Encontro com Rama. De volta às livrarias um dos maiores clássicos da ficção científica mundial.

Publicado originalmente em 1972, Encontro com Rama, de Arthur C. Clarke, ganhou alguns dos principais prêmios literários da ficção científica, entre eles o Hugo, o Nebula, o Júpiter e o British Science Fiction Association (BSFA). O livro é considerado um dos mais importantes do autor, ao lado de2001: Uma Odisseia no Espaço e O Fim da Infância.

Primeiro volume de uma série de quatro livros, a trama tem início com um gigantesco meteoro que atinge a Terra e devasta grande parte da Europa, destruindo cidades inteiras, como Pádua e Verona, dizimando populações e causando danos irreparáveis.

Cinquenta anos após esse episódio, uma missão espacial é incumbida de desvendar os mistérios de um novo meteoro, capaz de causar danos ainda maiores no Sistema Solar. Mas, longe ser apenas mais um astro errante no Universo, Rama se revela uma sofisticada e complexa construção, repleta de enigmas que desafiam a mente e os conceitos humanos. Surpreendente e meticuloso, é o relato dessa jornada que faz de Encontro com Rama uma das mais criativas obras da ficção científica mundial.

Curiosidades

Em 1992, o Congresso dos Estados Unidos solicitou à NASA uma investigação minuciosa dos corpos celestes próximos da Terra, a fim de avaliar os riscos de impactos em nosso planeta. Este esforço foi batizado de Spaceguard Project – inspirado no projeto homônimo  idealizado por Clarke em Encontro com Rama.

Em 2001, o cineasta David Fincher (A Rede Social) e o ator Morgan Freeman (Invictus) mostraram interesse em adaptar Encontro com Rama para o cinema. Freeman chegou a apresentar, na época, artes conceituais para o filme. Em 2007, eles voltaram a falar sobre o projeto, mas a ideia acabou não vingando.

Sobre o autor

Nascido em 16 de dezembro 1917 na cidade de Minehead, em Somerset, Inglaterra, Arthur C. Clarke desenvolveu, desde cedo, o interesse pela ciência e pela ficção científica. Após o ensino médio, mudou-se para Londres, onde se tornou membro da Sociedade Interplanetária Britânica e estudou Física e Matemática no King’s College. Em um artigo técnico escrito em 1945 para o periódico inglês Wireless World, ele apresentou os princípios da comunicação por satélite, os quais levariam aos sistemas hoje utilizados.

Entre seus trabalhos mais notáveis estão O Fim da Infância, Encontro com Rama e 2001: Uma Odisseia no Espaço, que se tornou um clássico do cinema nas mãos de Stanley Kubrick em 1968. Em 1956, Clarke mudou-se para o Sri Lanka, onde continuou a escrever seus livros e artigos. Lá viveu até sua morte em 19 de março de 2008, aos 90 anos, deixando um legado literário impressionante, com mais de cem milhões de livros vendidos no mundo inteiro.

Trecho do livro

O tubo de paisagem que o cercava era salpicado de áreas de luz e sombra que poderiam ser florestas, campos, lagos congelados ou cidades; a distância e a iluminação já fraca do sinalizador impossibilitavam a identificação. Linhas estreitas que poderiam ser estradas, canais ou rios com cursos retificados formavam uma rede geométrica vagamente visível; e lá adiante no cilindro, no limite da visão, havia uma faixa mais escura. A faixa formava um círculo completo, emoldurando o interior desse mundo, e Norton subitamente recordou-se do mito de Oceano, o mar que, segundo a crença dos antigos, circundava a Terra.

Ali talvez houvesse um mar ainda mais estranho – não circular, mas cilíndrico. Antes de congelar na noite interestelar, será que possuía ondas, marés e correntes – e peixes?

A luz do sinalizador bruxuleou e morreu; o momento de revelação terminara. Mas Norton sabia que, enquanto vivesse, essas imagens permaneceriam impressas em sua mente. Quaisquer que fossem as descobertas reservadas pelo futuro, jamais poderiam apagar essa primeira impressão.

ENCONTRO COM RAMA
Arthur C. Clarke
Tradução de Susana Alexandria
Editora Aleph
R$44,00 – 288 p.


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20 Respostas to “Encontro com Rama. De volta às livrarias um dos maiores clássicos da ficção científica mundial.”

  1. hugovera Says:

    BOLA DENTRO: Ótimo! Esse livro vale muito a pena!
    BOLA FORA: A capa é horrível… A capa do “Fim da Infância” da Aleph ficou linda! Pena que em “Encontro com Rama” não tiveram a mesma felicidade.

    • Tibor Moricz Says:

      Estou na dúvida se a capa é mesmo feia. Ela é conceitual. As formas cônicas demonstram existir “formas dentro de formas”. Não é uma capa tradicional e sem dúvida vai desagradar muita gente. Mas eu acho que entendi a mensagem. Pena que reli o livro em inglês não faz nem dois meses (Rendezvous with Rama). Mas Encontro com Rama é sem dúvida o melhor livro de FC que li até hoje.

      • Hugo Vera Says:

        Sim! O livro é ótimo! E eu imagino o que eles quiseram representar com essa capa. Mas, honestamente, não me atraiu nem um pouco.

  2. Saint-Clair Stockler Says:

    A capa ficou “felomenal”😀

    (Pior que não sei se já li ou não este livro…)

  3. xerxenesky Says:

    Adoro a série Rama, me marcou muito… e goste da capa “elegante” da Aleph!

    • Tibor Moricz Says:

      Uma coisa que reparei: o universo de Rama obedece a sequências de 3 (se não me engano). A capa obedece essa sequência em todos os detalhes.
      Até mesmo os círculos concêntricos obedecem a essa sequência.

  4. Delfin Says:

    Também curti essa capa. E a Susana Alexandria é uma das tradutoras mais meticulosas que eu conheço, ou seja, deve mesmo estar uma edição foda.

  5. Marcello Branco Says:

    “Encontro com Rama” é um dos melhores e mais influentes trabalhos de Clarke. Faz muito bem a Aleph em relançar esta obra-prima da FC.

  6. João Ventura Says:

    De facto, Odisseia no Espaço (o livro) surge depois do filme. Poderia dizer-se que é uma das leituras do filme… O filme baseia-se num conto de Clark, “A sentinela”.

  7. carlosrelva Says:

    O filme não vingou, Tibor, mas o trecho do livro que você postou pode ser visto neste curta-metragem: http://youtu.be/ogWaSbRckXI

  8. jorgecalife Says:

    Maravilha o filme feito pelo pessoal de Vancouver, a Hollywood do Norte. Rama é uma obra única. As três sequências publicadas nos anos 80 foram escritas na verdade pelo Gentry Lee a partir das idéias do Clarke. Ele só assinou embaixo mas o estilo é totalmente diferente.
    A capa é horrorosa. A melhor capa de Rama que já vi foi da edição da Balantine, que eu tenho.
    Também tenho uma edição autoografada pelo Arthur, mas a capa não é grande coisa

  9. Cirilo S. Lemos Says:

    Gostei da capa.

  10. jorgecalife Says:

    Quem conhece a obra do Arthur Clarke compra o livro independente da capa. Já quem não conhece vai pensar que é um romance místico, ou uma história de amor passada na Índia, ou um livro de auto-ajuda. Jamais vai imaginar a aventura espacial que o livro contem. Alfredo Machado, criador da editora Record dizia que o livro devia ter uma embalagem atraente, como os sabonetes, que conquistasse o leitor. Essa capa aí jamais vai conquistar novos leitores para o Clarke.

  11. Delfin Says:

    Penso completamente diferente do Calife. Essa capa só não é sci-fi, não tem naves, cenas grandiosas, essas coisas. É, sim, uma grande capa e com apelo suficiente para atrair leitores que normalmente não leem ficção científica. Que, estou certo, é o ponto da Aleph: atrair leitores que teriam aversão ao livro caso ele tivesse elementos-clichê claros de FC, provando que o Clarke é literatura tão boa quanto de romances não-FC.

  12. Delfin Says:

    Mesmo porque a capa mais genial (faz parte de uma série de livros com a mesma identidade visual) para Encontro com Rama nada tem a ver com a FC e, como a da Aleph, tem tudo a ver com o livro:

  13. Adriano Fromer Says:

    Delfin, essa capa que você menciona no link foi usada por nós como referência. Também achei a melhor de todas, mas optamos por não cloná-la.
    E não posso deixar de citar sua colaboração indireta, pois a intenção foi seguir o conceito da capa do Fim da Infância (idealizada e brifada por você). Ou seja, uma capa elegante e sugestiva, fugindo do óbvio e do ilustrativo.
    E o acabamento está bacana, com reserva de verniz na imagem central, no título e nome do autor.
    Se eu fosse picareta, diria que a sequência de 3 mencionada pelo Tibor foi estrategimante pensada!

    .

  14. Arthur Duarte Says:

    Essa capa da Aleph está ótima! Na verdade, eu realmente gosto das capas da Aleph, com exceção da trilogia do Sprawl. São muito bem feitas e fogem dos clichês, atraindo sim público que não lê Ficção Científica, ao contrário das capas da Devir, que só afastam leitores. Até eu, que gosto de FC, me sinto receoso de pagar por um livro com aquelas capas…

  15. Fco Portela Says:

    Supimpa!!!

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