A corrente – lido e comentado

Logo quando o livro foi lançado me senti atraído por ele. A capa que é muito boa e a premissa me fisgaram imediatamente. Mesmo assim me demorei em comprar o livro, deixando para fazê-lo há poucas semanas.

A história fala sobre um espírito mau, um hacker malandro e uma corrente aparentemente inofensiva — embora ameaçadora — que acaba por provocar a morte de várias pessoas. Uma ideia bastante boa que transcorre em Vitória, no Espírito Santo. Impossível não se deixar levar pela expectativa que uma história dessas gera. São muitas as possibilidades em construir cenários assustadores.

Incomodou-me, porém, a quantidade exagerada de problemas no texto e falhas de revisão, que um copidesque realmente eficaz teria corrigido. A prosa frágil de Estevão Ribeiro também atrapalha, criando, muitas vezes, momentos confusos que exigem releitura de certos trechos para “se achar” dentro da trama.

O livro tem alguns bons momentos mas, em geral, não consegue provocar medo nem sustos. Além de algumas cenas inverossímeis, incomoda também a personalidade fraca do protagonista — Roberto — que passa boa parte do tempo fugindo, chorando, apavorado. A completa inação desse personagem, que passa parte da história sem ir em busca das respostas para o que acontece, enerva. Fiquei querendo que ele morresse logo.

Mas preciso admitir que existe algo de magnético em toda a história, já que me mantive preso na leitura por um dia todo, abandonando o livro apenas quando o conclui. As falhas serviram para me prender, assim como os acertos.

Uma pergunta: porque a palavra internet está em itálico no livro todo? Trata-se de palavra dicionarizada e incorporada ao nosso léxico.

Embora incomodado por vários problemas, a expectativa de cada morte e a forma terrível com que elas aconteciam (às vezes dramáticas em exagero) conseguiu agregar elementos aderentes à leitura. Essa cola distribuída ao longo da narrativa a mantém focada, aprisionando a atenção do leitor.

MEDIO

A Corrente 

Autor: Estevão Ribeiro
Gênero: Terror
Páginas: 183
Editora: Draco

Tags: , , , ,

22 Respostas to “A corrente – lido e comentado”

  1. Ana C. Rodrigues Says:

    Vitória é no Espirito Santo, não no Rio de Janeiro.

  2. Saint-Clair Stockler Says:

    Parabéns pela coragem em fazer críticas (estou me referindo às negativas) a este livro em particular.

    Contra você, Tibor, prevejo para breve o início de uma campanha de difamação no Twitter (e em outros sítios), aliada à velha, mas agora transposta para o virtual e “modernizada”, técnica do “dá o tapa, esconde a mão”.

    Estou me referindo às velhas figurinhas de sempre. As mesmas que já falam mal de sua pessoa sempre que você se recusa a fazer parte da Corte. Às que escrevem tuítes grosseiros, imbecis e agressivos contra você, cheios de veneninho, e os deletam meia-hora depois. Às que guardam inveja, ressentimento e despeito pelo seu sucesso e pelo jeito como você trata a literatura (a sua e a alheia).

    Enfim: assino embaixo e ainda digo mais: o livro é MUITO fraco.

    Como desenhista, Estevão Ribeiro é excelente (sou fã dos seus passarinhos!); como escritor, ainda falta muito pra chegar lá.

  3. Saint-Clair Stockler Says:

    Pra não dizerem que eu só falo, falo, falo sem consistência nenhuma, não dando nome aos bois, e que não dou provas concretas, voilà:

    [IMG]http://i20.photobucket.com/albums/b228/opiario/CampanhaAntiTibor.jpg[/IMG]

    O que acho curioso é:

    1 – Me lembro muito bem do Tibor dizendo várias vezes (inclusive na “inauguração deste blog”) que ele NÃO era um crítico, mas um leitor que se sentia no direito de fazer comentários sobre suas leituras;

    2 – A Sra. Ana Cristina Rodrigues não parece ter competência e/ou disposição para discutir a LITERATURA (ou, no caso, a falta dela), então parte para baixezas do tipo “Ele ainda se diz crítico” e (o pior, o risível, o lamentável) “parece pré-pago”.

    Faço a pergunta que não quer calar em público: você recebeu algo para “falar mal” do livro do Estevão Ribeiro, Tibor?

    Será que a Ana Cristina Rodrigues já apagou – como é seu modus operandi – os comentários acima do seu Twitter?

    • Saint-Clair Stockler Says:

      Bom, a imagem não apareceu, mas vocês podem acessá-la através deste link:

      • Saint-Clair Stockler Says:

        Acho lamentável também ver que um editor como o Richard Diegues alimenta esse tipo de postura no Twitter. E o pior: PUBLICAMENTE.

        Cadê o respeito e a cordialidade que deve haver entre editores e escritores? Ou editores e leitores? Ou editores e comentadores literários? Para não dizer entre editores?

        Sinceramente, o nível no Fandom está ficando cada vez mais baixo…

  4. Delfin Says:

    É por isso que todos (editores, escritores, profissionais de design, revisores, preparadores, tradutores) devem fazer o melhor trabalho possível, porque isso é uma questão de respeito com o seu público. O que pode ser muito diferente de fazer as coisas em função deste mesmo público. São coisas bem distintas.

    Isso vale para o mercado editorial como um todo, não apenas a este ou aquele nicho.

  5. Arthur Duarte Says:

    As vezes parece que na Literatura Fantástica brasileira só há obras-primas, pelas resenhas que se lê por aí…

  6. Ozimar Jr Says:

    É preciso ser muito ponderado ao se analisar qualquer resenha, principalmente as negativas. Mas acima de tudo é preciso ser capaz de analisar se o que foi dito realmente é verdadeiro ou não. Na verdade o que acontece entre os escritores em geral é a famosa “rasgação de seda” e achei Tibor Moricz corajoso e LEAL por emitir a sua opinião como leitor e crítico. Espera-se que o Estevão Ribeiro leia e analise esta resenha como um guia para uma segunda edição do livro.

    PS.: Confundir o estado onde se localiza uma cidade, nada tem a ver com a capacidade crítica.

  7. Antonio Luiz M. C. Costa Says:

    Achei a leitura do Tibor equilibrada. Tem vários pontos em comum com minha própria crítica de “A Corrente”, feita na época do lançamento:

    http://www.cartacapital.com.br/cultura/o-sobrenatural-na-era-da-internet

    A meu ver, a má vontade em relação à crítica do Tibor vem em boa parte do timing um pouco inadequado. Por ser publicada justamente no momento em que o Estêvão anunciou a tradução para o italiano, soou como um estraga-prazeres.

    Independentemente disso, acho que qualquer leitor tem o direito de escrever sua opinião sincera sobre um livro da maneira que achar melhor, no momento em que quiser. Autores, fãs e editores também têm o direito de se manifestar e protestar, é claro, mas prejudicam sua própria imagem se baixam o nível da discussão ao fazê-lo.

    • Tibor Moricz Says:

      Comprei o livro virtualmente há três semanas e vinha desde então me preparando para lê-lo.
      Sem dúvida o anúncio da tradução para o italiano me ajudou a decidir. Foi mais um motivo para crer que o livro me surpreenderia.
      Bem, não me surpreendeu.
      Eu podia ter protelado a publicação da resenha por alguns dias ou semanas, mas isso não é coisa que costumo fazer.
      Gosto de escrevê-las quando a memória está fresca. Uma vez escritas, elas gritam para serem publicadas.
      Foi assim com o livro do Estevão, será com o livro de qualquer um.
      Independente de eu ter gostado ou não de A Corrente, nada tira o brilho dessa publicação internacional.
      Desejo sorte e sucesso para o Estevão. E um preparador de texto mais competente da próxima vez.

  8. Estevão Ribeiro Says:

    Caros, é muito triste que vejo o desperdício de energia empregado por vocês em torno do meu trabalho. Tibor se deu ao trabalho de falar com meu editor o quanto detestou o livro e aqui desqualifica minha pobre prosa e a preparação do meu texto.

    É uma pena que o livro não tenha te surpreendido. Afinal, você é consumidor, comprou o livro. Respeito sua opinião como cliente, mas não reconheço tua qualidade literária porque você nunca escreveu nada que me desse vontade de ler. Uma única linha, nem título. Mas a culpa é minha, não sou do fandom. Não leio amigos, conhecidos ou pessoas por estarem na lista, comuidades.

    Também não leio o livro para saber o que ele tem de bom para ser publicado no exterior.

    Deixe-me de lado, recuso seu desejo e boa sorte por duvidar que seja sincero. Produzo para quem tem boa vontade de ler, aprendo o que posso e a vida segue assim. É assim que tenho conseguido as coisas.

    Saint Clair: Obrigado mesmo por acompanhar as tiras, mas ao contrário, sou melhor AUTOR que desenhista. Se reparar, meu traço é péssimo e uma pessoa que escreve suas prórprias tiras precisa se preocupar com o timming da piada, e isso se faz com texto, com roteiro. Se gosta do conteúdo delas, você gosta do autor, do escritor, mas se gosta do desenho propriamente dito, aí você tem um gosto duvido🙂

    Ozimar: Guia é forçado demais. Não posso ter o texto do Tibor como base para meu próximo trabalho, definitivamente. Escrevi como escrevi e não é você ou Tibor ou qualquer outra pessoa que vai me dizer como conduzir uma história, a não ser que estejam me pagando por isso.

    Colegas, estarei na Fantasticon e poderemos conversar melhor ao vivo, sem teclados e aplicação de frases para ver quem ofende mais a quem.

    Obrigado pela boa vontade de todos e não se preocupem, me ignorem, trabalho muito e ganho pouco para merecer a atenção de vocês.

    • Estevão Ribeiro Says:

      Ops! Antes que reclamem do preparador de texto, fui eu mesmo que errei o “comuidades” (comunidades) e onde se lê “gosto duvido” entenda “gosto duvidoso”.😉

    • Tibor Moricz Says:

      Oi Estevão. Lamento muito que você tenha ficado chateado com meus comentários negativos em relação ao seu livro. Mas só pode fazê-los quem o compra e o lê com a atenção devida. Não critico a prosa de autores cujos livros não li ou não tive a vontade de ler. Não é honesto.
      Acho que as críticas devem sempre servir para o nosso engrandecimento enquanto autores. Digeri-las com sabedoria, prestar atenção aos pontos que nos parecem corretos, desconsiderar os que não nos parecem. Mas jamais desqualificar ou desautorizar a capacidade dos críticos. Isso é comportamento reprovável e demonstra arrogância e completa falta de habilidade em lidar com críticas negativas.
      Eu, como autor, cresço com base na observação dos críticos que apontam meus defeitos. É isso que fez minha prosa melhorar MUITO nos últimos três anos. É isso que vai fazê-la melhorar ainda mais, porque nunca estarei satisfeito. Se não fossem os críticos (mesmo os mal intencionados), não teria aprendido muita coisa. Dispensar as críticas considerando-as inúteis para a sua evolução é uma completa tolice.
      E você se engana quando pensa que não desejo seu sucesso como autor, seja no Brasil quanto em qualquer outro lugar. Nada tenho contra você, nem sequer o conheço pessoalmente. Li seu livro e critiquei ao seu livro. Você está muito acima disso.
      Não se deixe contaminar pelo veneno de outras pessoas.

  9. Jorge Pereira Says:

    Olá pessoal !
    Com essa tremenda propaganda que vocês fizeram do livro do Estevão, já coloquei “A Corrente” no topo da minha lista de leituras… >:)

    Abraços a todos !

    • Tibor Moricz Says:

      Está vendo? Essa polêmica toda está promovendo o livro em vez de o contrário. Acho que eu deveria cobrar por isso, não acha?🙂

      • Estevão Ribeiro Says:

        Olha, Tibor. Enquanto as críticas abatiam apenas sobre mim eu levei na boa, mas quando você utilizou seu texto para atacar o preparador do texto, ou seja, minha esposa e/ou Eric Novelo, eu reparei que você quer criar polêmica.
        Continuo te dizendo: desconheço sua capacidade literária por total falta de interesse e afinidade. Simples. Não desqualifico pela sua capacidade em si, até falei que a culpa é minha. Até porque você continua publicando, não é? Seus livros não continuam saindo? Como leitor/cliente sua opinião sobre o livro conta.
        E não tenho obrigação de gostar ou não do que me dizem. Não é arrogância, é livre arbítrio. Você escreve o que quiser – ou o que convir – e eu respondo como quiser, sempre seguindo as normas básicas de educação. Aliás, espero não responder mais nada aqui.

        Peço que seja cavalheiro e que terminemos a polêmica aqui, se existe alguma. Seu blog é a sua casa e não me sinto à vontade aqui.

      • Tibor Moricz Says:

        Hmmmm… Eric Novello tem o nome citado como um dos preparadores de texto, mas, na verdade, não tem nada a ver com isso. Seu nome entrou por engano. Ele é totalmente inocente.

      • Estevão Ribeiro Says:

        Obrigado por deixar claro que é uma crítica à minha esposa. Encerramos o caso.

      • Tibor Moricz Says:

        Meu Deus… é uma crítica ao preparador de texto, que, por acaso, é a sua esposa. Infeliz coincidência, só isso. Não é justo você incluir o Eric nisso, já que ele nada tem a ver com a coisa toda. Caso encerrado. Definitivamente encerrado.

  10. Gerson Says:

    Jorge, faço minhas as suas palavras. Lerei meu exemplar autografado de *A Corrente* assim que acabar o segundo romance de *Jogo dos Tronos*.

  11. Carlos Forte Says:

    “mas não reconheço tua qualidade literária porque você nunca escreveu nada que me desse vontade de ler. Uma única linha, nem título. Mas a culpa é minha, não sou do fandom”.

    “Escrevi como escrevi e não é você ou Tibor ou qualquer outra pessoa que vai me dizer como conduzir uma história, a não ser que estejam me pagando por isso”.

    Esses são dois argumentos que não deixam dúvida sobre a pessoa do cara. Não tem vergonha de expor as próprias burrice e arrogância. A dificuldade de argumentação mostra o quanto bom autor ele deve ser. Não li esse livro e depois da crítica e das palavras do autor, passo longe.

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