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Caminhos do Fantástico – Lido e comentado.

10/10/2012

A coletânea nasceu do Concurso Literário Caminhos do Fantástico, promovido e organizado pela Editora Terracota e a organização do Fantasticon (Simpósio de Literatura Fantástica) e pretende ser anual. Tem o fantástico como temática e pretende mostrar como os autores (estreantes ou não) pensam a literatura fantástica no Brasil.

Quando terminei a leitura tive que admitir que fazia tempo não encontrava uma seleção de contos tão boa, tão regular. Quinze autores selecionados pelos organizadores (Claudio Brites e Silvio Alexandre) num concurso com regras rigorosas e que prometia desclassificar trabalhos diante da menor falta.

Tive um conto selecionado — Recomeços —, o que me enche de orgulho. Muito bom fazer parte de um time de feras que, mesmo com nomes pouco conhecidos, mostraram que tem talento de sobra.

Não pretendia fazer avaliações, nem leituras comentadas, já que tento não resenhar livros onde figuram trabalhos meus. Pode acabar sobrando algum cabotinismo, posso acabar sendo condescendente.

Mas não resisti.

Não pretendo comentar todos, só os que me causaram mais admiração e explicar os que me causaram menos.

Antes das avaliações, os autores: Alexandre Mandarino, Ana Lúcia Merege, Antonio Borgia, Bruna Dantas Lobato, Carlos Angelo, Cícero Leitão, Cristina Faga, Elisa Celino, F. Medina, Gilberto Garcia da Silva, Ícaro França, Leandra Lambert, Léo Nogueira, Luis Roberto Amábile, Marcelo Augusto Galvão, Marcelo Bighetti, Marta Rolim, Tibor Moricz.

Hiriburu de Alexandre Mandarino. História fascinante. Mandarino mandou muito bem, transmitiu estranheza e perturbação numa narrativa que põe em questão a relação homem/cidade. Como você reagiria se tudo o que você conhecesse da cidade onde mora, começasse a mudar, a se transformar de uma hora para outra? Se as ruas, os bairros, as casas e prédios ganhassem novas cores, dimensões, histórias? Se você, no meio de tudo isso, tivesse a própria história alterada?

Idolatria de Antonio Borgia. O que um pai desesperado pela morte do filho é capaz de fazer? Bom conto de terror. O autor é competente em traduzir o desespero do protagonista na busca da alma do filho ou da fagulha de vida que poderá trazê-lo do mundo dos mortos. E competente em mostrar os resultados aterradores dessa tentativa insana.

Um dia na vida do Senador Antonio Ribeiro de Ícaro França. Narrativa circular que demonstra que, na política, jogos de bastidores e argumentos retóricos são sempre os mesmos seja em que tempo ou realidade for. França nos conduz de Brasília às estrelas e depois aos primórdios da civilização (de alguma civilização).

A décima oitava vertigem de Leandra Lambert. Cenário alienígena rico e fascinante. A busca pelo prazer elevada à última vertigem.

Seu nome é mãe de Marta Rolim. Narrativa dramática que fala das relações tensas e tempestuosas entre mãe, filho e pai. Abordagem crua e realista, não parece resvalar no fantástico. Boa prosa, boa condução e bom final.

Tiradentes de Carlos Angelo. A história mais curta do livro. Mas não confundam isso com pouca profundidade ou abordagem rala. Cenário distópico onde apenas um ser humano sobreviveu. Sua busca por artefatos sagrados da humanidade leva a um final inesperado. Curto e surpreendente.

Agora citarei os trabalhos que não me agradaram. São apenas dois.

O primeiro deles:

Retratos de Bruna Dantas Lobato. Pelo que entendi, a autora conduz a narrativa pelo único ponto de vista da protagonista: um retrato (ela, um retrato). Todos os retratados são retratos que conduzem a lembranças antigas e esfumaçadas. O texto não consegue transmitir isso com clareza e deixa muitos vazios de entendimento pelo caminho. Trata-se de uma experiência estilística que peca pela prosa frágil. Serve como alerta: ao realizar exercícios de estilo, tenha em mente que sua prosa precisa ser afiada, senão esses exercícios vão ser mal sucedidos.

O segundo é:

O legado Troll de Francisco Medina. Preparo quase um capítulo a parte para falar desse conto. Surpreendeu-me vê-lo em destaque, abrindo a coletânea. Sabemos que é praxe deixar os considerados melhores trabalhos para abrir e fechar seleções. Mas O legado Troll está longe de ser o melhor trabalho do livro. Está longe sequer de competir com qualquer um deles. Trata-se de uma narrativa que faz parte de um universo maior. Quem não conhecer esse universo, vai boiar. A trama é confusa, a ação é fraca, destituída de emoção. Os personagens são planos demais, as motivações mal explicadas e a prosa muito frágil e repleta de pequenos vícios. Para completar, nos brinda com um final inteiramente aberto. Para entender a presença do conto na abertura da coletânea precisamos recorrer ao fato de que além dos quinze trabalhos rigorosamente selecionados, outros três foram convidados e encaixados a posteriori. Mas crer que preferências pessoais de um ou outro organizador poderiam macular uma iniciativa tão séria é o mesmo que crer que ambos os organizadores não levaram essa coletânea tão a sério quanto deveriam.

Fora isso, Caminhos do Fantástico mostrou que é possível (apesar da perplexidade provocada pelo tropeço inexplicado) montar coletâneas de muito bom nível.

Caminhos do Fantástico – Volume 1

Editora: Terracota
Organizadores: Claudio Brites e Silvio Alexandre
Gênero: Literatura Fantástica
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 228

Bruce Sterling e Roberto de Sousa Causo, juntos.

25/11/2010

Título: Duplo Cyberpunk: O Consertador de Bicicletas/Vale-Tudo
Autores: Bruce Sterling/Roberto de Sousa Causo
Capa: Benson Chin
Número de páginas: 128
Formato: 9 x 15 cm
Editora: Devir Livraria – selo Asas do Vento
ISBN: 978-85-7532-455-5
Preço: R$ 15,90

Duas narrativas ousadas mas bem-humoradas sobre a vida nas ruas de grandes metrópoles do futuro próximo. Explorando a tecnologia da informação e a interface entre o homem e a máquina, a ficção científica cyberpunk tem estado na dianteira do gênero desde a década de 1980, e tem como principais expoentes Bruce Sterling e William Gibson.

As Histórias

O Consertador de Bicicletas (“Bicycle Repairman”), de Bruce Sterling. Nesta novela vencedora do Prêmio Hugo 1997, Sterling coloca Lyle Schweik, um simples consertador de bicicletas, no centro de uma intriga internacional envolvendo comunidades anarquistas, personalidades cibernéticas e contrabando de sistemas secretos. Bruce Sterling é autor do romance Tempo Fechado, também lançado pela Devir. “Bicycle Repairman” foi traduzida por Carlos Angelo.

“O Robin Hood dos foras-da-lei eletrônicos… Ninguém escreve melhor sobre o fato de que o fantasma na máquina somos nós.”
The Times

Vale-Tudo, de Roberto de Sousa Causo. Uma noveleta que descreve a visita da jornalista americana Jareen Jackson a um Brasil caótico, onde ela se depara com bizarros reality shows e um grupo de resistência social que tenta expor a verdade sobre o devastador acidente nuclear que mudou o país.

“Talvez um dos melhores autores da ficção científica brasileira da atualidade.”
—Ronaldo Bressane, Brasil Econômico

Os Autores

Bruce Sterling nasceu no Texas mas vive hoje na Itália. Começou a publicar ficção científica em fins da década de 1970, e durante os anos oitenta se tornou o principal promotor daquilo que ficou conhecido como o Movimento Cyberpunk, uma revolução dentro da ficção científica. Sterling, que organizou a primeira antologia cyberpunk, Reflexos do Futuro (Mirrorshades), ganhou o Prêmio John W. Campbell com o romance Piratas de Dados (Islands in the Net). Sterling recebeu também o Prêmio Hugo de 1997 com a noveleta “O Consertador de Bicicleta” e o Hugo 1999 com “Taklamakan”, outra noveleta. Distraction (1999), um romance, recebeu o Arthur C. Clarke Award 2000. Com William Gibson, escreveu The Difference Engine (1991), ajudando a sedimentar um novo subgênero para a ficção científica — o steampunk, muito em voga na atualidade. É editor contribuinte da revista Wired, e escreve um weblog. Durante 2005, foi o “Visionário Residente” junto ao Art Center College of Design em Pasadena, Califórnia. Em 2008, foi o Curador Convidado do Festival Share de Arte e Cultura Digital Art em Turim, Itália, e o Visionário Residente junto ao Sandberg Instituut em Amsterdã. Já apareceu nos programas Nightline da ABC, The Late Show da BBC, Morningside da CBC, na MTV e na TechTV, e em revistas e jornais como Time, Newsweek, The Wall Street Journal, o New York Times, Fortune, Nature, I.D., Metropolis, Technology Review, Der Spiegel, La Republica, e muitos outros veículos.

Roberto de Sousa Causo é autor dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006) e Anjo de Dor (2009), ambos pela Devir, e da novela Selva Brasil (2010). É também organizador das antologias Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (2008) e Rumo à Fantasia (2009), entre outras. Já contribuiu com o Jornal da Tarde, o Jornal do Brasil e a Gazetta Mercantil, e com as revistas Cult e Ciência Hoje, e é autor do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil: 1875 a 1950. Causo mantém desde 2005 uma coluna sobre ficção científica no Terra Magazine, a revista eletrônica do Portal Terra. É vencedor dos concursos III Festival Universitário de Literatura e Projeto Nascente 11 (melhor texto).

Sobre o selo Asas do Vento: A Devir entra no mercado dos livros de bolso com uma linha de livros de fantasia, horror, ficção científica e aventura, publicando, em combinações surpreendentes, o melhor dos autores nacionais e estrangeiros. Uma parte importante do trabalho de edição é encontrar um formato para se publicar textos ou histórias que o editor acredita ser relevante e merecedor de publicação.

A literatura fantástica está repleta de histórias curtas de grande qualidade que não encontrávamos uma maneira adequada de publicar. A coleção Asas do Vento vem justamente preencher essa lacuna. Ela é uma série de livros de bolso de acabamento primoroso, que visa publicar histórias mais curtas (contos, novelas, noveletas) que se destacam mas que normalmente acabam esquecidas por não terem tamanho suficiente para ocupar um livro de tamanho normal ou encontram espaço apenas em revistas ou antologias.

Com alta portabilidade, ao contrário da maioria das edições de bolso no Brasil, os livros da Asas do Vento realmente cabem no bolso (e nas bolsas). Com capa semi-rígida, também possuem maior durabilidade. Livros para desfrutar e colecionar.

Os livros da Asas do Vento estarão disponíveis em livrarias e bancas selecionadas.

“Bruce Sterling no Brasil: Um dos lançadores do Movimento Cyberpunk e autor de Tempo Fechado e Piratas de Dados, o americano Bruce Sterling estará em São Paulo entre os dias 2 e 7 de dezembro de 2010. Em promoção das editoras Devir e Terracota, e da Universidade Cruzeiro do Sul, Sterling estará ministrando oficinas dentro do I Encontro Extensão para o Futuro – informações em http://terracotaeditora.com.br/?p=648 -, e fará sessão de autógrafos na FNAC Paulista (Av. Paulista N.º 901, Bela Vista, São Paulo-SP, perto do da Estação Brigadeiro do Metrô), no dia 6 de dezembro, das 18h30 às 21h30.”