Publicação de autor. Não custa nada bater nessa tecla mais uma vez.

Você que está começando, que tem sonhos, que quer ser escritor, que quer ganhar prestígio e dinheiro (vá sonhando… rs), invista não em uma editora por demanda.

Invista em VOCÊ, primeiro.

Editoras por demanda, editoras que imprimem o seu livro às suas custas, não lhe dedicam a mesma atenção que uma editora tradicional dedicará. Não há nenhum processo editorial que não lhe seja cobrado (e, acredite, cobrarão tudo o que tem direito ou o que se acham no direito de cobrar). Arrancarão os olhos da sua cara e o retorno lhe será muitas vezes frustrante.

Editoras tradicionais pagam para que você publique nelas. Isso as obriga a serem seletivas e exigentes.

Batalhe a si mesmo primeiro. Leia muito, aprimore a prosa, procure leitores beta capacitados ou leitores críticos bons.

Cada centavo gasto com você mesmo pagando a ajuda de leitores críticos, participando de cursos e oficinas, lhe reverterá em quádruplo em relação ao dinheiro gasto com editoras por demanda.

Procure coletâneas que tenham submissões abertas, escreva contos antes de se aventurar nos romances ou nas trilogias. Tenha um blog e publique nele, fique atento ao feedback e saiba separar o joio do trigo. Ignore os elogios e preste muita atenção nas críticas. Aprenda com elas, mesmo com as ferinas.

Participe de eventos voltados à literatura. Faça parte das redes sociais, aproxime-se dos outros escritores, conheça-os, ouça o que eles têm a dizer. Aprenderá muito com eles.

Transformar-se num bom autor exige dedicação. É um trabalho danado. Não se conquista espaços no mercado editorial do dia para a noite.

Antes de se arriscar a mandar um original para uma editora tradicional, certifique-se de que ele é bom, de que está bem escrito, sem erros ortográficos. Esteja certo de que a prosa está bem trabalhada. O mercado de literatura fantástica está passando por uma expansão rápida. Sempre haverá espaço para autores talentosos e cuidadosos.

Não há nada melhor que ser pago para publicar.

Pagar para ser publicado é um recurso último. Aquele que se toma quando todas as alternativas foram experimentadas. Quando você sabe por A + B que seu livro é muito bom. Mas até esse momento chegar, podem se passar meses, anos até.

Controlar a ansiedade e trabalhar a competência é regra.

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9 Respostas to “Publicação de autor. Não custa nada bater nessa tecla mais uma vez.”

  1. Christopher Kastensmidt Says:

    É isso aí.

    Perfeito.

    • Tibor Moricz Says:

      Me irrita profundamente ver os editores das editoras por demanda frisarem ostensivamente que o primeiro passo a ser dado pelos novos autores é justamente o da autopublicação. Tenho vontade de bater nesses caras, juro!

  2. Christopher Kastensmidt Says:

    Olhe, este artigo aqui relatou perfeitamente os últimos sete anos da minha vida: leituras, prática, críticas, submissões, oficinas, eventos, contatos. Não há dinheiro que compra competência, apenas o suor.

  3. Fernando F. Fasoli Says:

    Concordo em gênero e número… é o que estou fazendo com minhas obras. Aperfeiçoando cada vez mais, e muito diposto a aprender com quem já trilhou esse caminho… Só com qualidade chegaremos lá…. Um grande abraço.

  4. Jauch Says:

    O mundo da escrita é como outro mundo qualquer. Há aqueles que trabalham duro e que tem os pés bem assentes no chão. Mas são poucos. A maioria parece ser simplesmente… “deslumbrada”. E como em outras atividades, não estão interessadas no fruto do seu trabalho, a escrita, mas no que elas idealizam sobre o que é “ser escritor”. Daí a pressa. O que elas escrevem não é importante. O importante é estar na montra. E para todo deslumbrado ignorante, há sempre um esperto pronto a tirar partido…

    • Christopher Kastensmidt Says:

      Só que vejo uma diferença importante. Não conheço ninguém que acha que pode se tornar um médico de um dia para outro. Todo mundo entende que tem que gastar muitos anos estudando antes de se tornar um profissional. Mas existe muita gente que acha que pode escrever uma vez na vida e produzir uma obra prima.

      • Jauch Says:

        É verdade, Christopher.
        Mas também é verdade que vai um longo caminho entre o que as pessoas acham que é preciso e o que fazem de fato, quando são elas a colocar o rosto à tapa.
        Parece ser muito mais fácil dar de caras com um médico medíocre do que com um que saiba o que está fazendo, apesar das exigências que a sociedade impõe sobre essa área.
        Não me parece que seja possível alterar a ideia de que a escrita, conquanto arte, não depende apenas de “boas ideias” (que afinal, rareiam), mas de capacidades que raramente são “naturais” (se é que alguma vez tenham sido), em um indivíduo.
        Mas a verdade é que no fundo, o mercado (leitor) é quem define o padrão daquilo que lê, não?
        Há de tudo na selva. Mesmo na medicina, é preciso procurar para encontrar algo que seja aceitável aos nossos padrões.
        A menos que transformemos o ato de escrever em profissão regulamentada e fiscalizada, sempre teremos muito mais irrelevâncias do que gostaríamos de admitir que existem. Aliás, mesmo se.
        Mas eu ainda prefiro assim… Torna tudo mais rico (mesmo com toda a pobreza que se gera).
        Não fiquemos calados, claro. De forma alguma. Mas a decisão do que se pensa ser o conhecimento suficiente para escrever, ainda é de quem se propõe escrever.
        Até onde este ser irá, com as ferramentas que dispõe, e que bem isso trará a ele e ao mundo, permanecem, ainda, um mistério. Para mim.🙂
        Mas me parece natural.

  5. Eric Musashi Says:

    Concordo com tudo o que está no texto. Talvez, se estivesse esperado mais um ano, não tivesse autopublicado. Mas foram sete anos de editoras não querendo nem receber os originais, dizendo que não publicavam autores nacionais. Sete anos, também, de leitores beta elogiando fervorosamente “Os Herdeiros dos Titãs” e de autocríticas severas que me levaram a revisar constantemente e reescrever metade do primeiro livro.
    Ano passado, após algumas editoras já terem me enviado até contratos (de autopublicação, claro, pois sou um desconhecido), a Draco me disse que devia esperar um ano pra lhes enviar o exemplar, pois logo publicariam um livro de temática parecida. Isso me levou a me autopublicar. Percebi que não podia mais esperar.
    Este ano, a Verus aceitou analisar os dois livros da dualogia. Estão analisando. Será que aceitariam, se eu não fosse um autor publicado e meu livro não houvesse sido comentado pela web? Bem, todas as portas eram fechadas quando eu não tinha contatos.
    Foi caro (não tanto quando se trata de 352 páginas em 16x23cm e papel amarelo de alta qualidade, além de um trabalho gráfico elogiado em todo canto), mas, por opção de contrato, posso retirar os mil livros quando quiser e vendê-los sem ganho para a editora. Já retirei 360. Participarei da Fantasticon e da Bienal de Recife sem que a editora ganhe um centavo (na Bienal do Rio, como foi ela a intermediária, estará lá). Tenho livros para enviar a resenhistas assim que me peçam. Encaro essa publicaçao por conta como um piloto para minha carreira. Um investimento.

  6. Scizornl Says:

    O maior problema é a ansiedade. No calor da emoção de conquistar uma etapa no processo de construção queremos expor as idéias para que todos saibam. Isso nunca funcionou. O ideal é começar a falar de algo quando estiver 90% da etapa concluída. Os 10% são destinados a revisão final para liberação. Então idéia crua, rascunho é uma faca de dois gumes, porque mais a frente você será cobrado. Seja por terceiros ou por você mesmo.

    Eu sigo algumas regras básicas: Primeiro é aprimorar a gramática e técnicas de literatura. Não adianta nada publicar um livro sem ter o conhecimento pleno na nossa língua.

    Segundo: Indique bons materiais e autores responsáveis. Não precisa ser famoso, mas o autor ou autora desenvolveu um trabalho digno e que tem a ver com o escopo de seu material. Não adianta desenvolver um livro de vampiros e indicar livro de Augusto Cury, né? O certo seria indicar livros de André Vianco, Bram Stoker entre outros.

    Desta forma fica fácil o seu cliente se identificar com o seu material.

    Terceiro e fundamental: Networking. Vá viajar, participe de feiras, conheça os clientes de perto. Converse com autores, fale de seus livros. Nunca fale de seu livro como interesse para conquistar a fama mais rápido. SEMPRE PEÇA ORIENTAÇÃO.

    Quarto: Humildade e respeito a concorrência.

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