Tolerância zero!

Cocô gelado

Estou há tempos querendo dar umas dicas bem importantes para todos os que veem as redes sociais como uma importantíssima ferramenta de divulgação literária. É comum ver autores novatos e veteranos postando trechos de suas obras, ou falando do seu trabalho. Propagando aos quatro ventos sua importantíssima contribuição cultural ao insipiente mercado de literatura fantástica brasiliana.

Apoio todos eles. As redes sociais estão aí não só para dar voz a imbecis preconceituosos, mas também aos que procuram divulgar seus trabalhos.

Só que têm umas regrinhas básicas que todos os escritores e candidatos a escritor precisam conhecer.

Se você é escritor ou se pretende ser, espera-se de você que tenha conhecimentos suficientes da própria língua para não cometer atrocidades (pequeníssimos erros faço de conta que não vi). Não me canso de encontrar trechos de obras com erros imperdoáveis de português. Ou quem faz essas postagens é analfabeto funcional ou relapso, e da pior espécie.

Já ouvi gente dizendo que não se preocupa muito com esse negócio de revisão, porque se trata só de uma rede social, uma postagenzinha boba e rápida. Que está sem tempo, que precisa dividir atenção com trabalho e lazer ao mesmo tempo…

Não tem desculpa. Aliás, a desculpa só intensifica a cagada.

Se começo a ler e trombo com erros grosseiros, construções estranhas e bizarras… paro na hora. Desisto. E perco a vontade de ler o livro de onde saíram os excertos (mesmo considerando que passaram por revisão posterior).

Não há nada pior que um escritor ou candidato a escritor burro, do que burro e displicente. Antes de postar, tenha certeza que está bem escrito. Não tem essa competência? Peça ajuda a alguém. A primeira impressão é a que fica (principalmente no meio literário).

Não é legal ter que ruminar textos mal escritos. Nem trechos confusos que não dizem nada (ou que só dizem pra você).

Poste excertos bem escritos e que tenham algum significado, que dialoguem com o leitor. Capturar um trecho qualquer e postar faz você parecer uma besta que não conhece sequer uma única passagem em seu livro que valha a pena ser lida. Ou então é uma forma direta de você dizer que seu livro não é interessante.

Faça outro favor: pare de colocar esses excertos (e sempre um diferente do outro, quase todos inócuos) dia sim, dia não. Enche o saco tropeçar neles o tempo inteiro. Cansa. Me faz ter cada vez mais vontade de manter boa distância da obra.

Ser escritor (ou querer ser) não é sinônimo de ser chato. Nem de ser burro. Cuide da própria imagem e estará cuidando da imagem de nossa literatura de gênero (acho que serve para todas, não é?).

Desculpem a truculência, mas esse assunto me aborrece demais!

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6 Respostas to “Tolerância zero!”

  1. Douglas Bock Says:

    Achei excelentes suas dicas, e concordo integralmente com elas.

  2. Alvaro Domingues Says:

    Apoiado. Uma vez escutei de um palestrante o seguinte: um ator ou atriz estuda anos a fio para subir ao palco e mesmo consagrado continua estudando. No bale, nas artes plásticas e na música é a mesma coisa. Por que com um escritor teria que ser diferente? Será que as aulas de redação do cursinho são suficientes? Do mesmo modo que os outros artistas, um escritor tem aprimorar sua arte e este aprimoramento passa pelo próprio idioma. Como dizia Adoniram Barbosa, sambista famoso que costuma colocar o linguajar popular em suas letras: “pra poder falar português errado, é preciso conhecer muito bem o português”.

  3. Fabio San Juan Says:

    Você tem toda a razão, Tibor! Ah, e “incipiente” é com “c”, e não com “s”.

  4. Frank Says:

    Eu não escrevo nada de ficção( só sou um leitor), mas, eu acho que, como tudo na vida, o aprendizado nunca pode terminar. Não tem como falar: “Eu não preciso lê para escrever”, ou, “Eu não tive tempo pra revisão”.

  5. Sybylla Says:

    Eu disse uma vez e teve quem me criticasse: o nosso idioma é um patrimônio cultural. Cada vez que alguém solta um seje, pobrema, menas, é como se a gente pichasse um monumento como o Obelisco no Ibirapuera ou o Cristo, no RJ.

    Uma coisa é a gente digitar errado, bater numa tecla sem querer, a outra é ignorar a norma e a gramática e ainda achar que pode ser escritor dessa maneira. Escrever é como falar a verdade, você só aprende com muito exercício e ele é contínuo, já que nosso ensino nunca termina.

    Abraço!

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