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Ano novo, romance novo, casa nova.

22/01/2013

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Frontal Terracota

Venho, desde meados de 2011, laborando em várias frentes. Comecei em setembro do ano retrasado um thriller de Ficção Científica, suspense e mistério que me absorveu até fevereiro de 2012. Na verdade, ele vem me absorvendo até agora já que não consigo abandoná-lo, estou sempre mexendo numa coisa aqui, noutra ali.

Já disse várias vezes que, quando me ocupo com um romance, não há espaço na minha cabeça para outros formatos. Mergulho no trabalho e só me preocupo com contos ou noveletas quando o termino. Por pensar assim, deixei de participar de algumas submissões. Por outro lado, participei de algumas coletâneas porque já havia me comprometido com elas (como convidado). Nesses casos, e só neles, passo por cima de minhas restrições e me esforço em cumprir com a palavra dada.

Posso dizer que 2012 foi um ano bastante profícuo em publicações em coletâneas, embora não tenha publicado nenhum romance.

Três meses depois de ter oficiosamente terminado esse thriller, explodiu uma nova ideia em minha cabeça. Foi tão arrebatadora que não consegui me desvencilhar dela até que a tivesse concluído, o que aconteceu no começo de julho de 2012. Um pouco mais de dois meses e meio para escrever cerca de 250 páginas.

Esse romance de FC, ao contrário do anterior, não passou por várias mãos e várias editoras em busca de publicação. Passou por apenas uma só mão e a decisão em publicá-lo foi rápida.

Trata-se de O homem fragmentado, e a editora que aceitou o desafio de colocá-lo no mercado foi a Terracota Editora.

Tenho admiração pela Terracota. Venho acompanhando seus lançamentos, seu trabalho editorial, seu comprometimento, o diz-que-diz na mídia em relação a esses lançamentos, os autores publicados, os projetos executados.

Posso dizer que houve escolha da minha parte. Remeti o original para as mãos de Claudio Brites, certo de que queria publicar sob a sua batuta. E eu lhe disse isso. Era necessário, claro, que ele também o quisesse.

O “sim” veio algumas semanas depois, com elogios ao trabalho. O que muito me envaideceu.

Trata-se de um projeto onde tentei dar tudo de mim: construir bom cenário e boa ambientação, esculpir personagens fortes e bastante realísticos, desenvolver tramas e subtramas convincentes, dar ao trabalho meu toque especial na questão de ritmo tentando transformá-lo num page turner.

Se consegui isso, ou não, vocês mesmo me dirão quando o livro for lançado, ainda este ano.

Adianto um texto promocional que diz muito (se não tudo) da obra:

O homem fragmentado

Imagine-se arrasado pela culpa. Responsável pela morte de seu filho e pela vagarosa e inexorável dissolução do seu casamento. Imagine-se sem mais nenhuma perspectiva de vida; desmotivado profissionalmente, sem mais sonhos, nem esperanças.

Imagine um revólver em suas mãos. Imagine-se apontando-o para a própria cabeça e… puxando o gatilho.

Imagine um possível “depois disso”:

Seu filho vivo, seu casamento em pé, sua vida, a vida, outra vida, uma vida desconhecida e assustadora.

Imagine-se num mundo que não lhe pertence. Tendo amigos que nunca foram os seus, uma família que nunca foi a sua. Imagine-se consumido por um delírio difícil de refrear.

Imagine-se morrendo consecutivas vezes e vendo surgir novas e sucessivas realidades que violentam a sua ciência de realidade.

O homem fragmentado fala de alguém que vê seu mundo ser desconstruído e assiste, perplexo, a ruína de todas as suas verdades. Ao ponto irreversível da loucura ou da liberdade numa última e epifânica revelação.

***

Ainda é cedo para falar de capa e projeto editorial, mas, quando tiver novidades, eu as posto aqui.

Ah, obrigado Terracota!

Caminhos do Fantástico – Lido e comentado.

10/10/2012

A coletânea nasceu do Concurso Literário Caminhos do Fantástico, promovido e organizado pela Editora Terracota e a organização do Fantasticon (Simpósio de Literatura Fantástica) e pretende ser anual. Tem o fantástico como temática e pretende mostrar como os autores (estreantes ou não) pensam a literatura fantástica no Brasil.

Quando terminei a leitura tive que admitir que fazia tempo não encontrava uma seleção de contos tão boa, tão regular. Quinze autores selecionados pelos organizadores (Claudio Brites e Silvio Alexandre) num concurso com regras rigorosas e que prometia desclassificar trabalhos diante da menor falta.

Tive um conto selecionado — Recomeços —, o que me enche de orgulho. Muito bom fazer parte de um time de feras que, mesmo com nomes pouco conhecidos, mostraram que tem talento de sobra.

Não pretendia fazer avaliações, nem leituras comentadas, já que tento não resenhar livros onde figuram trabalhos meus. Pode acabar sobrando algum cabotinismo, posso acabar sendo condescendente.

Mas não resisti.

Não pretendo comentar todos, só os que me causaram mais admiração e explicar os que me causaram menos.

Antes das avaliações, os autores: Alexandre Mandarino, Ana Lúcia Merege, Antonio Borgia, Bruna Dantas Lobato, Carlos Angelo, Cícero Leitão, Cristina Faga, Elisa Celino, F. Medina, Gilberto Garcia da Silva, Ícaro França, Leandra Lambert, Léo Nogueira, Luis Roberto Amábile, Marcelo Augusto Galvão, Marcelo Bighetti, Marta Rolim, Tibor Moricz.

Hiriburu de Alexandre Mandarino. História fascinante. Mandarino mandou muito bem, transmitiu estranheza e perturbação numa narrativa que põe em questão a relação homem/cidade. Como você reagiria se tudo o que você conhecesse da cidade onde mora, começasse a mudar, a se transformar de uma hora para outra? Se as ruas, os bairros, as casas e prédios ganhassem novas cores, dimensões, histórias? Se você, no meio de tudo isso, tivesse a própria história alterada?

Idolatria de Antonio Borgia. O que um pai desesperado pela morte do filho é capaz de fazer? Bom conto de terror. O autor é competente em traduzir o desespero do protagonista na busca da alma do filho ou da fagulha de vida que poderá trazê-lo do mundo dos mortos. E competente em mostrar os resultados aterradores dessa tentativa insana.

Um dia na vida do Senador Antonio Ribeiro de Ícaro França. Narrativa circular que demonstra que, na política, jogos de bastidores e argumentos retóricos são sempre os mesmos seja em que tempo ou realidade for. França nos conduz de Brasília às estrelas e depois aos primórdios da civilização (de alguma civilização).

A décima oitava vertigem de Leandra Lambert. Cenário alienígena rico e fascinante. A busca pelo prazer elevada à última vertigem.

Seu nome é mãe de Marta Rolim. Narrativa dramática que fala das relações tensas e tempestuosas entre mãe, filho e pai. Abordagem crua e realista, não parece resvalar no fantástico. Boa prosa, boa condução e bom final.

Tiradentes de Carlos Angelo. A história mais curta do livro. Mas não confundam isso com pouca profundidade ou abordagem rala. Cenário distópico onde apenas um ser humano sobreviveu. Sua busca por artefatos sagrados da humanidade leva a um final inesperado. Curto e surpreendente.

Agora citarei os trabalhos que não me agradaram. São apenas dois.

O primeiro deles:

Retratos de Bruna Dantas Lobato. Pelo que entendi, a autora conduz a narrativa pelo único ponto de vista da protagonista: um retrato (ela, um retrato). Todos os retratados são retratos que conduzem a lembranças antigas e esfumaçadas. O texto não consegue transmitir isso com clareza e deixa muitos vazios de entendimento pelo caminho. Trata-se de uma experiência estilística que peca pela prosa frágil. Serve como alerta: ao realizar exercícios de estilo, tenha em mente que sua prosa precisa ser afiada, senão esses exercícios vão ser mal sucedidos.

O segundo é:

O legado Troll de Francisco Medina. Preparo quase um capítulo a parte para falar desse conto. Surpreendeu-me vê-lo em destaque, abrindo a coletânea. Sabemos que é praxe deixar os considerados melhores trabalhos para abrir e fechar seleções. Mas O legado Troll está longe de ser o melhor trabalho do livro. Está longe sequer de competir com qualquer um deles. Trata-se de uma narrativa que faz parte de um universo maior. Quem não conhecer esse universo, vai boiar. A trama é confusa, a ação é fraca, destituída de emoção. Os personagens são planos demais, as motivações mal explicadas e a prosa muito frágil e repleta de pequenos vícios. Para completar, nos brinda com um final inteiramente aberto. Para entender a presença do conto na abertura da coletânea precisamos recorrer ao fato de que além dos quinze trabalhos rigorosamente selecionados, outros três foram convidados e encaixados a posteriori. Mas crer que preferências pessoais de um ou outro organizador poderiam macular uma iniciativa tão séria é o mesmo que crer que ambos os organizadores não levaram essa coletânea tão a sério quanto deveriam.

Fora isso, Caminhos do Fantástico mostrou que é possível (apesar da perplexidade provocada pelo tropeço inexplicado) montar coletâneas de muito bom nível.

Caminhos do Fantástico – Volume 1

Editora: Terracota
Organizadores: Claudio Brites e Silvio Alexandre
Gênero: Literatura Fantástica
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 228

A Tríade. Lido e comentado.

28/10/2010

Claudio Brites me enviou o livro A Tríade para ler e comentar.

Publicado pela Terracota Editora e escrito por Carlos Andrade, Claudio Brites, Kizzy Ysatis e Octavio Cariello.

Quando o recebi, fiquei surpreso ao constatar que eram quatro os autores responsáveis pela construção do argumento e pela escrita propriamente dita. Sempre tive para mim que a reunião de mais de um autor para qualquer trabalho acaba transformando o objeto em uma espécie de Quasimodo, com corcundas pronunciadas aqui e ali.

E comecei a lê-lo em busca dessas corcundas, claro.

Foi uma surpresa muito maior ver que não encontrei nenhuma corcunda, mas apenas pequeníssimos degraus formados por diferenças de estilo e somente vistos por olhares atentos durante a leitura. Um leitor menos preocupado com isso não vai notar absolutamente nada. A leitura transcorrerá tranquilamente até seu desfecho.

A Tríade acabou se mostrando muito mais que um bloco coeso, onde vários estilos conseguem se amalgamar de forma a quase se tornarem num só.

Vou me abster de entrar demasiadamente no cerne da história para não acabar dando spoilers indesejados.

A narrativa conta a aventura de um personagem em busca de um poderoso artefato que proporcionará a ele o poder máximo e a conquista do altíssimo reino divino, de outro que em busca de respostas para um enigma, acabará transformado no que jamais poderia imaginar e de um terceiro que no árduo trabalho de proteger relíquias sagradas, acaba metido em muito mais confusão do que gostaria.

Esse é um resumo bem humorado da obra.

Destaque positivo para o narrador. Onisciente até a última gota.

Destaque negativo para a revisão. Encontrei muitos erros crassos que uma revisão pé de chinelo teria evitado.

A Tríade é, de longe, a melhor coisa que li nesse gênero este ano. Vence tranquilamente o livro do Leonel Caldela – O caçador de apóstolos – e é melhor que boa parte da obra de Bernard Cornwell reunida (vou ser apedrejado agora, mas acho Cornwell um bom contador de guerras, um ótimo historiador, mas um péssimo escritor).

No mais, o livro é um ótimo entretenimento que vem demonstrando força também nos pontos de venda. Segundo Claudio Brites, os 2000 exemplares iniciais já estão esgotados. Ótima notícia para um mercado onde o gênero sai a tapa em busca de espaço e onde os leitores andam escassos.

Aconselho a compra do livro e garanto que você terá diversão da primeira à última página.

Adendo: O livro receberia um UAU! se não tivesse os erros de revisão que tem.

Alterego – Lido e comentado.

02/09/2010

A coletânea Alterego (Terracota Editora), organizado por Octavio Cariello traz um conjunto de vinte contos heterogêneos; mainstream, com um pé ou dois no fantástico e os assumidamente de gênero.

Talvez seja a coletânea mais equilibrada que li até agora. A maioria dos contos se estabelece nos patamares de avaliação “Bom” e “Ruim”, dividindo oito indicações cada uma. Três “Médio” e um “Eca!” a completam.

No caso dessa coletânea me sinto na obrigação de esclarecer uma coisa. Quando avalio alguns contos com um “Ruim” eu o faço seguindo os mesmos parâmetros que utilizo nas leituras de contos fantásticos. Ora, existem aqui alguns contos realistas e eles se diferem dos de FC / Fantasia / Terror, abrindo mão do enredo elaborado em benefício maior ou menor da forma. Assim, mesmo não me sentindo confortável em julgá-los, não creio que deva abrir mão de meus critérios avaliativos só porque se trata de um gênero e não do outro.

Isso poderá parecer injusto para alguns.

Mas que não se aborreçam esses autores, considerando minhas avaliações como uma experiência transgênero. Alguns contos assumidamente de gênero em Alterego também não atingiram nível satisfatório de qualidade.

1- Claudio Brites – Território –

Funcionário do metrô de São Paulo revela personalidade assassina oculta por verniz social que o torna respeitado e admirado pelos outros. Conto curto, com bom desfecho.

2- Valdo Resende – Jennifer, mamãe, é estéril –

Mineiro recém-chegado à capital interessa-se por morena sedutora. Flerte segue até que a morena cede aos encantos de Luiz Geraldo. Narrativa bem conduzida guarda um final bom mesmo que relativamente previsível.

3- Renato Lacerda – Fuga –

Homem perturba-se com sonhos recorrentes. Perseguições que o afligem. Pouca intimidade com a linguagem e condução fraca leva o leitor ao final previsível e insosso.

4- Albano Martins Ribeiro – Todos os luxos o lixo –

Adonis / Argemiro. Personagem alterna duas personalidades, cada uma vivenciando uma realidade distinta, mesmo que na mesma maloca, na mesma favela e com a mesma mulher. Boa condução onde a alternância de um para outro se dá com segurança.

5- Mario Carneiro Jr – O salteador noturno –

Adolescente magrelo se transforma em super-herói e tenta salvar a vida de mocinhas indefesas. Mas a condição que o tornou poderoso acaba se voltando contra suas próprias convicções e as mocinhas indefesas se tornam suas vítimas. Embora a ideia não seja ruim (até começa bem), a condução vai fraquejando até morrer sufocada na última linha.

6- Weberson Santiago – Ao vivo e em cores –

Programa de fofocas de TV acaba revelando mais do que o protagonista poderia supor. Não me conectei à história desde o início, lendo-a com um distanciamento que impediu qualquer tipo de avaliação mais efetiva. Achei o conto fraco.

7- Luciano Marques – O incrível Mccoy –

Western fantástico onde fora da lei possui características extraordinárias. Fui surpreendido com esse conto. Ideia interessante, boa condução e final previsível mas competente.

8- Roger Cruz – Seven boys e o enforcado –

Garoto que utiliza caminho alternativo para a escola acaba, mais tarde, surpreendido com um homem enforcado numa árvore. Narrativa apática, sem sal e sem razão. Não me disse absolutamente nada.

9- Weber Sauerbrown – Alterego –

Interno de manicômio dá escapadas onde vive outra personalidade. Conceito recorrente. Condução irregular.

10- Marcela Godoy – O guardião –

Carcereiro convive consigo mesmo, suas memórias, verdades ocultas e medos. O reflexo de si mesmo trazido à tona e expulso de forma dolorosa. Narrativa consistente e bem controlada.

11- Pedro Reichert – Algo anda nestas ruas –

Personagem caminha pelas ruas da cidade de madrugada e vê cenário de morte e desolação. Tentativa fracassada de criar clima de terror. Linguagem pouco hábil, repleta de erros de construção, transforma o conto num sacrifício de leitura.

12- Felipe Castilho – Saindo do armário –

Paciente que pensa que é super-herói nas horas vagas é tratado por médico que pensa que é herói em tempo integral. Sem novidades.

13- Patrícia Vieira – As ilusões que a madrugada traz – 

Vigia de condomínio fechado esconde verdadeira identidade para cumprir com objetivos criminosos. Como narrativa, legal, como manual para um assassinato, sem chances. O protagonista não ficaria um único dia livre depois disso. Mas gostei.

14- Brontops Baruq – O xadrez das mariposas –

Protagonista entediado e aborrecido relata a rotina cotidiana de uma cidade repleta de superpoderosos cujos poderes são concedidos burocraticamente através de cartas oficiais enviadas pelo correio. Narrativa que não esconde ironia nem sarcasmo na crítica social que realiza.

15- Thiago Pedrosa – A esperança é azul –

Personagem autodestrutiva se refugia na fantasia de ser um super-herói, acabando por sê-lo em momento dramático da história. Embora seja até comovente nas cenas que protagoniza, a história é clichê e não consegue fisgar.

16- Bruna Brito – Velhos amigos –

Quatro amigos se reúnem num bar para um encontro depois de certo tempo sem se verem. Ao final revelam as suas identidades ao leitor o que causa certo surpreendimento. Mas, fora isso, a narrativa é arrastada.

17- Alex Lopes – Redenção do inocente –

Narrativa relata o surgimento de um novo super-herói e a formação, a posterior, de uma espécie de liga da justiça. História clichê, amparada em centenas de outras que seguiram o mesmo argumento. Final bobo.

18- Gian Danton – Intangível –

Personagens com poderes correm a tentar salvar a vida de outro que não consegue controlar seu poder de intangibilidade. Conto relativamente curto, bem trabalhado, que consegue manter o ritmo e a atenção do leitor.

19- Guilherme Beltrami – A rosa –

Homens extrovertidos e populares mudam completamente depois de se relacionarem com Rosa. História de amor e traição elevada à enésima potência da chatice.

20- Octavio Cariello – Labirinto –

Criminoso recluso, vivendo uma vida postiça para fugir da lei corre o risco de ser escorchado por travesti. Clichê e previsível até a última linha.

Anno Domini. Lido e comentado.

12/08/2010

Quando terminei de ler a coletânea O livro negro dos vampiros, a imagem que criei dessas coletâneas caça-níqueis foi exatamente a de um conjunto de contos sem qualidade suficiente nem para sair da gaveta ou da lixeira do autor pretendente ao título de escritor, salvo raras exceções.

Iniciei a leitura de Anno Domini (organizado por Claudio Brites e Helena Gomes) com a certeza absoluta de estar mergulhando noutra coletânea que acabaria me deixando aborrecido.

São cinquenta e três contos tematizados. Idade média.

Cinquenta e três narrativas cujas abordagens são extremamente recorrentes. Vinganças a mão cheia, belas donzelas, cavaleiros de armadura reluzente, castelos, magos, orcs, elfos, camponeses e morte. Muita morte. Carnificinas horríveis.

Me espanta que existissem tantas camponesas habitando sob condições rudes, oprimidas por vontades acima das suas, laborando no campo arduamente do nascer do Sol ao ocaso, belas. Belíssimas. Cabelos soltos ao vento como num comercial da Revlon, rostos angelicais de pura beleza, olhares meigos, pele macia e alva… Fico boquiaberto com isso. Pensava, sinceramente, que as camponesas, em sua esmagadora maioria, nas condições em que viviam (principalmente nas condições citadas na maioria dos contos), fossem menos charmosas.

Imagino mulheres rudes, cabelos desgrenhados, mão e pés calosos, unhas quebradas (nem todas tem calçados apropriados), pele poeirenta e suada, sovaco de dias e ranho no nariz.

Mas a imaginação dos autores dessa coletânea prova que pode vencer as limitações impostas pela realidade e criar ambientes e cenários mágicos nas mais improváveis situações.

Podem pensar que estou a afiar a minha espada, pronto para, num golpe certeiro, arrancar a cabeça dos organizadores dessa coletânea. Mas estão errados.

Surpreendi-me com contos bons. Surpreendi-me com contos médios numa escala larga (aqui, serve um adendo. Muitos contos médios seriam considerados ruins, mas preferi conceder pontos àqueles que, de alguma forma, tentaram quebrar paradigmas ou surpreender o leitor, mesmo que com uma ideia um pouquinho mais arrojada. Isso não significa que, se fosse eu a organizar a coletânea, eles seriam aceitos).

Há, claro, contos ruins e não haveria como não tê-los, também aos Ecas, Duplo Ecas e até dois Triplo Ecas.

Mas li dois a quem atribui um Uau! E isso me causou espanto.

Separando o joio do trigo, peneirando bem, eu daria a essa coletânea um Médio. Acreditem, trata-se de uma avaliação bem diferente da realizada com O livro negro dos vampiros, que recebeu Eca! sem chances para apelação. Isso não significa que eu esteja mudando meus conceitos em relação a essas coletâneas. Ainda as abjuro. Mas dou a mão à palmatória: talvez nem todas sejam tão ruins assim.

Agora vamos aos contos, respectivos autores e consequentes avaliações:

1- Os quatro – Claudio Brites – Médio

2- A batalha do cavaleiro negro – Renato Arfelli – Médio

3- O Graal e o contador de histórias – J. Feltrin – Médio

4- O bolor e o frio – V. Netto – Ruim

5- Uma noite na Taberna – Kathia Brienza – Bom

6- Um breve segundo – Leandro Chernicharo – Ruim

7- O último relato – Gabriel Torres – Médio

8- Você! – Rafael de Agostini Ferreira – Ruim

9- Batismo de fogo – Leandro “Radrak” Reis – Bom

10- A peste – Chico Anis – Médio

11-  Desata-me! – Helena Gomes – Uau!

12- A poção dos desejos – Victor Maduro – Médio

13- Sonhos de outrora – Addam – Médio

14- Na escuridão gelada – André L. Pavesi – Médio

15- O preço da vingança – Nazarethe Fonseca – Bom

16- O dragão da noite e a rosa de chamas – Marcos Lopes – Duplo Eca!

17- O forte das rosas – Thiago Lobo – Médio

18- Cassandra Corbu – Ademir Pascale – Médio

19- O algoz do verão – Thiago Cabello – Ruim

20- A fé dos inocentes – Sergio Sparsbrod – Ruim

21- O Drakkar de Leif Eriksson – Jonatas Turcato Syrayama – Bom

22- O misterioso caso do unicórnio azul – Douglas MCT – Médio

23- Obsessão – Hanna Liis-Baxter – Médio

24- A idade das trevas – Almir Pascale – Ruim

25- Andarilha – Rúbia Cunha – Ruim

26- Esperando pela morte – Claudio Villa – Médio

27- O príncipe – Danny Marks – Médio

28- A filha da parteira – Angel – Bom

29- Reino das trevas – Ana Luiza da Silva Garcia – Ruim

30- Kidush Hassen – Bruno Freitas Oliveira – Bom

31- A morte negra – Arlete Sobral – Triplo Eca!

32- A noiva de lúcifer – Ricardo Delfin – Bom

33- Santo cavaleiro – Rossana Santos – Ruim

34- Prisioneiro – Márcio Aragão – Ruim

35- A peregrinação de um camponês oprimido – Karina Brossi – Ruim

36- Reversos – Raphael Draccon – Eca!

37- Asas – Madô Martins – Bom

38- O ferreiro mágico – Paulo Dumi – Ruim

39- Hoje, na idade média – Rodrigo Prata – Eca!

40- A menina Elfa – Albarus Andreos – Médio

41-  Proibido – Monica Sicuro – Ruim

42- Vendeta – José Roberto Vieira – Uau!

43- Dias de sombra – Livany Salles – Médio

44- Krispin – Gustavo Lopes – Ruim

45- Vastidão – J.B. Alves – Ruim

46- Herança maldita – Gabriel Torres – Bom

47- Desejo – Kathia Brienza – Bom

48- Vingança – Bruno Schlatter – Triplo Eca!

49- A faca cravada – Brontops – Bom

50- Inverno – Ruim

51-  Prisioneiro da suspeita – J. Feltrin – Bom

52- As três pedrinhas – Nicolas Vasconcelos – Bom

53- Do pó ao pó – Helena Gomes – Bom

Talvez vocês se perguntem onde andam os emoticons. Acontece que dá trabalho inseri-los e preferi ficar na preguiça. Quem sabe na próxima :).

Cartas do fim do mundo. Lido e comentado.

30/07/2010

A coletânea Cartas do fim do mundo, organizada por Nelson de Oliveira e Claudio Brites e publicada pela Terracota Editora parte de uma premissa que considero excelente. Imagine que o mundo vai acabar no dia 31 de julho de 2013 (bem no dia do meu aniversário) e você decide escrever uma carta para alguém, seja familiar, amigo, conhecido, desconhecido ou para ninguém, apenas um relato solitário e histórico dos momentos angustiantes que precedem o fim.

Celeiro de ideias incríveis, o mote nos suscita argumentos variados.

Até preferia que autores reconhecidamente realistas mantivessem o foco no gênero em que se estabeleceram e consagraram. Não sei se a sugestão de adentrarem no terreno da FC foi objetiva ou subjetiva. Se houve uma sugestão direta ou se isso ficou no ar, meio que uma proposição vaga e não obrigatória.

O que aconteceu foi que autores chapinharam no inverossímil ao tentar acrescentar uma especulação científica qualquer às narrativas que, sem elas, evoluiriam muito bem. De qualquer maneira, os textos são bons. Aconselho aos leitores de gênero que ignorem sugestões de naves mães conduzindo um êxodo de humanos para planetas distantes em pleno ano 2013. Ou essas sugestões se ancoram numa realidade alternativa muito mal sugerida, ou são arroubo fantasioso, talvez motivado pela angústia provocada pelo fim do mundo iminente.

Há, claro, narrativas de FC genuína. E essas, escritas por quem entende do assunto, graças aos deuses.

Segue abaixo um por um dos contos, alguns com meus comentários:

1- Raimundo Carrero – Entre fogo e gelo – 31 de julho de 2013

Um desolado relato do que restou do mundo, entremeado das reminiscências do protagonista. Texto condoído que revela muito da insensibilidade humana diante do inevitável.

2- Marcio Souza – Ipanoré Cachoeira – 31 de julho de 2013

Lenda indígena explica o fim do mundo.

3- Braulio Tavares – Campina Grande – Agosto 2014

Presente e futuro (ou passado e futuro) ligados por um comunicador quântico. Fim do mundo anunciado, improrrogável e inevitável.

4- Moacyr Scliar – Porto Alegre – 10 de agosto de 2013

Conto que relata o fim do mundo para um e não para todos. Homem que crê em novo dilúvio universal refugia-se em local que acredita seguro. Mas o fim sempre nos encontra onde quer que nos escondamos.

5- Marcelino Freire – Sertânia – 31 di Julio di 2013

Homem do sertão narra o fim do próprio mundo onde o mundo acaba todos os dias. Marcelino insere uma viagem à lua perfeitamente dispensável. A realidade concreta de um homem habituado à luta diária pela sobrevivência  sequer cogita viagens espaciais.

6- Xico Sá – São Paulo – 31 de julho de 2013

Crônica cotidiana, reclamações e constatações. Fim do mundo aguardado com festividade e desdém num botequim.

7- Menalton Braff – Terra, 30 de junho de 2013

Distopia revela um planeta completamente esgotado. Humanidade regride às suas condições mais primitivas. Especulação inverossímil. Muito pouco tempo para que tal magnitude de degradação nos atingisse.

8- Luis Dill – Londres – 31 de julho de 2013

Droga psicotrópica nova demonstra poder muito acima das expectativas. Viagem no tempo e o fim do mundo explicado de maneira muito convincente.

9- Marne Lucio Guedes – Mundo – 31 de julho de 2013

Conto intenso. Homem liberto da fé a que se entregou avidamente ao tomar conhecimento do fim do mundo mergulha no vício e na degradação. Texto forte e muito bem trabalhado.

10 – Moacyr Godoy Moreira – São Paulo – 31 de julho de 2013

Criminoso em penitenciária se penitencia ao irmão pio. Alusão a êxodo humano em busca de novos planetas põe o conto em xeque. Inverossímil, embora pungente.

11 – Brontops Baruq – Metrópolis – 30 de julho de 2013

Já publicado num dos Portais. Conto cru, pragmático e pungente. Lamento ter sido alterado. Provavelmente uma exigência editorial que não esconde a sombra pútrida da censura, mesmo que razões internas tentem justificar.

12- Claudio Brites – Cidade desconhecida – 3 de agosto de 2013

Conto narrando um final de mundo que me faz lembrar vagamente de Blecaute de Marcelo Rubens Paiva e Escuridão de André Carneiro. Junte alguns gigantes e voilá! Uma narrativa enlouquecida do último homem (zumbi?) sobre a terra.

13 – Luiz Bras – São Paulo – 31 de julho de 2013

Homem do futuro envia carta a homem do passado. Pequeno detalhe: trata-se do mesmo homem. Fim do mundo prenuncia revolta de cupins, baratas e (trecho ilegível). Construa uma (trecho ilegível) ou morra dolorosamente.

14 – Fausto Fawcett – 31 de julho de 2013

Firma promotora de apocalipses mata o leitor desavisado com verborragia intensa e coordenada e deixa o senhor Armageddon em maus lençóis. Os pólos magnéticos continuam numa boa, os ventos solares também, mas acho que precisarei passar uma temporada numa câmara hiperbárica.

O livro negro dos vampiros. Lido e comentado.

26/07/2010

Há meses abordei um assunto que se revelou polêmico e é, até agora, uma das postagens mais acessadas do blogue. Falei sobre coletâneas que se esparramam, sendo amontoadas nos rodapés. Discuti os propósitos de suas organizações e os resultados advindos do esforço hercúleo de reunir em um só tomo dezenas de contos que se pretendem de boa qualidade.

Lembro que fui aplaudido e vaiado, ora por autores e leitores decepcionados com os resultados dessas coletâneas, ora por organizadores que vestiram a carapuça, demonstrando contrariedade com meus argumentos.

Recebi há poucos dias alguns livros para ler e comentar. Entre eles dois de publicação da Andross Editora. São eles: Anno Domini e O livro negro dos vampiros. Este último eu terminei de ler agorinha há pouco.

Salvo a bela capa, impossível acreditar que houve uma seleção realmente criteriosa, fundamentada na qualidade dos trabalhos recebidos, como defendido na apresentação da obra. São 53 trabalhos, os mais diversos. Tantos que me absterei de comentá-los um a um, tarefa que me absorveria demais.

Devo ressaltar que alguns contos conseguiram me fazer criar categorias novas de avaliação. Assim, criei o duplo Eca! e o triplo Eca!. O último concedido a apenas um conto, cujo autor merece meus sinceros e entusiásticos aplausos.

Também me decepcionou a revisão (fragilíssima) e a diagramação.

Vamos aos contos, autores e avaliações:

1-    Mais uma noite – Liz Marins –

2-    Reflexos de um vampiro sobre reflexos – Léo Vitor –

3-    Nem alfa, nem ômega – Gustavo Campello –

4-    Nina e Nicolau – André L. Pavesi –

5-    A investida do vampiro, em três atos – Renato Arfelli –

6-    Lextalions: O segredo de Caim – Marcelo Aceti –

7-    Um vampiro em minha vida – Tânia Rocha –

8-    Sacramento – O início – Marcos T. Nogueira –

9-    Segundas intenções – Silvio Alfredo de Oliveira Augusto –

10- Axius – Fábio Fabrício Fabretti –

11- Branco como a neve… – Vitória Hellsing –

12- Santa Rosa – Samuel DC –

13- Dark Road – W.P. Conspícuo –

14- A vítima perfeita – Marcio Renato Bordin –

15- Caça e Caçador – Tales de Azevedo –

16- Valores, desejos e Dry Martini – Ary P. Hahne –

17-  O melhor das safras – Vitor Alcântara –

18- A primeira noite – Rodolfo Mattos –

19- A vingança de Simon – Rafael Bernini –

20- Sombra sombria – Felipe F. Lopes –

21- Tempos modernos – Kathia Brienza –

22- Memória póstuma – Luciana Baccarin –

23- Encontro eterno – Rodrigo Bruno –

24- Amor no sangue – Maria do Carmo Fortuna –

25- A gênese do mal – Alexandre Copelli –

26- A última batida de meu coração – Ricardo Delfin –

27- O mistério dos papeis – Graziele Ruiz –

28- Garuda – Bruno Miguel Rosende –

29- Preto da noite, vermelho do sangue – Guilherme Sandi –

30- Ato profano – Lady Wilmot –

31- Resguardos noturnos – Renato Zapata Kannebley –

32- O resgate – Mariam Santiago –

33- Santo Sepulcro – Denise M. Guimarães –

34- Somos vivas, enfim – Emilia Ract –

35- O último quadro – Alex Sens Fuziy –

36- Olhar desluzido – Luciana Fátima da Silva –

37- O vampiro da consolação – Lizi Tequila –

38-  Você tem fé? – Juliana Ribeiro Cintra da Cruz –

39-  Maldição – André Caniato –

40- Destino – Vampy Lu –

41- Escolhas – M.J. Borghi –

42- Fome – Cesar de Lima –

43- Quase Jolie – Eunice Bemfica –

44-  A caçada – Helena Gomes –

45-  Zapping – Brontops –

46- O último manuscrito – Ed Wanger –

47- El mosquito – Denize Müller –

48-  Passione Nocturnale – Dimítry Uziel –

49- Charlote e o espelho – Ebbios Traumer –

50- Maternidade – Claudio Brites –

51- Vitela – Tiago Araújo –

52- No dobrar da hora morta – Kizzi Ysatis –

53- Um conto de vampiro – Octavio Cariello –

Já é difícil conseguir manter uma média de qualidade considerada boa numa coletânea com uma dúzia de trabalhos reunidos. Que dirá numa com 53?

Por outro lado, a quantidade de contos ruins e muito ruins é grande demais para aceitar que houve preocupação mínima com boa qualidade. Com as avaliações dadas, a coletânea O livro negro dos vampiros recebe um como avaliação final.

Mais um bom argumento contra as coletâneas caça-níqueis. E lamento pelos autores que, sem nenhuma condição de publicar, foram aceitos nesse livro. Bom para o ego, mal para a imagem. Que burilem melhor seus futuros trabalhos e não pensem em publicar antes de terem a mais absoluta certeza de que tenham atingido um nível aceitável de qualidade.

Livros recebidos para leitura e comentários.

19/07/2010

Um querido e talentoso autor, a quem muito admiro, deixou-me, pessoalmente, essas preciosidades para leitura. Dois livros da Terracota e dois da Andross. Não vou negar que sempre tive vontade de ler os livros da Andross, as famosas coletâneas caça-níqueis, mas nunca tive coragem de investir um centavo que fosse na empreitada. Recebê-los, agora, foi, para mim, um grande prazer e a realização de um desejo.

Realizar desejos nem sempre é bom (cuidado com o que desejas, podes acabar conseguindo). Espero que eu não me arrependa.

Aguardem para breve meus comentários.

Cartas do Fim do Mundo. É amanhã!

11/12/2009

Não deixem de comparecer ao lançamento que será amanhã, 12 de dezembro, as 15h, na livraria Martins Fontes da Av. Paulista, 509 – pertinho do metrô brigadeiro.

Organizado por Claudio Brites e Nelson de Oliveira, o livro publicado pela Terracota Editora reúne treze cartas de autores novos e consagrados, escrita lá do fim dos tempos. Mais precisamente do dia 31 de julho de 2013, quando o mundo realmente terá seu fim.

Há ainda uma carta apócrifa e um artigo científico da Dra. Nicole Hudson, traduzido pelos organizadores, que trata dos documentos antigos de várias civilizações e de seus indícios sobre o fim dos tempos e sobre a data supracitada.

Os autores são: Moacyr Scliar, Raimundo Carrero, Marcelino Freire, Márcio Souza, Fausto Fawcett, Braulio Tavares, Xico Sá, Menalton Braff, Luis Dill, Luiz Bras, Marne Lucio Guedes, Brontops Baruq, Moacyr Godoy Moreira e Claudio Brites.

Nada melhor que um excelente livro para fechar um ano que foi pra lá de bom na literatura de gênero nacional.

Terracota Editora – Última coletânea do ano.

09/11/2009

Cartas do fim do mundo

Para fechar o ano com chave de ouro, a Terracota Editora lança o livro Cartas do fim do mundo. Organizado por Claudio Brites e Nelson de Oliveira, o livro reúne treze cartas de autores novos e consagrados, escrita lá do fim dos tempos. Mais precisamente do dia 31 de julho de 2013 (data de aniversário deste blogueiro, que honra!), quando o mundo realmente terá seu fim.

Há ainda uma carta apócrifa e um artigo científico da Dra. Nicole Hudson, traduzido pelos organizadores, que trata dos documentos antigos de várias civilizações e de seus indícios sobre o fim dos tempos e sobre a data supracitada.

Os autores são: Moacyr Scliar, Raimundo Carrero, Marcelino Freire, Márcio Souza, Fausto Fawcett, Braulio Tavares, Xico Sá, Menalton Braff, Luis Dill, Luiz Bras, Marne Lucio Guedes, Brontops Baruq, Moacyr Godoy Moreira e Claudio Brites.

Texto da quarta capa:

Está escrito. O mundo vai acabar no dia 31 de julho de 2013. Entre meio-dia e 13h13, no horário de Brasília. Fim. Esqueça qualquer outra previsão que você já tenha visto, pois ela está totalmente errada. Acredite, esse é o dia (13), o mês (julho) e o ano (2013) do fim de nossa existência. Como será? Não há como saber. Os textos sagrados analisados não prevêem causas. Ao contrário, abrem um amplo leque de probabilidades catastróficas e deixam que a imaginação de cada um descubra os detalhes. E você sabe muito bem que bons e maus motivos para o fim não faltam.

Os manuscritos sagrados só falam que tudo vai acabar, e no instante final nós finalmente saberemos se a verdade é uma ilusão e se o tempo não existe. Nesse momento último, poderemos tocar o germinar de nossa existência. Ou, como fizeram os treze escritores aqui reunidos, enviar uma carta aos nossos antepassados contando como tudo terminou.

Como foi o fim do mundo.