma dessas pessoas tenha editado um trabalho sobre autores de FCB e não me tenha mencionado nele, considerando que essa mesma pessoa fez uma avaliação desse livro de minha autoria (A MOCHILEIRA — Thundra) anteriormente ao lançamento do mesmo. Estranhei sim. Sem ressentimentos, considerando que essa pessoa pertence a esse grupo do qual supostamente estamos falando. Se mencionar este fato é inevitavelmente uma demonstração de ressentimento, paciência! Que posso fazer? Não me sinto magoado, mas estimulado com esse acontecimento que mostra ressentimento não de minha parte, mas de quem ignorou um autor e um romance de FCB, ao fazer de conta que nem autor nem romance foram resenhados pelo autor da obra em pauta mencionando autores e obras, e ignorando meu trabalho. Estranhei sim, que dentre todas essas pessoas que fazem parte desse agrupamento, não houve uma única que notasse este fato que salta aos olhos de todos. Vc também não estranha esta “invisibilidade” que certamente não foi nem é imposta por mim? Vc compreende meu ponto de vista? E que não há nele ressentimento pessoal, mas há ressentimento pessoal daquele autor que ignorou um autor e um romance de FCB por motivos que todos desse agrupamento acham certamente de bom tom não comentar. Como se não tivesse existido. A “invisibilidade” não é iniciativa minha. O fato de querer não pertencer fisicamente a nenhuma patota não quer dizer que queira que meu trabalho literário em FCB seja ignorado. Se escrevo e exponho meus textos de FCB não estou me isolando nem reclamando de ninguém. Mas este problema da “invisibilidade” que essas pessoas desse agrupamento impõem a trabalhos de minha autoria certamente não é problema nem iniciativa minha.

    • Tibor Moricz Says:

      “Parece-me autoevidente que existem autores que não gostam nem querem se enturmar. Isso não quer dizer que não queiram ser reconhecidos pelo que escrevem”
      Hoje em dia, Decio, o conceito de se “enturmar” extrapolou o físico e tornou-se virtual. Você pode participar de comunidades, grupos de discussão e redes sociais sem precisar se relacionar fisicamente. Uma ótima para quem quer se tornar visível. Esconder-se em todos os sentidos tornará muito difícil que seu trabalho seja reconhecido.
      “O mérito de um autor está em sua produção literária e não em sua presença física em “agrupamentos de pessoas”.
      Certo e errado, Decio. O grande mérito do autor está mesmo em sua produção literária, mas manter-se afastado (tal como um eremita) não vai ajudá-lo nem um pouco. Se você tem o que escrever, deve ter o que dizer também. Exponha-se mais, torne-se mais visível.
      ” Frequentei, fiz palestra no Clube de Leitores de FC de SP quando ele existiu”.
      O CLFC ainda existe, Decio. Está ativo embora não tenha um site próprio.
      ” Estranhei que uma dessas pessoas tenha editado um trabalho sobre autores de FCB e não me tenha mencionado nele, considerando que essa mesma pessoa fez uma avaliação desse livro de minha autoria (A MOCHILEIRA — Thundra) anteriormente ao lançamento do mesmo”.
      Que pessoa é essa? Que trabalho é esse? Que livro é esse? Faltam detalhes importantes para que eu possa construir melhor esse cenário.
      “Se mencionar este fato é inevitavelmente uma demonstração de ressentimento, paciência! Que posso fazer?”.
      Se não há ressentimentos da sua parte, Decio, então peço sinceras desculpas. Não interpretei corretamente as suas palavras.
      “Não me sinto magoado, mas estimulado com esse acontecimento que mostra ressentimento não de minha parte, mas de quem ignorou um autor e um romance de FCB, ao fazer de conta que nem autor nem romance foram resenhados pelo autor da obra em pauta mencionando autores e obras, e ignorando meu trabalho”.
      É complexo fazer julgamentos, Decio. Não sei quais eram os critérios de quem escolheu as obras para resenhar e os autores para catalogar.
      “Vc também não estranha esta “invisibilidade” que certamente não foi nem é imposta por mim?”
      Não, Decio. Como não sei de quem você fala, nem de que trabalho se refere, nem de que critérios foram utilizados, não posso achar nada estranho.
      “Mas este problema da “invisibilidade” que essas pessoas desse agrupamento impõem a trabalhos de minha autoria certamente não é problema nem iniciativa minha.”
      Me parece uma teoria de conspiração esse negócio de “me deixaram de fora do bonde histórico da FCB”. Há que se julgar relevância no meio, qualidade intrínseca da obra (e das obras, um autor de FCB não pode querer notoriedade com apenas um único livro lançado a não ser que ele seja sensacional, não creio que seja o caso. Obras sensacionais raramente são encontradas).
      Assim, Decio, fica complicado julgar suas razões. Mas vou acreditar que você as tenha. Apareça no Facebook, enturme-se nas comunidade de FCB, faça-se conhecível. As coisas, a partir daí vão se ajeitando quase por conta própria se você for bastante bom no que faz.

  7. Decio Goodnews Says:

    Atualmente, sem contar edições de livros comercializados, uns 2 milhões de leitores em sites literários, 60% dos quais nos EUA 10% deles na Russia (ignorava que havia 200 mil acessos na Russia de pessoas interessadas em literatura brasileira: há muito migrante brasileiro por lá, ou gente nativa lendo em português) 10% América Latina, 10% Europa, 10% Brasil. A estatística é de um dos sites literários do qual participo.

    “Hoje em dia, Decio, o conceito de se enturmar extrapolou o físico e tornou-se virtual. Você pode participar de comunidades, grupos de discussão e redes sociais sem precisar se relacionar fisicamente. Uma ótima para quem quer se tornar visível. Esconder-se em todos os sentidos tornará muito difícil que seu trabalho seja reconhecido”.

    Vc vê que não faz sentido a argumentação do parágrafo acima.

    “O grande mérito do autor está mesmo em sua produção literária, mas manter-se afastado (tal como um eremita) não vai ajudá-lo nem um pouco. Se você tem o que escrever, deve ter o que dizer também. Exponha-se mais, torne-se mais visível”.

    Vc vê, Tibor, a argumentação do parágrafo acima parece, creio, não fazer muito sentido. Por favor, acesse os sites dentre os quais participo com comentários de centenas de autores (em meus arquivos são milhares. Eu costumo copiar e colar esses comentários em arquivos dedicados a eles, após deletá-los nos espaços reservados a comentários para que não haja acúmulo).

    “Que pessoa é essa? Que trabalho é esse? Que livro é esse? Faltam detalhes importantes para que eu possa construir melhor esse cenário”. Caramba, meu caro, vc não conversa com esse pessoal do CLFC? Que vc acaba de me informar estar em pauta? Informaram-me que não estava mais funcionando em reuniões como antigamente. Que estava concentrado apenas em um site com sede no Rio de Janeiro. Como vc vê, estou mal informado.

    Essa pessoa, pergunte a alguém do CLFC, pergunte a nosso amigo Ivan. Não a menciono para não provocar um revide ou uma tréplica sem sentido. Não fui mencionado nessa obra não por estar fora de supostos critérios de publicação, mas por, permita-me a afirmação, mau caratismo do autor. Simplesmente. Ressentimentos, vai saber? Busque se informar e tire suas conclusões.

    O livro mencionado A MOCHILEIRA (Thundra) nas edições em papel comercializou em menos de doze meses dois mil exemplares. Há nele um prefácio do André Carneiro e o Ivan escreveu breve opinião sobre o mesmo que, juntamente com outras opiniões (Marcelo Simão Branco e Causo) fora editada em 20 mil (20.000) cartões a cores com publicidade do mesmo.

    Acredito que vc possa verificar que as leituras (os acessos ao texto desse Romance de FCB) estejam a somar mais de 30 mil leituras neste site: http://www.usinadeletras.com.br. Meu nome literário nele é Sereno Hopefaith.

    “Me parece uma teoria de conspiração esse negócio de me deixaram de fora do bonde histórico da FCB. Há que se julgar relevância no meio, qualidade intrínseca da obra (e das obras, um autor de FCB não pode querer notoriedade com apenas um único livro lançado a não ser que ele seja sensacional, não creio que seja o caso. Obras sensacionais raramente são encontradas).

    Editei alguns contos de FC no fanzine Megalon e em outros fanzines.

    Os acessos a esses meus contos somam milhares (veja, por favor, no mencionado site e no http://www.recantodasletras.com.br). Não há nenhuma teoria da conspiração. Quanto a qualidade do mencionado Romance, por que vc não acessa esses sites e lê? Tire suas próprias conclusões. Faça sua própria avaliação.

    Talvez não seja mesmo o caso de ser um Romance sensacional. Nem fora minha pretensão escrevê-lo com esse objetivo. Mas, quem sabe? Vc possa se surpreender.

    De qualquer forma, agradeço seu interesse pessoal em estabelecer um diálogo comigo. Um leitor com suas credenciais é sempre um bom lero-lero.

  8. Decio goodnews Says:

    OLÁ Tibor, tudo bem? Gostarei, se me permite, de fazer alguma revisão e algum acréscimo de texto em parágrafos do texto acima:

    1) O livro mencionado A MOCHILEIRA (Thundra) na edição em papel comercializou em menos de doze meses dois mil exemplares. Há nele um prefácio do André Carneiro e o Ivan escreveu breve opinião sobre o mesmo que, juntamente com outras opiniões (Marcelo Simão Branco e Causo) foram editadas em 20 mil (20.000) cartões a cores com publicidade do mesmo.

    2) Essa pessoa, pergunte a alguém do CLFC, pergunte a nosso amigo Ivan. Não a menciono para não provocar um revide ou uma tréplica sem sentido. De revanchismo babaca acredito que precisamos nos esquivar. Simplesmente pq não dão em nada. Exceto, por vezes, em baixarias provocativas. Não fui mencionado nessa obra (desse autor) não por estar fora de supostos critérios de publicação, mas por, permita-me a afirmação, mau caratismo do mesmo. Simplesmente. Ressentimentos, vai saber? Busque se informar e tire suas conclusões.

    3) Pergunto: se vc vai, hipoteticamente, editar um dicionário de Língua Portuguesa, não poderás se dar ao vexame de ignorar termos da língua, neologismos e outros, apenas por não ter simpatia com eles. É obrigação moral, ética, do autor, mencionar todas as unidades léxicas da língua. Quantas mais para, se possível, não faltar nenhuma (haja pesquisa!), melhor será o resultado de seu trabalho.

    4) Os acessos a esses meus contos somam milhares (veja, por favor, no mencionado site e no http://www.recantodasletras.com.br). Não há nenhuma teoria da conspiração. Não considero minimamente relevante a menção desse autor, mas, se ele escreve um trabalho no qual menciona não ter deixado nenhum autor de FCB fora da resenha. Pq a deliberada desmemória de meu nome literário (neste livro Decio One). Essa amnésia não é para causa estranheza? Quanto a qualidade do mencionado Romance, por que vc não acessa esses sites e lê? Tire suas próprias conclusões. Faça sua própria avaliação.

    Abraço
    http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews)
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)

    • Tibor Moricz Says:

      Você diz que a totalidade dos seus textos alcançaram, em tantos anos, centenas de milhares de leituras. Tudo bem. Curioso, então, que jamais ouvi falar de você nem dos seus trabalhos. Tampouco as pessoas que consultei (autores e leitores de gênero contemporâneos – não os antigos), eles jamais ouviram falar de você sequer leram qualquer um dos seus textos. Como eu disse, e repito, manter seus textos no “recanto das letras” não é suficiente para dar a você alguma notoriedade. Eu diria “cresça e apareça”, mas você já é bem crescidinho…rs… apareça apenas, então.

  9. Alvaro Domingues Says:

    O Tibor tem razão sobre o “enturmar-se”. Lovecraft era um recluso, todavia hoje é conhecido por ter escrito mais de 100 mil cartas, das quais tem-se uma amostra de umas dez mil.

    Reclamar de não ter sido citado não me parece um boa política. Melhor seria realmente se fazer visível. Tenho contos e poemas no recanto das letras, tenho contos em blogs, faço como Tibor artigos resenhas sobre o gênero que leio e escrevo. Algumas vezes sou lembrado, outras não e outras, negativamente. Mas nunca pedi, “me citem, pelo amor de Deus”. Eu faço questão sim de citar meus amigos, se eles no, meu entender fazem algo de bom.

    Tem algumas pessoas que participam de eventos, fotografam e fazem questão de citar os amigos nas redes sociais e em seus blogs. Isso aumenta a visibilidade deles mesmos, por tabela (e ás vezes nem é este seu objetivo; fazem por que gostam). Se isso é uma panela, então que seja. Eu prefiro chamar de ajuda mútua.

    E você, Decio Goodnews, quantas vezes citou seus pares em artigos, nas redes sociais em blogs?

  10. Sereno Hopefaith Says:

    Vcs compreendem porque não faço por onde entrar na dança de estar nas redes, de me querer lido por uma amplitude maior de pessoas em redes sociais? É isso! A coisa da troca de figurinhas começa a entrar no campo da provocação inócua. A exemplo da última frase do Domingos:
    —— “E você, Decio Goodnews, quantas vezes citou seus pares em artigos, nas redes sociais em blogs?” Por que tenho de responder a provocações do tipo? Vamos à perda de tempo:

    Meus pares talvez não sejam seus pares. Se vc tivesse, meu caro Domingos, lido alguns textos meus em blogs e sites, saberia. Sem precisar perguntar. Se vc tivesse lido um mínimo as entrelinhas do que escrevi, não diria certamente essa bobagem:

    “Reclamar de não ter sido citado não me parece um boa política. Melhor seria realmente se fazer visível”.

    Acredito que, nunca haverá um único autor que esteja tão perfeitamente divulgado que seja de conhecimento de todos em todos os lugares. Vc, Tibor, com certeza não poderá mais dizer:
    “Curioso, então, que jamais ouvi falar de você nem dos seus trabalhos”. Por favor, teça comentários quando os ler.

    Sinceramente, Tibor, vou tentar aparecer, porque crescidinho eu sou rsrsrsrsr.

    Abraços
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)
    http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews)

  11. Sereno Hopefaith Says:

    Acredito que nunca haverá um único autor que esteja tão perfeitamente divulgado que seja do conhecimento de todos em todos os lugares. Vc, Tibor, com certeza não poderá mais dizer:
    “Curioso, então, que jamais ouvi falar de você nem dos seus trabalhos”.

    Por favor (“pelo amor de Deus”, como diria o Domingos, RSRSRSRSRSR), teça comentários quando os ler.

    Abraço
    http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews)
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)

    • Alvaro Domingues Says:

      Caro (pouco) Sereno,

      Os milhares de leituras que você tem no recanto das letras são pulverizados em um monte de textos, cem ali, duzentos acolá, etc.. Você está olhando pra si mesmo com uma enorme lente de aumento, a ponto de reclamar que num artigo de 2011 que você não foi citado. Me parece que você quer um pouco mais de visibilidade, fazendo espuma na banheira e escolhendo Tibor como alvo, conhecido pro não ter papas na língua em suas resenhas.

      Mas se quer reclamar, tem milhares de outros artigos que não o citaram.

      Será que Roberto Causo lembrou-se de você em sua tese? Será que Antonio Luiz da Carta Capital alguma vez lembrou de você? E os milhares de blogues amadores, será que algum deles falou de você?

      Há outros escritores que foram ignorados na reportagem e nenhum deles ficou “ofendidinho” e fez bico. Porque nenhum deles fez questão de crescer em cima de alguém que está justamente querendo divulgar a literatura fantástica nacional.

  12. Sereno Hopefaith Says:

    Cara, não sei quem vc é, mas pelos termos que vc usa em seus comentários chulos, posso garantir que estás batendo na porta errada. Sugiro que vc vá procurar os membros de sua turma. Que, pelos sintomas, fica fácil identificar quem são. Vc ouve o galo cantar mas não sabe aonde. Não sei que reportagem é essa a qual vc se refere. Nem quero saber. Por essa gente que vc cita e se excita, eu quero mesmo é estar sempre esquecido. Vc não se toca do quanto são ridículos seus posicionamentos? Não sou chegado a confetes e serpentinas, ou seja, tenho meu estilo de existir enquanto escritor e divulgador de meus textos. Nunca, em nenhum momento, me passou pela cabeça ser citado por “a” ou “b”. A menção à falta de inserção de meu texto naquele obra daquele autor que vc identifica, foi efetuada num contexto literário completamente alheio às suas insinuações. Ou melhor: baixarias. Vc faz justiça à sua patota! Tenha a mínima moral de não me identificar com ela. Apesar de eu acreditar que ética é um conceito que por certo vc não tem acesso. Por isso mesmo acredito que vc ainda vai apostar numa resposta. Não é mesmo? Considere-se respondido em seu próximo comentário. Que deve estar de acordo com o “mérito” dos anteriores.

  13. Sereno Hopefaith Says:

    OLÁ, Ivan, tudo bem contigo? Quando vamos jogar um xadrez outra vez? Vc tem acompanhado esse lero-lero? Fala para esse cidadão dominical que ele não está a perceber nadica de nada dos referenciais literários expostos em meu comentário inicial. Será que vou ter de publicar aquele texto “poucos amigos”? Em resposta a uma série de ataques aos quais permaneci calado durante muito tempo? Chega uma hora a casa cai. Vc, suponho, sabe que nunca tomei a iniciativa de ser agressivo com quem quer que seja, mas isso não quer dizer que eu devesse ficar expondo minha face gratuitamente a agressões repetidas em fanzine da “patota”, sem nunca revidar. Pelo que conheço de vc vais dizer que não tens nada com isso. E é verdade. Mesmo assim, leva um lero com esse cara. Ele menciona um artigo de 2011 em que não fui citado. Desde 2001 estou ausente de São Paulo e não tenho conhecimento dos trâmites de fanzines, autores e artigos aos quais ele se refere. Estou de volta a pouco tempo. E a receptividade da “patota” continua a mesma. Por que será?

  14. Alvaro Domingues Says:

    Caro Sereno.

    O artigo de 2011 é este aqui, do Tibor.

  15. Alvaro Domingues Says:

    Bom, vou me retirar desta discussão infrutífera. Tenho mais o que fazer.

  16. Sereno Hopefaith Says:

    Isto é uma entrevista! Ou não?

  17. Alvaro Domingues Says:

    Sim. Mas é sobre este texto que eu me referia.

  18. Miguel Carqueija Says:

    Curioso. Já tive ocasião de publicar resenhas sobre Regina Sylvia e outros autores absolutamente fora do chamado fandom. Não sou o único. Na verdade, mesmo que existam no fandom patotas exclusivas, eu jamais me zanguei com alguém por não me citar em avaliações ou críticas sobre a FCB. É o tipo da coisa que é melhor não mexer, pois incide no livre-arbítrio de cada autor, que não é obrigado a citar nem Arthur C. Clarke. O que cada autor deve fazer é o seu trabalho, com persistencia e continuidade. E tentar apurar a qualidade cada vez mais. Não se deve exigir muito das pessoas e o que valoriza as referencias é serem expontâneas. O resto é desgastar-se em vão.

  19. Sereno Hopefaith Says:

    Há gente que se desgasta! Há gente que se diverte! Com argumentos como esse! Quanto “livre arbítrio”!

  20. Sereno Hopefaith Says:

    Um comentarista em seus posicionamentos ridículos perguntou quantas vezes eu teria citado meus pares (?) em artigos nas redes sociais e em blogs. Ele fez a pergunta quando essa mesma pergunta não tinha nenhum sentido de ser feita. Porque eu já havia respondido em comentários anteriores que não me apraz fazer parte de patotas, fanzines, em blogs e artigos de elogio mútuo.

    Porém, toda vez que saurge oportunidade, costumo citar autores de FC nacional ou não, a exemplo do Prefácio do Autor em meu Romance A Mochileira (Thundra). Exemplo:

    “Cercado pela polaridade virulenta da confusão ideológica direita-esquerda-volver, eu lia tudo que se traduzia, em português e espanhol, sobre esse mundo semântico paradoxal: os romances de Huxley, Orwell, Heinlein, Bradbury, Farmer, K. Dick. E me perguntava: Como uma literatura poderia ser científica e ao mesmo tempo ficção?

    Ciência é procedimento experimental estabelecido enquanto verdade institucional nas áreas de humanas, biológicas e exatas. Ficção é ficção, como pode ser científica, se não faz parte do conhecimento institucionalizado, aceito e ensinado nas academias de exatas?

    Descobri que a parte ficcional da literatura que eu estava lendo, O Planeta dos Macacos, Fahrenheit 451, É Proibido Procriar, mantinha estreitos elos de ligação com as ciências humanas. A Mochileira (Thundra), escrito na década de noventa, afirma-se enquanto simbiose, exercício mental, vontade de saltar, literária e olimpicamente, o muro da vergonha da criação intelectual que separa o imaginário anglo-saxão do imaginário da ficção criada na América Latina.

    A leitura de “As Noites Marcianas”, de Fausto Cunha, e de “Eles Herdarão a Terra”, de Dinah Silveira de Queiroz, editados por Gumercindo Rocha Dorea, faziam acreditar que haveria futuro na FC brasileira, mesmo porque eu tinha em mãos a primeira Antologia Brasileira de FC com contos dos autores citados neste parágrafo, que incluía ainda outros autores:

    Antônio Olinto, Jerônimo Monteiro, e do mesmo editor, Histórias do Acontecerá, com contos de Álvaro Malheiros, Leon Eliachar, Ruy Jugmann. Posteriormente, li “Além do Espaço e do Tempo”, uma antologia de autores nacionais, editada pela Edart, com contos de André Carneiro, Clóvis Garcia, Rubens Scavone, Álvaro Malheiros, Nelson Leiner, Nilson Martello e outros. Na coleção “Argonauta”, editada em Portugal, havia a presença dos mais destacados autores estrangeiros…

    Na década de 90 do século passado (como sou antigo) em vinte mil cartões a cores publiquei não apenas nome de autores (Ivan, André, Simão, Causo), mas, numa tentativa de divulgar não somente meu Romance, mas também o nome e a obra dessas pessoas e seus fanzines, distribuí de mão em mão na noite paulistana e em eventos literários tipo Bienal do Livro (São Paulo e Santos quando havia Bienal em Santos), e eventos literários outros, esses 20.000 cartões.

    Não estou a pousar de vítima na fotografia, mas meus críticos costumam argumentar ignorando minha atuação anterior a seus ridículos comentários, como se minha atuação anterior não houvesse existido.

    Abraços
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)
    http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews)

  21. Sereno Hopefaith Says:

    OLÁ, Tibor, tudo bem? Vc teve tempo de dá uma olhada no Romance de FCB, A MOCHILEIRA (Thundra)? Que achou? Merece constar de alguma antologia sobre autores de FCB? Chamo sua atenção para um ROTEIRO DE CINEMA criado a partir de meu Romance de FCB, HOLOCAUSTO NUNCA MAIS (PSICity). Ele pode ser encontrado em texto dividido (20 itens) no site literário http://www.recantodas letras.com.br (Decio Goodnews) ou no site literário http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith). Neste último site o texto pode ser lido em um nicho de texto. Ou seja: sem precisar acessá-lo duas ou três vezes. Sucesso! Que seu blog desperte leitores para o fato de que a FCB existe. Apesar das conchas fechadas das patotas que se dizem divulga-la. 1 abraço
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)
    http://www.recantodasletras.com.br(Decio Goodnews)

  22. Decio Goodnews Says:

    OLÁ Tibor, vc teve tempo de dar uma olhada, fazer uma leitura em um dos romances (ou em ambos?): A MOCHILEIRA e HOLOCAUSTO NUNCA MAIS? Não? Então, como vc vai ter condições de divulgar este autor de FC nacional? 1 abraço
    http://www.usinadeletras.com.br (Sereno Hopefaith)
    http://www.recantodasletras.com.br (Decio Goodnews)

  23. A grande ousadia | Tudo Says:

    […] https://esooutroblogue.wordpress.com/2011/03/15/quem-e-ivan-carlos-regina). Finalmente, em abril de 2009, o escritor Luiz Bras lançou – com o ensaio “Convite ao Mainstream”, na coluna “Ruído Branco”, mantida por ele no Rascunho: O Jornal Literário do Brasil – uma Questão Literária das mais relevantes para a história do gênero em nosso país. Talvez até mesmo para a literatura braseira como um todo. […]

  24. Decio Goodnews Says:

    André Carneiro Escritor Não Revelado Pelo BBB

    Por isso mesmo não teve muitos leitores no país do “nunca se vil antes nesse país”. Em entrevista ao jornalista Luiz Bras, do Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, novembro, 2012, André Carneiro em resposta à pergunta “a espécie humana ainda tem jeito ou é um caso perdido”? AC disse:

    — “Todas as vezes que a espécie humana me causou grandes decepções, sempre me consolei com a máquina do tempo: se olharmos a história em uma visão panorâmica, é inevitável descobrirmos que agora, com todas as imperfeições do mundo contemporâneo, podemos encontrar nítidas melhoras. A horrorosa escravidão explícita de um ser humano imposta a outro, está eliminada oficialmente. As leis trabalhistas em todo o mundo têm sido paulatinamente melhoradas. Eu ainda acredito no ser humano. Acredito até que a ciência chegará ao ponto de mutação que nos garanta um DNA mais favorecido”.

    André Carneiro como se pode concluir da leitura do parágrafo acima, era um otimista convicto. Acreditar que a história está a melhorar o ser humano e não a escravizá-lo ainda mais intensamente, ao visualizar nítidas melhoras no mundo contemporâneo, é realmente uma visão de um otimismo inquestionável.

    Afirmar que a escravidão de um ser humano imposta a outro está eliminada oficialmente, só porque, ornamentalmente, as instituições políticas do país saíram de ditaduras políticas explícitas, tais como a de Vargas, a de militares que se impuseram violentamente contra os preceitos constitucionais ao derrubar o governo João Goular, e foram substituídas por ditadutas descaradas da corrupção, desde o governo Collor de Mello até os governos atuais de Dilma Pasadena, é, realmente, acreditar demasiado na política enquanto fator de melhora das condições coletivas, e pessoais, do ser humano.

    Escrevo este artigo para homenagear o escritor André Carneiro. Para harmonizar a crítica ao otimismo de sua afirmação politicamente questionável, mencionemos seu conto “A Escuridão” (1963), único conto brasileiro selecionado na antologia da editora G. P. Putnam´s Sons (EUA), em 1973, da qual constou entre os melhores contos mundiais até então escritos. Em 2011, numa votação informal promovida pelo blogue Cobra Norato, eleito o melhor conto brasileiro de Ficção Científica.

    “A Escuridão” (The Darkness) narra a fragilidade dos seres humanos quando se deparam com um fenômeno atmosférico que os faz temer pela sobrevivência: o fenômeno da escuridão. A relatividade da condição humana. Na Escuridão narrada no conto homônimo, os cegos veem melhor do que aqueles que nasceram com a visão dita normal. Eles se conduzem no espaço das ruas da cidade com uma desnevoltura que os não nascidos cegos não possuem.

    Os cegos, após o fenômeno atmosférico, se movem como se conhecessem os caminhos entre lugares diversos. A escuridão não os incomoda tanto quanto as pressões psicológicas e as necessidades de sobrevida que ela sugere a todos. Todos são sobreviventes em todos os lugares. Os alimentos escasseiam nos armários, a água se faz rara nas torneiras. A expectativa de sobrevida, a ansiedade por saírem dela! Vai durar quanto tempo a cerração, o turvamento da visão externa?

    Todos estão cegos em decorrência do inusitado fenômeno atmosférico. As pessoas nada enxergam. Tudo é trevas diante do nariz. Esta é uma metáfora sensacional do mundo em que vivemos agora. Mundo este no qual os problemas da sociedade globalizada se multiplicam todos os dias e ninguém parece perceber como melhor encará-los para que não se multipliquem a olhos vistos.

    Os regimes políticos autoritários que afirmam a corrupção enquanto uma forma velada de ditadura institucional, lutam por cercear cada vez mais a atuação social da imprensa. No Brasil, como nunca se viu antes neste país, os governos do partido majoritário e suas facções político-partidárias de apoio parlamentar, se querem incomodados com a intervenção social informativa da imprensa relativamente livre. Desejam que a ditudura da corrupção não tenha oponentes, de modo que possam continuar a fazer discursos demagógicos como se a afirmação “eu não sabia de nada” os redimisse de qualquer responsabilidade administrativa e institucional.

    É “A Escuridão” vigente não apenas na ficção, mas na realidade dos acontecimentos políticos que se desenvolvem no país. Como no conto premiado, nacional e internacionalmente de André Carneiro, “A Escuridão” da corrupção se dissemina, como nunca se viu antes neste país, como se fosse a coisa mais natural do mundo da política, com suas implicações na política de investimentos na educação, na saúde, na mobilidade urbana, nos transportes das estradas superesburacadas, nas habitações sem saneamento adequado, na ultraviolência que aumenta a olhos vistos.

    E ninguém enxerga um único palmo adiante do nariz, exceto “A Escuridão” da falta de mudança de paradigma nas políticas todas, como se as forças sociais intitucionais vigentes estivessem mergulhadas definitivamente num mundo onde a força social motiva a volta do eterno retorno à obscuridade das discussões inócuas, divulgadas diariamente nos jornais impressos e Tvvisivos. Nos jornais TVvisivos noturnos onde “A Escuridão” está presente em todos os monitores dos canais dos jornais nacionais.

    A metáfora admirável do fenômeno da cegueira em “A Escuridão”, faz com que o leitor mais atento possa inferir as implicações da ficção científica com a realidade: em ambas as situações há um fenômeno “atmosférico” patente: o conto narra um fenômeno atmosférico exterior aos seres humanos que os torna cegos com dificuldades de locomoção. “A Escuridão” da realidade política é um fenômeno psicológico e/ou parapsicológico que torna cego os seres humanos para uma realidade que eles agenciam politicamente, mas estão impotentes para mudar seus paradigmas.

    Em ambas as situações há a presença de uma pressão interna e exterior, que está para além das possibilidades dessas pessoas, vítimas dessa “A Escuridão” de, por seus próprios esforços e através de movimentos de sua própria vontade, fazerem acontecer a luminosidade em suas vidas. O fenômeno atmosférico está além de sua compreensão. É um fenômeno da natureza muito intenso e misterioso que se impõe na realidade externa das pessoas.

    Mas, o fenômeno da ditadura da corrupção na política desse Brasil, como nunca se viu antes neste país, se impõe a partir das forças políticas vigentes que deterioram a realidade externa e interna da pessoa, da família e da sociedade, impondo o fenômeno real e claroevidente d´A Escuridão como se ele fosse uma força formidável da natureza que se impõe para além de qualquer intervenção humana.

    “O que somos, o que valemos, para onde vamos?” Esta pergunta do personagem narrador do conto de André Carneiro, agiliza a compreensão do leitor e o insere numa realidade que o faz tomar posse de sua impotência com relação aos fenômenos atmosféricos que se afirmam para além de sua intervenção, e o conduzem à pergunta de por que não posso fazer nada para mudar minha realidade política, financeira, social e econômica que está em mãos de pessoas nas quais eu votei, mas que só contribuem para a deterioração dessa minha realidade pessoal, familiar, social?

    Wladas, personagem principal do conto “A Escuridão” havia passado mal a noite, após a vigência do período do fenômeno atmosférico. O impacto de todos aqueles dias havia feito seus efeitos:

    “As mãos tremiam, tinha medo, não sabia de quê. Voltar à cidade, recomeçar a vida… Ir à repartição, os amigos, mulheres… Os valores que prezava ficaram subvertidos e sepultados nas trevas. Era um homem diverso que se mexia no leito improvisado, sem poder dormir. Pela bandeira da porta dançava um quadrilátero de claridade, feito por uma lamparina acesa, aviso de que tudo estava bem. Ele tivera uma existência calma”.

    O conto de André Carneiro termina com a afirmação de que os personagens principais sem tornaram amigos, Wlada e o cego Vasco sentiam-se fracos, “com um cansaço de raciocínio, vendo e ouvindo coisas raras, onde o absurdo não era hipótese, acontecera, à revelia da lógica das leis científicas. Como tinham podido sobreviver na escuridão? Wladas pensava em tudo isso, enquanto suas pernas doloridas o conduziam. Suas científicas certezas de mais nada valiam”.

    Das considerações finais do conto “A Escuridão”, acima das especulações racionais, “vinha o mistério do sangue correndo, o prazer de amar, realizar coisas, agitar os músculos e sorrir. Vistos à distância, os dois eram menores do que os trilhos retos que os cercavam. Seus pensamentos pulavam as fronteiras e o tempo. O corpo voltava ao cotidiano, sujeitos às forças, aos descontroles, desde o princípio das eras haviam planetas, sistemas solares e galáxias. Eram dois homens apenas, cercados por trilhos impassíveis. Voltando para casa com seus problemas”.

    E você, André, também voltou para casa. Grande Abraço, irmão.

  25. Decio Goodnews Says:

    Revisão no parágrafo:

    O conto de André Carneiro termina com a afirmação de que os personagens principais se tornaram amigos, Wlada e o cego Vasco sentiam-se fracos, “com um cansaço de raciocínio, vendo e ouvindo coisas raras, onde o absurdo não era hipótese, acontecera, à revelia da lógica das leis científicas. Como tinham podido sobreviver na escuridão? Wladas pensava em tudo isso, enquanto suas pernas doloridas o conduziam. Suas científicas certezas de mais nada valiam”.

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