Kaori e o Samurai sem braço – Lido e comentado

Capa_KaoriSSB04B_semprata

Conheci Kaori antes de conhecer Giulia Moon. E foi na coletânea Amor Vampiro. Já na ocasião achei a personagem bastante forte para apenas uma história. Não foi surpresa nenhuma ver que a autora deu a Kaori um universo próprio, desenvolvendo-a em (até agora, mas tem espaço pra mais) três livros.

Vou ser sincero em admitir (mea culpamea máxima culpa) que não li os dois primeiros livros da saga (erro que estou a corrigir, já que comecei a leitura de Kaori, perfume de vampira).

Kaori e o Samurai sem braço foi uma leitura libertadora.

Vou explicar.

Andava cansado de ler obras de gênero cujos estilos e talentos se diferenciam tanto na pegada quanto na qualidade, quase sempre densos, ou experimentais, ou herméticos (ou simplesmente ruins, está cheio disso por aí). Andava como Jó, de vela em mãos, a procura de uma obra cuja prosa conseguisse me desintoxicar.

Giulia Moon tem o mesmo talento nato para a escrita quanto Kaori para a sedução… foi uma leitura deliciosa.

Nesse livro, Kaori vive aventuras no seu passado remoto, no tempo dos Xoguns.

Ilustração Kaori

Ela tem a vida salva por um Samurai — Kuroshima Kitarô, conhecido como Migitê-no-Kitaro (O Samurai sem braço) — e faz com ele um acordo: um ano ajudando-o na busca por um demônio chamado Shinkû. Vivem várias aventuras durante a busca por esse poderoso Bakemono, enfrentando monstros das mais diversas naturezas.

Ajuda-os uma pequena kitsune, raposa com poderes mágicos com a faculdade de se transformar em humano, nesse caso, numa mocinha esperta, comilona e bastante levada.

Narrativa com fino humor e ação precisa e bem descrita. A ambientação e o cenário – Japão do século XIII – são fascinantes. Envolvente até a última linha, trata-se de leitura tão agradável que quando você se dá conta, acabou. E isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Não por acaso Giulia Moon foi indicada e terminou entre terceiro lugar no Concurso Hydra, promovido pela revista eletrônica norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show e o Website brasileiro A Bandeira do Elefante e da Arara do escritor Christopher Kastensmidt com o conto Eu, a sogra, publicado no primeiro volume da coleção Imaginários em 2009 (organização Eric Novello, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz).

Se você ainda não leu Kaori e o Samurai sem braço, corra até uma livraria. Você não sabe o que está perdendo.

Kaori

***

Kaori e o Samurai sem braço

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Fantasia
Formato: 16 cm x 23 cm
Páginas: 196

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8 Respostas to “Kaori e o Samurai sem braço – Lido e comentado”

  1. Rosana Rios Says:

    Excelente análise! Quando eu declarei que Kaori, Perfume de Vampira foi o melhor livro sobre vampiros que já li, houve quem estranhasse; mas é! E olha que já li Anne Rice, Le Fanu, King e Stoker… Kaori ainda ganha.

  2. adriano siqueira Says:

    Kaori é uma das vampiras mais adoradas no Brasil. Eu mesmo já li o primeiro volume duas vezes. sucesso sempre pra Giulia🙂

  3. Alvaro Guarani-Kaiowá Domingues Says:

    Kaori é uma boa personagem e Giulia uma boa escritora. Boa a resenha.

  4. Bia Machado Says:

    Não é fácil encontrar bons livros sobre vampiro, fico sempre com um pé atrás. Mas vou apostar em Giulia Moon, sim. Vou atrás desses três livros!😉

  5. Saint-Clair Stockler Says:

    Giulia Moon faz parte daquela meia dúzia de três ou quatro autores brasileiros de Ficção Científica e Fantasia que são incontornáveis. Não dá para NÃO ler suas obras, ainda mais se você quiser ser autor fantástico. É como ser americano e desconhecer Anne Rice ou britânico e nunca ter lido J. K. Rowland. Ela é uma mestra absoluta. Se estivéssemos nos Estados Unidos da América ou na Inglaterra, Giulia seria publicada pelas principais editoras, seria celebrada em todos os cantos, mas como está no Brasil… prefere-se celebrar uma “escritora” constrangedora como a Stephanie Meyer. Um dia eu entendo o Brasil e os brasileiros, nem que leve 500 anos.

  6. Naty Says:

    A resenha ficou muito boa!!
    Sim, a leitura de Kaori e o Samurai sem Braço é deliciosa e super agradável, ainda mais se você tiver curiosidade ou fascino (como acontece comigo) da cultura japonesa!!
    É bom ver que Giulia Moon consegue intercalar duas épocas totalmente distintas em um livro só, como aconteceu em Kaori Perfume de Mulher!!
    Até mais

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