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Mercado editorial. Big Crunch previsível.

19/01/2011

Quando publiquei meu primeiro livro (Síndrome de Cérbero) não havia, nos meus parcos conhecimentos da época, uma editora (fora a Devir) preocupada em lançamentos de autores brasileiros de gênero. Todas as outras publicavam o gênero esporadicamente, ou disfarçados para não parecerem FC ou de autores consagrados lá fora (ou ambas as coisas juntas).

Pouco a pouco foram surgindo pequenas editoras, provocando uma espécie de Big Bang editorial que vem se expandindo até agora. Acho muito curioso e significativo que surjam a cada dia novos selos, novos editores, novos organizadores. Sinal claro de que essa expansão continua a todo vapor.

Mas será que temos mercado para o boom de publicações que está se verificando?

Enquanto se amplia o mercado editorial, o de leitores continua estagnado. Ora, podemos argumentar que mesmo assim temos leitores suficientes para suprir a demanda e que há nichos suficientes para satisfazer as necessidades das editoras. Mas as editoras de ocasião (e organizadores oportunistas também) pululam, surgindo umas após as outras, num ritmo espantoso. É de se supor que viveremos uma saturação próxima.

Existem autores suficientes para suprir a necessidade de qualidade?

Sim, eles existem.

Por outro lado, é grande a quantidade de coletâneas que vão pipocando aqui e ali. A maioria delas sem uma atuação rigorosa dos seus organizadores, mais preocupados no cumprimento de prazos e na automassagem do ego do que em selecionar trabalhos de primeiro nível (alguns autores acabam se salvando nessas sopas ralas). As autopublicações também não ajudam nesse sentido, trazendo mais porcarias ao mercado que obras surpreendentes (não as condeno, porém. Para alguns não sobra alternativa). Salvam-se (quase sempre) as obras que passam obrigatoriamente pelas mãos de um editor, figura essencial nesse mercado. E é nas mãos de poucos editores competentes, dedicados e comprometidos que veremos o mercado sobreviver.

Acredito que esse Big Bang editorial acabará sofrendo uma estagnação súbita em algum momento de sua expansão e a contração que advirá será inevitável. Sobreviverão apenas as casas editoriais sérias, os organizadores empenhados com qualidade (e não com o oba-oba, próprio do meio) e os autores mais preparados tecnicamente. Os demais ficarão perdidos na areia do tempo, esquecidos.

De qualquer forma, agradeçamos. São os autores ruins que ajudam a destacar os bons. São as editoras de ocasião que ressaltam as sérias e são os organizadores oportunistas que engrandecem o trabalho dos sérios e compromissados.

Confirmando o ditado popular, nosso mercado editorial é uma balança onde pesos e medidas nem sempre estão de acordo. Mas não sei dizer até onde isso é ruim.


Pedro Moreno

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