Posts Tagged ‘contos’

Mais espaço para seus contos.

23/03/2011

A revista Outros Ares vem aí.

Não é incomum ouvir reclamações de gente que tem contos bons para publicar e não consegue encontrar espaço, senão no próprio blog ou nos blogs dos amigos.

São poucas as revistas virtuais (acessíveis) disponíveis (alguém me empresta um binóculo, não estou enxergando nenhuma) e a concorrência sempre é acirrada.

Agora surgem mais duas opções. Parece confuso, mas não é. A revista virtual é uma só, mas também disponibilizará os trabalhos em formato de e-book para serem lidos em computadores, tablets e e-readers.

Isso não significa que a concorrência será menos acirrada, mas uma revista virtual a mais é sempre uma revista virtual a mais :).

Conheçam a Outros Ares, seus editores, sua proposta e boa sorte! Eles avisam que aceitam trabalhos de todos os gêneros desde que sejam BONS!

http://outrosares.wordpress.com/

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Caso pessoal. Autocrítica e ineditismo.

26/08/2010

Semana passada um amigo me questionou sobre contos meus disponíveis na internet e perguntou por que eu não publicava mais. Que deveriam existir mais trabalhos meus a disposição dos leitores.

Tenho um ritmo de publicações bastante modesto. Desde que publiquei meu primeiro livro, Síndrome de Cérbero, só tornei público onze contos até agora. Além do fix-up Fome, é claro.

Meu ritmo de publicações não é lento porque produzo pouco, mas sim porque sou muito crítico com as coisas que escrevo e não quero ver trabalhos mal acabados soltos por aí. Tenho uma porrada de contos guardados na gaveta. Alguns deles nunca verão a luz do Sol. Outros só aguardam o momento certo para serem libertos.

Também tem o lance de não tornar contos inéditos em não inéditos, publicando-os virtualmente de forma indiscriminada.

Acho curioso como alguns publicam repetidamente (Me refiro a publicações “finais”, em sites de contos ou blogs voltados à literatura de gênero, e não àquelas feitas com o propósito único de angariar opiniões, em sites próprios e divulgados em comunidades que funcionam como uma espécie de oficina literária), pouco se importando com a crítica ou com a imagem que vão deixar. Claro que não há textos incólumes à crítica. Mesmo o melhor deles. Cada leitor tem um viés, faz uma análise baseada em critérios próprios que não combinam necessariamente com os dos outros.

Textos mal acabados depõem contra o autor. Várias vezes tive a oportunidade de ver trabalhos assim serem criticados e o autor se desculpar, concordando com a crítica. E depois publicar de novo, apresentando os mesmos problemas já apontados e ouvir as mesmas críticas e voltar com as mesmas desculpas. É bizarro.

Os contos meus que foram publicados são estes:

Ordem Crepuscular (Ma Cherie) – No CLFC ou em livro próprio impresso pela Secretaria da Cultura de Araraquara.

Eu te amo, papai – 2º volume da Coleção Imaginários

Cibermetarealidade – Coletânea Contos Imediatos

Filamentos iridescentes como numa chuva de neon – Orkut – 1º Concurso de Contos Braulio Tavares 2008.

Passagem para o hoje seguinte – Revista Kaliopes

Do human dreams of other realities – Revista Terra Incógnita

Gárgulas – É só outro blogue

O duelo – Revista Scarium

Mandinga tem poder – Revista Machado e Scarium

Pôr-do-Sol – É só outro blogue

O franco atirador – Terroristas da Conspiração

Há, ainda, o conto Mundo fatal, escrito a quatro mãos com o Calife para a chamada Pulp Ficcion a portuguesa, organizado pelo Luis Filipe Silva, a noveleta Variável da imponderabilidade, apresentado, sob convite, ao Marcelo Branco para uma coletânea internacional que ele está organizando para a Editora Devir e o conto Eu sou foda!. No primeiro caso, já aprovado, aguarda publicação. No segundo, recusado, volta à gaveta. E o terceiro está prestes a ser divulgado no PODespecular, transformado em PODficcion (uma proposta que considero inovadora e criativa. Não merecia menos que um conto inédito) a convite de Paulo Elache.

Vou explicar a recusa do Marcelo Branco, para que não pensem que se trata de trabalho abaixo da crítica. Ele foi inicialmente aprovado, com francos elogios. Mas houve uma solicitação de alteração que julguei melhor não fazer (mudar o local da trama, dos EUA para outro País qualquer). Então o conto ficou no aguardo. Seria aprovado e integraria a coletânea se algum convidado estrangeiro desistisse. Como não houve essa desistência, minha noveleta ficou de fora. Se juntará a outra coletânea, assim que houver um convite. É premissa do autor aceitar ou não um pedido de alterações feito pelo editor. É premissa do editor recusar o trabalho cujas alterações não foram feitas. É a regra do jogo.

Então são essas as razões que torno impeditivas de sair por aí publicando meus contos em sites e blogs.

Além da preocupação com a qualidade, também prezo o ineditismo, fundamentalmente.

 

Uma nova antologia vem aí!

25/09/2009

Eu, Saint-Clair Stockler e Eric Novello nos unimos em torno de uma idéia.

Um dia chamou-se “Projeto 20”. Pretendia, por obviedade, reunir vinte autores de literatura fantástica numa antologia lusófona. Convites foram feitos. Muitos aceitos. Poucos recusados.

O tempo passou e os trabalhos de organização eram constantes. Mas a editora, até aquele momento comparte, fechou as portas a esse projeto. Meio que boiando em mar revolto, ficamos ao sabor das ondas, no aguardo de uma calmaria.

Nesse ínterim, alguns autores pularam fora. Imaginaram que a água que viam era sinal de naufrágio.

Mal se davam conta de que era a piscina que estávamos enchendo.

A tempestade foi embora, as águas pararam de se agitar e o que era “Projeto 20” ganhou novas feições, mais vigorosas, mais encorpadas. Recebeu novo nome. Ganhou novos e renomados autores, encontrou uma editora parceira e, finalmente, virá ao mercado em dois volumes finamente trabalhados num dedicado esforço editorial.

Os escritores assinaram contratos e receberão direitos autorais. Exatamente como deve ser.

Obrigado a todos os que permaneceram neste barco, agüentando o tranco durante a tormenta e aos demais que atenderam ao chamado, integrando este coletivo. São vocês que farão o nosso sucesso.

Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales, Richard Diegues, João Barreiros (Portugal), Saint-Clair Stockler, Jorge Candeias (Portugal), Alexandre Heredia, Eric Novello, Sacha Ramos (Portugal), Luís Filipe Silva (Portugal), Tibor Moricz, André Carneiro.

Braulio Tavares estava conosco até os últimos momentos. Infelizmente, foi vencido por um sótão. Mas não faltarão outras oportunidades.

Aguardem! Nos próximos dias revelaremos o nome dessa antologia, a editora e as capas.

Portal Stalker, primeiras impressões

27/07/2009

Li até agora 12 contos. Faltam ainda bastantes para acabar. Acho que já posso ir postando meus comentários a respeito.

Os portais anteriores tiveram, todos, altos e baixos. É o que se espera de coletâneas. Difícil manter o nível de qualidade lá em cima, mesmo porque quem decide esse nível é o leitor, cuja análise é sempre muito subjetiva. O que agrada a uns, desagrada a outros.

O Portal Stalker não poderia ser diferente.

Conto 1 – Gigantes (Mayrant Gallo)

Um conto que me surpreendeu. Fantástico em todos os sentidos. Além de escrever muito bem, Mayrant conseguiu me manter fixo na leitura, acompanhando a aventura do liliputiano protagonista. Talvez digam que estou errado, mas para mim o principal personagem é o pequeno homem sem utilidade.

Conto 2 – O novo protótipo (Roberto de Sousa Causo)

Via de regra, gosto do que o Causo escreve. Dessa vez não foi muito diferente, embora tenha reclamações com relação a este conto. Algumas coisas ficaram sem explicação e muitos eventos pareciam ocorrer simplesmente porque tinham que ocorrer. Senti falta de emoção, não fui fisgado, não me provocou ansiedade pelo final.

Conto 3 – Ontem ferido (Maria Helena Bandeira)

Um conto belo, mas escrito para não ser entendido.

Conto 4 – Alguém que fui (Maria Helena Bandeira)

Idem anterior. Até pensei que tivesse alguma ligação, sei lá.

Conto 5, 6 e 7 – Kripton, Os quereres e Buraco no céu (Brontops)

Até agora os melhores contos dessa coletânea. Muito bem escritos e com miolo. Meus parabéns ao autor cuja alcunha me lembra o período jurássico ou remédio para os brônquios.

Conto 8 – Wharia avariada (Marco Antônio de Araújo Bueno)

Incompreensível.

Conto 9 – Nonsensal (Marco Antônio de Araújo Bueno)

Nonsensal é um título bastante adequado a um conto que nos brinda com absoluto nonsense. Me pergunto o que o autor tem na cabeça quando escreve coisas sem nenhuma compreensão possível (pelo menos para mim). Para que leitor ele os escreve? Para si mesmo? Na minha opinião, um escritor não é para si, é para os outros.

Conto 10 – Holograma (Marco Antônio de Araújo Bueno)

Esse conto dele é melhor, embora exagere nos ecos. Ufa…

Parece existir entre alguns autores o afã de produzir obras com “O”, usando para isso (no presente caso) a literatura de gênero (que não exige necessariamente um conteúdo linear, mas que seja ao menos inteligível).

O que acabam conseguindo é um tipo de literatura “loura burra”, que apresenta ótima aparência, mas nenhum conteúdo.

Recentemente tem havido uma salutar discussão iniciada por Nelson de Oliveira e alimentada por Roberto de Sousa Causo, onde se discute a distância entre a literatura mainstream e a de gênero, e como ambas podem interagir.

A literatura mainstream privilegia a forma, enquanto que a de gênero, o conteúdo. Querer escrever a de gênero desprezando o conteúdo vai acabar criando outro subgênero para se unir a tantos outros: a literatura bizarra, ou lobotomizada.

Então, pelamordeDeus… Escrevam preocupados com a forma, mas não desprezem o conteúdo. A FC precisa de novos leitores e não de mais preconceito.

Nos próximos dias posto meus comentários a respeito do resto dos contos do Portal Stalker.