Betume – Lido e comentado

Betume

4ª capa:

“Betume existe. É um povoado localizado próximo à cidade sergipana de Neópolis, banhada pelo São Francisco e distante cerca de cento e cinquenta quilômetros de Aracaju.

E Betume, com o seu nome curto e contundente, inspirou o escritor Rogério Santos, que revisita neste livro a literatura regionalista nordestina numa narrativa crua, cheia de vigor e permeada de tipos marcantes que ficarão na memória e na imaginação do leitor.

Em meio ao cenário agreste, num texto enxuto e simples, o autor mescla realidade e ficção, narrando uma história forte, onde coronéis, prostitutas, árvores conselheiras, vagabundas e almas penadas vivem uma história de amores bizarros, gestos dementes e vinganças que trespassam a barreira da vida e da morte”.

***

A melhor característica de Betume (Giz Editorial) é justamente o seu caráter de meia ficção, meia realidade. Rogério Santos narra a história de uma cidade real, misturando a ela generosas pitadas de fantasia. Fala do malandro Capilé, um sujeito que nos faz percorrer ao seu lado (não se trata de um companheiro de viagem que vá agradá-lo) toda a trajetória de Betume e de sua gente, do nascimento ao apogeu e, depois, lento declínio. A prosa regionalista é vigorosa, o cenário e a ambientação, ricos.

No entanto, a obra não conseguiu me fisgar. Tive que me forçar a ler, obrigando-me a avançar um número determinado de páginas a cada dia. Não foi aderente. Permaneci emerso, sem conseguir me aprofundar. Talvez acompanhar a evolução da cidade não tenha sido tão interessante. Talvez os personagens não tenham me cativado. Talvez os argumentos não tenham sido fortes o bastante. Talvez a busca de vingança de Capilé tenha me parecido estranha e pouco convincente.

O final, quando Capilé enfim encontra a sua vingança, me soou forçado. Como se o autor tivesse terminado o livro e depois se dado conta de que faltava alguma coisa. Acrescentou páginas, um novo capítulo e “arredondou” a contação.

Por certo a narrativa fantasiada de Betume tem tudo para fazer sucesso entre seus próprios conterrâneos. Vão se identificar dentro dela, terá uma aura de familiaridade capaz de cativar o leitor que conheça sua história ou tenha passado por ela.

Não funcionou comigo, me senti distante e pouco atraído pela trama.

Pode bem ser um defeito meu.

Leiam o livro e tirem suas próprias conclusões.

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Betume

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Regionalista
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 122

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