Merchandising literário seria uma solução contra a pirataria?

Muito se tem falado (e muito se vai falar) sobre e-books. É comum escutar que eles são nosso futuro, que os livros de papel estão com os dias contados, que a virtualidade fagocitará os livros tradicionais ao ponto de fazê-los desaparecer e só serem encontrados futuramente nas bibliotecas e museus.

Não duvido de metade dessas previsões que, mesmo assim, me parecem catastróficas demais.

Publicar na Amazon ou em outros veículos de venda virtual será inevitável para todos nós, escritores (muitos já o fazem).

Há que se evitar? Por que se manter a margem da evolução?

Mas converter nossos livros para o formato e-book trás alguns perigos inerentes. Perigos tão assustadores que freiam a ânsia inicial de trabalhar com esse formato. Li, ontem (The Guardian), uma matéria sobre a premiada escritora espanhola Lucía Etxebarria (matéria aqui) onde ela anuncia sua aposentadoria como escritora. Reclama que tem mais livros baixados ilegalmente que vendidos.

Afinal, é MUITO fácil adquirir uma obra em e-book, quebrar seu sistema DRM (Digital Rights Management) e espalhá-lo pela rede (a biografia de Steve Jobs foi pirateada poucos minutos depois de lançada pela Cia. das Letras, segundo fonte segura).

Então, qual a solução? Encarar os e-books, correndo todos os riscos, ou se manter fiel ao papel até que criem leis e sistemas mais eficientes de proteção aos direitos do autor?

Vou arriscar, num arroubo de criatividade, uma solução alternativa bem polêmica:

Escrever e disponibilizar nossos livros gratuitamente na internet, mas bancados por empresas particulares que seriam inseridos em nossas histórias num esquema de merchandising (o que acabaria completamente com a pirataria). Uma história onde o carro do mocinho é um Corsa Hatch, o celular é um LG Twink, a camiseta é C&A e o sabonete é Francis.

Os direitos autorais seriam pagos pelas empresas patrocinadoras de acordo com o retorno institucional (medido pela quantidade de downloads).

Mas, claro, isso é pura abstração.

Prevejo grandes obstáculos até conseguirmos ter um sistema de venda de e-books minimamente seguro. E vastas discussões sobre a matéria, sem soluções razoáveis.

Você pensa o quê a esse respeito?

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23 Respostas to “Merchandising literário seria uma solução contra a pirataria?”

  1. Bruno Cobbi Says:

    Sua suposição é uma alternativa real. Falei um pouco disso lá no FECON, mês passado.

    O Domino Project consiste exatamente nisso: incentivar a área de marketing de grandes marcas a investir em produção cultural patrocinada para agregar valor aos seus produtos/serviços. Isso parece mágica, mas não é novidade nenhuma em outros ramos da indústria cultural. Vai falar que vcs nunca notaram que todos os grupos do CSI usam computadores da Apple?

    Um exemplo literário real disso é o Tomorrow Project da IBM (sobre o qual eu falei no ). O Inside Experience da Intel/Toshiba é um exemplo dessa mesma estratégia aplicada num filme, mas que poderia — com o devido investimento de grana e criatividade — se aplicar numa obra literária.

    Já acontece? Já.

    Funciona? Ainda não sabemos.

    Numa comparação com a evolução da internet, sinto que nessa coisa da literatura multimídia, mesmo essas iniciativas mais arrojadas ainda estão no patamar da BBS.

    Já o leitor…

  2. Antonio Luiz M. C. Costa Says:

    Quanto a mim, prefiro escrever ficção de graça e publicá-la por hobby a escrever propaganda. Não sou publicitário.

  3. Bruno Cobbi Says:

    Não é de hoje que a arte está entre os dois extremos, Antônio.

    Longe de querer insitituir um “certo” ou errado” num espectro tão complexo de possibilidades, mas só pra citar um exempo, se o Michelangelo pensasse assim como você, não teríamos a Capela Sistina.

    Respeito artistas que valorizam sua liberdade de criação acima de tudo, assim como também respeito aqueles que usam das restrições para atingir essa liberdade. A poesia brasileira está cheia de exemplos de como isso aconteceu. Mas daí a sugerir que todo mundo que receba patrocínio para fazer arte está fazendo propaganda tem uma distância enorme.

    Bora evoluir na disussão.

  4. Marcos Godoi Says:

    Abstração? Leia “The Rise of the Governor”, do Robert Kirkman. É o autor de Walking Dead, e o livro se passa no mesmo universo. Cheio de merchan de carros, como o Chevrolet Escalade.

  5. horaciocorral Says:

    O Bruno Cobbi esta bem informado sobre as iniciativas e a deu as respostas adequadas sobre o tema, em especial:

    Funciona? Ainda não sabemos.

    Embora seja um entusiasta como o Cobbi sobre novas mídias e storytelling sei que o posicionamento do Antonio Luiz condiz com a realidade do escritor que é apenas um ‘escrivinhador’, isto é, ele se dedica a escrever. Desta maneira, ele não é um agente comercial, não é um negociador hábil, não é um ‘marketeiro’ e menos ainda é um subproduto da campanha de uma marca alheia. Apesar de que há indivíduos que são tudo isso ou ao menos alguma dessas coisas. É uma questão essencialmente comercial neste ponto e levanta uma outra barreira que requer posicionamento por parte do autor. Eu fiz um resumo em quatro perguntas e cujas respostas pretendem dar luz ao problema.

    1.0 Por que você escreve?
    1.1 Escrevo para ser lido?
    1.2 Escrevo para ficar conhecido/famoso?
    1.3 Escrevo para ganhar dinheiro?
    1.4 Escrevo para ser lido, ganhar dinheiro e ficar famoso?

    1.0
    Sem essa resposta nem dá para começar mas dela depende as respostas seguintes.

    1.1
    Publicar ebooks no formato ePub em plataformas como Feedbooks e sites parceiros resolvem seu problema.

    1.2
    Aprenda a escrever para os leitores e lembre-se que você não escreve para você mas para quem te lê. Neste caso, marcas, serviços e produtos na sua obra que podem vir a ‘justificá-la’ financeiramente, não serão um problema tão grave.

    1.3
    Idem 1.2 mas você vai procurar se especializar numa tema/área/estilo, a exemplo de uma Mary Higgins Clark que publica um livro por ano para vender uma quantidade X e vive disso, até mesmo a editora já calcula a venda dos livros dela no orçamento anual da empresa.

    1.4
    Seja um autor mais do que excelente, isto aqui requer no mínimo uma obra do calibe do Saramago. Além disso, você deve contar com um pouco de sorte e leitores que gostem da sua obra. As editoras/empresas vão bancar sua obra e lutar por você contra quem for necessário.

    Embora isso possa parecer simples, e até uma simplificação, a questão não é mais complexa do que isso.

    O ‘problema’ esta normalmente no indíviduo que quer escrever e não sabe o que isso de fato pode siginificar. Se o que você quer é ser o 1.4, prepare-se para uma vida difícil, como qualquer outra, e saiba que talvez ela não seja possível alcançar esse patamar.

    Saber o que se quer é a parte mais difícil do caminho. A maioria dos ‘escritores’, não sabe o que quer. Estabelecer metas e reconhecer os próprios límites é o único jeito de quebrá-los e talvez ir além.

  6. Bruno Cobbi Says:

    A maioria dos seres humanos não sabe o que quer.

  7. Zeugmar Zeugma Says:

    hm

    Isto tudo é para tornar a coisa “viável” comercialmente.

    Minha vontade seria fazer uma analogia com outras “artes” e a sua história e ver até que ponto elas conseguem se sustentar.

    Por exemplo, a música literalmente “naufragou” comercialmente falando. Criaram e desenvolveram toda uma economia que desmoronou que nem fumaça com as novas tecnologias.

    Mas não sei se chegou a existir algo tão imenso com a literatura. Ela tem bastante imponência e respeito. Mas talvez seja mais tradição que algo efetivo. Estou escrevendo sem pensar muito, mas existiu algo tão poderoso como os Beatles ou o Rock no campo literário? Ou mesmo fazendo uma comparação com o cinema? No século XIX, houve quem se suicidasse ao final da leitura de Goethe. No século XX, isto aconteceu com a morte de Kurt Cobain.

    Eu tenho lá minhas dúvidas que literatura pode ser tão interessante e efetivo como são os videoclipes e o cinema como “merchandising”.

    Ainda se mantendo no exemplo da música e demais artes: como elas existiam e se sustentavam antes? Talvez não esteja havendo uma “evolução”, mas uma “regressão” a um sistema de escala menor.

    São só palpites, posso estar falando grandes besteiras.

  8. Alê Camargo Says:

    Não gosto da idéia de vender espaço publicitário dentro de minhas histórias (sejam meus textos, ou meus filmes). Acho que cada autor tem o direito de fazer o que quiser, mas para mim não funcionaria.

    Aliás, como consumidor nunca gostei desses apartes marketeiros dentro de uma história . Eles me tiram da experiência (e do sério!), sejam exemplos mais integrados (como a Fedex e o Wilson do filme “Náufrago”, ou o Burger King do “Homem de Ferro”) ou tolices toscas (como o merchandising de bebidas em novelas, e bizarrices diversas em filmes dos Trapalhões e da Xuxa).

    Mas não tenho absolutamente nada contra o patrocínio das artes. Por exemplo, propagandas antes de videos gratuitos no Youtube, ou publicidade paga em sites me parecem maneiras menos intrusivas de viabilizar produtos culturais.

    Falando especificamente de e-books, acho que um dos maiores incentivadores de pirataria é o preço abusivo que vejo por aí em muitos títulos sendo lançados. Tem livros eletrônicos sendo vendidos pelo mesmo preço de seus equivalentes impressos, o que é absurdo.

    Basta ver os maiores sucessos de venda lá fora (como a autora Amanda Hocking, que tornou-se bestseller na Amazon com mais de um milhão de exemplares vendidos). Os preços destes e-books são muito convidativos – a maioria está entre 2 e 5 dólares. É a mesma logica de preços que se aplica a músicas no ITunes, por exemplo, e que está funcionando muito bem.

  9. carlos orsi Says:

    Eu me lembro de quando James Bond trocou a pistola Beretta por uma Walther PPK, a Beretta mandou uma carta para o Ian Fleming perguntando por que ele tinha ficado insatisfeito com a arma… O Fleming era obsessivo com essas coisas, pesquisava até o cardápio dos restaurantes das cidades por onde Bond ia passar, para construir as cenas de jantar.

    Há um conto que é verdadeiro guia gastronômico da França, onde 007 aconselha o leitor a evitar Paris, onde 90% da comida seria “arapuca de turista”, e mergulhar no interior do país.

    Se essa onda de merchandising pegar, perderemos esse tipo de literatura, na qual as marcas citadas são fruto de pesquisa exaustiva do autor (como já acontece no cinema, onde Bond só bebe Smirnoff, for Christ sake!).

    Outro risco é a coisa se tornar obstrusiva, com o autor passando a escrever mais para o patrocinador do que para o leitor.

    Por outro lado, sempre achei o medo de pirataria exagerado. Me parece que a esmagadora maioria das pessoas que pirateiam são pessoas que não pagariam pelo produto original de qualquer jeito — em resumo, o autor pirateado não está perdendo uma venda, mas (talvez) ganhando um leitor (porque muita coisa pirateada vai direto pra gaveta, o cara baixa porque tá ali na mão e é de graça, e depois nem olha mais).

    • Tibor Moricz Says:

      “Me parece que a esmagadora maioria das pessoas que pirateiam são pessoas que não pagariam pelo produto original de qualquer jeito — em resumo, o autor pirateado não está perdendo uma venda, mas (talvez) ganhando um leitor (porque muita coisa pirateada vai direto pra gaveta, o cara baixa porque tá ali na mão e é de graça, e depois nem olha mais”

      Seu argumento me é válido quando imaginamos o pirateador como alguém que baixa o PDF pro computador pessoal. Mas com o advento dos e-readers e as suas lentas mas inexoráveis popularizações, esses downloads vão encontrar leitores efetivos e não aproveitadores de ocasião.

      Havemos de concordar que um Kindle nas mãos torna a leitura muito mais facilitada que um monitor de computador.

      Desse modo, a pirataria continua a ser preocupante. Eu mesmo admito que se tiver fácil nas mãos uma obra do Gaiman pirateada, não vou comprar o e-book. Porque o faria? Assim como eu, milhares de outras pessoas pensam a mesma coisa, pessoas que comprariam não só a obra em papel mas também em e-book se não tivessem alternativa.

  10. Osires Rodrigues Reis Says:

    Eu tenho publicado umas coisinhas pensando sobre isso, no meu blog. Confiram o que andei pensando em http://tecnobardo.blogspot.com/search/label/Direitoautoral . Tem uns 3 posts.

    Basicamente, acho que pensei mais em assumir a publicidade, não fazendo o uso de um merchindising disfarçado, mas restringindo-a a um nível que não atrapalhe tanto a leitura. Algo parecido com uma revista, mas com publicidade em bem poucas páginas.

    E concordo: vamos evoluindo a discussão.

  11. Saint-Clair Stockler Says:

    Ainda não tenho uma opinião formada sobre merchandising em obras literárias, mas o que sei com certeza é: ebooks são a nova bolha do mercado editorial.

  12. Cirilo S. Lemos Says:

    Pensei naqueles merchans estranhos no Show de Truman, e naqueles ainda mais forçados dentro dos capítulos de novelas. Seria, sei lá, esquisito.

    O Neil Gaiman disse algo num vídeo que todo mundo aqui já deve ter visto mil vezes, mas sempre me faz pensar. Algo como “o verdadeiro inimigo não são aqueles que leem de graça, são aqueles que não leem porra nenhuma”. Bom, o porra nenhuma foi por minha conta, mas a ideia é essa.

    Acho que é esse o vídeo.

  13. Aprendiz de Escritor » Arquivo do Aprendiz » Sobre Neil Gaiman, pirataria, velhos mestres e novas magias Says:

    […] debates que o Tibor está propondo lá no blog deles. O segundo, para ser mais exato, sobre merchan e ebooks. Nele, um jornalista faz uma pergunta ao Gaiman sobre a pirataria de livros na […]

  14. Renato G. O. Cunha Says:

    Parodiando a Sociedade do Rifle, “só tirarão meus livros de papel, quando abrirem meus dedos mortos”! Existe toda uma sensualidade em abrir um livro, cheirá-lo, ver nele as marcas de seu uso (os meus até feijão seco tem) . Gosto de olhar minha biblioteca e vê-los a minha disposição, lidos e relidos incontáveis vezes. E olhe que só de História tenho cerca de 2000 volumes!
    Mas é minha esposa que sonha com o Kindle e os e-books para liberar o espaço.
    Mas sei que num futuro ainda longínquo, serão encontradas formas de marketing (como os anuncios televisivos) pagos para a editora pelos anunciantes, sem corromper o escritor, e que aparecerão no corpo da leitura. Nada parecido com a cena de um vampiro mordendo o pescoço da mocinha, parando de repente para dizer : Estou tranquilo pois uso anti-coagulante X, o único que não deixa o sangue pingar!”
    Porém para nós que escrevemos, vale um consolo:
    O ser humano sempre conseguirá, de um jeito ou de outro, um meio de ganhar dinheiro!

  15. Bruno Cobbi Says:

    Começou com um comentário, mas ficou longo demais e virou post.

    http://aprendizdeescritor.com.br/sobre-neil-gaiman-pirataria-velhos-mestres-e-novas-magias/

    Foi mal Tibor. Retribuo incluindo um link no topo da postagem e continuando prsente na discussão por aqui.

  16. Daiane Ferrari Says:

    Quem é apaixonado por livros, nunca deixará de ter o gostinho de tê-los nas mãos, saboreando lentamente cada página.
    Estive conversando sobre isso com uma amante da literatura e assim como ela muitos preferem ter livros sobre a cabeceira da cama.
    E diferente da escritora espanhola Lucia Etxebarria, eu escrevo por prazer e não para obter algum reconhecimento ou lucro. Se fosse o caso já teria publicado meus romances e não enviado via email para meus amigos.
    Isso pode ser visto como loucura para muitos, mas não para mim, pois me deleito nas minhas fantasias e me realizo quando minha imaginação cria vida no papel.

  17. Cátia Isotton Nachbar Says:

    Opiniões díspares, controversas e valorosas. Matéria instigante e intrigante, repleta de prós e contras, dependendo do ponto de vista. Sou, por formação, publicitária; por profissão, “marketeira” (agora renegada a segundo plano); e, por vocação (que desponta), escritora. Como leitora, odeio ser assolada por publicidade ou merchandising inapropriado (o que pode parecer controverso visto a minha carreira curricular, porém explicável por ser algo que sempre optei por lutar contra; detesto tudo o que é invasivo). Creio que “ser natural” é, e sempre será, a melhor opção. Colocar ou não anúncios “declarados” ou “disfarçados” em meio a um texto literário fica a critério do autor, qual mensagem ele deseja transmitir e de que forma o faz; de que maneira se posicionou a respeito. Escrever algo do tipo: “Fatigado e morrendo de fome, o fulano parou no McDonald’s e comeu um hamburger” ou “Fatigado e morrendo de fome, o fulano parou no McDonald’s e comeu um apetitoso hamburger, feito com a mais nobre das carnes”, tem uma grande diferença (que fique bem claro que não fiz nenhuma apologia nesta frase, é apenas um exemplo, o primeiro que surgiu na minha cabeça e que pode ser bem tosco, por sinal; apenas uma ilustração). Alguns leitores, creio que a maioria, achariam “natural” a primeira frase, pois condiz com um hábito comum. Quanto à segunda, muito provavelmente, achariam abusiva e inapropriada; qual o sentido deste complemento senão um descarado merchandising? Para mim pareceria clara ser esta a intenção do autor. Caberia ao leitor decidir. 
    Se bem dosado ao longo do livro, pode não trazer danos (independente do grau). Porém, é um ponto a ser devidamente pensado e pesado (prós e contras). Empatia, credibilidade e confiança são valores que merecem atenção, difíceis de criar ou gerar, e, acima de tudo, respeito. Coloque-se no lugar do leitor e veja como você receberia as mensagens contidas no seu texto. Pense nisso!
    De qualquer forma, isso tudo me remeteu a uma pergunta, uma dúvida cruel que tem me acompanhado há alguns meses e que se faz bem presente agora, às vésperas de lançar meu primeiro livro – BRAHNAC – A Terra Mágica (se me permitem meu pequeno “merchan”; kkkkk): fazer ou não um eBook, eis a questão?! Ainda não tenho a resposta!

  18. Jota Marques Says:

    A internet já nos mostra como solucionar essa questão: banner e/ou adsense.
    Não sei qual seria a dificuldade técnica para inserir banners e outras propagandas ao longo das páginas do ebook, seja no rodapé, no cabeçalho ou ao fim de um parágrafo. Resolveria a questão artística, já que o autor não precisaria mexer em seu texto para adequá-lo ao merchan, e teria o potencial de retorno que qualquer site tem por ai.
    Mas eu não gostaria de estar lendo um livro e saltar um banner na minha frente, alguém pode dizer. Paciência, ainda seria um meio menos invasivo e descarado do que o merchan, e se estamos falando de disponibilizar gratuitamente o ebook, a grande maioria das pessoas não se importaria com esse detalhe da mesma forma que não vejo ninguém se importar em se deparar com banners no youtube, por exemplo.
    Já existem jogos para celular que usam esse modelo de negócio: disponibilizado gratuitamente com adsense. O ebook poderia facilmente utilizar a mesma tecnologia.

  19. Jauch Says:

    Não olho para banners. Nunca. E se o banner for do tipo “insistente”, que me OBRIGA a olhar para ele, não volto mais à página em questão.
    Por outro lado, costumo evitar qualquer coisa em que a propaganda seja “evidente” e que me chame a atenção. Ou seja, se eu PERCEBER a propaganda, largo o que for que eu estiver lendo/assistindo no mesmo instante.
    Se for um livro, vai para a fogueira. Sem dó nem piedade. E a obra em si e o autor passam ao ostracismo. Em qualquer roda de conversa em que surja o nome da obra ou do autor, fico em silêncio e se me perguntarem alguma coisa, simplesmente digo “não vale a pena”.
    Por outro lado, acho que a questão da pirataria não é o mais importante, para escritores, na era em que estamos.
    O advento dos “e-books” é um fato consumado e a única coisa que impede que eles sejam basicamente (em termos relativos) a única forma de comercializar livros, é o fato de que a maioria das pessoas (das que compram livros), ainda não se aperceberam das vantagens econômicas de ter um leitor digital.
    Eu próprio, que ADORO livros, o cheiro, a textura, etc, passarei a praticamente só comprar e-books assim que tiver o meu leitor digital. Vou continuar comprando livros em papel, mas apenas um aqui e acolá, e só se for em capa dura, versão comemorativa, ou aquele livro especial.
    Se o seu livro não estiver em formato digital, o mais provável será que eu nunca vou ler. Eu e praticamente todo o resto da humanidade. E não será a mim (ou ao resto da humanidade) que isso fará falta, com tanta coisa boa e magnífica para se ler, até mesmo gratuitamente.
    Fora isso, a questão, aqui, é que com as novas tecnologias e a facilidade absurda em publicar, o que está aumentando de forma astronômica a concorrência (basta dar uma fuçada na amazon), o problema não é se vão piratear a sua obra. O problema é que a sua obra terá que ter um preço ridículo se você quiser vender alguma coisa e, pior, todos os compradores de livros vão DIVIDIR suas compras entre você e os outros ZILHÕES de escritores. OU seja, seus ganhos, com raras exceções (mais raras do que hoje), serão NULOS. Você, escritor, não vai viver de escrever, de certeza absoluta. Ainda existirão escritores que poderão fazer isso, mas quem vai decidir QUAL escritor poderá viver de escrever (e de vender direitos para cinema, jogos, etc), com ainda mais raras exceções, não será você, escritor, nem o leitor. Será a AMAZON (e similares).
    Portanto…
    Pirataria? Nesse mundo, ela só pode é ser bem vinda…🙂

  20. Tiago Castro Says:

    Acho a utilização da propaganda mais do que válida e ela não precisa ser necessariamente um merchandising.

    Um exemplo bem prático disso é a Folha de São Paulo. No aplicativo da Folha para o Ipad você pode baixar gratuitamente todas as edições do jornal, inclusive a do dia e completa (incluindo encartes especiais). Ao abrir o aplicativo, é exibida, antes de mais nada, uma propaganda, ocupando toda a tela do Ipad (atualmente um anúncio da Tecnisa). Ela permanece por alguns segundos na tela e logo em seguida desaparece dando lugar ao aplicativo e a todo o conteúdo disponível.

    Esse tipo de anúncio poderia ser exibido no inicio e no final de um livro por exemplo. Não atrapalharia em nada, não obrigaria o escritor a se vender em sua história e poderia ser uma saída contra a pirataria ou para a distribuição gratuita das publicações.

  21. Pedro Moreno Says:

    Não sei se o e-book será tão forte no Brasil a ponto de gerar essa discussão.
    Quanto à propaganda dentro dessas obras me parece uma boa ideia.

  22. apgrilo Says:

    O youtube exibe o video, quem anuncia tem seu anúncio visto por milhares de pessoas, quem produz ganha com a publicidade atrelada e o público não paga nada. É uma solução que gradativamente foi melhorando ao longo de anos.
    Com livros, imagino algo parecido, mas não com downloads e sim com um sistema de leitura na nuvem, análogo aos videos da youtube. Seu livro ficaria lá no site, seria lido a qualquer hora, mas teria publicidade atrelada e você autor ganharia com ela.

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