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Caso pessoal. Autocrítica e ineditismo.

26/08/2010

Semana passada um amigo me questionou sobre contos meus disponíveis na internet e perguntou por que eu não publicava mais. Que deveriam existir mais trabalhos meus a disposição dos leitores.

Tenho um ritmo de publicações bastante modesto. Desde que publiquei meu primeiro livro, Síndrome de Cérbero, só tornei público onze contos até agora. Além do fix-up Fome, é claro.

Meu ritmo de publicações não é lento porque produzo pouco, mas sim porque sou muito crítico com as coisas que escrevo e não quero ver trabalhos mal acabados soltos por aí. Tenho uma porrada de contos guardados na gaveta. Alguns deles nunca verão a luz do Sol. Outros só aguardam o momento certo para serem libertos.

Também tem o lance de não tornar contos inéditos em não inéditos, publicando-os virtualmente de forma indiscriminada.

Acho curioso como alguns publicam repetidamente (Me refiro a publicações “finais”, em sites de contos ou blogs voltados à literatura de gênero, e não àquelas feitas com o propósito único de angariar opiniões, em sites próprios e divulgados em comunidades que funcionam como uma espécie de oficina literária), pouco se importando com a crítica ou com a imagem que vão deixar. Claro que não há textos incólumes à crítica. Mesmo o melhor deles. Cada leitor tem um viés, faz uma análise baseada em critérios próprios que não combinam necessariamente com os dos outros.

Textos mal acabados depõem contra o autor. Várias vezes tive a oportunidade de ver trabalhos assim serem criticados e o autor se desculpar, concordando com a crítica. E depois publicar de novo, apresentando os mesmos problemas já apontados e ouvir as mesmas críticas e voltar com as mesmas desculpas. É bizarro.

Os contos meus que foram publicados são estes:

Ordem Crepuscular (Ma Cherie) – No CLFC ou em livro próprio impresso pela Secretaria da Cultura de Araraquara.

Eu te amo, papai – 2º volume da Coleção Imaginários

Cibermetarealidade – Coletânea Contos Imediatos

Filamentos iridescentes como numa chuva de neon – Orkut – 1º Concurso de Contos Braulio Tavares 2008.

Passagem para o hoje seguinte – Revista Kaliopes

Do human dreams of other realities – Revista Terra Incógnita

Gárgulas – É só outro blogue

O duelo – Revista Scarium

Mandinga tem poder – Revista Machado e Scarium

Pôr-do-Sol – É só outro blogue

O franco atirador – Terroristas da Conspiração

Há, ainda, o conto Mundo fatal, escrito a quatro mãos com o Calife para a chamada Pulp Ficcion a portuguesa, organizado pelo Luis Filipe Silva, a noveleta Variável da imponderabilidade, apresentado, sob convite, ao Marcelo Branco para uma coletânea internacional que ele está organizando para a Editora Devir e o conto Eu sou foda!. No primeiro caso, já aprovado, aguarda publicação. No segundo, recusado, volta à gaveta. E o terceiro está prestes a ser divulgado no PODespecular, transformado em PODficcion (uma proposta que considero inovadora e criativa. Não merecia menos que um conto inédito) a convite de Paulo Elache.

Vou explicar a recusa do Marcelo Branco, para que não pensem que se trata de trabalho abaixo da crítica. Ele foi inicialmente aprovado, com francos elogios. Mas houve uma solicitação de alteração que julguei melhor não fazer (mudar o local da trama, dos EUA para outro País qualquer). Então o conto ficou no aguardo. Seria aprovado e integraria a coletânea se algum convidado estrangeiro desistisse. Como não houve essa desistência, minha noveleta ficou de fora. Se juntará a outra coletânea, assim que houver um convite. É premissa do autor aceitar ou não um pedido de alterações feito pelo editor. É premissa do editor recusar o trabalho cujas alterações não foram feitas. É a regra do jogo.

Então são essas as razões que torno impeditivas de sair por aí publicando meus contos em sites e blogs.

Além da preocupação com a qualidade, também prezo o ineditismo, fundamentalmente.