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Kaori, perfume de vampira – lido e comentado

24/01/2013

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Li recentemente o livro Kaori e o Samurai sem braço. A experiência foi fascinante e o sense of wonder fez valer cada linha de leitura. Ao terminá-lo, vi que precisava corrigir um erro e ler as demais histórias da série para poder fazer um julgamento mais abrangente.

Descobri que devia ter lido primeiro este ao Kaori e o Samurai sem braço. Não são histórias complementares, independem um do outro, mas o sense of wonder do primeiro não se repetiu no “segundo”, ficando numa espécie de “meio do caminho”.

Se a ordem de leitura tivesse sido inversa, a fruição iria num crescendo, atingindo o nível máximo com o terceiro livro da série.

Mas isso não significa que Kaori, perfume de vampira seja ruim. Não é!

Giulia Moon conduz a história em dois arcos narrativos distintos. Um, no passado, época dos Xoguns. Outro, nos dias contemporâneos. Ambos os arcos se sustentam com competência e prendem a atenção do leitor de tal forma que se torna difícil abandonar a leitura.

Um dos arcos, porém, o que transcorre no passado, é mais fantástico, é mais fascinante. Foge do clichê, das conspirações cotidianas, da receita já bem mastigada e regurgitada dos cenários de ação dos thrillers contemporâneos que nos lembram um mash up — tudo junto e misturado — do mesmo e sempre mesmo, já tanto usado e abusado (que não acontecem na mesma medida na obra de Moon, mas que deixam entrever sua marca indelével mesmo sem serem tão exploradas).

Um detalhe que me chamou a atenção — nem dá pra dizer que é detalhe —, é que não existe uma história propriamente dita. Avançamos na leitura sem saber para que lado estamos indo, sem saber o que nos espera nas páginas seguintes. Não há um plot que nos faça antever cenários. Só nos é dado conta da trama quando já passamos por quase dois terços da história. Existem micro histórias, eventos aparentemente isolados que não dão mostra do que se oculta em suas entrelinhas.

Não sei dizer se isso é bom ou ruim.

A prosa de Giulia Moon é bastante boa para que deixemos isso de lado e avancemos na leitura, certos de que, em algum momento, as peças se encaixarão.

E elas se encaixam.

Os dois arcos narrativos se encontram e passam a correr numa só trilha. O Gran Finale finalmente se avizinha e temos a abertura do leque, onde os vilões se revelam e ocorre o esperado enfrentamento entre mocinhos e bandidos.

Particularmente, o final meio que me decepcionou. Não sei bem o que esperava, até posso admitir que Giulia Moon nos deu o melhor de si e concluiu a narrativa da maneira mais acertada, mas ficou um sabor indefinido que me roubou um pouco de satisfação.

A coisa funcionou da seguinte forma comigo: o arco narrativo que se passava na época do xogunato era, em termos de cenário e de ambientação — e também narrativamente —, muito melhor que o arco que se desenrolava nos dias atuais. Houve um desequilíbrio que prejudicou minha fruição plena. Quando a autora juntou tudo, trazendo os personagens do passado para o presente, senti como se ela traísse esses mesmos personagens e toda a aura fantástica que havia criado.

Mas essa visão é minha, bem particular. Certamente muitos discordarão dela.

Não há como negar que Giulia Moon é mestra. Não sei de ninguém — no cenário nacional — que a ombreie no gênero de terror. Os demais devem lê-la e aprender com ela.

Kaori, perfume de vampira é, em síntese, um livro bastante bom. Tropecei aqui e ali, considerei algumas escolhas equivocadas, alguns caminhos errôneos, mas a obra em si é plenamente recomendada.

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Kaori, perfume de vampira – Giulia Moon

Editora: Giz Editorial
Gênero: Terror
Formato: 16 cm x 23 cm
Páginas: 371

Kaori e o Samurai sem braço – Lido e comentado

10/01/2013

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Conheci Kaori antes de conhecer Giulia Moon. E foi na coletânea Amor Vampiro. Já na ocasião achei a personagem bastante forte para apenas uma história. Não foi surpresa nenhuma ver que a autora deu a Kaori um universo próprio, desenvolvendo-a em (até agora, mas tem espaço pra mais) três livros.

Vou ser sincero em admitir (mea culpamea máxima culpa) que não li os dois primeiros livros da saga (erro que estou a corrigir, já que comecei a leitura de Kaori, perfume de vampira).

Kaori e o Samurai sem braço foi uma leitura libertadora.

Vou explicar.

Andava cansado de ler obras de gênero cujos estilos e talentos se diferenciam tanto na pegada quanto na qualidade, quase sempre densos, ou experimentais, ou herméticos (ou simplesmente ruins, está cheio disso por aí). Andava como Jó, de vela em mãos, a procura de uma obra cuja prosa conseguisse me desintoxicar.

Giulia Moon tem o mesmo talento nato para a escrita quanto Kaori para a sedução… foi uma leitura deliciosa.

Nesse livro, Kaori vive aventuras no seu passado remoto, no tempo dos Xoguns.

Ilustração Kaori

Ela tem a vida salva por um Samurai — Kuroshima Kitarô, conhecido como Migitê-no-Kitaro (O Samurai sem braço) — e faz com ele um acordo: um ano ajudando-o na busca por um demônio chamado Shinkû. Vivem várias aventuras durante a busca por esse poderoso Bakemono, enfrentando monstros das mais diversas naturezas.

Ajuda-os uma pequena kitsune, raposa com poderes mágicos com a faculdade de se transformar em humano, nesse caso, numa mocinha esperta, comilona e bastante levada.

Narrativa com fino humor e ação precisa e bem descrita. A ambientação e o cenário – Japão do século XIII – são fascinantes. Envolvente até a última linha, trata-se de leitura tão agradável que quando você se dá conta, acabou. E isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Não por acaso Giulia Moon foi indicada e terminou entre terceiro lugar no Concurso Hydra, promovido pela revista eletrônica norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show e o Website brasileiro A Bandeira do Elefante e da Arara do escritor Christopher Kastensmidt com o conto Eu, a sogra, publicado no primeiro volume da coleção Imaginários em 2009 (organização Eric Novello, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz).

Se você ainda não leu Kaori e o Samurai sem braço, corra até uma livraria. Você não sabe o que está perdendo.

Kaori

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Kaori e o Samurai sem braço

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Fantasia
Formato: 16 cm x 23 cm
Páginas: 196