Posts Tagged ‘Leitura crítica’

Livros recebidos – Agradecimentos

31/10/2012

Recebi da Giz Editorial os livros Cira e o Velho de Valter Tierno, Kaori e o Samurai Sem Braço de Giulia Moon e Betume de Rogério Santos. Agradeço imensamente a cortesia (mais especialmente a Simone Mateus e Giulia Moon) e já aviso que as leituras e consequentes resenhas virão em breve.

Algumas palavras para Editoras e Autores

24/10/2012

Como já devem ter notado, retornei com minhas leituras comentadas.

Já fazia algum tempo que o blog precisava ser reativado. Houve um período de lassidão onde relaxei de maneira generalizada (inclusive com relação às minhas atividades virtuais — no Twitter praticamente nem apareço mais). Também devido a projetos pessoais importantes, romances que absorveram todo o meu tempo disponível.

Retornar não significa que encerrei minha fase de projetos, mas que resolvi emergir de minha lassidão e voltar com as atividades blogueiras. Vou me concentrar prioritariamente nas resenhas e só postarei matérias relacionadas ao mercado editorial quando achar que são vitais ou mais do que isso (já que uso o Facebook como substituto).

Todas as últimas leituras (com exceção de duas) foram graças à cortesia das editoras, que me enviaram seus livros.

E é essa a questão que quero abordar nesta postagem.

Não farei parcerias. Não me ligarei institucionalmente a nenhuma editora, nem divulgarei banners ou obras senão através das próprias resenhas. As editoras e autores que quiserem enviar livros, sintam-se livres para fazê-lo. Não prometo as resenhas (porque não quero transformá-las numa obrigação), mas a cortesia potencializa consideravelmente a possibilidade de fazê-las.

Primeiro ponto importante: tenho lido e ouvido reclamações recorrentes a respeito da relação “resenha x cortesia”. Tem gente que acha que, porque me entregou o livro graciosamente, a resenha precisa ser positiva. Ou, ao menos, moderada. Ou, melhor ainda, bastante elogiosa. Se você pensa da mesma maneira, não perca seu tempo me mandando seu trabalho. Provavelmente ele nem valerá minha leitura.

Segundo ponto importante: talvez você (vocês) pense que, se não vou com a cara de alguém, a avaliação de uma obra do dito cujo será negativa. Errado. Não me deixo influenciar por questões comezinhas. Se o trabalho é bom, não me interessa quem o escreveu. Receberá elogios. Se o trabalho não convencer, será criticado. Sempre me pautei pela isenção e no que depender de mim (e só depende de mim) continuará assim.

Terceiro ponto importante: enviem livros publicados e em papel (ebooks, por enquanto, não) de literatura fantástica (ficção científica, fantasia, terror). Também aceito policiais. Poupem-me de não-ficção e poesia.

Os livros recebidos são, depois de lidos, doados (na maior parte das vezes). Não sou um acumulador, não tenho por hábito montar bibliotecas. Me bastam alguns exemplares em casa (principalmente os meus e as vezes nem esses).  Posso, eventualmente, sorteá-los no blog, mas detesto ter que ir ao correio e pagar despesas postais. Assim, os empresto na certeza de que nunca mais retornarão (não, não é desprezo. É desapego). Os que quiserem que eu os sorteie, podem ter certeza que pensarei com carinho a respeito.

Para os que procuram leitura crítica para originais, também a faço. Assim como preparação de texto (copidesque). Contatem-me em tibmo45@yahoo (.) com (.) br.

Alô! É da polícia? Tem um leitor beta falando mal do meu trabalho!

01/03/2012

Esse não é um assunto inédito no blog. Já estão todos cansados de conhecer a importância do leitor beta. O cara que vai ler seu original recém-saído do forno. Ler e meter o dedo se ele for bem cri-cri (tem gente que procura leitor beta para receber elogios ou para ver sua genialidade reconhecida de forma inconteste).

Por mais que reconheçamos nossa própria capacidade de avaliação, jamais seremos tão eficientes em nossos próprios textos como supomos ser nos textos dos outros. Não temos o necessário distanciamento, a necessária neutralidade. O que para nós parece ser um reflexo do paraíso, para outros é um lixão fedido.

Eu costumo entregar meus textos para pelo menos dois leitores beta. Três ou mais sempre que possível. É inevitável que comecem a apontar questões duvidosas, inverossimilhanças, erros de continuidade, problemas técnicos e estéticos, e também a manifestar opinião a respeito do plot, externando o que fariam se fossem eles a conduzir a narrativa. Bem, é para isso que eu recorro a eles, não é?

Mas e quando as sugestões de uns vão de encontro à sugestão de outros? Quando dão pareceres conflitantes a respeito do mesmo ponto?

Vou exemplificar utilizando exemplos próprios:

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Leitor Beta 1 – Você repete demais as mesmas informações, trás à tona o âmago do conflito o tempo inteiro. É cansativo. Não precisa repetir desse jeito, o leitor não é burro. Sempre que tropeço nessas repetições, eu pulo o trecho todo, sigo adiante.

Leitor Beta 2 – Acho legal esse reforço que você dá ao drama, trazendo-o constantemente à baila. Faz-nos viver o conflito do personagem, torna-o mais humano.

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Leitor Beta 1 – Me incomoda o excesso de frases curtas. A falta de fluidez que isso provoca no texto. Trabalhe melhor sua prosa, caraça.

Leitor Beta 2 – As frases curtas agregam força, dão impacto à narrativa. É o que você tem de melhor no seu estilo.

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Leitor Beta 1 – Você é maluco? Matou a personagem principal, a melhor personalidade da trama, logo no segundo capítulo? Até onde você pretende chegar destruindo seu trabalho desse jeito?

Leitor Beta 2 – Ousadia. Matar sua melhor protagonista logo no começo me faz pensar o quanto você terá que se superar daqui pra frente. Interessante e perigoso, isso.

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Leitor Beta 1 – A reviravolta na trama me deixou frustrado. Jamais que as coisas se dariam desse jeito na época em que você localiza a história. Científica e tecnologicamente, só alcançaríamos tal evolução dentro de uns cem anos, no mínimo. Quando me deparei com isso, tive vontade de jogar o livro contra a parede.

Leitor Beta 2 – A reviravolta foi surpreendente. E a margem de anos empregada, embora relativamente curta, não inviabiliza o argumento. Ciência para realizar isso nós já temos, talvez nos falte tecnologia. Mas nada que os 30 ou 40 anos abordados não resolvam.

***

Esses textos reproduzem em linhas gerais o que recebi dos leitores beta. As vezes quem mais criticava tecia elogios, as vezes quem mais elogiava tecia criticas. Houve equilíbrio nos comentários e me sinto agradecido que tenham se repetido pouco, apontando quase sempre problemas diferentes.

Mas o que pegou mesmo foram os antagonismos descritos acima. A questão é: como lidar com eles? Minha sugestão (e como os enfrentei) é de que precisamos dar peso maior à crítica do que ao elogio.

Textos curtos demais? Não os elimine, mas os diminua. Repetições demasiadas do elemento dramático chave? Faça cortes sem perder esse caráter dramático, sem descaracterizar o conflito. Pouca verossimilhança tecnológica? Não vá nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Amplie a margem de anos sem, com isso, precisar efetuar mudanças drásticas no argumento. Matou um dos protagonistas (o mais forte) muito cedo? Tenha em mente que se isso não for suficientemente explicado e suplantado, você será cobrado mais tarde (talvez já tarde demais). Encare seus desafios e vença-os. A reviravolta não agradou um dos leitores beta? Paciência. É nessa reviravolta que se baseia toda a sua obra. Ela é a essência da obra. Alterá-la seria o mesmo que pegar o original e o jogar na lata do lixo.

Por mais que os leitores beta possam se contradizer, por mais que sejam chatos, irritantes, insistentes no seu erro quando você grita que não errou, que era pra ser assim mesmo (errado mesmo…rs), eles são necessários. Enxergam o que passa pelos seus olhos sem sua devida atenção. Veem o que você não quer ver, porque você não aceita a ideia de ter cometido erros.

Avalie as sugestões recebidas com o uso do bom senso. Guarde a paixão na gaveta, ela só vai te atrapalhar.

Escreveu um conto? Uma novela? Um romance? Procure esses miseráveis e entregue seu trabalho à avaliação deles. Alguns cobram pelo serviço mas existem os abnegados e sádicos que o fazem de coração aberto. Qual dos dois prestadores é melhor? Difícil dizer. Mas garanto que os melhores são os que NÃO SÃO SEUS CHAPAS, NÃO SÃO SEUS AMIGOS DE BAR, NÃO SÃO SEUS PARENTES, NEM AGREGADOS. São aqueles que QUEREM DE TODO JEITO ENCONTRAR UMA MERDA NO SEU TRABALHO SÓ PARA TE FAZER VER QUE VOCÊ NÃO É O GOSTOSO QUE PENSA SER.

Por que estou gritando? Porque tem gente que custa a entender essas coisas.

Ache essas pessoas e esteja preparado… você vai odiá-las.

Publicação de autor. Não custa nada bater nessa tecla mais uma vez.

25/07/2011

Você que está começando, que tem sonhos, que quer ser escritor, que quer ganhar prestígio e dinheiro (vá sonhando… rs), invista não em uma editora por demanda.

Invista em VOCÊ, primeiro.

Editoras por demanda, editoras que imprimem o seu livro às suas custas, não lhe dedicam a mesma atenção que uma editora tradicional dedicará. Não há nenhum processo editorial que não lhe seja cobrado (e, acredite, cobrarão tudo o que tem direito ou o que se acham no direito de cobrar). Arrancarão os olhos da sua cara e o retorno lhe será muitas vezes frustrante.

Editoras tradicionais pagam para que você publique nelas. Isso as obriga a serem seletivas e exigentes.

Batalhe a si mesmo primeiro. Leia muito, aprimore a prosa, procure leitores beta capacitados ou leitores críticos bons.

Cada centavo gasto com você mesmo pagando a ajuda de leitores críticos, participando de cursos e oficinas, lhe reverterá em quádruplo em relação ao dinheiro gasto com editoras por demanda.

Procure coletâneas que tenham submissões abertas, escreva contos antes de se aventurar nos romances ou nas trilogias. Tenha um blog e publique nele, fique atento ao feedback e saiba separar o joio do trigo. Ignore os elogios e preste muita atenção nas críticas. Aprenda com elas, mesmo com as ferinas.

Participe de eventos voltados à literatura. Faça parte das redes sociais, aproxime-se dos outros escritores, conheça-os, ouça o que eles têm a dizer. Aprenderá muito com eles.

Transformar-se num bom autor exige dedicação. É um trabalho danado. Não se conquista espaços no mercado editorial do dia para a noite.

Antes de se arriscar a mandar um original para uma editora tradicional, certifique-se de que ele é bom, de que está bem escrito, sem erros ortográficos. Esteja certo de que a prosa está bem trabalhada. O mercado de literatura fantástica está passando por uma expansão rápida. Sempre haverá espaço para autores talentosos e cuidadosos.

Não há nada melhor que ser pago para publicar.

Pagar para ser publicado é um recurso último. Aquele que se toma quando todas as alternativas foram experimentadas. Quando você sabe por A + B que seu livro é muito bom. Mas até esse momento chegar, podem se passar meses, anos até.

Controlar a ansiedade e trabalhar a competência é regra.

Sumiço explicado.

13/04/2011

Devem estar estranhando como as coisas aqui no É só outro blogue ficaram meio paradas. Bem menos postagens, bem menos atenção. Acontece que me enfiei numa tremenda barafunda de trabalho que me suga todas as horas livres (que são poucas).

Recentemente, assolado por sérios problemas financeiros, realizei uma espécie de solicitação virtual aos amigos de plantão para que me arrumassem se possível, trabalho (porque emprego já tenho). Ofereci-me para leituras críticas e preparação de texto, atividades que me julgo capaz de realizar.

Felizmente os deuses ouviram o meu clamor e enviaram-me, através de seus porta-vozes, o trabalho pretendido (aliás, veio em quantidade acima da esperada num primeiro momento, mas isso é ÓTIMO).

Assim, enfiado até o pescoço no trabalho, fico sem tempo pra me dedicar com mais afinco ao blog. Mas isso não significa que vou dar um tempo com ele. Isso nem me passa pela cabeça. As postagens vão ganhar intervalos maiores, apenas.

Quem estiver interessado nos préstimos de um preparador de textos, tem boas opções no mercado. Incluindo eu, agora.

Contatos: tibmo45@yahoo.com.br

Leitores-Beta, agradeça aos deuses por existirem.

22/10/2009

Pelo no Ovo

Não há nada mais angustiante que, ao terminar um novo trabalho, enviá-lo para leitores-beta e aguardar as porradas que virão. E elas sempre vêm. Mande para cinquenta bem aventurados leitores e os cinquenta apontarão problemas em trechos onde você jurava não existir nenhum.

Mande para mais cem depois disso. Novos problemas serão detectados.

Claro que você não precisa concordar com todos eles. Mas quando mais de um leitor aponta o mesmo trecho, esqueça todo seu pré-conceito com relação àquele fragmento da história e trate de reescrevê-lo.

E nunca mande para amigos ou familiares. Por mais bem intencionados que estejam, sempre quererão agradá-lo.

Entreguei O Peregrino, meu novo romance, para quatro homens corajosos. Dois deles mais próximos, escritores como eu, tarimbados, cultos e, embora atarefadíssimos, dispostos a me ajudar. Os outros dois, embora nem tão próximos também conhecidos – e igualmente atarefados; escritores, formadores de opinião, críticos, resenhistas.

O romance (240 páginas) recebeu 198 indicações de problemas. Muitos deles eu nem imaginava que existissem. O resultado final, depois de exaustiva releitura e intermináveis correções, ficou muito bom.

Acabou aí a tormentosa Via Crucis? Não. Agora existem dois editores canetando o original, prontos para me esfregar na cara outra penca de possíveis problemas.

Como o Delfin disse, não existe o leitor ideal. Sempre vão achar um pelo no ovo.

Mesmo que você faça depilação a laser.

Critérios de qualidade nada personalíssimos

20/08/2009

Meus comentários têm atraído não só elogios em relação à minha posição independente e ao caráter crítico idôneo, mas também reclamações que contraditam minhas opiniões, baseando-se essas em elementos iguais aos que me baseio para fazê-los. Ou seja, bastante subjetivos no que tange à avaliação do conteúdo intrínseco de uma obra (ou de um comentário).

Quero que saibam que quando digo ser este ou aquele conto muito (ou pouco) ruim, me sustento primeiramente na qualidade narrativa. Não adianta nada um conto (ou noveleta, novela, romance) ter uma história boa, original e criativa se a estrutura que contém essa mesma história é deficiente, se o controle narrativo é tosco.

Muito comum tropeçar na leitura de trabalhos que desrespeitam técnicas narrativas básicas. Que dirá aqueles que se enovelam em parágrafos quase ilegíveis, eivados de erros ortográficos e gramaticais. Eu, pessoalmente, não consigo ler desse jeito. E se o faço, é com extrema má vontade, efeito nocivo para a avaliação final do trabalho.

É claro e evidente que grande parte dos autores não faz passar seus trabalhos por leitores beta exigentes. E alguns dos que o fazem parecem ignorar os conselhos, como se estivessem acima do bem e do mal na crítica literária. Ninguém está isento de errar. Mas publicar trabalhos com esses erros, virtual ou fisicamente, é um erro que pode ser mortal para um escritor iniciante.

Sei que, de modo geral, literatura de gênero ignora a forma. O enredo acima de tudo. Mas para mim não funciona assim. Admiro textos bem escritos e, acreditem, um conto ruim muito bem escrito sempre deixa uma impressão positiva no avaliador. Um conto bom, mal escrito, só agrada àqueles para quem estrutura, construção e fluidez nada significam. E esses, infelizmente, não abrem portas no mercado editorial.

Existem também os experimentalistas para quem a forma suplanta totalmente o conteúdo. Mas se falamos em literatura de gênero, voltado a um público leitor específico, que procura, sobretudo, entretenimento, esses experimentalismos de nada servem a não ser para monólogos entediantes.

Aprimorem a narrativa. Entreguem seus textos para leitores com senso crítico elevado. Ouçam o que eles dizem. Melhorem sempre, porque sempre há o que melhorar. Leiam e releiam exaustivamente o que escreveram. E tentem, por fim, fugir do lugar comum. Nele já há muitos se acotovelando.