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A Fantasia brasileira vai bem, obrigado. Mas e a FC, como está?

30/01/2013

Capas Livros FC e Fantasia

A discussão FC x Fantasia não é nova, mas é sempre produtiva. O que vemos hoje no Brasil é uma quantidade de publicações de livros de Fantasia que ultrapassa a de Ficção Científica em muito (10 para 4, segundo estatísticas que me foram fornecidas por Cesar Silva, editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica).

Mas, onde está a questão?

Parece-nos bastante óbvio que seja assim. Afinal, obras de Fantasia são mais assimiláveis. Não obrigam o leitor a acompanhar — via de regra — longas e exaustivas explicações científicas, nem a ter conhecimento — mesmo que básico — de nada que se aproxime de tecnologia e ciência. Leis simples como as da gravidade são comumente desafiadas e vencidas. Nossos autores fazem com que todos os grandes obstáculos sejam suplantados com abracadabras, com pitadas de pó de pirlinpinpin, efeitos sobrenaturais inexplicáveis ou poções e encantamentos diversos. Gestos grandiloquentes fazem surgir tempestades, piscar de olhos movem montanhas.

Vilões e mocinhos se enfrentam numa tempestade coruscante de efeitos especiais, transformam e transmutam com uma sem-cerimônia tão banal quanto encantadora. E os personagens secundários, humanóides ou não, sucumbem diante de tantos poderes, arrasados, fragmentados, pulverizados.

Não temos no Brasil autores como Susanna Clarke, Ursula K. Le Guin, Fritz Leiber ou Patrick Rothfuss. Boa parte de nossos esforçados autores de Fantasia estão muito mais para J.K. Rowlings recauchutadas ou J.R.R. Tolkiens de calças curtas, exceção feita a poucos e talentosos autores que conseguiram fugir do lugar comum e desenvolver universos próprios. Infestam as imitações mal feitas, as poucas tentativas pífias de encontrar um estilo próprio, um cenário divergente e original (porque é muito mais fácil copiar o que já está consagrado).

Não há ciência nas histórias de fantasia (deixo de lado a fantasia científica, mas mesmo ela dialoga pouco com a verossimilhança). Há apenas uma imaginação profusa que não explica, apenas apresenta mirabolâncias.

A Fantasia traz à tona o nosso lado lúdico, nos faz retornar à infância, aos sonhos, às nossas íntimas fantasias pueris, quando nos imaginávamos repletos de poder. Nossa visão do mundo era mágica, o mundo nos parecia mágico. A FC é o contraponto a essa visão. Ela nos obriga a fincar os pés no chão, nos mostra que o mundo é físico e obedece a leis imutáveis. A FC nos rouba muito de nosso senso lúdico, nos esfrega a cara no chão. Obriga-nos a “despertar” para a realidade e para todas as responsabilidades decorrentes disso.

Será essa a razão porque a nossa literatura de Fantasia leva grande vantagem em relação à FC? Ou é mesmo porque não temos uma cultura tecnológica, de grandes descobertas e viagens espaciais?

Afinal é essa a explicação recorrente. Somos um país sem cultura científica. Nunca fizemos grandes descobertas, nossos melhores foguetes são os da Caramuru, nossos cientistas, os melhores, vão embora do país em busca de melhores condições de trabalho e em busca de reconhecimento.

Então, por que, afinal, histórias de Ficção Científica deveriam ser populares, não é mesmo?

Se formos falar de outras mídias, veremos que a FC vai muito bem nos HQs, nos games, no cinema e na TV. Filmes e séries desse gênero bombam e alcançam bilheterias expressivas e telespectadores apaixonados. São vários os lançamentos (inclusive brasileiros) disputando espaço nas salas de exibição.

Mas em quê a literatura de FC ganha com isso? Como nossos autores são beneficiados com o boom da FC nas outras mídias? A FC continua não sendo lida. Continua não sendo prestigiada, continua sofrendo o preconceito das casas editoriais (e de muitos leitores que a consideram um gênero “chato”) que parecem esperar que um de nossos autores (sem patrocínio, nem apoio de nenhuma editora significativa) consiga vencer as dificuldades de mercado e explodir em vendas (melhor ainda se tiver o livro transformado em filme).

Só esse chamado “boi de piranha” conseguiria superar o “dar de ombros” das principais casas editoriais e, enfim, fazer a FC brasileira ser vista com olhos mais condescendentes (porque a FC estrangeira é normalmente publicada aqui com rótulos diferentes que tentam disfarçá-la)?

Difícil crer que não haja público para uma boa e dinâmica história de FC. Ou que não existam leitores inteligentes que não se entusiasmem com histórias elaboradas, personagens com múltiplas camadas, cenários ricos, boas ambientações, argumentos convincentes e soluções criativas e verossímeis (Nem toda FC produzida aqui é assim tão complexa, mas não podemos esquecer que, qualitativamente, a literatura de FC brasileira é, no geral, muito mais bem trabalhada que a de Fantasia).

Ou crer que todos os leitores de FC estejam comodamente assentados dentro do nicho, incorporados ao fandom. Porque se for assim, é de se compreender a atitude das grandes editoras. Investir num gênero que não consegue reunir mais que uns poucos milhares de leitores (dos quais muitos sequer conhecem o que se produz contemporaneamente) é jogar tempo e dinheiro fora.

A Fantasia não precisa de apresentações prévias. Não precisa vencer o preconceito de editores. Há muita Fantasia sendo publicada, grande parte de qualidade duvidosa.

Sem contar que é notório que qualidade e apelo comercial não são correlatos. As editoras são casas comerciais e são as vendas (as boas, de preferência) que pagam as suas contas. Entre escolher um romance de Fantasia manco e com chulé, mas com apelo comercial palpável, e um romance de FC de boa qualidade, elas vão escolher o primeiro. Por que deveriam investir num gênero, construir paulatinamente um mercado, se o custo/benefício é incerto?

Casos como o de Luiz Brás que publicou Sozinho no deserto extremo pela Editora Prumo são exemplos que parecem apenas servir para confirmar a regra.

Assim, a FC fica relegada às pequenas editoras que trabalham com edições limitadas e publicam quase que especificamente para o nicho. Um possível manancial de leitores extra-fandom permanece inatingível, inalcançável. Porque esses vários milhares de leitores que adquirem Asimov, Clarke, Bradbury (e outros nomes estrangeiros que se escondem na chamada ficção especulativa), também podem adquirir Gersons-Lodis, Causos e Carlos Orsis.

Existe dificuldade nisso? Claro. Mas mercados existem para serem descobertos, desbravados. Não só por quem escreve (que esses não têm poder para erguer mercados) e, sim, pelas editoras que, se não têm nenhuma obrigação em formar leitores, também não deveriam se escudar inteiramente disso.

Afinal, assim como nas melhores obras brasileiras de Fantasia, existem trabalhos de Ficção Científica com bom potencial de vendas e com argumentos que cairiam muito bem em filmes. Nem é preciso garimpar muito. Basta abrir os olhos, não dar mais de ombros, atentar para a pilha de originais e conceder à FC brasileira um voto de confiança.

Pelo menos isso.

***

Links interessante cedido por Cesar Silva:

• Listagem de todas as publicações de literatura fantástica feitas em 2011 no Brasil para download:
http://issuu.com/cesarsilva7/docs/anu_rio_brasileiro_de_literatura_fant_stica_2011_l

Você quer o anuário?

• Anuários Brasileiros de Literatura Fantástica para aquisição (anos de 2009 e 2010, 2011 está esgotado até o momento):
http://loja.devir.com.br/catalogsearch/result/?q=anuario+brasileiro+de+literatura+fantastica

Conheçam a capa da Dieselpunk!

27/06/2011

Quando Gerson Lodi-Ribeiro falou sobre a coletânea Dieselpunk, as guidelines ainda não haviam sido anunciadas oficialmente. Foi no Fantasticon de 2010. Já na ocasião me decidi por não deixar passar essa oportunidade em branco, já que por problemas de prazo, abandonei a tentativa de escrever alguma coisa para a coletânea Steampunk da Tarja e para a Vaporpunk da Draco (uma delas com prazo curto e outra com prazo já em andamento e exíguo).

Tudo bem que não comecei a escrever tão logo soube da proposta, mas já fui me preparando para isso.

A noveleta Grande G foi concluída em meras duas semanas de dedicação. Bem rápido. O que pode fazer parecer que a obra tem pouca profundidade ou pouco comprometimento com o tema, correndo célere, sem amarras. Não é bem verdade. Estipulei uma linha de enredo e fui fundo nela. Ao ler, verão que se trata de um trabalho que honra a proposta não só da coletânea, mas do autor. Quis fazer alguma coisa diferente de tudo o que seria apresentado e tenho certeza de ter conseguido.

Seu lançamento será no próximo Fantasticon.

Acima está a capa em alta definição. É bela, não é?

Um amigo me disse que apesar de bela, é clichê. Eu lhe respondi que muitas vezes precisamos obrigatoriamente do clichê para sermos belos. Esse é um ótimo exemplo disso.

Farão parte dessa coletânea:

– Antonio Luiz Costa – Ao perdedor, as baratas

– Cirilo Lemos – Auto do extermínio

– Sidemar castro – Cobra de fogo

– Octavio Aragão – O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado

– Carlos Orsi Martinho – A fúria do escorpião azul

– Tibor Moricz – Grande G

– Hugo Vera – Impávido colosso

– Gerson Lodi-Ribeiro – País da aviação

– Jorge Candeias – Só a morte te resgata 

Vocês podem ler mais nesses links:

Capa e entrevista com o capista:

http://cidadephantastica.blogspot.com/2011/06/dieselpunk-capa-e-capista.html

Postagem no Draco Blog:

http://blog.editoradraco.com/2011/06/dieselpunk-reimaginando-o-passado/

Parabéns à Editora Draco e ao organizador Gerson Lodi-Ribeiro. Mais um trabalho super bem feito.

Dieselpunk anuncia autores escolhidos.

04/05/2011

Foram lançadas, este ano, duas coletâneas que encarei com elevada seriedade e julguei importantes demais para ficar fora delas. Claro que sempre soube que as minhas chances ombreavam as mesmas de dezenas de outros candidatos e na escolha dos melhores eu poderia ser recusado.

Tratam-se das coletâneas Queer (Tarja editorial – organização de Cristina Lasaitis e Rober Pinheiro) e Dieselpunk (Editora Draco – organização de Gerson Lodi-Ribeiro).

A noveleta para a Dieselpunk ficou pronta primeiro (+ ou – duas semanas para escrevê-la), mesmo porque essa coletânea foi anunciada bem antes (já no último Fantasticon, extraoficialmente). Mas, por outro lado, o conto para a Queer foi o que menos me tomou tempo. Escrevi-o em meras duas horas, embora dar o primeiro passo tenha levado algumas semanas.

Ambos os trabalhos tem para mim uma grande importância porque dei a eles o que tinha de melhor. Tanto um quanto o outro passou pela leitura atenta de alguns leitores beta e ambos foram bastante elogiados. Enviei-os na certeza de estar concorrendo a uma vaga com boas chances de obtê-la.

Bem, fui recusado na Queer e isso me deixou chateado, como, claro, não poderia deixar de ser. Qualquer escritor com o mínimo de miolos na cabeça fica chateado quando é recusado para um projeto. Desejo à essa coletânea todo o sucesso do mundo e que seja precursora de outras tão inovadoras quanto ela.

Mas, por outro lado, fui aprovado para a Dieselpunk. E estou radiante com isso já que reputo a Gerson Lodi-Ribeiro umas das mais importantes cadeiras dentro da literatura de gênero nacional e ter um trabalho aprovado por ele significa muito para mim (significa muito para QUALQUER um).

Com bastante orgulho, dividirei espaço com:

– Antonio Luiz Costa – Ao perdedor, as baratas

– Cirilo Lemos – Auto do extermínio

– Sidemar castro – Cobra de fogo

– Octavio Aragão – O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado

– Carlos Orsi Martinho – A fúria do escorpião azul

– Tibor Moricz – Grande G

– Hugo Vera – Impávido colosso

– Gerson Lodi-Ribeiro – País da aviação

– Jorge Candeias – Só a morte te resgata 

Com lançamento já programado para acontecer no próximo Fantasticon, antecipo-me bastante atarefado nessa data. Autógrafos para a Dieselpunk, autógrafos para O Peregrino. Para um autor não há nada melhor do que isso, ou há?

Parabéns à Editora Draco, parabéns ao organizador e parabéns a todos os escolhidos que figurarão nessa importante coletânea.

Ficção de Polpa 4 – Crime!

06/04/2011

Terminei de ler recentemente a coletânea Ficção de Polpa – Crime! da Não Editora.

Acreditem, foi um esforço hercúleo concluir esse que foi o primeiro livro de 2011, lido de cabo a rabo até agora (recebi de Brontops Baruq o Portal Farenheit, mas ainda nem o folheei).

Não, não significa que essa edição tenha sido ruim. Bastante pelo contrário.

O livro de bolso exibe uma capa pra lá de sugestiva que remete ao pulp e às melhores histórias do gênero. A editoração mantém a mesma qualidade que as edições anteriores e a seleção de autores é indiscutivelmente boa. Sempre gostei muito de histórias de detetives, com loiras gostosas e enganadoramente burras, investigadores espertíssimos (que nem precisam sair de suas poltronas para juntar as pontas de qualquer caso, seja ele qual for) e assistentes punhos pra qualquer obra (aqui me remeto diretamente aos livros de Rex Stout, meus prediletos).

Os seis contos (mais a faixa bônus, que não julgarei, com Ernest Bramah – autor que eu não conhecia) guardam as similaridades do gênero embora não sejam todas que possam, a meu ver, ser inseridas naquilo que julgo ser a proposta espinhal da coletânea.

Carlos Orsi (As muralhas verdes), e Carlos André Moreira (Um dos nossos), mergulharam num cenário típico de crime, com direito a detetives e investigadores, policias e tiros. Com direito também a morte e deduções. Rafael Bán Jacobsen (A carne é fraca), Yves Robert (A conspiração dos relógios), Octavio Aragão (A aventura do americano audaz) e Carol Bensimon (Agulha de calcário), tangenciam o que para o time de cima foi a pedra angular de suas histórias.

As muralhas verdes de Carlos Orsi fala de um crime cometido em um Reality Show, durante sua exibição ao vivo para todo o país. O detetive, anônimo para os participantes e externo ao cenário, precisa descobrir quem matou, como matou e porque matou enquanto o programa é transmitido. Muito bom.

A carne é fraca
conta a história de um açougueiro e os jovens ajudantes que contrata de tempos em tempos, já que os anteriores sempre desaparecem misteriosamente. Boa condução, trama bastante adesiva e final que consegue surpreender.

Um dos nossos narra uma aventura passada em Porto Alegre. Dois policiais, Roszynski e Martini, são incumbidos de investigar o assassinato de um homem que se revela ex-policial. Uma história muito bem contada, crua, com direito a tiroteio e reviravoltas.

Em A conspiração dos relógios, Yves retorna com o detetive que fez tanto sucesso no conto Traz outro amigo, também, mas esse trabalho não consegue ser mais que uma pálida sombra ao primeiro conto.

Octavio Aragão apresenta uma história sherlockiana onde o famoso detetive é contratado para descobrir o paradeiro do filho de um milionário americano desaparecido nos Cárpatos, atrás de dentuços. É uma excelente narrativa, envolvente. Mas eu esperava algo mais original para essa coletânea. Algo mais dentro do espírito da coisa.

O mais próximo que Carol Bensimon, com Agulha de calcário, chegou de escrever uma história detetivesca foi no nome dos quartos do Hotel detetive que a trama apresenta e de uma morte ao final sem muitas explicações (ou eu é que não entendi nada).

Guerra Justa e Nômade. Carlos Orsi é destaque esse ano.

23/04/2010

Já disse várias vezes que considero Carlos Orsi um dos nossos principais autores de gênero. Gosto muito da sua prosa e vou ser franco em admitir que até hoje não li nenhum conto dele que tivesse desgostado. Guerra Justa deverá ser uma obra impecável, como é todo trabalho feito por ele.

Mas esse lançamento pela Editora Draco não é o único deste ano. Nômade, um infanto-juvenil lançado pela Editora Ciranda de Letras o torna o único (pelo menos que eu saiba) autor de Ficção Científica a lançar dois livros no mesmo ano.

Guerra Justa é uma viagem a um tempo em que a religião foi reinventada.

Quando o poder de prever o futuro é uma realidade, como se certificar de que aqueles que o detêm irão utilizá-lo para o bem de todos?

Abalada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento.

Duas irmãs, a freira Rebeca e a cientista Rafaela, veem-se envolvidas em um perigoso jogo de manipulação da realidade e são transformadas em agentes de uma conspiração que busca minar a influência do culto e desvendar o segredo de suas profecias.

Mas se o culto for destruído, quem protegerá a humanidade de uma natureza cada vez mais descontrolada? Como a conspiração poderá vencer um inimigo capaz de prever cada um de seus passos? E afinal, o que define uma guerra justa?

Carlos Orsi

natural de Jundiaí (SP) é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias, revistas e fanzines no Brasil e no exterior.

ISBN: 978-85-62942-06-8

Gênero: Literatura Fantástica

Formato: 14cm x 21cm

Páginas: 152 em preto e branco, em papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 30,90

Procuram-se autores para nova coletânea.

02/12/2009

Eu e Saint-Clair Stockler estamos organizando uma nova coletânea, essa exclusivamente de ficção científica, tanto hard quanto soft, e ainda em qualquer um de seus subgêneros.

Procuramos 4 autores para, junto a outros 8 previamente convidados, integrar um grupo de 12.

O tema será “Brinquedos do futuro” e o título do livro Brinquedos mortais.

Queremos contos inéditos que causem desconforto, perturbação, medo, perplexidade, inquietação. Contos que fujam dos clichês ou os utilizem de forma criativa e original.

O tamanho dos contos não poderá exceder 12 páginas formato A4, tabulação padrão do Word, fonte Times New Roman, corpo 12, com entrelinhas de 1,5.

Antecipamos que contos mal escritos, com evidente descuido de revisão e forma, serão descartados logo de início. Os 4 aprovados publicarão ao lado de seis “feras” da ficção científica brasileira.

São eles: Ataíde Tartari, Braulio Tavares, Carlos Orsi Martinho, Lúcio Manfredi, Luis Brás (heterônimo de Nelson de Oliveira), Roberto de Sousa Causo, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz.

Os contos deverão ser enviados até o dia 28 de fevereiro de 2010 para o email: brinquedosmortais@gmail.com

A editora parceira é a Editora Draco e a publicação tem previsão para até junho de 2010.

Queremos MUITA transpiração de todos.

Bom trabalho!

Eis que, de repente, me vi olhando para um caralho gigante.

16/08/2009

olho-que-ve_carlos-orsi

Sei que estou sendo repetitivo dando destaque para a primeira linha da noveleta do Orsi, mas tenho que admitir que este é, provavelmente, o melhor começo que já tive oportunidade de ler nos últimos tempos.

O que o olho vê é um trabalho publicado pela Scarium numa série que parece estar se iniciando, de novelas e noveletas de autores nacionais (quiçá também de fora, se der chance).

Escrito por Carlos Orsi Martinho, narra a aventura de um estudante brasileiro numa realidade alternativa onde os Estados Unidos e o oriente trocam papeis, não só ideológicos mas também culturais.

Tenho para mim que o Orsi é, sem dúvida, o melhor escritor contemporâneo de ficção científica brasileira. Bate tranquilamente outros nomes conhecidos e consegue (pelo menos comigo) a façanha de agradar 100% com suas histórias. É comum lê-las e terminá-las com uma sensação de perda, de fim prematuro, que só grandes e competentes autores são capazes de provocar num leitor.

Não foi diferente com este O que o olho vê. De ritmo ágil, se torna quase impossível abandonar a leitura. Mergulhamos (literalmente, diria um oftalmologista) na narrativa para sair dela sem fôlego. O estudante brasileiro se torna ferramenta nas mãos de agentes e entra de cabeça numa trama complexa que envolve a busca e reprogramação da matriz de um vírus dentro do olho de um paciente hospitalizado.

Lembra vagamente Viagem Fantástica, de Isaac Asimov.

Gostei muito, como não poderia deixar de ser. Mas teria feito ligeiramente diferente. Houve uma grande oportunidade de dar ao personagem principal um pouquinho mais de profundidade. Eu teria transformado a noveleta numa novela de fato com a exploração do imenso trauma psicológico que tal empreendimento provocaria no protagonista (como essa idéia é excelente, eu provavelmente a teria transformado num romance, se tivesse a competência que o Orsi tem para narrativas desse gênero).

A criação de djinns com a função de, entre outras tantas, inibir as emoções do protagonista, livra o Orsi desse tratamento mais aprofundado e transforma o personagem num Will Smith de fundo de olho (com todas as virtudes e os defeitos decorrentes disso).

Mas aí já é extrapolação e interferência minha.

O que o olho vê é uma excelente noveleta e torço para que outras tão boas assim sejam publicadas pela Scarium. Só reclamo da encadernação meia boca e da capa que nada tem a ver com a história contada.

De resto… do caralho!