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Brinquedos Mortais e outros assuntos.

27/02/2012

Novos projetos

Estive afastado de meu blog por um longo período. Desde a última postagem, pouco mais de dois meses de ausência. Encontrava-me em mergulho profundo num novo romance de ficção científica; tão mergulhado que ignorei várias submissões cujas deadlines estavam dentro ou perigosamente próximas do horizonte de eventos de meu romance. Esse projeto me absorveu por completo. Passou pelas mãos hábeis de três leitores beta e ainda está nas mãos de mais dois. Depois deles, entregarei o romance a um sexto leitor, cujo nome não defini (aceito sugestões e solicitações). Ainda não fechei com nenhuma editora. Não tenho pressa.

Comecei paralelamente um novo romance, esse de Fantasia. Não é comum escrever um seguido do outro; geralmente me dou alguns meses de intervalo. Uma espécie de período de desintoxicação. Mas a ideia brotou com força e pediu para ser colocada no papel. Não devo afrontar a musa. Quem é escritor, sabe o que estou dizendo.

Coletâneas

Embora tenha me afastado das submissões, fui convidado para algumas coletâneas e os contos que produzi foram em data anterior ao “mergulho” (com exceção de um deles para o qual já estava comprometido. Sinto um pouco que o resultado do conto, escrito meio que sob pressão, não tenha sido inteiramente do meu agrado). Assim, em 2012 estarei presente em pelo menos 6 coletâneas. Cinco delas como convidado e noutra como organizador, o que me leva a outra questão:

Brinquedos Mortais

Os autores aprovados nessa coletânea devem ficar tranquilos. O processo de publicação vai de vento em popa e não deve demorar a divulgarmos a capa definitiva (o trabalho de elaboração está em andamento e os rascunhos entusiasmam). Logo, logo teremos uma excelente seleção de contos numa obra que reúne os melhores nomes da FC nacional.

Leituras

Enquanto escrevo um romance, não leio. Sempre fui assim. Então estou sem ler livros desde setembro. Faço leituras esporádicas de revistas, jornais, panfletos, rótulos de xampu. Estou com uma revista Piauí nas mãos há duas semanas e só li até agora uma matéria. Estou na entressafra e não sei quando vou abrir as páginas de um livro novamente (talvez demore mesmo… devo receber meu Kindle Fire nessa semana :)).

E por enquanto, é isso.

O melhor da FC brasileira em seu segundo volume.

24/02/2010

Quando o livro Os melhores contos brasileiros de ficção científica foi lançado, não faltaram críticas à seleção de contos. Agora fica claro para todos, detratores ou não, que se trata de uma série que não se restringirá a apenas dois volumes.

Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras, livro que dá prosseguimento ao projeto da editora de resgate de contos importantes do passado, iniciado com Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (2008), um dos sucessos do selo Pulsar.

Este segundo volume traz 14 histórias, por Lima Barreto, Berilo Neves, Afonso Schmidt, André Carneiro, Domingos Carvalho da Silva, Jerônymo Monteiro, Rubens Teixeira Scavone, Lygia Fagundes Telles, Marien Calixte, Jorge Luiz Calife, Braulio Tavares (com um conto ganhador do Prêmio Nova), Ivan Carlos Regina, Cid Fernandez e Leonardo Nahoum. A seleção acentua os encontros – dentro do conceito do “fronteiriço” – da ficção científica com outras formas de literatura de gênero (como o horror ou a fantasia), e com a alta literatura.

Variada, a antologia oferece contos muito diversificados em tom, tema e estilo, de narrativas apocalípticas a ficção religiosa, histórias de revolta da natureza, de opressão totalitária, guerras e mistérios espaciais, e visitas alienígenas à Terra.

Com capa de Vagner Vargas e 186 páginas, custa apenas R$ 21,95.

Comprar é importantíssimo para manter a FC Nacional em constante evidência. E não só por isso, mas também pela oportunidade de ter em mãos uma coleção de bons contos. E o preço, vamos ser justos… é beeem camarada.

Em qualquer livraria perto da sua casa.

2010 será memorável.

21/01/2010

2010 começa em grande estilo. Para muitos começou no dia 1. Para mim, começa agora, que é quando arregaço as mangas e volto ao trabalho. Diferente de muitos, é quando estou trabalhando que tenho mais tempo para me dedicar à literatura. De férias acabo tão assoberbado de tarefas que pouco ou nada me resta para dedicar à leitura e à escrita. Que dirá para abordar isso em meu blog.

E para começar, porque não falar sobre a editora que está bombando no mercado, com lançamentos seguidos e promessas futuras de tirar o fôlego?

A Draco vem colecionando autores e obras numa sucessão incrível. Espero que isso continue e que o retorno em vendas a ajude nessa tarefa.

Assim, anuncio uma lista de lançamentos para publicação nesse ano. Alguns vocês já conhecem, mas outros só conhecerão agora:

1- As coletâneas Imaginários 3 e 4, organizadas por Erick Santos;

2- A coletânea Vaporpunk, organizado por Gerson Lodi e Luis Filipe Silva;

3- O romance Xochiquetzal de Gerson Lodi, que lançará ainda esse ano, pela editora, o romance de FC hard A guardiã da memória;

4- O romance A guerra justa de Carlos Orsi;

5- A novela Selva Brasil de Roberto de Sousa Causo;

6- O romance Annabel & Sarah, de Jim Anotsu;

7- O romance fix-up Neon Azul de Eric Novello;

8- O romance O castelo das águias de Ana Lúcia Merege;

9- O romance O baronato de Shoah de José Roberto Vieira

10- O romance O desejo de Lilith de Ademir Pascale;

11- Um romance de Estevão Ribeiro, cujo título me foi solicitado segredo;

12- A coletânea Gastronomia Phantastica, organizada por Ana Cristina Rodrigues;

13- A coletânea Brinquedos Mortais, organizada por Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz;

14- A coletânea O grande livro da magia, organizado por Janaína A. Corral;

15- Uma antologia de Antonio Luiz M. C. Costa, Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos;

16- At last, but not least Dias estranhos, antologia de Saint-Clair Stockler.

Existem ainda outros projetos, vários deles, que poderão, ou não, estourar ainda nesse ano. Em todos eles, a marca da editora que veio com força para firmar sua presença no mercado editorial. Nunca tantos lançamentos foram feitos por uma só editora e em tão pouco tempo.

Longa vida à Draco!

Do blogue para o papel, sem escalas.

14/09/2009

Maquina de escrever portátil

Lembro-me quando amontoava escritos em minhas gavetas. Passava quase todas as horas disponíveis do dia e parte da noite escrevendo numa máquina de escrever portátil. Foram centenas de contos. Todos eles perdidos em muitas mudanças, vencidos pela umidade. Iam se desfazendo, os grampos enferrujando e fazendo marcas no papel.

Eu os olhava e me orgulhava da produção constante. Tinha todas as histórias de cor, podia contá-las, uma a uma, para qualquer um que quisesse ouvir só um pouquinho das maravilhas que me passavam pela cabeça.

Mas era tudo papel. E papel se perde. O tempo trata de destruir documentos, principalmente quando não nos esforçamos devidamente para mantê-los.

Hoje as coisas mudaram. Mantenho arquivos de documentos em diversos espaços virtuais, fora o pendrive. Não acumulo mais papel. Nem eu nem mais ninguém.

Hoje também está fácil exibir o que escrevemos. Basta postar numa revista virtual, num blogue literário, num blogue ou site pessoal. E não há coisa que mais abunde que blogues e sites dessa natureza. Para todos os gostos. E todos os blogueiros resolveram que tem muito que contar. E contam tudo o que lhes passa pela cabeça. Inundam suas páginas virtuais com detalhes comezinhos de suas vidas, de suas aspirações, de seus desejos mais secretos (que, paradoxalmente, deixam de se secretos).

Muitos, nesse afã de escrever, decidiram: somos escritores.

Assim, surgem da noite para o dia, todos os dias, milhares de “novos escritores”. Desfilando textos de todas as espécies, escritos em bom português ou não. Bem escritos ou mal escritos. Apenas escritos. E a eles isso parece bom. E dizem que é bom. E pedem aos amigos que visitem o blogue e comentem. Pedem que elogiem, porque elogio é tudo o que procuram. Querem que o mundo veja o que eles já descobriram há tempos: que são escritores. E talentosos. E escreverão histórias que revolucionarão a literatura mundial. Todos eles. Um revolucionário por segundo, revolucionando o universo.

Houve tempo em que olhava para meus escritos e me perguntava o que faria com eles. Relia-os, reescrevia-os e voltava a guardá-los.

Hoje a virtualidade aceita tudo, engole tudo, guarda tudo. Com a vantagem de permitir que outras centenas ou milhares de pessoas compartilhem os escritos. Não há o conformismo de se saber não-lido. Eu era, em tempos idos, um não-lido. A família não contava. Os pouquíssimos amigos de fato, não contavam.

Há escritores de blogue, escritores de Twitter (mestres da síncope e da apócope), escritores de todos os tipos. Banalizou-se a figura do escritor, embora o ser-escritor ainda exija um currículo que englobe mais que publicações virtuais.

Aí é que entra o aval da celulose. Ainda precisamos retornar ao papel apesar de todo o aparato científico. E essa massa ignara de “escritores de blogue” vai, pouco a pouco, procurando, famélica, uma antologia ou coletânea para figurar. Uma forma de validar seus esforços virtuais, dando-lhes forma, o preto no branco, nas páginas de uma coletânea.

É aí que tombam os fracos. É daí que surgem os fortes. E é daí que sobrevivem muitas das editoras e dos organizadores de coletâneas e antologias por atacado, que vampirizam os incautos “autores” (parafraseando a Ana Cristina Rodrigues).

Trata-se de um mercado imenso, formado por jovens ansiosos em se tornar escritores de fato e não apenas de direito, por um direito discutível que a virtualidade lhes concede. Porque acreditam que o livro impresso lhes garante reconhecimento. Que a partir do momento em que o tiverem em mãos, a preço de ouro, serão vistos e respeitados.

Ocorre uma desvalorização de talento sem precedentes. Encaramos um autor novo com desconfiança. Não há mais o lastro que o mercado fechadíssimo oferecia antes aos poucos que conseguiam conquistá-lo. Porque antigamente a conquista de espaço era decidida pelo talento, pela capacidade e pela força inata que o escritor (esse de fato e de direito) possuía (muitas vezes o QI também ajudava como ajuda agora). Não havia editoras por demanda, nem antologias por baciada para, pagando, ter um escrito imortalizado em papel impresso.

Não critico todos os blogues nem todos os blogueiros. Se por um lado esse fenômeno fez surgir “escritores” à mão cheia, por outro fez também com que muitos deitassem de lado sua timidez e passassem a se comunicar com o mundo de uma forma indireta, mas também válida. A comunicação evolui, precisamos evoluir com ela.

Porém, aqueles que anseiam por reconhecimento público se esfregam uns nos outros como salmões que sobem a correnteza para a desova. Esses escritores de blogue buscam as editoras de coletâneas inscientes de que o que os aguarda – a quase todos – ao fim da jornada (ou até antes dela), é o definhar literário.

*Adendo referente ao artigo publicado em 09 de setembro de 2009 (Um esparrame de coletâneas. Nelas se alimentam os rodapés): A Editora Saída de Emergência (Pulp Ficcion à Portuguesa) a Editora Terracota e a Tarja Editorial não são editoras de coletâneas e antologias pagas. Atuam em seus mercados como casas publicadoras tradicionais. Por outro lado, esqueci-me de citar a All Print Editora como uma das que elaboram coletâneas pagas. Fica a correção.