Posts Tagged ‘Ana Cristina Rodrigues’

Imaginários volume 3 – Lido e comentado

31/08/2010

Foi com enorme prazer que recebi da Draco Editora o terceiro volume da coleção Imaginários. Com a recomendação do Erick “Draco” Santos para ler e comentá-lo com a mais absoluta sinceridade. Claro que fiquei meio ressabiado. Temeroso de que uma avaliação negativa pudesse queimar meu filme na Editora.

O Erick, porém, reafirmou o desejo de uma leitura e de uma avaliação sinceras, como é de praxe ocorrer no É só outro blogue.

Eduardo Spohr, Marcelo Ferlin Assami, Rober Pinheiro, Douglas MCT, Lidia Zuin, Marcelo Galvão, Cirilo S. Lemos, Fernando Santos de Oliveira, Ana Cristina Rodrigues e Fábio Fernandes desfilam seus trabalhos em quase 130 páginas.

Assim como algumas leituras anteriores me fizeram criar categorias como Duplo Eca! e Triplo Eca!, encontrei nas páginas desse livro um conto que me forçou a criar a categoria Duplo Uau! E isso me deixou muito feliz, acreditem. Não há coisa melhor do que ser arrebatado por uma leitura.

Vamos aos contos e aos meus comentários:

1- A torre das almas – Eduardo Spohr

Não conheço o livro de sua autoria A batalha do apocalipse, mas me parece que esse conto percorre o mesmo universo. Guerra de anjos contra anjos, com a ajuda de humanos. O conto tem um bom ritmo e cenas consistentes.

2- Breve relato da ascensão do Papa Alexandre IX – Marcelo Ferlin Assami

Esse conto me criou algumas dificuldades. Numa primeira leitura me senti meio perdido, sem referências. Comentei isso com o Erick e ele me disse que o conto merecia uma segunda leitura. Li novamente. Eu o considero bem escrito, com descrições e algumas imagens que surpreendem, mas senti falta de uma pedra angular que a tornasse mais sólida. Não tenho nada contra narrativas não lineares, desde que eu encontre nelas um fio condutor que me possibilite uma leitura sem dúvidas excessivas. Minha leitura se deu com desconforto. Faltou um contato mais efetivo entre eu e a trama. 

3- As noivas brancas – Rober Pinheiro

Quem tentar comparar o conto dele publicado na coletânea UFO (De amizades e restos de Sol) com esse, vai enxergar um abismo separando-os.

Uma história de resgate numa aventura Space Opera, cheia de ação, descrições elaboradas, cenário e ritmo bons. Muito bem escrito.

4- Bonifrate – Douglas MCT

Demorei um pouco a me adaptar à prosa um tanto quanto sui generis do Douglas (estilo próprio ou ainda procurando um?), mas acabei mergulhando de cabeça numa bela narrativa. FC ou fábula, com direito a Gepetto e Pinochio (figuradamente), a idealizações pré-programadas, lutas e busca por respostas.

5- Dies Irae – Lidia Zuin

Uma história Cyberpunk com bom ritmo e muito bem escrito. Só achei que o cenário e a ambientação são recorrentes, tirando dela qualquer pretensão de originalidade.

6- Vida e morte do último astro pornô da Terra – Marcelo Augusto Galvão

Já havia lido esse conto na comunidade de Ficção Científica do Orkut, em prêmio literário realizado. O Marcelo me disse, no Fantasticon, que acrescentou algumas coisas. Minha opinião não mudou. Continuo achando o conto ótimo.

7- Corre, João, corre – Cirilo S. Lemos

Fui surpreendido por esse conto. Achei-o comovente. Uma belíssima narrativa onde um pai procura defender com unhas e dentes… A alma do filho. Trata-se de uma verdadeira aula de como imprimir emoção num texto. Arrebatador.

8- Uma segunda opinião – Fernando Santos de Oliveira

Estudante traída resolve, com ajuda de uma misteriosa figura, se vingar daqueles que a traíram. Trata-se de uma mistura de Sessão da Tarde, Betty a Feia e horror trash. Trama sem nenhuma novidade; aborrecida. Muito fraco.

9- Maria e a fada – Ana Cristina Rodrigues

Trata-se de um conto belo, com ótima ambientação. Por outro lado, tem o ritmo prejudicado por certa apatia que afasta da história o sentimento. Sem emoção, ele corre num ritmo fluído, mas frio.

10- O primmeiro contacto – Dr. Eleutherio Penna Filho (Fábio Fernandes)

Hipotético conto resgatado do passado (1929) e escrito por autor não satisfatoriamente identificado. Escrito com a grafia original da época, o que a torna especialmente interessante. Guerra dos mundos em realidade alternativa rica em citações, batalhas espaciais e uma tremenda vontade de querer ler mais. Que essa história tenha um prosseguimento. Muito envolvente. 

Nada como um sopro de ar fresco depois de longa imersão nas águas profundas e poluídas de algumas coletâneas de valor discutível. Pela somatória de avaliações eu dou ao Imaginários 3 um , chegando bem perto de um . Parabéns a todos os autores e ao Editor Erick Santos pela excelente organização. A continuar assim, teremos uma coleção primorosa ainda pela frente.

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SpaceBlooks, ciclo de bate-papo sobre ficção científica

03/05/2010

Em meio a ciclos de debates, conferências e palestras, a Blooks Livraria apresenta SpaceBlooks: ciclo de bate-papo sobre ficção científica. Autores e leitores reunidos diante da produção carioca de FC e seu espaço conquistado em meio a um mercado editorial que não pode mais ignorá-la. SpaceBlooks são encontros informais e, por isso mesmo, muito francos, onde colocaremos temas como viagens no tempo, colonização de outros mundos e criaturas pan-dimensionais na frente da prateleira.

Spaceblooks acontecerá em maio na Blooks mesmo (Praia de Botafogo, 316, ali no Cinema Arteplex) e contará com a presença de gente que produz, escreve e gosta de conversar sobre o tema. Confira a agenda e os convidados mais que especiais:

  • Dia 6 de maio, 19h | Cinema e Ficção Científica: o escritor e roteirista Bráulio Tavares, o animadorCésar Coelho, o jornalista do Globo Rodrigo Fonseca e o jornalista Eduardo Souza Lima, o Zé José.
  • Dia 13 de maio, 19h |Ficção científica na Internet: Os escritores Fábio FernandesAna Cristina Rodrigues Saint-Clair Stockler expõem seus sucessos e vitórias nesse território de bravos.
  • Dia 20 de maio, 19h |Steampunk:  o escritor e editor Gérson Lodi-Ribeiro, o ilustrador Alexandre Lancaster e o multimidiático Fausto Fawcett falam sobre suas visões de passado na última mesa da noite.

A curadoria do evento é do escritor Octávio AragãoToinho Castro, este que vos fala.  Então o convite está feito e contamos com a presença de leitores e escritores de ficção científica, ou gêneros afins, além de pessoas interessadas em literatura em geral. Curiosos são bem-vindos, e também os clientes da Blooks Livraria que por acaso estejam ali na hora dos encontros.

Repeti, aí em cima, a divulgação original da Blooks Livraria de 13 de abril desse ano. Fiquei sabendo só hoje sobre esses eventos. Sinal que ando mal informado…rs… de qualquer forma parecem ser programas imperdíveis, pelos assuntos e pelos convidados que são experts.

Quem for do Rio, aproveite. Não são eventos que se perdem de bobeira.

2011 vai ter oba-oba?

09/03/2010

A iniciativa da Ana Cristina Rodrigues, em organizar um prêmio para os melhores de 2009 nos mostra o quando nos falta uma premiação semelhante. Não conheço a época em que o Marcelo Branco organizou os prêmios Nova, Tapiraí e Argos. Provavelmente, no período, eu estava mergulhado numa profunda inconsciência literária (coisa que só despertou efetivamente uns seis anos atrás, mesmo assim não me considero ainda convenientemente desperto).

Podem argumentar que, embora o ritmo de publicações seja grande, a qualidade ainda precise se provar. Que, nessa circunstância, poucos autores terão condição de pleitear os louros.

Mas esperar pelo quê? O bonde da história pode passar. Um prêmio ajuda a todos. Ao autor e à Editora. Estimula a busca pela excelência e é um ótimo argumento de venda, sempre.

Assim, em 2011 é impreterível que uma segunda edição do prêmio, melhorada, seja feita. A Ana afirma categoricamente que não faz mais. Caso ela mantenha essa firmeza de propósito, teremos que achar quem organize.

Vela e reza, sempre ajudam. Uma corrente de orações pedindo uma luz para a Ana, quem sabe? Sabemos que ela é o melhor nome. Além de escritora, promotora cultural, com certeza.

E antes que me acusem de criticar e não ajudar, ofereço meu nome como co-organizador.

Aplausos para o Prêmio melhores do ano – 2010

03/03/2010

Muito se falou sobre a possibilidade de criarem um concurso ou prêmio literário com o intuito de premiar trabalhos publicados em anos anteriores. Várias vozes, todas elas defendendo um projeto semelhante, mas ninguém tomando a frente, arregaçando as mangas e botando o blá-blá-blá de lado para agir.

Bem, a Ana Cristina Rodrigues arregaçou as mangas. Não tem nome especial, além de “Prêmio melhores do ano – 2010”, mas é a demonstração de que querer é poder. Eu espero, muito, que esse “querer” se perpetue pelos anos vindouros, seja pelas mãos da Ana, seja pelas mãos de outra pessoa ou entidade e esse prêmio se profissionalize, nos oferecendo uma legitimidade que até então não vínhamos tendo.

Nossa literatura fantástica, que vem crescendo a olhos vistos – pelo menos quantitativamente, ainda não podemos mensurar direito esse crescimento em níveis qualitativos – precisava de alguma coisa assim para dar-lhe um rumo e construir uma base sólida, capaz de dar a Cesar o que é de Cesar.

Essa iniciativa que premia as categorias de Romances / Novelas, Antologias de autor, Coletâneas, Contos, Não-ficção, Revista / Zines, Ebooks, Ezines, Site de contos, Sites informativos / Resenhas, Resenhistas / Colunistas / Comentaristas, Editores / Organizadores, Editoras e Capa, deve ser aplaudida.

Espero também que cada voto seja pautado pelo senso crítico, pela honestidade, e não pelo bairrismo, coleguismo, panelismo ou puxa-saquismo, como é comum ver em votações “populares”, sem um corpo de jurados pré-definido (Opa! Mudanças recentes nas regras visam coibir essa prática, mais um ponto a favor da organizadora).

“Modo Publisher on”

Estou lá na categoria Resenhistas/Colunistas/Comentaristas. Lembrem-se de mim.

“Modo Publisher off”

“Modo mi-mi-mi on”

Gostaria de estar também na de Sites informativos/Resenhas, mas a Ana ponderou que o É só outro Blogue não é um espaço de divulgação literária, embora 119 de suas 138 postagens tenham sido especificamente sobre literatura de gênero. Fazer o quê, né? Torço para que no ano que vem esse equívoco seja corrigido.

“Modo mi-mi-mi off”

Anacrônicas passado a limpo

02/08/2009

anacronicas1

Terminei há pouco o livro escrito pela Ana Cristina Rodrigues. Vinte e um contos distribuídos por 90 páginas.

Há duas maneiras de encarar essa leitura: a primeira levando em consideração que a autora escreveu o livro sem maiores pretensões. A segunda, aventando a hipótese de que ela esperava com a obra resultados literários mais profundos.

Na primeira hipótese, uma leitura crítica e idônea determinará que a somatória dos contos formam uma estrutura simpática, de leitura amena, porém dificultada por obstáculos de construção.

Na segunda, a mesma leitura crítica condenará o conjunto pela somatória de problemas estruturais, gramáticos, ortográficos e condução narrativa.

Não sei qual das duas devo considerar.

Gostei de alguns contos, como É tarde, Vida na estante (simples, mas legal), Viagem à terra das ilusões perdidas e A casa do escudo azul, cujo cenário me transportou e onde o final surpreendente me fez sorrir. Mas há outros que parecem ter sido retirados da agenda de uma adolescente; são piegas e ingênuos.

Uma revisão realmente criteriosa e leitores beta chatíssimos (não foram o suficiente) teriam dado a esse pequeno livro um empurrão enorme e o transformado numa leitura prazerosa.

Mas é esse o caminho da evolução. Passamos todos por ele, sem exceções. O segundo certamente não apresentará os mesmos problemas e o resultado será muito mais positivo. Vamos aguardar.