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Capas de “Encontro com Rama”. Qual a melhor?

14/07/2011

Capa da editora inglesa Golancz

Capa da editora americana Ballantine

Capa da editora inglesa Golancz

Já que a postagem anterior trouxe prós e contras em relação a capa que a Aleph fez para a sua edição, aproveito para — agradeço a colaboração do Calife e do Delfin — trazer três capas, duas delas feitas por uma editora americana e a outra inglesa. A terceira ainda vou descobrir quem fez… :)… a atualização no post não deve demorar.

Não sei se podemos comparar capas com apelo subjetivo a capas com apelo objetivo.

De qualquer maneira, manifestem-se e digam qual capa é, para vocês, a melhor.

Encontro com Rama. De volta às livrarias um dos maiores clássicos da ficção científica mundial.

12/07/2011

Publicado originalmente em 1972, Encontro com Rama, de Arthur C. Clarke, ganhou alguns dos principais prêmios literários da ficção científica, entre eles o Hugo, o Nebula, o Júpiter e o British Science Fiction Association (BSFA). O livro é considerado um dos mais importantes do autor, ao lado de2001: Uma Odisseia no Espaço e O Fim da Infância.

Primeiro volume de uma série de quatro livros, a trama tem início com um gigantesco meteoro que atinge a Terra e devasta grande parte da Europa, destruindo cidades inteiras, como Pádua e Verona, dizimando populações e causando danos irreparáveis.

Cinquenta anos após esse episódio, uma missão espacial é incumbida de desvendar os mistérios de um novo meteoro, capaz de causar danos ainda maiores no Sistema Solar. Mas, longe ser apenas mais um astro errante no Universo, Rama se revela uma sofisticada e complexa construção, repleta de enigmas que desafiam a mente e os conceitos humanos. Surpreendente e meticuloso, é o relato dessa jornada que faz de Encontro com Rama uma das mais criativas obras da ficção científica mundial.

Curiosidades

Em 1992, o Congresso dos Estados Unidos solicitou à NASA uma investigação minuciosa dos corpos celestes próximos da Terra, a fim de avaliar os riscos de impactos em nosso planeta. Este esforço foi batizado de Spaceguard Project – inspirado no projeto homônimo  idealizado por Clarke em Encontro com Rama.

Em 2001, o cineasta David Fincher (A Rede Social) e o ator Morgan Freeman (Invictus) mostraram interesse em adaptar Encontro com Rama para o cinema. Freeman chegou a apresentar, na época, artes conceituais para o filme. Em 2007, eles voltaram a falar sobre o projeto, mas a ideia acabou não vingando.

Sobre o autor

Nascido em 16 de dezembro 1917 na cidade de Minehead, em Somerset, Inglaterra, Arthur C. Clarke desenvolveu, desde cedo, o interesse pela ciência e pela ficção científica. Após o ensino médio, mudou-se para Londres, onde se tornou membro da Sociedade Interplanetária Britânica e estudou Física e Matemática no King’s College. Em um artigo técnico escrito em 1945 para o periódico inglês Wireless World, ele apresentou os princípios da comunicação por satélite, os quais levariam aos sistemas hoje utilizados.

Entre seus trabalhos mais notáveis estão O Fim da Infância, Encontro com Rama e 2001: Uma Odisseia no Espaço, que se tornou um clássico do cinema nas mãos de Stanley Kubrick em 1968. Em 1956, Clarke mudou-se para o Sri Lanka, onde continuou a escrever seus livros e artigos. Lá viveu até sua morte em 19 de março de 2008, aos 90 anos, deixando um legado literário impressionante, com mais de cem milhões de livros vendidos no mundo inteiro.

Trecho do livro

O tubo de paisagem que o cercava era salpicado de áreas de luz e sombra que poderiam ser florestas, campos, lagos congelados ou cidades; a distância e a iluminação já fraca do sinalizador impossibilitavam a identificação. Linhas estreitas que poderiam ser estradas, canais ou rios com cursos retificados formavam uma rede geométrica vagamente visível; e lá adiante no cilindro, no limite da visão, havia uma faixa mais escura. A faixa formava um círculo completo, emoldurando o interior desse mundo, e Norton subitamente recordou-se do mito de Oceano, o mar que, segundo a crença dos antigos, circundava a Terra.

Ali talvez houvesse um mar ainda mais estranho – não circular, mas cilíndrico. Antes de congelar na noite interestelar, será que possuía ondas, marés e correntes – e peixes?

A luz do sinalizador bruxuleou e morreu; o momento de revelação terminara. Mas Norton sabia que, enquanto vivesse, essas imagens permaneceriam impressas em sua mente. Quaisquer que fossem as descobertas reservadas pelo futuro, jamais poderiam apagar essa primeira impressão.

ENCONTRO COM RAMA
Arthur C. Clarke
Tradução de Susana Alexandria
Editora Aleph
R$44,00 – 288 p.


Nazarethe Fonseca rompe barreiras da mídia.

18/01/2011

Editora Aleph e Delicatessen Filmes lançam série de curtas para web baseada na saga Alma e Sangue

Em parceria com a produtora, editora é a primeira no Brasil a apostar em uma websérie de narrativa transmídia

Após as publicações de O Despertar do VampiroO Império dos VampirosO Pacto dos VampirosKara e Kmam, a Editora Aleph e a Delicatessen Filmes se juntam em uma coprodução de um projeto inovador: a websérie Alma e Sangue. É a primeira vez que uma editora brasileira se associa a uma produtora e juntos produzem uma série de curtas-metragens com enfoque na narrativa transmídia – quando partes de uma mesma história são contadas a partir de diferentes plataformas de mídia, aprofundando a experiência do entretenimento.

Criada em 2001, Alma e Sangue, da escritora maranhense Nazarethe Fonseca, é uma saga composta por 4 volumes (o quinto e último livro será lançado no segundo semestre de 2011).

A série foi dividida em três episódios, cada um com aproximadamente 4 minutos de duração. O episódio de estreia foi lançado nessa terça-feira (18) e pode ser visto no site http://www.almaesangue.com.br/. O segundo episódio será lançado em 01/02 e o terceiro em 15/02.

A realização é assinada pela Editora Aleph e a produção da Delicatessen Filmes. “Acreditamos que a narrativa transmídia é o futuro do mercado editorial. A ideia foi seguir o conceito à risca: desenvolver um roteiro inédito, que agregasse experiência ao fã, mas que, ao mesmo tempo, fosse atraente para conquistar novos leitores”, explica Adriano Fromer Piazzi, publisher da Editora Aleph.

Para Fabio Zavala, produtor executivo da Delicatessen Filme, esta websérie é um primeiro passo de todas as possibilidades que estão em torno do tema. “A ideia é desenvolver, sempre com o pensamento transmidiático, uma série para TV e um longa-metragem”, afirma.

A trilha e os efeitos sonoros são da Jukebox, e a finalização da Casablanca. O roteiro e a direção são de Caio Cobra, diretor do premiado curta Crônicas de um Assassino, e montador dos filmes O Bem Amado, de Guel Arraes, e Corpos Celestes, de Marcos Jorge.

As cenas da websérie foram rodadas em um casarão na cidade de Cruzeiro, interior de São Paulo, e o diretor buscou ambientes sombrios para ilustrar o universo vampiresco.

No www.almaesangue.com.br o internauta encontrará ainda contos inéditos de Nazarethe Fonseca, ambientados no universo de Alma e Sangue, além da página A Saga, na qual a autora explica em detalhes a rica mitologia de Alma e Sangue.

A história da saga Alma e Sangue

Alma e Sangue é uma saga de amor, horror e sedução protagonizada por Kara Ramos e Jan Kmam, ambientada em São Luís, Maranhão. Ela, uma jovem restauradora, mortal e audaciosa. Ele, um angustiado vampiro de 400 anos. Sua história começa em um velho casarão abandonado, quando, involuntariamente, Kara acaba mergulhando em um universo misterioso e cheio de perigos. Raptada pelo vampiro recém-desperto, ela vê sua vida e seu mundo mudarem completamente, levada pelas revelações e pelo fascínio de Jan Kmam.

Kara e Kmam se apaixonam e, em meio a inimigos do passado e do presente, descobrem que apenas o amor irá salvá-los. Gradativamente, Kara aprende a lidar com seus poderes e  com os segredos de seu novo universo.

Sobre a autora

Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, Maranhão. Começou a escrever aos 15 anos, após um sonho que se tornaria seu primeiro livro, uma trama policial. É autora da saga Alma e Sangue e também publicou contos nas coletâneas Necrópole: Histórias de BruxariaAnno DominiMeu Amor é um Vampiro. Mora atualmente em Natal, Rio Grande do Norte. É autora do blog Alma e Sangue www.almaesangue.blogspot.com e do Twitter @Nazarethe (atualmente com mais de 1.400 seguidores).

 

Yes, nós temos leitores!

10/02/2010

A grande quantidade de títulos de ficção científica que vêm sendo publicada não significa outra coisa, embora, para muitos, a larga escala de publicações possa encalhar na curva do rio.

Para mim, só encalha o livro que for ruim ou que não receber um atendimento editorial digno, incluindo aí uma distribuição eficiente. Claro está que “não encalhar” não significa se tornar um Best seller. Para o autor nacional de FC (ou de fora dele) vender um milhar de exemplares (ou até menos) já é resultado digno de festa com fogos de artifício.

Contatei alguns editores conhecidos procurando deles o conhecimento que só os moradores do Olimpo possuem, para tentar elucidar essa dúvida que vem sendo destrinchada em artigos sequenciais neste blog (Temos ou não temos leitores – Partes I, II, III e IV) e que pretende terminar neste último (se é que esse assunto encontrará fim um dia).

Adriano Fromer Piazzi, editor da Aleph foi, até agora, o único a se manifestar, espero que os demais saiam de seu silêncio e nos deem uma pitada de sua sabedoria:

“Em linhas gerais existe público leitor, sim, e ele está aumentando, ainda que a passos lentos.  Percebe-se um interesse bem maior pela literatura de FC, tanto por parte dos leitores, quanto por parte das livrarias. Hoje, é possível ver livros de FC da Aleph bem expostos em várias das grandes redes. E o melhor, sem nenhum evento específico para estimular essa exposição (como um filme, uma data comemorativa, uma moda literária). O que temos que ter em mente é que o comportamento de vendas de um livro de FC está sujeito às mesmas regras de mercado de um livro de outro tipo de literatura.

Acho que uma das grandes mudanças foi a Aleph, juntamente com outras editoras, começar a publicar FC. E provar, via esforço de divulgação, que é possível vender esse tipo de literatura, ainda que as vendas estejam muito aquém de outros gêneros.

Na minha percepção, o começo do milênio foi marcado pela valorização  da cultura geek. E FC está diretamente ligada a isso. Ou seja, hoje quem lê FC é cool, “antenado”. Já vi gente se sentir “culpada” por nunca ter lido nenhum livro de FC. Isso mostra que o gênero está sendo valorizado.

Por outro lado, a abertura para autor novo nacional é sempre muito complicada. Seja autor de FC ou não. Mas isso depende muito também do investimento, esforço e poder de negociação da editora.

Acho que hoje, talvez, pelo histórico da Aleph na área, alguns livreiros dessem o crédito e apostassem em algum autor nacional que publicássemos. Mas aí, se o cara não vende, fica difícil dar credibilidade ao próximo autor.

Mas claro, faz TODA a diferença se o lançamento que apresentamos é do Philip Dick, e não do Felipe Pinto.”

Alma e Sangue – O império dos vampiros. Como foi o lançamento.

13/11/2009

 

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Estive no lançamento do livro Alma e Sangue – O império dos vampiros, de Nazarethe Fonseca, na Mega Store da Saraiva, no Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. Estava marcado para iniciar as 19h00 e cheguei lá perto das 20h.

Ainda não conhecia a Mega Store da Saraiva e fiquei bastante decepcionado com o espaço reservado para lançamentos. Sinceramente, a cozinha da minha casa é maior do que aquilo. Melhor teria sido se fosse dentro da livraria, sem espaços determinados, misturado aos habitués. Favoreceria o contato da autora com leitores não específicos.

Mas não é de espaço que estou aqui para falar.

Logo quando cheguei fui recepcionado pelo Adriano Fromer Piazzi, Cappo de tutti cappi na Editora Aleph, anfitrião mais que eficiente que me fez trocar o copo de água pelo de frisante. E ainda deu um toque discreto no garçom para não deixar meu copo vazio. Ocupamo-nos por bastante tempo, falando sobre a editora, lançamentos presentes, passados e futuros.

Obrigado, Adriano! Voltei trançando as pernas para casa. Devo-lhe o tropeção na calçada mal assentada e o quase cabeceio num poste metálico de “proibido estacionar”.

Assim que as formalidades nos obrigaram a tomar rumos diferentes fui cair nas mãos de Giulia Moon, a autora de vampiros que mais respeito, depois de Martha Argel. Ambas são as Asimov e Clarke do gênero no Brasil (o garçom, um tipo estranho de fundamentalista, me seguia onde quer que eu fosse, completando meu copo ao menor gole). Simpaticíssima, sempre. Uma pessoa maravilhosa, sorridente e comunicativa. Conversamos sobre o lançamento do dia, mercado editorial, sobre Kaori – Perfume de Vampira, sobre Martha Argel e seu livro O vampiro da mata atlântica, sobre conhecidos mútuos e que tais.

Inclusive sobre queixos que se encaixam harmoniosamente sobre cocurutos. Mas esse é um assunto cujos detalhes não revelarei nem sob tortura.

Assim que ela se foi, arrastada por outras pessoas, encontrei-me com o Eric Novello e aproveitei para lhe devolver dois livros, não, um. Não, dois. Não, um. Então fica com os dois, caramba.

Como estava tentando dizer, para lhe devolver UM livro (o outro o Saint-Clair deve ter roubado de alguma livraria e fez confusão pensando que era dele). Entreguei ambos os livros. Saco cheio de carregá-los. Um ele guarda, outro ele lê.

Como o Eric era fotógrafo oficial da Nazarethe Fonseca, não pude conversar com ele por muito tempo. Fui interceptado pelo Sergio Pereira Couto (ou eu o interceptei, o álcool não me deixa pensar direito) e conheci uma pessoa fascinante. Um fã de Dan Brown… rsrs.

Autor de dezenas de livros. Um desmistificador oficial. Um padre Quevedo especializado em sociedades secretas. Um cara (disse que é jornalista, mas hoje qualquer um pode ser jornalista… rs) incrível e cativante. Conversa boa em qualquer ocasião. Espero que surjam outras.

E o lançamento? Foi morno. Como o espaço era pequeno, dava sempre a impressão de estar cheio. Mas o público flutuante perdia em muito para o fixo. Assim, Alma e Sangue – O despertar do vampiro não conseguiu impressionar, ficando, em termos de público, naquela média conhecida, comum aos lançamentos de autores nacionais de gênero.

Foi um fracasso? Claro que não. Fiquei feliz pela Nazarethe Fonseca. Depois de se livrar dos grilhões que lhe impunha a Novo Século, e com indicação minha à Aleph (eu a apresentei ao Adriano, recomendando-a enfaticamente), hoje está feliz e vendendo bem (dentro, claro, das expectativas. Sem explosões inusitadas). Seus livros ganharão continuações e o mercado terá oportunidade de conhecer essa boa escritora. Que ela seja um arauto de mudanças e nos favoreça, a todos, nessa dura jornada.

Bati um papo breve com os capistas dos livros. Cumprimentei a Nazarethe rapidamente, escapei da sanha quase assassina do garçom que me seguiu até próximo da escada rolante e fugi para a rua, para o ar livre e para os tropeções.

Se acordar amanhã com dor de cabeça, vou responsabilizar a Aleph. Acho até que vale processo.

A FC muda a sua cara.

21/09/2009

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Volta e meia retorna à discussão a decisão editorial da Aleph no sentido de trabalhar livros de ficção científica com capas que alguns chamam de anódinas, mas cujo intuito é não escancarar o gênero.

Eu, particularmente, apóio essa decisão.

Quantos leitores estão suficientemente ambientados ao tema, que quando estiverem diante de uma capa mostrando naves espaciais, corpos celestes ou alienígenas ameaçadores vão correr a pegar o livro, num frisson, ansiosos pela história?

Uma meia dúzia? Um dúzia, vá lá.

O que quero dizer é que o mercado de FC no Brasil está limitado ao fandom. Que sejam algumas centenas, trata-se de número irrisório para que qualquer editora baseie nele todo seu planejamento de vendas. Sem contar o já conhecido preconceito ao gênero vindo do público, devemos somar o preconceito que vem dos responsáveis pelas compras nas livrarias (que, afinal, são pessoas como outras quaisquer).

Não é missão das editoras satisfazer guetos e sim vender literatura.

Mascarar capas é um recurso bastante inteligente de fazer o leitor comum levar aos olhos um livro cujo tema seria descartado num primeiro momento. É possível vender um produto sem falsear o conteúdo e sem, contudo, escancarar o gênero. Assim, não é incomum ver pessoas lendo ficção científica em livros cujas capas são ambíguas e cujas mensagens, tanto nas orelhas quanto nas quartas capas, mais ocultam que revelam – sem perder a tônica do tema.

São estratégias válidas e a meu ver acabam contribuindo para um bem maior: Levar a FC para uma quantidade de leitores que ultrapassa em muito os que compõem o fandom.

Concordo que para os leitores antigos e arraigados do gênero, se deparar com capas que consideram anódinas deve ser frustrante. Mas as editoras publicam para ganhar dinheiro. É uma atividade com fins lucrativos.

O novo público formado a partir de estratégias de marketing diferenciadas acabará se identificando com o gênero, gostará do que lê, formará uma nova massa crítica de leitores e, quiçá, escritores, que substituirão os velhos dinossauros e suas perspectivas ultrapassadas.

E aí, quem sabe, amanhã ou depois, as capas com temática explicitada voltem a decorar vivamente as prateleiras das livrarias.