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Ficção de Polpa 4 – Crime!

06/04/2011

Terminei de ler recentemente a coletânea Ficção de Polpa – Crime! da Não Editora.

Acreditem, foi um esforço hercúleo concluir esse que foi o primeiro livro de 2011, lido de cabo a rabo até agora (recebi de Brontops Baruq o Portal Farenheit, mas ainda nem o folheei).

Não, não significa que essa edição tenha sido ruim. Bastante pelo contrário.

O livro de bolso exibe uma capa pra lá de sugestiva que remete ao pulp e às melhores histórias do gênero. A editoração mantém a mesma qualidade que as edições anteriores e a seleção de autores é indiscutivelmente boa. Sempre gostei muito de histórias de detetives, com loiras gostosas e enganadoramente burras, investigadores espertíssimos (que nem precisam sair de suas poltronas para juntar as pontas de qualquer caso, seja ele qual for) e assistentes punhos pra qualquer obra (aqui me remeto diretamente aos livros de Rex Stout, meus prediletos).

Os seis contos (mais a faixa bônus, que não julgarei, com Ernest Bramah – autor que eu não conhecia) guardam as similaridades do gênero embora não sejam todas que possam, a meu ver, ser inseridas naquilo que julgo ser a proposta espinhal da coletânea.

Carlos Orsi (As muralhas verdes), e Carlos André Moreira (Um dos nossos), mergulharam num cenário típico de crime, com direito a detetives e investigadores, policias e tiros. Com direito também a morte e deduções. Rafael Bán Jacobsen (A carne é fraca), Yves Robert (A conspiração dos relógios), Octavio Aragão (A aventura do americano audaz) e Carol Bensimon (Agulha de calcário), tangenciam o que para o time de cima foi a pedra angular de suas histórias.

As muralhas verdes de Carlos Orsi fala de um crime cometido em um Reality Show, durante sua exibição ao vivo para todo o país. O detetive, anônimo para os participantes e externo ao cenário, precisa descobrir quem matou, como matou e porque matou enquanto o programa é transmitido. Muito bom.

A carne é fraca
conta a história de um açougueiro e os jovens ajudantes que contrata de tempos em tempos, já que os anteriores sempre desaparecem misteriosamente. Boa condução, trama bastante adesiva e final que consegue surpreender.

Um dos nossos narra uma aventura passada em Porto Alegre. Dois policiais, Roszynski e Martini, são incumbidos de investigar o assassinato de um homem que se revela ex-policial. Uma história muito bem contada, crua, com direito a tiroteio e reviravoltas.

Em A conspiração dos relógios, Yves retorna com o detetive que fez tanto sucesso no conto Traz outro amigo, também, mas esse trabalho não consegue ser mais que uma pálida sombra ao primeiro conto.

Octavio Aragão apresenta uma história sherlockiana onde o famoso detetive é contratado para descobrir o paradeiro do filho de um milionário americano desaparecido nos Cárpatos, atrás de dentuços. É uma excelente narrativa, envolvente. Mas eu esperava algo mais original para essa coletânea. Algo mais dentro do espírito da coisa.

O mais próximo que Carol Bensimon, com Agulha de calcário, chegou de escrever uma história detetivesca foi no nome dos quartos do Hotel detetive que a trama apresenta e de uma morte ao final sem muitas explicações (ou eu é que não entendi nada).


Pedro Moreno

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