De Bar em Bar entrevista Jeff Vandermeer.

Jeff VanderMeer mora no bico de uma lula gigante na Florida.Entre seus livros estão "o neo spore noir" Finch, a crônica familiar desconexa e insana Shriek, o suspense animal com garras de fora Veniss Underground. Já recebeu dois World Fantasy Awards e um "cupcake" queimado pelos retratos que fez de palavras dispostas em forma de frase. Um dia, vai se transformar num eremita resmungão e morar numa barraca na praia, de onde vai ver o mundo acabar.

Essa entrevista é uma continuação da anterior com Charles Stross.

Agarrei-me com uma das mãos à beira do parapeito, tentando erguer-me enquanto Jeff também me puxava. Havia um sinal claro de urgência nos olhos dele, que dividia sua atenção comigo e com mais alguma coisa que se desenrolava muitos metros abaixo de nós.

Eu ouvia um matraquear intenso, ruído de desmoronamentos, estalar de metal, zumbidos e sirenes distantes. Num esforço final deixei-me tombar sobre a cobertura, respirando ofegante. Jeff vestia uma espécie de traje emborrachado ou coisa parecida. O corpo todo revestido, a cabeça protegida por um capacete high tech que lhe deixava apenas o rosto visível. Trazia às costas uma espécie de rifle de três canos, levemente diáfano, como se fosse feito de alguma matéria sintética ou mineral translúcida.

Além do cansaço que me fazia doer o corpo, uma perturbação profunda me abalava os nervos. Pela terceira vez eu migrava direto para uma entrevista subsequente, sem um necessário descanso.

Soltei um suspiro e tentei me erguer.

— Cuidado ao se levantar. Há alguns Soulhunters à minha procura. Viram-me subir nesse prédio.

Franzi o cenho. Lambi os beiços e coloquei-me de joelhos.

Soulhunters… – murmurei, me sentindo meio zonzo. As mãos tateando o chão em busca de apoio.

— Esses caçadores mecatrônicos são difíceis de enganar. Você escolheu um local distante para o encontro. Devíamos ter combinado um ponto menos visível.

— Nós combinamos esse encontro? – fiquei espantado. – não me lembro de ter combinado nada…

— Você me passou uma mensagem há dezoito horas indicando essa coordenada como ponto de encontro. Saí de meu esconderijo antes do amanhecer e atravessei a cidade de escombros para chegar aqui. Se você não combinou isso, quem foi?

Senti um gosto amargo na boca. Uma sensação de estar sendo manipulado, movido por cordas invisíveis, um joguete nas mãos de um titereiro habilidoso.

— Eu não sei.

Jeff deu de ombros. Ajudou-me a levantar e me conduziu para detrás de uma parede cheia de perfurações. Encostou-me nela e retirou do bolso uma pastilha negra com o tamanho de uma caixa de fósforos. Autoadesiva, ela foi presa firmemente em meu peito.

— Não devia ter vindo para cá sem proteção. O que você fez foi loucura – ele disse, tirando uma espécie de gadget com tela luminosa e botões coloridos de um bolso lateral. Apontou-o para mim e uma luz verde amarelada brotou do aparelho, envolvendo-me por inteiro.

Fui tomado por uma onda de calor intenso. A pastilha no meu peito emitiu um brilho forte e então começou a transformação. Para meu mais absoluto espanto ela foi se dilatando, estendendo-se sobre mim como uma segunda pele, formando ressaltos e escamosidades, cobrindo-me totalmente. Em segundos eu estava apenas com o rosto exposto; a cabeça protegida por um capacete. Eu e Jeff estávamos iguais, revestidos por uma segunda pele negra e opaca.

— Isso é… Incrível! – eu disse após alguns instantes de perplexidade.

— Melhor sairmos daqui. Não estamos seguros.

Eu relanceei o olhar para o horizonte. Rolos negros de fumaça se elevavam para o céu como imensas colunas. Fechei os olhos por alguns segundos. Pensei no planeta rochoso em que eu estivera, no cargueiro espacial, nas palavras de Charles Stross… “A Terra praticamente não existe mais, destruída numa guerra entre corporações”.

— Uma guerra destruiu a Terra – eu murmurei pasmo.

— Me diga algo que ainda não sei.

— Não se trata de outra realidade alternativa. Estou vivendo a mesma realidade da última entrevista – Essa fora uma frase meramente retórica. Eu dialogava comigo mesmo. Fazia constatações.

— E você me agarrou – exclamei. – Eu estava aqui antes de deixar o planeta rochoso? Porque caí? Como nos encontramos? Como conseguiu me alcançar e salvar?

— Apenas vim até aqui, como combinado. Ouvi um grito. Vi você se debatendo no ar, prestes a cair. Lancei-me em sua direção e agarrei seu braço. É a única coisa que sei.

Meus olhos estavam perdidos. Viam tudo e não viam nada. Eu tentava, desesperadamente, criar um vínculo entre os instantes finais com Charles Stross e os instantes iniciais com Jeff VanderMeer. Houve um salto de parsecs em nano segundos. Impossível demais para acreditar na possibilidade. O relógio quântico não tinha esse poder. Ou tinha?

Então fui rudemente arrancado de minhas elucubrações. O prédio onde estávamos estremeceu com mais força. Rachaduras cobriram o chão, abrindo brechas largas no concreto armado. O parapeito de onde eu há pouco havia sido resgatado se despedaçou. Jeff pegou-me por um dos braços e me fez correr na direção de uma das extremidades do prédio. Eu o acompanhei até a beirada do parapeito e parei. Era uma queda de mais de trinta metros.

— Pule! – gritou Jeff, enquanto o prédio parecia se desfazer sob nossos pés.

— Você está louco! – gritei em retorno, sentindo pânico.

Do lado oposto do prédio, sobre a cobertura, surgiu um Soulhunter. Terminara de escalar as paredes usando patas preênseis com alto poder de aderência. Tratava-se de um engenho assombroso, um mecha com cerca de quatro metros de altura em posição ereta. O corpo lembrava vagamente a forma humanoide. Pernas e braços mecânicos articulados, corpo maciço com micro junções que permitiam movimentos exatos; avanços, retrocessos, giros de até 180 graus. Cânulas de metal saltavam aqui e ali, nos braços e no corpo. Canos de disparo de projeteis. Nas extremidades dos braços havia lança-chamas. A cabeça era um trapézio isóscele com dois rasgos dianteiros que reverberavam uma luz azulada.

Identifiquei o caçador mecatrônico no momento em que o vi. Ou algum tipo de memória implantada – as coisas estavam acontecendo de maneira tão inexplicável que qualquer possibilidade era considerada – ou informação que o traje especial transferia para mim. A única coisa que sabia era que saltar era a única opção. Foi o que eu e Jeff fizemos.

O traje que vestíamos nos tornava mais leves ou mais pesados, de acordo com a necessidade. Chegamos ao solo sem sustos. Nossos pés tocaram o chão com suavidade. E, ato incontinenti, começamos a correr por entre escombros, fugindo de nossos caçadores.

Dois minutos depois paramos e nos escondemos sob uma ampla laje. Sobre ela uma montanha de detritos. Não estávamos cansados.

— Rua Monsenhor Dubois, altura do número 350. Leste da cidade. Em boa velocidade, cerca de vinte minutos daqui – eu disse, recostando-me numa parede.

— O que há nesse endereço? – Jeff me perguntou.

Senti um terrível mal estar. Fiquei mais uma vez perturbado. O que havia no endereço? Eu sabia o que havia, só não sabia como ficara sabendo.

— Verá quando chegarmos – eu disse num murmúrio. Lembrei-me da entrevista. Pigarreei e lhe fiz a primeira pergunta.

— É difícil conciliar o fato de ser editor, escritor e organizador de coletâneas? No Brasil, muitas vezes, uma coisa faz com que você seja excluído aos poucos das outras pelos seus próprios pares.

Jeff olhou para mim por alguns instantes, confuso. Depois sorriu.

— Podemos até morrer, mas a entrevista não pode parar – ele disse acenando a cabeça positivamente.

— É isso aí – respondi.

— Sou um metamorfo por natureza e já é sabido que costumo me transformar em Mord, um urso gigante. Ser excluído pelos meus pares é a menor das minhas preocupações – qualquer um que tente rotular as pessoas como uma única coisa está na verdade se podando. Concentrar-se em uma única atividade ao invés de dedicar-se a vários projetos interessantes é uma atitude tola e limitadora. Às vezes eu sou um urso gigante, outras uma lula, um suricato ou um cogumelo. Isso passa.

Ouvi a resposta sem dar a ela muita atenção. Meus olhos e meus ouvidos estavam atentos ao perímetro. E Soulhunter se aproximavam.

— Está pronto? – perguntei, já pronto para começar a correr.

— Estou!

Saímos de baixo da laje e disparamos por trilhas esburacadas, contornando monturos, escombros e ferragens retorcidas. Saltamos obstáculos, escorregamos por declives e escalamos elevados até sermos interceptados por outro Soulhunter. Eles se espalhavam pela cidade destruída em busca de sobreviventes e soldados desgarrados. Matavam impiedosamente homens, mulheres e crianças.

Uma rajada de projéteis rasgou o chão ao nosso redor e nos fez saltar de lado, rolando no chão irregular. Jeff empunhou a arma que carregava com e deu um único disparo luminoso que atingiu o “peito” do Soulhunter. Arrancou dele uma placa metálica grossa, deixando aparente um punhado de fios. Ia dar outro, mas teve que se desviar de um jato de fogo. A massa ígnea incendiou o concreto transformando-o em lava. Ouvi Jeff gritar assustado e de dor.

Esgueirei-me pelos destroços, contornando o mecha, sem ver ou saber onde Jeff estava. Uma parede de fogo me separava de sua última posição. Eu temia pelo pior. Aproveitando-me da incrível agilidade e destreza que a vestimenta especial me conferia, saltei nas costas do mecha, agarrando-me nele como podia. Uma das mãos enfiada no oceano de fios que lampejavam, expostos pelo tiro certeiro de Jeff.

Ainda tentava arrancá-los enquanto ele se debatia tentando fazer-me sair de suas costas, quando ouvi Jeff gritar, pedindo que me protegesse.

Foi o que fiz. Encolhi-me nas costas do monstro e o senti ser sacudido por um violento impacto. Um segundo disparo abriu-lhe um rombo no “peito”, quase o atravessando (o que talvez tivesse sido trágico para mim). O bicho balançou e caiu de bruços, abandonado, sem forças, vencido, morto.

Saí de cima dele, aturdido. Caminhei alguns passos trôpegos e então vi Jeff vencer a barreira de fogo e vir em minha direção. Os lábios abertos num imenso sorriso. Olhei para o Soulhunter outra vez e identifiquei nele um logotipo encimando um nome. Marca de fabricação, certamente.

Olhamo-nos, então, extenuados, e voltamos a correr.

— Como tem sido a sua experiência com os quadrinhos? Como você vê a conexão entre a ficção científica dos quadrinhos e a da literatura atualmente? E como é julgar os melhores quadrinhos do ano para a premiação mais relevante da arte sequencial atualmente, o Eisner Awards? – perguntei enquanto nos movíamos com rapidez pelo cenário desolado.

— Eu cresci com Tintin, Asterix e versões em quadrinhos de clássicos indianos como a Ramayana – começou Jeff, enquanto saltava um outdoor parcialmente despedaçado e onde havia uma publicidade da Pepsi-Cola – Voltar aos quadrinhos e descobrir que muitas vezes eles são melhores que os melhores filmes foi maravilhoso, e também tenho me divertido criando roteiros para outros projetos, como a minha história The Situation (A Situação, história prevista para sair no Brasil em março, publicada pela Tarja Editorial).

Contornamos um velho caminhão enferrujado e estacamos, súbito, olhares atônitos observando a nossa frente. Talvez duas dezenas de Soulhunters avançavam, vindo de todos os lados.

— Isso me fortalece como escritor – qualquer exposição a outras maneiras de contar uma história te faz bem e te dá mais ferramentas para usar em seu próprio trabalho. Eu gostei de ser juiz no Eisner Awards – me obrigou a ler tudo que saiu de quadrinhos em um ano e me fez apreciar a enorme variedade de obras que tem sido escritas – ele concluiu enquanto observava a melhor maneira de escapar do cerco.

— A rua que procuro está perto daqui. Mais duas centenas de metros… Além deles. Precisamos passar. Retroceder não é uma opção.

Então Jeff fez uma coisa que me surpreendeu. Puxou-me na direção dele, prendendo-me pelo braço e apertou um botão em seu traje. Logo uma bolha azulada nos envolveu. Os Soulhunters pareceram confusos, incertos de para onde deveriam seguir. Interromperam o avanço e hesitavam enquanto nós os íamos passando um a um, ultrapassando-os com extrema cautela.

Ele havia acionado uma bolha de invisibilidade, item adicional que meu traje não dispunha.

— Pensei que ia surpreendê-lo com esse pequeno acessório – sussurrou Jeff de maneira quase Inaudível.

“Então não serei apenas eu a apresentar surpresas, hoje” – pensei com satisfação.

Passamos a última barreira de caçadores mecatrônicos sentindo-nos vitoriosos. Não mais que oitenta metros nos separavam da entrada de garagem que o endereço que eu procurava nos levaria. Foi na certeza da impunidade que cometemos nosso maior erro. Esquecemos a cautela, pisamos em pedras soltas e essas rolaram fazendo barulho e chamando a atenção da última fileira de caçadores. Esses se voltaram em nossa direção, viram as pedras que ainda se ajeitavam no solo poeirento e abriram fogo para todos os lados.

Nossos trajes tem uma incrível capacidade de proteção, servindo como uma espécie de colete a prova da grande maioria dos projeteis existentes. Ao menos pelo tempo que resistissem ao estresse excessivo provocado pelos impactos repetidos. A fragilização decorrente nos tornaria expostos a qualquer colisão, mesmo a mais banal.

Foi uma saraivada de balas que nos atingiram de todos os lados. Fomos separados um do outro. A bolha de invisibilidade se desligou revelando nossas posições. Mesmo imersos em grande dor, corremos como pudemos para a entrada que objetivávamos. Os caçadores atrás de nós, atirando sem parar, acertando-nos muitas vezes.

Descemos a rampa da garagem aos trambolhões, ziguezagueamos por entre as colunas. Os Soulhunter tinham alguma dificuldade para entrar, mas um e outro, contorcendo-se ou retorcendo-se, obtinham sucesso. Paramos atrás de uma coluna, respiramos fundo tentando recuperar o fôlego.

— Em certa entrevista você sugeriu que o gênero Steampunk corria o risco de ficar sem graça por causa de um efeito “cópia da cópia”. No passado, quando essa tendência começou, no cyberpunk, isso queria dizer que o gênero estava morrendo, e de fato a maioria dos autores parou de escrever cyberpunk logo em seguida (ou eventualmente pararam de chamar seu trabalho de cyberpunk). Você acredita que o steampunk está morrendo lentamente, de dentro para fora, no sentido de que só se mantem vivo graças à força do mercado (já que se tornou “moda”) mas sem nenhuma ideia literária nova?

Jeff se apoiou nos joelhos, abaixou-se rapidamente e soltou um suspiro profundo. Sabia que a entrevista não podia parar, em hipótese nenhuma.

— Tudo que se identifica com marketing acaba virando um cadáver, mas há duas coisas a se lembrar: uma é que às vezes um cadáver proporciona um bom lucro e outros trabalhos com coisas mais bizarras e mais estranhas, outra é que os besouros e outras criaturas que se alimentam do cadáver são fascinantes por elas mesmas… Você precisa entender que um corpo sem vida não é a pior coisa do mundo. É no apodrecimento, decomposição e contaminação que está a ação!

— E a única coisa que queremos, agora, é virarmos cadáveres, certo? – perguntei a ele em seguida.

— Nem quero pensar em vermes se remexendo em mim – Jeff riu baixinho. – O que é que você está escondendo por aqui? Por que viemos para esse endereço?

Olhei para trás e vi um dos caçadores tentando se livrar das colunas que lhe estorvavam o avanço. Outros dois o observavam placidamente, apenas aguardando que ele abrisse espaço para todos. Apontei, então, uma porta na parede à nossa frente. Infelizmente exposta à visão dos monstrengos que nos seguiam.

— Vamos entrar por ela, descer as escadas e então você verá.

Fomos na direção da porta e tentamos abri-la. Estava trancada. Enquanto a forçávamos uma rajada de projeteis esfarelou as paredes ao nosso redor, atingindo-nos também. Gritei com a dor e me dobrei para frente como se tivesse sido atingido na barriga e não nas costas. Jeff empurrou-me de lado, apontou a arma na direção da porta e disparou, fazendo-a desaparecer numa nuvem de lascas e poeira.

Disparamos para dentro e escadas abaixo. Atingimos uma câmara ampla. Numa das paredes, dois nichos guardavam uma imensa surpresa.

— Exoesqueletos de última geração. Proteção praticamente inviolável contra quaisquer armas conhecidas. E dispara pulsos de plasma extremamente destrutivos. Essa era a minha surpresa – eu disse com enorme satisfação.

— Bolhas de invisibilidade e Exoesqueletos… Eu deveria ter pensado que aconteceria assim.

— Se você acredita nisso, será possível que a literatura internacional (leia-se: não de língua inglesa) venha em seu socorro? E se vier, será aceita pelo mercado de língua inglesa (leia-se: será traduzido e publicado)? – perguntei enquanto entrava num dos exoesqueletos. Jeff fazia o mesmo.

Fomos rapidamente assimilados pela engenhosa engenharia de metal liquido e logo encasulados dentro da poderosa arma de guerra. Destarte nosso isolamento, podíamos falar um com o outro, sem nenhuma perda de contato.

Engatilhamos nossas armas, apontamos elas para o teto e puxamos os gatilhos quase simultaneamente. Abriu-se um amplo buraco onde antes havia uma grossa camada de concreto. O plasma fez a matéria virar fumaça e cinzas. Saltamos para fora da câmara, movendo-nos com enorme rapidez pelo ambiente acidentado da garagem. Dois caçadores se interpuseram a nós e se transformaram em metal retorcido em segundos.

Soltamos um urro de alegria e enorme satisfação.

— Não acredito que seja obrigação da literatura internacional sair em socorro do Steampunk – respondeu Jeff enquanto deslizávamos para a rampa que nos levaria para o exterior – A função da literatura “internacional” – um termo sem sentido se você levar em conta que somente na Índia existem pelo menos entre 10 e 20 tradições diferentes – é ser fiel a si mesma e não se modificar ou se deformar com a finalidade de se enquadrar no mercado anglo-americano. Sua função é ser fiel a si mesma e colonizar os anglo-americanos com seus próprios projéteis cerebrais. Dito isso, acredito que a atual infusão de Steampunk internacional e multicultural é uma coisa boa e que mantém o cadáver vivo. Veja! Está dando pulos agora! Quase como se tivesse ressuscitado!

Saímos para a luz do dia e nos deparamos com dezenas e dezenas de Soulhunters. Todos voltados em nossa direção. Destravamos nossos gatilhos, carregamos os cartuchos de plasma e começamos a disparar. Íamos avançando sem problemas, liquefazendo-os, desmantelando-os, fazendo-os explodir em múltiplos pedaços. Riamos desbragadamente enquanto fazíamos isso.

Esqueci-me, durante o êxtase, de apertar o botão do relógio quântico (nem sabia se daria certo).

A destruição continuaria sem parar se Jeff não tivesse sido atingido por alguma coisa desconhecida. Seu exoesqueleto foi arremessado vários metros para trás, um dos braços arrancado. Olhei para cima por puro reflexo e perdi a respiração.

Uma imensa nave ou uma imensa bolha ou coisa parecida, flutuava centenas de metros acima de nossas cabeças, vi prédios. Uma coisa grandiosa e assustadora. Então um brilho intenso brotou da nave, um raio ou coisa parecida. Atingiu-me. Calor, dor e medo até que perdi os sentidos.

Quando despertei, a primeira coisa que vi no teto abobadado da sala onde estava deitado, era o estranho logotipo que marcava os Soulhunters que existiam em terra.

Luis Filipe Silva, Delfin and Christopher Kastensmidt colaboraram com essa entrevista.

Essa entrevista terá sequência com Liza Groen Trombi e Mark R. Kelly (Locus Editora)

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2 Respostas to “De Bar em Bar entrevista Jeff Vandermeer.”

  1. Cirilo S. Lemos Says:

    Saiu uns trechos em inglês. Era para ser assim ou boiei em algum ponto?

    • Tibor Moricz Says:

      Cruzes! Vou ver isso! Tem toda razão. Nem sei como fui cometer essa cagada…rs… vou providenciar a tradução desses dois trechos. Obrigado por avisar.

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