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Anno Domini. Lido e comentado.

12/08/2010

Quando terminei de ler a coletânea O livro negro dos vampiros, a imagem que criei dessas coletâneas caça-níqueis foi exatamente a de um conjunto de contos sem qualidade suficiente nem para sair da gaveta ou da lixeira do autor pretendente ao título de escritor, salvo raras exceções.

Iniciei a leitura de Anno Domini (organizado por Claudio Brites e Helena Gomes) com a certeza absoluta de estar mergulhando noutra coletânea que acabaria me deixando aborrecido.

São cinquenta e três contos tematizados. Idade média.

Cinquenta e três narrativas cujas abordagens são extremamente recorrentes. Vinganças a mão cheia, belas donzelas, cavaleiros de armadura reluzente, castelos, magos, orcs, elfos, camponeses e morte. Muita morte. Carnificinas horríveis.

Me espanta que existissem tantas camponesas habitando sob condições rudes, oprimidas por vontades acima das suas, laborando no campo arduamente do nascer do Sol ao ocaso, belas. Belíssimas. Cabelos soltos ao vento como num comercial da Revlon, rostos angelicais de pura beleza, olhares meigos, pele macia e alva… Fico boquiaberto com isso. Pensava, sinceramente, que as camponesas, em sua esmagadora maioria, nas condições em que viviam (principalmente nas condições citadas na maioria dos contos), fossem menos charmosas.

Imagino mulheres rudes, cabelos desgrenhados, mão e pés calosos, unhas quebradas (nem todas tem calçados apropriados), pele poeirenta e suada, sovaco de dias e ranho no nariz.

Mas a imaginação dos autores dessa coletânea prova que pode vencer as limitações impostas pela realidade e criar ambientes e cenários mágicos nas mais improváveis situações.

Podem pensar que estou a afiar a minha espada, pronto para, num golpe certeiro, arrancar a cabeça dos organizadores dessa coletânea. Mas estão errados.

Surpreendi-me com contos bons. Surpreendi-me com contos médios numa escala larga (aqui, serve um adendo. Muitos contos médios seriam considerados ruins, mas preferi conceder pontos àqueles que, de alguma forma, tentaram quebrar paradigmas ou surpreender o leitor, mesmo que com uma ideia um pouquinho mais arrojada. Isso não significa que, se fosse eu a organizar a coletânea, eles seriam aceitos).

Há, claro, contos ruins e não haveria como não tê-los, também aos Ecas, Duplo Ecas e até dois Triplo Ecas.

Mas li dois a quem atribui um Uau! E isso me causou espanto.

Separando o joio do trigo, peneirando bem, eu daria a essa coletânea um Médio. Acreditem, trata-se de uma avaliação bem diferente da realizada com O livro negro dos vampiros, que recebeu Eca! sem chances para apelação. Isso não significa que eu esteja mudando meus conceitos em relação a essas coletâneas. Ainda as abjuro. Mas dou a mão à palmatória: talvez nem todas sejam tão ruins assim.

Agora vamos aos contos, respectivos autores e consequentes avaliações:

1- Os quatro – Claudio Brites – Médio

2- A batalha do cavaleiro negro – Renato Arfelli – Médio

3- O Graal e o contador de histórias – J. Feltrin – Médio

4- O bolor e o frio – V. Netto – Ruim

5- Uma noite na Taberna – Kathia Brienza – Bom

6- Um breve segundo – Leandro Chernicharo – Ruim

7- O último relato – Gabriel Torres – Médio

8- Você! – Rafael de Agostini Ferreira – Ruim

9- Batismo de fogo – Leandro “Radrak” Reis – Bom

10- A peste – Chico Anis – Médio

11-  Desata-me! – Helena Gomes – Uau!

12- A poção dos desejos – Victor Maduro – Médio

13- Sonhos de outrora – Addam – Médio

14- Na escuridão gelada – André L. Pavesi – Médio

15- O preço da vingança – Nazarethe Fonseca – Bom

16- O dragão da noite e a rosa de chamas – Marcos Lopes – Duplo Eca!

17- O forte das rosas – Thiago Lobo – Médio

18- Cassandra Corbu – Ademir Pascale – Médio

19- O algoz do verão – Thiago Cabello – Ruim

20- A fé dos inocentes – Sergio Sparsbrod – Ruim

21- O Drakkar de Leif Eriksson – Jonatas Turcato Syrayama – Bom

22- O misterioso caso do unicórnio azul – Douglas MCT – Médio

23- Obsessão – Hanna Liis-Baxter – Médio

24- A idade das trevas – Almir Pascale – Ruim

25- Andarilha – Rúbia Cunha – Ruim

26- Esperando pela morte – Claudio Villa – Médio

27- O príncipe – Danny Marks – Médio

28- A filha da parteira – Angel – Bom

29- Reino das trevas – Ana Luiza da Silva Garcia – Ruim

30- Kidush Hassen – Bruno Freitas Oliveira – Bom

31- A morte negra – Arlete Sobral – Triplo Eca!

32- A noiva de lúcifer – Ricardo Delfin – Bom

33- Santo cavaleiro – Rossana Santos – Ruim

34- Prisioneiro – Márcio Aragão – Ruim

35- A peregrinação de um camponês oprimido – Karina Brossi – Ruim

36- Reversos – Raphael Draccon – Eca!

37- Asas – Madô Martins – Bom

38- O ferreiro mágico – Paulo Dumi – Ruim

39- Hoje, na idade média – Rodrigo Prata – Eca!

40- A menina Elfa – Albarus Andreos – Médio

41-  Proibido – Monica Sicuro – Ruim

42- Vendeta – José Roberto Vieira – Uau!

43- Dias de sombra – Livany Salles – Médio

44- Krispin – Gustavo Lopes – Ruim

45- Vastidão – J.B. Alves – Ruim

46- Herança maldita – Gabriel Torres – Bom

47- Desejo – Kathia Brienza – Bom

48- Vingança – Bruno Schlatter – Triplo Eca!

49- A faca cravada – Brontops – Bom

50- Inverno – Ruim

51-  Prisioneiro da suspeita – J. Feltrin – Bom

52- As três pedrinhas – Nicolas Vasconcelos – Bom

53- Do pó ao pó – Helena Gomes – Bom

Talvez vocês se perguntem onde andam os emoticons. Acontece que dá trabalho inseri-los e preferi ficar na preguiça. Quem sabe na próxima :).

Brinquedos Mortais anuncia autores selecionados.

05/04/2010

Foram, desde o início do chamado de submissão até agora, mais de quatro meses. Tempo bastante para convidados e concorrentes prepararem seus trabalhos, exercitarem sua prosa e, com talento, ajudarem a construir uma boa coletânea.

Já estava mais que na hora de trazer a público os vencedores entre os candidatos às quatro vagas restantes, sendo que as outras oito já estavam reservadas aos autores Luiz Bras, Carlos Orsi, Lúcio Manfredi, Braulio Tavares, Roberto de Sousa Causo, Ataíde Tartari, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz.

Foram mais de 50 contos enviados. Muitos fragilíssimos, alguns razoáveis e alguns muito bons. Fazer a escolha final não foi fácil e fiquei pendente entre dois autores por bastante tempo, evitando decidir sem ter certeza absoluta de não estar cometendo alguma injustiça.

Os quatro escolhidos são:

1- Sid Castro com McGuffin.

2- João Beraldo com Brinquedo perfeito.

3- Brontops Baruq com Astronauta.

4- Pedro Vieira com Austenolatria.

Meu muito obrigado a todos os que mergulharam de cabeça nesse projeto, contribuindo com seus trabalhos, aprovados ou não.

Agora é tocar a bola para a frente, que as livrariam nos esperam.

Brinquedos mortais está no fim.

24/03/2010

Brinquedos Mortais vive momentos de decisão. De todos os contos recebidos, existem seis deles aprovadíssimos. O problema é que só há quatro vagas. Pretendo resolver a pendenga ainda esta semana e anunciar os quatro finalistas na próxima segunda-feira.

Como era esperado, muitos contos foram enviados de última hora. Alguns chegaram depois da hora. Muitos estavam distantes do tema proposto e muitos não tinham qualidade nem para serem aprovados pela mamãe do autor.

Foi uma ciranda de leituras atentas e algumas irritadas.

Existem contos não aprovados, mas bastante bons que vou indicar para outras coletâneas, se os autores não se incomodarem com isso, claro.

E, finalmente, chegamos ao final de um processo instigante, curioso e cansativo.

Fiquem no aguardo. Agora só faltam poucos dias.

Brinquedos Mortais encerra fase de submissão.

01/03/2010

Agora é oficial.

O prazo de submissão para os candidatos às quatro vagas restantes da coletânea Brinquedos Mortais se encerrou ontem à meia-noite. Nos últimos três dias chegaram bastantes contos, comprovando, afinal, que o brasileiro gosta mesmo é de deixar tudo para a última hora.

Existem, já, dois contos selecionados. Os outros dois deverão ser escolhidos nos próximos dias. Se, contudo, dos contos em mãos, uma ou as duas vagas restantes não forem preenchidas, não nos acanharemos em convidar autores não participantes (nem através de convite, nem através de submissão) na tentativa de preenchê-las.

Nem passa pela nossa cabeça estender o prazo de submissão, dando novas chances a novos candidatos.

Agradecemos a todos que exercitaram sua narrativa e nos mandaram seus trabalhos.

Recebemos de alguns a solicitação de uma leitura crítica, avaliativa, de seus contos. Não faremos isso. Demandaria um tempo de que não dispomos, assoberbados por compromissos pessoais, além dos assumidos com essa coletânea.

Brinquedos Mortais segue seu curso.

Brinquedos Mortais quebra recorde do blog.

08/12/2009

Só nos três primeiros dias de chamada para a coletânea, o artigo teve um número de acessos surpreendente. 824 hits. Claro que muitos voltaram mais de uma vez para reler o chamado. Mesmo assim a quantidade de interessados é grande.

Prevejo bastante trabalho se todos resolverem entregar os contos nos últimos dias do prazo oferecido. Faço, então, um pedido. Não, uma súplica. Procurem entregar seus contos antes do limite para que tenhamos TEMPO hábil de ler e avaliar cada um com a atenção merecida.

E pau na tábua, que essa coletânea vai ser um sucesso.

Procuram-se autores para nova coletânea.

02/12/2009

Eu e Saint-Clair Stockler estamos organizando uma nova coletânea, essa exclusivamente de ficção científica, tanto hard quanto soft, e ainda em qualquer um de seus subgêneros.

Procuramos 4 autores para, junto a outros 8 previamente convidados, integrar um grupo de 12.

O tema será “Brinquedos do futuro” e o título do livro Brinquedos mortais.

Queremos contos inéditos que causem desconforto, perturbação, medo, perplexidade, inquietação. Contos que fujam dos clichês ou os utilizem de forma criativa e original.

O tamanho dos contos não poderá exceder 12 páginas formato A4, tabulação padrão do Word, fonte Times New Roman, corpo 12, com entrelinhas de 1,5.

Antecipamos que contos mal escritos, com evidente descuido de revisão e forma, serão descartados logo de início. Os 4 aprovados publicarão ao lado de seis “feras” da ficção científica brasileira.

São eles: Ataíde Tartari, Braulio Tavares, Carlos Orsi Martinho, Lúcio Manfredi, Luis Brás (heterônimo de Nelson de Oliveira), Roberto de Sousa Causo, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz.

Os contos deverão ser enviados até o dia 28 de fevereiro de 2010 para o email: brinquedosmortais@gmail.com

A editora parceira é a Editora Draco e a publicação tem previsão para até junho de 2010.

Queremos MUITA transpiração de todos.

Bom trabalho!

Terracota Editora – Última coletânea do ano.

09/11/2009

Cartas do fim do mundo

Para fechar o ano com chave de ouro, a Terracota Editora lança o livro Cartas do fim do mundo. Organizado por Claudio Brites e Nelson de Oliveira, o livro reúne treze cartas de autores novos e consagrados, escrita lá do fim dos tempos. Mais precisamente do dia 31 de julho de 2013 (data de aniversário deste blogueiro, que honra!), quando o mundo realmente terá seu fim.

Há ainda uma carta apócrifa e um artigo científico da Dra. Nicole Hudson, traduzido pelos organizadores, que trata dos documentos antigos de várias civilizações e de seus indícios sobre o fim dos tempos e sobre a data supracitada.

Os autores são: Moacyr Scliar, Raimundo Carrero, Marcelino Freire, Márcio Souza, Fausto Fawcett, Braulio Tavares, Xico Sá, Menalton Braff, Luis Dill, Luiz Bras, Marne Lucio Guedes, Brontops Baruq, Moacyr Godoy Moreira e Claudio Brites.

Texto da quarta capa:

Está escrito. O mundo vai acabar no dia 31 de julho de 2013. Entre meio-dia e 13h13, no horário de Brasília. Fim. Esqueça qualquer outra previsão que você já tenha visto, pois ela está totalmente errada. Acredite, esse é o dia (13), o mês (julho) e o ano (2013) do fim de nossa existência. Como será? Não há como saber. Os textos sagrados analisados não prevêem causas. Ao contrário, abrem um amplo leque de probabilidades catastróficas e deixam que a imaginação de cada um descubra os detalhes. E você sabe muito bem que bons e maus motivos para o fim não faltam.

Os manuscritos sagrados só falam que tudo vai acabar, e no instante final nós finalmente saberemos se a verdade é uma ilusão e se o tempo não existe. Nesse momento último, poderemos tocar o germinar de nossa existência. Ou, como fizeram os treze escritores aqui reunidos, enviar uma carta aos nossos antepassados contando como tudo terminou.

Como foi o fim do mundo.

Imaginários dá as caras!

17/10/2009

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Finalmente temos as capas definitivas dos dois primeiros volumes da coleção Imaginários. Estão incríveis!

No primeiro volume teremos: Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales e Richard Diegues.

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No segundo volume: João Barreiros, Saint-Clair Stockler, Jorge Candeias, Alexandre Heredia, Eric Novello, Sacha Ramos, Luís Filipe Silva, Tibor Moricz e André Carneiro.

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Através dos séculos, escritores têm explorado o limite das idéias e da linguagem, dando vida a magos e imperadores, despertando vampiros e zumbis de suas covas, viajando por universos inteiramente desconhecidos, enfrentando a morte em labirintos infinitos, criando seres fantásticos que habitam as sombras da nossa imaginação. Os bardos das praças públicas se transformaram em mestres dos livros, colocando no papel toda a sua criatividade. Mais tarde, as histórias invadiram sites e blogs, migraram para celulares, fugiram das páginas e ganharam vida própria. Mas uma coisa permanece igual até hoje: a capacidade de encantar o leitor.

Grandes e novos autores exploram infinitos imaginários nesta antologia da Editora Draco. A coleção Imaginários trará, a cada volume, contos inéditos que encontrarão o fantástico em todas as suas variantes, contando histórias de ontem, de hoje, de amanhã e – por que não? – de nunca. Conheça esse maravilhoso universo e reimagine a literatura fantástica.

Preparem-se para uma coleção de sucesso.

Pequena mostra de capa da nova coletânea.

09/10/2009

CAPA1

Eu havia prometido revelar o nome da coletânea organizada por mim, Saint-Clair Stockler e Eric Novello, as capas dos dois volumes e a editora envolvida no processo. E promessa é dívida.

A Imaginários será lançada pela Draco Editora (para ver a capa toda, acessem o link da editora). A ilustração acima é uma parte, apenas uma parte, de todo o belíssimo trabalho que será feito sobre as capas da coletânea.

Anseio por comentários. Opiniões. Elogios. Broncas. Reclamações. Exclamações… Qualquer coisa. Mas não fiquem quietos, por favor!

O vírus da pasmaceira me pegou.

02/10/2009

PREGUIÇOSO

A última vez que escrevi um conto ou o mais recente capítulo de meu novo romance foi há três meses. De lá para cá não tenho escrito linha alguma, a não ser estas que preenchem espaço no meu blog.

Fui convidado para duas coletâneas e tenho prazo até final de dezembro para entregar o material. Ah, é bastante tempo, dirão. Com certeza que é. Mas sabendo como sou, vou acabar escrevendo esses contos só nas últimas duas semanas do prazo.

Eu sou assim. Sazonal. Às vezes sou possuído pelo demônio da palavra (parafraseando o Braulio Tavares) e me meto a escrever de cinco a sete páginas por dia, todos os dias, menos aos sábados e domingos. Começo e acabo com um romance em quatro meses, no máximo. Escrevo um bom conto em dois dias.

Mas ultimamente, pensar em escrever algo mais que artigos pro blog já me dá uma canseira, uma preguiça tão grande…

Quando vou sair desse estado catatônico? Em dezembro, com certeza.

Mas sairei em grande estilo. Podem apostar.