Posts Tagged ‘Duda Falcão’

Escreva seu conto! Participe de 2013 – Ano um.

08/07/2011

2013 – Ano um é uma iniciativa da Editora Ornitorrinco e Editora Literata e tem como organizadores Alicia Azevedo e Daniel Borba. Está aceitando submissões do dia 10 de julho a 15 de setembro.

Não é um prazo muito longo, então sugiro aos interessados que metam mãos à obra desde já.

Serão escolhidos alguns contos inéditos (não há quantidade definida) que farão companhia aos trabalhos dos seguintes autores convidados:

Roberto de Sousa Causo
Gerson Lodi-Ribeiro
Tibor Moricz
Ana Lúcia Merege
Ademir Pascale
Duda Falcão
Adriano Siqueira

Aproveitem. 2013 – Ano um será um excelente palco para desfiarmos nossas esperanças ou desesperanças na raça humana. Utopias e distopias são muito bem vindas.

Saibam dos detalhes nesse link:
http://www.editoraornitorrinco.com.br/2013/sinopse.html

Sagas volume 2 – Lido e comentado

17/06/2011

Recebi de Duda Falcão os volumes 1 e 2 da série Sagas, editado pela Argonautas (2011). Li primeiro o volume que tem como tema o Estranho Oeste (2). Sem dúvida, influenciado por minha publicação recente, O Peregrino.

Esse volume apresenta Alicia Azevedo, Christian David, Duda Falcão, M.D. Amado e Wilson Vieira como autores convidados. Formato de bolso, 12×18 e 141 páginas. Capa atraente (Fred Macedo) e diagramação simples, mas bacana.

1- Bisão do Sol poente – Duda Falcão
Caçador de recompensas chega a uma cidade em busca de um criminoso e seu bando. Encontra todas as pessoas mortas, desfiguradas, como se atacadas por algum monstro ou animal feroz. O criminoso procurado, porém, não está lá. Conhece um xamã Sioux no caminho e, com ele, estabelece uma ligação mágica que pretende vencer o criminoso e aprisionar o apavorante monstro que o acompanha. Trata-se de uma narrativa sem grandes emoções e pontuada por clichês tradicionais em histórias do gênero. Seria melhor não fosse o uso de expressões que, confusas ou forçadas, acabam servindo para atrapalhar a leitura. “atabalhoar seus pensamentos”, “línguas brasis”, “inefável destino”, “fricção dos cascos brasis” e por aí afora. MÉDIO

2- Aproveite o dia – Christian David
Homem sensitivo, conhecido como “O Profeta”, em meio a um contrato de trabalho não esclarecido, entra num saloom para comer alguma coisa e se vê preso numa maldição que cerca o lugar. Para se ver livre (ou ficar eternamente aprisionado) e libertar as pessoas que estão lá dentro, precisa executar um serviço junto à dona do lugar, que tem ligações com Vodu. Narrado em primeira pessoa o conto consegue prender a atenção , embora o autor ainda precise afiar a sua prosa. O estilo Noir segue bem seu curso e o leitor é apresentado a um cenário de horror que consegue arrancar alguns sorrisos. BOM

3- Fé – Alicia Azevedo
Irmã religiosa sobrevive milagrosamente a um massacre onde crianças inocentes são assassinadas. Trocando o Senhor a quem deposita a sua fé, a irmã se mostra uma caçadora de penitentes, em busca de almas perdidas. Esse conto me lembrou nem tão vagamente o filme Nude Nuns with big guns. Gostei da prosa, da condução e do argumento. MUITO BOM

4- Justiça… Vivo ou morto! – M.D. Amado
Pistoleiro afeiçoa-se por um jovem que pretende vingar a morte da família, massacrada por índios, e pretende ajudá-lo. Só não se deu conta ainda que o jovem não é mais um ser humano normal. Boa história, tem sustos e reviravoltas interessantes. O final foi coerente. BOM

5- The gun, the evil and the death – Wilson Vieira
Pistoleiro implacável e intolerante acaba tendo que enfrentar um julgamento nada tradicional, com jurados nada convencionais. Não bastasse o argumento nada original, o conto é recheado exageradamente de estrangeirismos desnecessários e, às vezes, específicos demais, que nada acrescentam ao enredo propriamente dito (ah, serve bem pra mostrar a cultura de cenário e ambiente que o autor tem, mas isso não enriquece outra coisa senão o ego dele). Ranch em vez de rancho, Rancher em vez de Rancheiro, Killer em vez de matador, Cucarachas em vez de baratas, Pimientas em vez de pimentas, Kerozene em vez de querosene, Peones em vez de peões, Hacienda em vez de Fazenda e outras, aos montes. Fora o nome do protagonista, Ketchum, que me lembra Ketchup o tempo inteiro. A cereja do bolo foi o final declaradamente lambe saco onde a Argonautas e a série Sagas se transformam em ficção dentro da história. Descobri que o que era ruim podia ficar ainda pior. ECA!

No geral esse livro leva um BOM como nota final, mesmo considerando o ECA recebido. Vamos ao volume 1! Serei tão franco na análise dele quanto fui com esse. Estejam preparados.