Essa menina é do barulho!

21/12/2011

O blog está sem atualização há bastante tempo. Nesse interlúdio fiz algumas leituras (não muitas, já que quando estou trabalhando em um novo romance, eu me afasto delas) que pretendo comentar aos poucos.

Uma delas foi Isidora encontra o herói acorrentado, livreto que recebi graciosamente do autor, Victor Vargas, no último Fantasticon. Chamou-me a atenção o formato, a capa e a gratuidade (risos), mas só fui lê-lo quase dois meses depois (não por falta de vontade. Eu o coloquei no porta-luvas do carro e como quase não acesso esse arquivo, ficou esquecido lá dentro).

Isidora me surpreendeu. Gostei da narrativa, gostei da proposta e gostei da personagem. Victor Vargas demonstrou um interessante talento e surge como uma boa promessa no cenário de literatura fantástica brasileiro.

Trata-se de uma menina terrível. Tão terrível que todos a temem e a respeitam, até a própria família. Demonstra uma personalidade marcante que equilibra bem o “ser criança” com o “ser terrível”, construindo uma menina que bem poderíamos encontrar em qualquer esquina, com a diferença que habita uma realidade fantástica permeada de monstros, bruxas, magos e outros seres mirabolantes.

Ela nos atrai e nos repele. Tive vontade de colocá-la no colo e cobri-la de carinhos, assim com cobri-la também de tapas na bunda. Como toda criança arteira cujo sorriso nos amolece.

O livreto tem ilustrações de Vagner Vargas (capista amado e odiado da Devir) e é um prefácio a uma obra maior que, me pergunto, sairá quando?

Quem não leu, perdeu.

Quarta Capa:

Isidora mora em uma mansão situada à beira de um penhasco, onde se diverte aterrorizando monstros. Sua família incomum a trata com carinho e cuidado, pois Isidora não é uma criança com quem se deva brincar. Até que um dia seu avô, um herói já idoso que conquistou fama e glória na juventude, parte para uma última aventura recheada de altos riscos e encoberta em mistérios. Chega a hora de Isidora deixar para trás sua infância e partir em auxílio do avô. Ela parte para salvá-lo e agora o resto do mundo corre perigo.

Só a antropofagia nos unirá?

14/12/2011

Braulio Tavares está lançando uma coletânea de FC chamada Páginas do Futuro pela editora Casa da Palavra (Leiam matéria em O Globo, aqui) e responde a uma entrevista onde declara que a literatura fantástica brasileira precisa de um movimento antropofágico que a faça cortar o cordão umbilical que a prende às referências anglo-saxônicas.

Tal proposta já havia sido feita há alguns anos por Ivan Carlos Regina e, ao que parece, ainda não foi colocada em prática (com digníssimas exceções).

Vocês, meus queridos leitores, acreditam que esse rompimento com as referências externas e um mergulho no caudal de matéria bruta que nossa geografia, história e mitologia oferecem é absolutamente obrigatório? Podemos sobreviver sem isso? A literatura de Ficção Científica e Fantasia brasileira se tornaria mais rica, mais exuberante ou mais inteligente se explorasse cenários e personagens tipicamente brasileiros?

Ou boa literatura independe de cenário e ambientação e tudo isso é uma condenável xenofobia?

Diga o que pensam, exponham suas opiniões.

***

Minha opinião:

Uma boa história independe de território. Se o cenário são as matas amazônicas, ou as estepes turcas, ou o deserto de Nevada, pouco ou nenhuma importância tem. O argumento está acima de localização geográfica ou cultural. Ninguém está obrigado a escrever suas histórias se utilizando obrigatoriamente de cenários brasileiros, de personagens brasileiros. Também não acho que todas as histórias precisam ser ambientadas fora de nosso país. O argumento é que define isso. Sempre o argumento.


Chega de pasmaceira!

13/12/2011

O meio literário está tão apagado, tão sem assunto, tão apático, que estou pensando em reativar o É só outro blogue e dar novas cores e tonalidades a esse meio que anda tão acabrunhado.

Se acharem que já era tarde, que essa decisão devia ter sido tomada há mais tempo, que a literatura especulativa nacional anda precisando de escândalos, polêmicas e tiroteios, deixem seus comentários manifestando suas mais sublimes opiniões.

E vamos que vamos. Essas panelas que formam a FC&F precisam de umas remexidas para se sentirem vivas.

Mesmo porque, pelo que vi, ninguém no meio tem peito suficiente pra fazer isso.

Bando de cagões.

Conto – Uma noite com um vampiro.

22/09/2011

Cara! Você é quadradão mesmo.

Além de não conseguir nenhuma garota nesta espelunca, ainda tinha que aturar os bêbados que tiravam sarro do meu terno. Empurrei o bêbado para ele se tocar que não queria papo. Minha esposa era muito brava. Se chegasse em casa com cheiro de bebida, ia me encher durante toda a madrugada.

Esta bem, cara! Não precisa empurrar. Pelo jeito você não tem sorte com as garotas daqui, mas não esquenta, você está vendo aquelas ali? As três garotas estão sozinhas. Aqueles corações estão cheios de luxúria só para nós.

Eu já estava de saída e, bravo, disse para o bêbado sair da minha frente. Ele levantou as mãos e me deixou sair do bar. Na volta para casa, no carro, pensava nos foras que tomava todas as noites – esperava não apanhar quando chegasse em casa – quando, de repente, ouvi uma buzina.

Eram as três garotas num carro bem ao lado do meu. Acelerei um pouco, mas elas acompanharam a velocidade do meu carro. Jogavam beijos e queriam que encostasse. Parece que minha sorte mudara. Paramos os carros na beira da estrada e elas vieram em minha direção. Cheias de amor, mal podia acreditar. Até sentir pontas de facas no peito e um cano de revólver no queixo.

Seu carro é bom demais para ficar em suas mãos, seu nerdzinho estúpido.

Levaram meu carro. Mas que droga! Sentei-me na calçada com as mãos na cabeça. O que fazer? Minha mulher vai mesmo me matar. Como sou otário. Senti um vento frio e uma mão no meu ombro. Olhei rapidamente e vi… Era o bêbado, que também me seguira e ria muito.

Relaxa, cara! Parece que as garotas gostaram mais do seu carro do que do seu terno. Não fica assim, não. Dei um susto nelas. Vamos lá! O seu carro está bem perto.

O que tinha a perder? Andei com ele por um tempo e, por milagre, meu carro estava mesmo encostado com as portas abertas. Corri, pensando que elas o abandonaram, mas a realidade era bem pior. As três garotas, mortas dentro dele. Muito sangue. Vomitei por um bom tempo. O bêbado colocou a mão em meu ombro e eu me afastei.

Ah, cara! Eu recuperei seu carro. Está tudo certinho.

Certinho? Você as matou! Você matou todas!

Você é um mal-agradecido, mesmo! Está bem. Estou indo, cara. Valeu!

Ele sumiu pelos matos da beira da estrada. Agora eu estava ferrado mesmo. Nada podia ser pior. Então escuto um barulho de sirene.

Levanta as mãos! No chão! Deitado!

Fui preso. Meu companheiro de cela era bem legal. Bateu minha cabeça nas grades da janela só duas vezes. Acho que quebrei o nariz. Suspeito de homicídio! Foi o que o delegado me disse. Três mulheres mortas, perfurações no pescoço. Falaram que eu estava brincando de vampiro. Eu contei que fora o bêbado, mas nem me deram bola.

O meu companheiro de cela se levanta e vem na minha direção. Acho que quer a janta e pelo olhar, eu era o prato da noite.

Já falei para não olhar para mim.

Quando ia me dar um soco, seus olhos ficaram arregalados olhando para a janela. Era o vampiro.

Cara, você está mesmo encrencado, sorte sua que eu ia passando. Posso ajudar. Você só precisa me convidar para entrar aí e acertar a fuça desse babaca que está te enchendo.

Não! Você me colocou nesta encrenca. Você é um vampiro. Guarda! Guarda! O vampiro está aqui! Vem ver!

Irritado o grandalhão tenta me acertar mas eu consigo amortecer o soco com o travesseiro.

Você não acha que os meninos vão ouvir você, acha? Ainda mais com o novo amigo de quarto. Quanto tempo vai levar pra ele furar o travesseiro e acertar a sua cara?

Está bem! Então, entra logo!

Quando olhei para a janela ele já não estava mais lá. Em seguida escutei um barulho como se alguém tivesse quebrado um graveto e depois um estrondo, como se um armário tivesse caído. Meu companheiro de cela estava morto. O vampiro segurava o corpo caído e bebia o sangue direto do pescoço da vítima. O cheiro de sangue me fez vomitar de novo.

Estava muito bom! Vamos sair daqui. Ah… Meu nome é Isac e o seu é…

B-B-Beto.

Certo B.B.Beto. Vamos sair sem barulho. Fique atrás de mim.

Ele arrancou a porta da cela e, segurando-a com as mãos, caminhou em direção à saída. Os policiais atiraram, mas a porta era de aço. Pressionou os policiais contra a parede e gritou para que eu saísse correndo sem olhar para trás. Corri para casa, mas sabia que a noite não havia acabado e precisava pensar em uma boa desculpa para não apanhar ainda mais… Eu não resisti à fadiga e tudo ficou escuro.

Acordei sentado na minha poltrona. Olhei ao redor da sala e não havia sinal de ninguém.

Maria!

Pelo barulho que vinha da cozinha, ela parecia nervosa. Talvez procurasse o rolo de macarrão. O cheiro de vômito e bebida era motivo suficiente para ela concluir que eu passara a noite na farra. Foi quando ouvi aquela voz que me gelou.

B.B.Beto?

Isac? O que está fazendo aqui? Eu não o convidei pra entrar.

Sei que não, mas segui o bom senso e pensei: “Meu amigo B.B.Beto vai se encrencar com a esposa. Então vou ajudá-lo e assim ele me perdoará por causa da noite horrorosa”.

A porta da geladeira se abriu e o braço da minha esposa apareceu.

Ops!

Maria? Essa não!

Essa geladeira não fecha direito, B.B. Que porcaria!

Você a matou? Mas que droga! Será que não fica um minuto sem matar alguém?

Olha aí você de novo. Ela quase me matou, sabia? Ficou dizendo que eu era seu amigo e que levava você para o mau caminho, então pegou o rolo de macarrão e veio para cima de mim… E você sabe que isso dói. Então, dei um sopapo nela e pronto.

Droga! Droga! Saia da minha casa! Sai! Sai!

Está bem! Para de empurrar. Você quer um conselho? É melhor vir comigo. A polícia vai gostar dessa geladeira tanto quanto eu. Além disso, daqui a pouco é dia e isso não vai fazer bem para você.

Espera aí! Como é que é?

Bem é que… Achei que você era frágil para continuar essa vidinha moribunda que leva, então…

Pode parar! Não fala nada! Cadê o espelho? Cadê? Oh, não! Cadê meu… Reflexo?

Sabia que você ia gostar. Nem precisa agradecer. Você ficou até mais bonitão com esse terno.

Saia da minha frente.

Não fica assim, não. Olha, conheço uma casa noturna da hora. Lá tem um monte de garotas legais.

Eu vou sozinho.

B.B.! Não vai me deixar entrar no carro? Espera… Mas que cara mal-agradecido.

***

Esse conto poderá ser lido, junto a muitos outros, no livro Adorável Noite de Adriano Siqueira, que pode ser adquirido aqui.

Adorável noite de Adriano Siqueira – lido e comentado

19/09/2011

Adriano Siqueira em pessoa me presenteou com o seu livro, no dia do lançamento de Crônicas de Atlântida de Antonio Luiz M. C. Costa. Prometi-lhe que leria o livro e faria uma resenha no É só outro blogue o que acabou acontecendo só recentemente devido ao volume de leituras profissionais (mas não só) que tenho tido.

Bem, desde então venho me perguntando se devo fazer uma resenha honesta, ou não. Adriano Siqueira é um vampiro notório e, embora bonachão, tem dentes que impõe respeito.

Pensei: “Às favas os dias futuros. Vou dizer o que precisa ser dito, doa a quem doer”.

E foi assim. Peguei o livro numa noite de borrasca, ventos terríveis balançavam as cortinas, relâmpagos cortavam os céus. Abri a primeira página e, após um estrondo ensurdecedor, as luzes se apagaram. Liguei uma lâmpada de emergência, fechei as janelas com pressa e me encolhi num canto do quarto, olhos pregados nos pequenos e inúmeros contos que recheiam o livro.

Li tudo em poucas horas.

Trata-se de uma antologia que chama a atenção pela quantidade infindável de contos. Alguns bem curtos. Todos eles com a marca inconfundível de Adriano Siqueira. Existem vários que estão longe de ser bons, existem muitos que não são bons nem ruins e alguns que se destacam. Um deles publicarei ainda essa semana neste blog.

Apesar disso, gostei muito do livro. Há nele uma carga enorme de despretensão e é justamente essa a sua principal qualidade. Adriano Siqueira é uma figura carismática, amiga. Essas virtudes estão no livro. Ele transpôs para o papel muito do que ele é. E isso nos obriga a uma leitura descompromissada. Como leitor atento e desarmado, recomendo a sua leitura.

Se você conhece Adriano Siqueira, identificará de imediato uma extensão dele em Adorável noite. Se não o conhece, procure-o pelos becos. Tenho certeza de que vai gostar conhecê-lo. Saído de uma das obras de Stephenie Meyer, um dentuço que brilha, e não só durante o dia.

Se estiver interessado no livro, você encontra ele aqui.

O voo de Icarus – Lido e comentado

14/09/2011

Autor: Estevan Lutz
Editora: Novo Século (Selo Novos Talentos da Literatura Brasileira)
Páginas: 239
Edição: 2010

***

Num futuro distante, na cidade marítima de Agartha, a vida do jovem Icarus oscila entre dois vícios: a realidade virtual e uma droga alucinógena denominada Nirvana. Para ver-se livre dos efeitos nocivos dos seus vícios, aceita se submeter a um tratamento inovador.

A inoculação de um medicamento chamado Sinaptek, baseado em nanorobôs que atuam no cérebro, promete pôr um fim aos seus problemas. Mas ao ingerir acidentalmente uma dose de Nirvana (proibida para não prejudicar o tratamento a que se submete), o jovem se vê arremessado numa outra realidade muito distante de todas as que já teve oportunidade de conhecer.

Estevan Lutz conta a história de um homem que se vê projetado para fora do próprio corpo, numa espécie de desdobramento ou viagem astral. A premissa é bastante interessante e possibilita um leque de abordagens: a chance de construir cenários fantásticos, de fazer o protagonista viver situações surreais, de criar conflitos sobrenaturais, de amalgamar real e supra-real numa coisa só.

O autor se esforça nesse sentido e consegue obter resultados satisfatórios nas viagens fantásticas de Icarus, embora tenha se limitado demais diante das inúmeras possibilidades a serem exploradas e na complexidade que poderia acrescentar à trama.

O romance prima pela reflexão, sendo quase todo introspectivo. O jovem Icarus vive questionamentos constantes. O tom muitas vezes filosófico arrasta a trama e deixa claro que se o leitor está em busca de ação, vai perder tempo.

Não há pontos de tensão nem conflitos durante quase toda a narrativa. Cria-se uma perseguição ao final da obra, mas ela termina de forma apática, previsível e decepcionante. O protagonista e os coadjuvantes são rasos, não houve uma preocupação maior em construí-los solidamente. A opção exagerada pela reflexão e pela introversão roubou de O voo de Icarus a possibilidade de desdobrar-se a si mesmo.

A construção empolada prejudicou a leitura. A pompa desnecessária (em contraponto à clareza e a objetividade) dificultou a imersão na narrativa e acrescentou uma superficialidade à obra difícil de ignorar.

***

Exemplos:

“Com os punhos cerrados sobre o balcão, quase investi contra Lourdes por meio do emprego de adjetivos antissociais”.
Pag. 177

Isso tudo pra dizer que quase mandou a Lourdes tomar no rabo.

“Minha reação se restringiu a uma emanação criogênica que chegou a paralisar minha estrutura óssea”.
Pag. 191

E isso tudo pra dizer que estava gelado de medo.

Vários outros exemplos se repetem ao longo da narrativa. Deixou a impressão que os personagens da obra são todos sábios eruditos no púlpito.

***

A leitura sem nuanças nem emoções mais fortes, aliada a linguagem afetada (tentativa fracassada de eruditismo. Não custa repetir que a melhor prosa é a mais simples, não tentem complicar), derrubou qualquer possibilidade de uma avaliação positiva. Mas em se tratando de primeira obra de autor ainda inexperiente, é aconselhável dar alguns descontos.

Os mistérios do mundo negro

24/08/2011

Recebi ontem esse simpático livreto (10,5 x 15 cm – 40 páginas / Edições Hiperespaço) de Miguel Carqueija e Gabriel Coelho. Contém um conto ambientado num distante satélite artificial em órbita de Plutão, chamado Mundo Negro. Leitura rápida que não exige mais que trinta minutos para ser concluída. Uma vidente é chamada para interpretar estranhos e assustadores sonhos que acometem a esposa do administrador do satélite.

Como não podia deixar de ser, forças sobrenaturais surgem para destruir aqueles que se interpõe ao seu caminho. Embora curta, a história é divertida e razoavelmente emocionante.

Trata-se de uma sequência independente de As luzes de Alice, publicado pelo autor em mesmo formato em 2004. Nesse formato ainda foram publicados A âncora dos Argonautas (1999), e A Esfinge Negra (2003). Segundo consta existem só 50 exemplares desse livreto.

Nem faço ideia de como vocês podem obter um para leitura já que não se trata de obra a venda.

Espero que o autor ou o editor se manifestem nesse sentido.

Contos de fadas para adultos?

02/08/2011

Contos de fadas narrados de forma original e adulta são a aposta do mercado editorial

Em sintonia com o crescimento da literatura de fantasia no mundo e com os muitos eventos relacionados ao assunto no País, as editoras iniciam a publicação de literatura com um público-alvo que vem sendo esquecido: o adulto. Na ponta dessa tendência, a Tarja Editorial lança o livro Reino das Névoas – contos de fadas para adultos, da escritora paulistana Camila Fernandes, uma das autoras da coleção Necrópole e participante de várias antologias, como a recente A Fantástica Literatura Queer.

Ganhadora de uma bolsa oferecida pelo ProAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, a obra traz 7 histórias no estilo dos contos de fadas em sua forma original: violenta, quando necessário; bela, quando possível; picante, quando ideal.

O livro, de visual ousado, contém ilustrações da própria autora abrindo cada um dos contos do livro, com novas histórias que brincam com elementos clássicos: príncipes e princesas, feiticeiras, maldições, bosques misteriosos, feras falantes. Trata-se de um livro de contos de fadas que não se autocensuram e, ao mesmo tempo, têm o sabor da moderna ficção fantástica.

A apresentação, do escritor Richard Diegues, dá uma noção da obra: “Gosto de contos de fadas. Todos gostam. São histórias que ouvimos de pessoas queridas, desde tenra infância, com finais felizes, sempre nos transmitindo uma moral que devemos aprender e conservar para os futuros adultos em que nos tornaremos. (…) Crescemos com eles em nossa memória. E, então, chegamos à vida adulta e aprendemos que nem tudo neles é realmente factível na vida real. Enfim, começamos a nos perguntar: o que foi escondido pelos escritores que, ao longo dos tempos, foram adaptando, lapidando e moldando essas lendas para torná-las palatáveis? O que nossos pais esconderam sutilmente de nós enquanto os liam na cabeceira de nossas camas? Agora que somos adultos, procuramos por essas respostas. E aqui, neste livro, elas estão em cada linha (…).”

As ilustrações são um diferencial. “Sempre adorei livros ilustrados. Quero oferecer ao leitor o tipo de obra que eu mesma procuro”, explica a autora. Ela ainda destaca o fio condutor do livro: “o despertar para o mundo adulto e para o autoconhecimento, na forma dos vários perigos que os personagens têm de enfrentar para passar de um estágio a outro na vida. Minha proposta é usar a fantasia para falar da realidade”.

Reino das Névoas é uma ótima pedida para relaxar os olhos e a mente, desviando-se um pouco dessa neblina do politicamente correto que vem encobrindo a literatura nacional nos últimos anos.

Publicação de autor. Não custa nada bater nessa tecla mais uma vez.

25/07/2011

Você que está começando, que tem sonhos, que quer ser escritor, que quer ganhar prestígio e dinheiro (vá sonhando… rs), invista não em uma editora por demanda.

Invista em VOCÊ, primeiro.

Editoras por demanda, editoras que imprimem o seu livro às suas custas, não lhe dedicam a mesma atenção que uma editora tradicional dedicará. Não há nenhum processo editorial que não lhe seja cobrado (e, acredite, cobrarão tudo o que tem direito ou o que se acham no direito de cobrar). Arrancarão os olhos da sua cara e o retorno lhe será muitas vezes frustrante.

Editoras tradicionais pagam para que você publique nelas. Isso as obriga a serem seletivas e exigentes.

Batalhe a si mesmo primeiro. Leia muito, aprimore a prosa, procure leitores beta capacitados ou leitores críticos bons.

Cada centavo gasto com você mesmo pagando a ajuda de leitores críticos, participando de cursos e oficinas, lhe reverterá em quádruplo em relação ao dinheiro gasto com editoras por demanda.

Procure coletâneas que tenham submissões abertas, escreva contos antes de se aventurar nos romances ou nas trilogias. Tenha um blog e publique nele, fique atento ao feedback e saiba separar o joio do trigo. Ignore os elogios e preste muita atenção nas críticas. Aprenda com elas, mesmo com as ferinas.

Participe de eventos voltados à literatura. Faça parte das redes sociais, aproxime-se dos outros escritores, conheça-os, ouça o que eles têm a dizer. Aprenderá muito com eles.

Transformar-se num bom autor exige dedicação. É um trabalho danado. Não se conquista espaços no mercado editorial do dia para a noite.

Antes de se arriscar a mandar um original para uma editora tradicional, certifique-se de que ele é bom, de que está bem escrito, sem erros ortográficos. Esteja certo de que a prosa está bem trabalhada. O mercado de literatura fantástica está passando por uma expansão rápida. Sempre haverá espaço para autores talentosos e cuidadosos.

Não há nada melhor que ser pago para publicar.

Pagar para ser publicado é um recurso último. Aquele que se toma quando todas as alternativas foram experimentadas. Quando você sabe por A + B que seu livro é muito bom. Mas até esse momento chegar, podem se passar meses, anos até.

Controlar a ansiedade e trabalhar a competência é regra.

Capas de “Encontro com Rama”. Qual a melhor?

14/07/2011

Capa da editora inglesa Golancz

Capa da editora americana Ballantine

Capa da editora inglesa Golancz

Já que a postagem anterior trouxe prós e contras em relação a capa que a Aleph fez para a sua edição, aproveito para — agradeço a colaboração do Calife e do Delfin — trazer três capas, duas delas feitas por uma editora americana e a outra inglesa. A terceira ainda vou descobrir quem fez… :)… a atualização no post não deve demorar.

Não sei se podemos comparar capas com apelo subjetivo a capas com apelo objetivo.

De qualquer maneira, manifestem-se e digam qual capa é, para vocês, a melhor.