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Ficção Científica brasileira. Elitizar ou popularizar?

23/05/2012

Recentemente provoquei uma intensa discussão a respeito do Fandom (mais uma vez), sobre a sua importância intrínseca para o gênero. Muitas vozes se posicionaram, houve debates, sugestões, posicionamentos. Rendeu mais de 200 comentários. Defendi uma tentativa de escape desse Fandom menor e barulhento para o Fandom maior e silencioso. Aquele que habita a periferia e é muito mais amplo do que essa parcela aglutinada que move nossos eventos, que interage nas redes sociais e que adquire parcamente as obras que são produzidas dentro de nosso país.

O que me chamou mais a atenção nessa discussão foi uma voz solitária (nem por isso dissonante no conjunto de outras vozes, provavelmente), que prega a elitização disfarçada do gênero. Alegou o necessário isolamento da FC para evitar com isso uma popularização prejudicial.

Eu vim me perguntando desde então se nos cabe exercer sobre nós mesmos mecanismos reguladores movidos pelo preconceito. Se devemos criar uma espécie de reserva de mercado, produzindo obras de um gênero privilegiado para leitores igualmente privilegiados. Se devemos aplicar sobre nosso gênero a mesma pecha que a literatura realista aplica sobre toda forma de expressão escrita que escapa do que é aceito pelo seu cânone.

É possível que nós mesmos nos isolemos em compartimentos diferentes rotulando-nos de acordo com o tipo de abordagem ou com o tipo de público que buscamos?

É válido elitizar a nossa literatura, a nossa FC, ao ponto de criarmos rupturas dentro de nosso próprio establishment? Vamos etiquetar determinados autores de gênero como maiores e menores? Determinadas obras de gênero como maiores ou menores (admitindo-se que o gênero é autossuficiente, é a ele que julgamos em primeira instância. Mas sem deixar de compreender e aceitar que existem obras melhores e piores, mais elaboradas e menos elaboradas)?

A busca pelo público de fora, aquela imensa população silenciosa que adquire FC seria um reflexo de fraqueza? Uma abertura indesejada? Seria o público externo incapaz de raciocinar, de especular, de extrapolar? Deveríamos nos recolher ao gueto, habitar o submundo e falar apenas uma só língua, mesmo com o imenso risco de ficarmos repetindo sempre a mesma coisa para um público que quer ouvir sempre a mesma coisa?

Defendi a popularização da FC com o intuito de podermos atingir um público maior. Defendi simplificar a linguagem e os símbolos desse gênero para nos tornarmos mais compreensíveis. Defendi uma abertura de mercado que poderá nos beneficiar, que poderá nos levar a fronteiras antes não exploradas. Defendi a FC humanista (em contrapartida à hard, mas nem por isso menos ou mais importante que ela) como a que dialoga mais facilmente com esse público. Defendi uma evolução temática lenta e gradual para formarmos novos leitores.

O que você pensa disso?

Elitizar ou popularizar? Buscar novos leitores ou nos conformar com os que já temos?


Pedro Moreno

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