Cira e o Velho – Lido e comentado.

26/11/2012

Tenho lido menções do livro Cira e o Velho de Walter Tierno há tempos nas redes sociais. Nem todas elogiosas (embora reconheça que muitas foram feitas por pessoas que aparentemente não gostam/gostavam de Tierno. Assim, impossível encará-las com a devida seriedade).

Giulia Moon acabou por abreviar essa leitura que, cedo ou tarde, acabaria acontecendo. Entrou em contato oferecendo-me seu livro para resenha e propôs que eu lesse também dois outros, um deles o objeto dessa postagem.

Cira — a protagonista — é guerreira e bruxa. Trás nos ombros a caveira de Norato, seu pai, e luta para vingar a morte da mãe, provocada pelo sertanista Domingos Jorge Velho.

É uma história aderente. A prosa de Tierno é madura e ele conseguiu me conduzir pela trama sem tropeços. O desenrolar se inicia perto de 1680, antes da guerra dos Palmares. Tierno mistura fantasia e fatos históricos com competência, derrama sobre o leitor uma cornucópia de entes mágicos folclóricos, cidades fantásticas, lendas exuberantes, lutas ferozes.

Bem definidos no livro estão os dois arcos narrativos que se interligam. No primeiro, o Velho persegue Cira e sua mãe para matá-las. No segundo, Cira o persegue para vingar-se. No intermédio, vários quiproquós exigem da heroína o máximo de sua força e esperteza.

Tierno traz a história bem presa a reboque até os dias atuais, onde a magia inerente ao passado se perde na concretude de uma contemporaneidade cinzenta e melancólica.

Ao longo da história nos deparamos, aqui e ali, com momentos que poderiam ter sido melhor explorados, ou crises cujas soluções abusaram da simplicidade ou da conveniência, mas nada que prejudique a minha visão geral da obra.

Publicado em 2010, Cira e o Velho tem tudo para agradar em cheio qualquer leitor de gênero e, mais especificamente, aqueles que reclamam um uso maior do nosso rico folclore em histórias mais brasileiras. Trata-se de um bom livro de entretenimento. Leitura recomendada.

Capa e revisão competentes.

***

Cira e o Velho

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Fantasia
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 229

Livros recebidos – Agradecimentos

31/10/2012

Recebi da Giz Editorial os livros Cira e o Velho de Valter Tierno, Kaori e o Samurai Sem Braço de Giulia Moon e Betume de Rogério Santos. Agradeço imensamente a cortesia (mais especialmente a Simone Mateus e Giulia Moon) e já aviso que as leituras e consequentes resenhas virão em breve.

Algumas palavras para Editoras e Autores

24/10/2012

Como já devem ter notado, retornei com minhas leituras comentadas.

Já fazia algum tempo que o blog precisava ser reativado. Houve um período de lassidão onde relaxei de maneira generalizada (inclusive com relação às minhas atividades virtuais — no Twitter praticamente nem apareço mais). Também devido a projetos pessoais importantes, romances que absorveram todo o meu tempo disponível.

Retornar não significa que encerrei minha fase de projetos, mas que resolvi emergir de minha lassidão e voltar com as atividades blogueiras. Vou me concentrar prioritariamente nas resenhas e só postarei matérias relacionadas ao mercado editorial quando achar que são vitais ou mais do que isso (já que uso o Facebook como substituto).

Todas as últimas leituras (com exceção de duas) foram graças à cortesia das editoras, que me enviaram seus livros.

E é essa a questão que quero abordar nesta postagem.

Não farei parcerias. Não me ligarei institucionalmente a nenhuma editora, nem divulgarei banners ou obras senão através das próprias resenhas. As editoras e autores que quiserem enviar livros, sintam-se livres para fazê-lo. Não prometo as resenhas (porque não quero transformá-las numa obrigação), mas a cortesia potencializa consideravelmente a possibilidade de fazê-las.

Primeiro ponto importante: tenho lido e ouvido reclamações recorrentes a respeito da relação “resenha x cortesia”. Tem gente que acha que, porque me entregou o livro graciosamente, a resenha precisa ser positiva. Ou, ao menos, moderada. Ou, melhor ainda, bastante elogiosa. Se você pensa da mesma maneira, não perca seu tempo me mandando seu trabalho. Provavelmente ele nem valerá minha leitura.

Segundo ponto importante: talvez você (vocês) pense que, se não vou com a cara de alguém, a avaliação de uma obra do dito cujo será negativa. Errado. Não me deixo influenciar por questões comezinhas. Se o trabalho é bom, não me interessa quem o escreveu. Receberá elogios. Se o trabalho não convencer, será criticado. Sempre me pautei pela isenção e no que depender de mim (e só depende de mim) continuará assim.

Terceiro ponto importante: enviem livros publicados e em papel (ebooks, por enquanto, não) de literatura fantástica (ficção científica, fantasia, terror). Também aceito policiais. Poupem-me de não-ficção e poesia.

Os livros recebidos são, depois de lidos, doados (na maior parte das vezes). Não sou um acumulador, não tenho por hábito montar bibliotecas. Me bastam alguns exemplares em casa (principalmente os meus e as vezes nem esses).  Posso, eventualmente, sorteá-los no blog, mas detesto ter que ir ao correio e pagar despesas postais. Assim, os empresto na certeza de que nunca mais retornarão (não, não é desprezo. É desapego). Os que quiserem que eu os sorteie, podem ter certeza que pensarei com carinho a respeito.

Para os que procuram leitura crítica para originais, também a faço. Assim como preparação de texto (copidesque). Contatem-me em tibmo45@yahoo (.) com (.) br.

Réquiem: sonhos proibidos – Lido e comentado

19/10/2012

Imagine um mundo controlado por governos totalitários. Difícil? Claro que não.

Distopias desse tipo abundam na literatura de ficção científica. Réquiem: sonhos proibidos, não foge ao tema. Petê Rissatti conta uma história onde nosso mundo, após uma chamada Guerra dos Anos Confusos, assiste a supremacia de um Governo Mundial que controla a tudo e a todos com a ajuda de um medicamento conhecido como Réquiem (Repressor Químico para Ecmnésia Mensurada).

Alega-se que a liberdade máxima do ser humano se encontra na experiência, no mundo dos sonhos. É nele que alcançamos total independência, sem controles externos. Livres para sermos e fazermos o que quisermos. O medicamento, então, reprime os sonhos fazendo-nos ter uma noite de sono totalmente negra, apagada. Uma quase morte.

Segundo a premissa, isso seria suficiente para nos tornar seres sem ambições, sem anseios; manipuláveis.

Os sonhos são importantíssimos à nossa saúde física e mental, são eles que estabelecem um ponto de equilíbrio na mente racional, provocam relaxamento, dirigem-nos ao simbólico, ao abstrato. Relaxam nossa capacidade cognitiva, preparam-nos para outro momento de vigília e concentração. Sem sonhar teríamos — segundo pesquisas — nossa capacidade intelectual comprometida, deixaríamos, paulatinamente, de ser a espécie dominante no planeta. Seríamos flagelados por surtos de amnésia, agressividade e ansiedade. O mundo seria imerso na esquizofrenia.

Uma sociedade inteira, milhões de pessoas, bilhões, sem sonhar. Esse cenário é terrífico e levaria toda nossa civilização à bancarrota.

Assim, considero, particularmente, a premissa do livro um equívoco.

O sonho que liberta, a meu ver, não é o onírico — esse, caótico, sem amarras com a realidade, anárquico — e sim, o sonho acordado. A ambição. O anseio. O anelo. O que nos passa pela cabeça, nossos desejos mais íntimos e imediatos, nossas insatisfações. Esses só se podem controlar contrariando a premissa da obra; forçando-nos a um sono coletivo e induzido.

A sociedade descrita por Petê Rissatti é ordeira e organizada. Indivíduos proficientes e felizes, satisfeitos com a vida do jeito que a tem. Mentes equilibradas, sensatas — embora apáticas —… bem diferente do cenário real que a ausência completa de sonhos provocaria.

A história em si, deixando de lado os aspectos oníricos, fala da luta de uma organização insurgente que se esforça em vencer o Governo Mundial, libertando as pessoas de seu jugo. Através de uma tecnologia difusa, detectam aqueles que têm uma noite de sonhos — ou por terem se esquecido de tomar o medicamento, ou por tê-lo deixado de tomar propositalmente — e vão a sua busca com o intuito de agregá-los à causa.

Tipo: “Ah, sonhou, então já é um revolucionário” (ingênuo, sim, concordo. Bastaria sequestrar felizes consumidores do Réquiem e deixá-los sem o remédio. Logo sonhariam e… novos insurgentes para as fileiras!).

O protagonista, Ivan, vê-se, em pouco mais de vinte páginas, transformado de passivo funcionário organizador de formulários, para um dos mais perigosos revolucionários, temido mundialmente (!!). Isso graças a uma noite de sonhos confusos e aos genes que, segundo teorias igualmente confusas, o marcariam para a luta.

Trata-se de uma história com uma infinidade de clichês e que precisaria de muito mais páginas para ser bem contada. Para construir personagens realmente críveis, para aprofundá-los e para explicar melhor a sociedade e as engrenagens que a movem.

Precisaria também de uma premissa razoável.

Há pouca verossimilhança. Os personagens são planos — apesar dos esforços do autor em compensar isso com reflexões existências superficiais demais, na maioria — e suas motivações são contraditórias.

A obra é, no geral, muito ingênua, inocente. Repleta de soluções simplistas. Chega até a ser bobinha.

Trata-se de leitura rápida e descompromissada que só recomendo se não houver alternativa.

Réquiem: sonhos proibidos

Editora: Terracota
Gênero: Romance de Ficção Científica
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 203

O grito do sol sobre a cabeça – lido e comentado

16/10/2012

Li os primeiros trabalhos de Brontops Baruq em várias edições do Projeto Portal capitaneado por Luis Braz. Foi aí que conheci a força desse contador de histórias. Causou-me tamanha boa impressão que o convidei para participar da coletânea Brinquedos Mortais. Considerei que não poderia abrir mão de um conto desse prosista surpreendente. Vê-lo lançar um livro não me causa admiração. Causaria se ele se demorasse com isso, se delongasse ou procrastinasse esse projeto.

Vale lembrar que Brontops Baruq foi o ganhador do prêmio Hydra com o conto História com desenho e diálogos, também incluído nessa coletânea.

O grito do sol sobre a cabeça reúne dezenove contos. Poderia comentá-los um a um, destacando os melhores, mas sinto que isso seria um desserviço. Não é caso para avaliações individuais — mesmo porque incorreria no risco de dar spoilers que estragariam a surpresa do leitor. Vou me ater ao conjunto da obra, discutindo-o como um corpo só, porque, apesar de multifacetado, há uma amalgama poderosa que os une numa só alma.

Brontops Baruq desfia um rosário de distopias. Mas não é um distópico ordinário, não. Ele foge à regra carregando-nos numa prosa elaborada, como engrenagens bem azeitadas, até quando não há mais escapatória. Só nos damos conta do fim quando não podemos mais escapar dele. A tessitura muito bem engendrada confere um raro prazer à leitura.

Na orelha do livro há o parecer de Caio Silveira Ramos e ele destaca a ferocidade do autor, o deslumbramento de sua obra, a perturbação e a sensação de estranhamento que provoca. Concordo. Mas quando sugere que Brontops não faz ficção científica senão de passagem apenas para corrompê-la, ignora o óbvio. A ficção científica é a alma da obra — embora desfilem também o insólito e o surreal. Destarte as metáforas, as referências, as críticas sociais — que existem em qualquer obra mais comprometida seja de que gênero for.

Brontops Baruq mostra que faz parte de uma escola onde qualidade de prosa e literatura de gênero convivem magnificamente bem. Demonstra que forma e conteúdo só melhoram, só engrandecem a literatura fantástica.

A sombra do sol sobre a cabeça

Editora: Terracota
Gênero: Contos fantásticos
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 166

Caminhos do Fantástico – Lido e comentado.

10/10/2012

A coletânea nasceu do Concurso Literário Caminhos do Fantástico, promovido e organizado pela Editora Terracota e a organização do Fantasticon (Simpósio de Literatura Fantástica) e pretende ser anual. Tem o fantástico como temática e pretende mostrar como os autores (estreantes ou não) pensam a literatura fantástica no Brasil.

Quando terminei a leitura tive que admitir que fazia tempo não encontrava uma seleção de contos tão boa, tão regular. Quinze autores selecionados pelos organizadores (Claudio Brites e Silvio Alexandre) num concurso com regras rigorosas e que prometia desclassificar trabalhos diante da menor falta.

Tive um conto selecionado — Recomeços —, o que me enche de orgulho. Muito bom fazer parte de um time de feras que, mesmo com nomes pouco conhecidos, mostraram que tem talento de sobra.

Não pretendia fazer avaliações, nem leituras comentadas, já que tento não resenhar livros onde figuram trabalhos meus. Pode acabar sobrando algum cabotinismo, posso acabar sendo condescendente.

Mas não resisti.

Não pretendo comentar todos, só os que me causaram mais admiração e explicar os que me causaram menos.

Antes das avaliações, os autores: Alexandre Mandarino, Ana Lúcia Merege, Antonio Borgia, Bruna Dantas Lobato, Carlos Angelo, Cícero Leitão, Cristina Faga, Elisa Celino, F. Medina, Gilberto Garcia da Silva, Ícaro França, Leandra Lambert, Léo Nogueira, Luis Roberto Amábile, Marcelo Augusto Galvão, Marcelo Bighetti, Marta Rolim, Tibor Moricz.

Hiriburu de Alexandre Mandarino. História fascinante. Mandarino mandou muito bem, transmitiu estranheza e perturbação numa narrativa que põe em questão a relação homem/cidade. Como você reagiria se tudo o que você conhecesse da cidade onde mora, começasse a mudar, a se transformar de uma hora para outra? Se as ruas, os bairros, as casas e prédios ganhassem novas cores, dimensões, histórias? Se você, no meio de tudo isso, tivesse a própria história alterada?

Idolatria de Antonio Borgia. O que um pai desesperado pela morte do filho é capaz de fazer? Bom conto de terror. O autor é competente em traduzir o desespero do protagonista na busca da alma do filho ou da fagulha de vida que poderá trazê-lo do mundo dos mortos. E competente em mostrar os resultados aterradores dessa tentativa insana.

Um dia na vida do Senador Antonio Ribeiro de Ícaro França. Narrativa circular que demonstra que, na política, jogos de bastidores e argumentos retóricos são sempre os mesmos seja em que tempo ou realidade for. França nos conduz de Brasília às estrelas e depois aos primórdios da civilização (de alguma civilização).

A décima oitava vertigem de Leandra Lambert. Cenário alienígena rico e fascinante. A busca pelo prazer elevada à última vertigem.

Seu nome é mãe de Marta Rolim. Narrativa dramática que fala das relações tensas e tempestuosas entre mãe, filho e pai. Abordagem crua e realista, não parece resvalar no fantástico. Boa prosa, boa condução e bom final.

Tiradentes de Carlos Angelo. A história mais curta do livro. Mas não confundam isso com pouca profundidade ou abordagem rala. Cenário distópico onde apenas um ser humano sobreviveu. Sua busca por artefatos sagrados da humanidade leva a um final inesperado. Curto e surpreendente.

Agora citarei os trabalhos que não me agradaram. São apenas dois.

O primeiro deles:

Retratos de Bruna Dantas Lobato. Pelo que entendi, a autora conduz a narrativa pelo único ponto de vista da protagonista: um retrato (ela, um retrato). Todos os retratados são retratos que conduzem a lembranças antigas e esfumaçadas. O texto não consegue transmitir isso com clareza e deixa muitos vazios de entendimento pelo caminho. Trata-se de uma experiência estilística que peca pela prosa frágil. Serve como alerta: ao realizar exercícios de estilo, tenha em mente que sua prosa precisa ser afiada, senão esses exercícios vão ser mal sucedidos.

O segundo é:

O legado Troll de Francisco Medina. Preparo quase um capítulo a parte para falar desse conto. Surpreendeu-me vê-lo em destaque, abrindo a coletânea. Sabemos que é praxe deixar os considerados melhores trabalhos para abrir e fechar seleções. Mas O legado Troll está longe de ser o melhor trabalho do livro. Está longe sequer de competir com qualquer um deles. Trata-se de uma narrativa que faz parte de um universo maior. Quem não conhecer esse universo, vai boiar. A trama é confusa, a ação é fraca, destituída de emoção. Os personagens são planos demais, as motivações mal explicadas e a prosa muito frágil e repleta de pequenos vícios. Para completar, nos brinda com um final inteiramente aberto. Para entender a presença do conto na abertura da coletânea precisamos recorrer ao fato de que além dos quinze trabalhos rigorosamente selecionados, outros três foram convidados e encaixados a posteriori. Mas crer que preferências pessoais de um ou outro organizador poderiam macular uma iniciativa tão séria é o mesmo que crer que ambos os organizadores não levaram essa coletânea tão a sério quanto deveriam.

Fora isso, Caminhos do Fantástico mostrou que é possível (apesar da perplexidade provocada pelo tropeço inexplicado) montar coletâneas de muito bom nível.

Caminhos do Fantástico – Volume 1

Editora: Terracota
Organizadores: Claudio Brites e Silvio Alexandre
Gênero: Literatura Fantástica
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 228

O Andarilho das Sombras – Lido e comentado

08/10/2012

(Há Spoilers)

Conheci o Eduardo pessoalmente no Fantasticon em 2011. Na ocasião seu romance já se encontrava para avaliação nas mãos de Erick Santos, editor da Draco. Conversamos bastante depois disso, pelas redes sociais, e admito que fiquei curioso para ler a sua obra. Adquiri então o Ebook.

O andarilho das sombras se passa na Idade Média e conta a história de Harold Stonecross desde a sua infância até o momento em que se transforma num monstro. A narrativa é em primeira pessoa e alterna presente e passado; ora o homem ora o monstro que se revezam.

Não dá pra dizer que existe uma história com começo meio e fim. Trata-se de um avanço pari passu na trajetória do personagem. Seu dia-a-dia contado às vezes nos mais insignificantes detalhes, o que demonstra que o autor se debruçou em pesquisas históricas para construir cenário e ambientação bastante convincentes.

A narrativa cotidiana que nos leva através dos anos pela história do protagonista tem tudo pra ser a maior virtude do livro, mas também o maior defeito. A ausência de pontos de tensão inesperados é o que mais me fez falta. Todas as crises, os enfrentamentos, são razoavelmente previsíveis, não houve surpresa, nada que me fizesse exclamar.

Como o autor optou por narrar um-dia-após-o-outro, esse cotidiano acaba por se tornar rotineiro. As mesmas tarefas, os mesmos anseios, as mesmas surpresas. Não há antagonistas fortes, não há equilíbrio de poderes, a balança não pende ora para um lado, ora para outro. Essa ausência de emoções mais fortes acaba por tirar parte do apelo da história.

Outra coisa que achei um tanto exagerada foi a carga dramática. O autor exagerou em muitos pontos tornando-a quase caricata. Quando o drama é demasiado, perde a força. Assim como o motivo final que levou o protagonista a fazer um acordo que o transformou num monstro. Na Idade Média 1/3 (até mais) das crianças morriam antes de completar um ano de idade. A morte delas era considerada comum, não provocava surpresas. Não é razoável supor que um pai fosse sofrer tanto, de forma tão paroxismática, pela morte iminente de sua filha. Soou bastante forçado.

Mas o livro não é só resvalos.

A narrativa cotidiana acaba se mostrando também, magnética. Desperta a curiosidade conhecer o dia-a-dia dos personagens, todos eles bem construídos e explorados. A larga pesquisa histórica nos brinda com conhecimentos de época fascinantes. Sentimo-nos arrastados pela narrativa até as últimas páginas. Tanto que li o livro em pouco mais de dez dias. Para mim, um livro com tantas páginas, é um recorde.

Esse projeto pretende se transformar numa série. Apesar de ter lido o livro com rapidez, de tê-lo achado magnético, de ter encontrado personagens bem construídos, não sei se terei ânimo para enfrentar suas continuações, a não ser que o autor acrescente antagonistas fortes e crie conflitos consistentes.

O Andarilho das Sombras – Série Tempos de Sangue – Primeiro Volume

Editora: Draco
Autor: Eduardo Kasse
Gênero: Literatura Fantástica
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 400

Amor Liberto de Ademir Pascale. Lido e comentado.

11/09/2012

Atendendo ao pedido de Ademir Pascale, li seu último lançamento, o e-book Amor liberto e faço aqui as minhas considerações.

Sinopse:

O que aconteceria com suas crenças se descobrisse que a história que cerca o homem mais conhecido do mundo foi alterada? Como ficariam os alicerces da Santa Igreja se você descobrisse que demônios são entidades poderosas e desconhecidas que caminham sobre a Terra, anjos não existem e que Deus se locomovia numa nave hiperavançada desde antes do início da era cristã?
O início se deu numa gruta, quando uma adolescente de dezesseis anos fez uma escolha que mudaria todo o rumo da humanidade.”

***

Pascale retoma o assunto Jesus Cristo, sua peregrinação e crucificação sob uma ótica que se pretende diferenciada. Como a própria sinopse já entrega, Pascale coloca Deus numa nave espacial, dá a Jesus uma segunda vida que corre paralela, que vai além da messiânica (na verdade isso não está na sinopse) e reconstrói o cenário conhecido por todos às vésperas da crucificação.

Há a evidente intenção de chocar, de causar espécie nos leitores. Mas Pascale erra a mão quando, no intuito de chocar, consegue apenas repetir a fórmula de outros autores e pesquisadores como J.J. Benitez, Dan Brown e Erick Von Daniken. Não existe um cenário novo, não há nada que diferencie essa abordagem de outras. Assim, não há choque.

Pascale poderia ter aproveitado a intenção de surpreender para, de fato, fazê-lo. Pesar mais a mão, afrontar cristãos e não cristãos. É essa a missão do escritor: inquietar. Repetir fórmulas não alcança o mesmo êxito.

Então, quando a sinopse me pergunta o que aconteceria com minhas crenças, respondo dizendo que não aconteceria nada. Porque minhas crenças já foram experimentadas por outros autores que me apresentaram as mesmas questões e o fizeram com bem mais eficácia.

Amor Liberto é leitura rápida e descompromissada. Reveste-se com o propósito de suscetibilizar os leitores, mas não atinge o alvo. Não funcionou comigo, talvez funcione com outros. Adjetivação excessiva também atrapalha a fruição do texto e empobrece a prosa.

***

Título: Amor Liberto
Autor: Ademir Pascale
Capa, layout e diagramação: Marcelo Bighetti
Ilustração: Vasili Vasilyevich (1842-1904)
Gênero: Fantasia/Ficção Científica
Nº de páginas: 16
Ano: 2012
Arquivos disponíveis: PDF, ePub, Mobi
Preço para venda diretamente com o autor: R$ 2,00

Quem quer 10 livros digitais de graça?

16/08/2012

Sábado quando fui à Bienal para a tarde de autógrafos da Coletânea Space Opera na Editora Vermelho Marinho, encontrei-me com amigos e conhecidos que não via há tempos. Um deles foi Horácio Corral (que conheci na Livraria Cultura num evento que… juro, eu não lembro que evento foi…rs… mas, lembro que, na época, ele tinha bem mais cabelos). Conversamos sobre vários assuntos, mas o que mais me chamou a atenção foi a proposta de me presentear com 10 livros digitais de muito boa qualidade.

Quem não quer ganhar livros, não é?

Agucei a audição no mesmo momento. Desliguei-me dos ruídos da Bienal e prestei atenção no que ele tinha para me propor.

Claro que não seria “de grátis”, assim, na boa. Exigiria que me cadastrasse no site do Submarino Digital Club (até um dia após o final da Bienal, ou seja: 20 de Agosto, uma segunda-feira), tornando-me um usuário.  Bastaria então inserir um código promocional logo após o login ou cadastro para ter direito a essas obras.

Achei que me pediam pouco e me ofereciam muito. Topei, é claro.

Mas e meus leitores aqui no blog?

Se forem rápidos, 50 de vocês também podem aproveitar essa boquinha. Aí em baixo segue a lista de obras oferecidas e abaixo dessa lista, a relação de códigos disponíveis. Quem estiver a fim, aproveite!

  • Contos de Fadas – Maria Tatar
  • O seminarista – Rubem Fonseca
  • Elite da Tropa 2 – Luiz Eduardo Soares, Rodrigo Pimentel, Andre Batista e Claudio Ferraz
  • As Aventuras de Tintim: Perigo no mar – Ricardo Neves
  • O Novo Mundo Digital – Ricardo Neves
  • Scarpetta – Patricia Cornwell
  • Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson
  • Coletânea Machado de Assis – Romances – Machado de Assis
  • 1822 – Laurentino Gomes
  • 50 Anos a Mil – Lobão

Códigos:

SDCC 8140 3001   SDCC 8140 3002  SDCC 8140 3003
SDCC 8140 3004   SDCC 8140 3005  SDCC 8140 3006
SDCC 8140 3007   SDCC 8140 3008   SDCC 8140 3009
SDCC 8140 3010   SDCC 8140 3011   SDCC 8140 3012
SDCC 8140 3013   SDCC 8140 3014   SDCC 8140 3015
SDCC 8140 3016   SDCC 8140 3017   SDCC 8140 3018
SDCC 8140 3019   SDCC 8140 3020   SDCC 8140 3021
SDCC 8140 3022   SDCC 8140 3023   SDCC 8140 3024
SDCC 8140 3025   SDCC 8140 3026   SDCC 8140 3027
SDCC 8140 3028   SDCC 8140 3029   SDCC 8140 3030
SDCC 8140 3031   SDCC 8140 3032   SDCC 8140 3033
SDCC 8140 3034   SDCC 8140 3035   SDCC 8140 3036
SDCC 8140 3037   SDCC 8140 3038   SDCC 8140 3039
SDCC 8140 3040   SDCC 8140 3041   SDCC 8140 3042
SDCC 8140 3043   SDCC 8140 3044   SDCC 8140 3045
SDCC 8140 3046   SDCC 8140 3047   SDCC 8140 3048
SDCC 8140 3049   SDCC 8140 3050

Vá a http://submarino.thecopia.com/bienalsp e garanta o seu pacote!

Não sei quanto a vocês, mas já abaixei meu pacote de livros digitais e comecei a ler Os homens que não amavam as mulheres de Stieg larsson.

Atenção mais uma vez: essa oferta só vai até a próxima segunda-feira, dia 20 de Agosto.

Saiu! Saiu! Corre, lá! Brinquedos Mortais na Amazon!

20/06/2012

Depois de um longo e tenebroso inverno, Brinquedos Mortais aporta na Amazon e fica a disposição de quem quer lê-lo prioritariamente em formato digital. O carro abre-alas prepara a vinda do livro em formato impresso, o que deverá ocorrer oportunamente.

Organizada por Saint-Clair Stockler e por mim, reunimos 12 autores que oferecem universos díspares e, ao mesmo tempo, convergentes. Dialogamos com o inusitado, o assustador, o cômico e o repulsivo. Burilamos nossos textos com cuidado cirúrgico; caprichamos na prosa para oferecer a vocês uma excelente literatura de entretenimento.

Ataíde Tartari , Braulio Tavares, Brontops Baruq, Carlos Orsi Martinho, João Marcelo Beraldo, Lucio Manfredi, Nelson de Oliveira, Pedro Vieira, Roberto de Sousa Causo, Saint-Clair Stockler, Sid Castro e Tibor Moricz.

Convidamos vocês a compartilhar essa fascinante e mortal experiência. Além do que, trata-se de uma boa seleção de contos por apenas $9,90 – baratinho, baratinho…

http://www.amazon.com/Brinquedos-Mortais-Portuguese-Edition-ebook/dp/B008CSFWMI/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1340194024&sr=8-1&keywords=brinquedos+mortais

Está esperando o quê? Corre, lá. Compre e depois nos diga o que achou. 🙂