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Ficção de Polpa volume 2 – Comentários 2ª parte

26/08/2009

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Pois é, eu disse para jamais superestimarem qualquer leitura sob risco de se decepcionarem, não é mesmo? Caí em meu próprio truque. Subestimei a última metade do Ficção de Polpa 2 e fui surpreendido com contos ótimos. Todos eles suficientes para avalizar este segundo volume, dando ao leitor a certeza de fazer um excelente investimento em sua aquisição. Vamos a estes últimos dez contos:

1- CPL593H – João P. Kowacs Castro

Um conto intrigante, embora o final tenha deixado uma sensação de déjà vu. Gostei da frase: “…um potro saudável, pastando com eles.”

2- O palanque – Pena Cabreira

Um conto impecável, perfeito. Magnífico.

3- On/Off – Antônio Xerxenesky

Achei chatinho. Fiquei procurando o botão de off pra encerrar a leitura, mas não encontrei.

4- Sofisma sentimental interplanetário – Rafael Kasper

Histórias de amor sobrevivem à conquista espacial, aos bricabraques tecnológicos, aos devaneios filosóficos e às realidades alternativas.

5- Luz sobre cinza – Kelvin K.

Bem escrito, fluente, penetrante como uma chuva ácida.

6- Traz outro amigo também – Yves Robert

Um conto maravilhoso, incrível e comovente. Conseguiu me arrancar risadas e me fez retornar à infância, lamentando não ter tido nenhum amigo invisível.

7- A oficina – Annie Piagetti Müller

Esta deve ser amiga da Luciana Thomé e ambas andam tomando chá de cogumelo, juntas. Não sei se gostei ou não. Melhor a dúvida neste caso que uma certeza qualquer.

8- Braços longos para os adeuses – Juarez Guedes Cruz

Mais um conto de amor. Andróides amando humanos. Gostei.

9- Ressaca – Silvio Pilau

Um conto curioso pela abordagem. Mas bobinho.

10- O último fogo do mundo – Marcelo Juchem

E os últimos palitos do mundo raspam no tronco do último arbusto do mundo e pegam fogo, queimando o último conto do mundo. E a intelectualidade esfria, esfria, esfria.
E congela.
Curto e grosso. Bastante bom.

Vou começar a leitura de Ficção de Polpa 3. Até agora não me pronunciei com relação às capas e ao tratamento editorial, fato lamentável. A Não Editora merece os mais rasgados elogios nestes quesitos. Acho até surpreendente que tenham colocado um travesti na capa do terceiro volume. Uma demonstração inequívoca da ausência de preconceitos dessa digníssima casa publicadora.
Porque, é fato que o macho bombado com roupas de odalisca que divide cena com um gênio não se trata de uma mulher …rs… não pode ser.
Brincadeiras a parte, toda a coleção de Ficção de Polpa recebeu um cuidado editorial como poucas vezes visto. Parabéns aos editores.

Ficção de Polpa volume 2 – Comentários 1ª parte

24/08/2009

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Mergulhei em mais um Ficção de Polpa e cumpri com 50% da missão. Vou comentar dez contos agora e os demais amanhã. O primeiro volume me causou uma surpresa bastante agradável e comecei a leitura deste com uma expectativa elevadíssima, o que pode ter gerado grande parte da insatisfação que tive até agora. Que isso sirva de lição para todos: jamais superestimem qualquer leitura sob o risco de se decepcionarem. Isso não significa que os contos não sejam relativamente bons (e um ou outro excelentes), apenas que não são tão bons na média quanto pensei que seriam. Vamos a eles:

1- Vácuo – Frederico Cabral

Cenários alienígenas, astronautas perdidos em sua superfície, sobrevivência dificultada por condições hostis… Alguém já leu um livro ou viu algum filme com esse mote? Acho que todos. Nenhuma novidade.

2- Visitas – Samir Machado de Machado

Este conto me remeteu, ao seu final, diretamente a uma cena de Contatos imediatos do terceiro grau, onde o menino Barry Guiler (Cary Guffey) corre para fora de casa, deixando para trás Gillian (Melinda Dillion), sua mãe, apavorada. As semelhanças são apenas conceituais, mas impossíveis de serem desassociadas. Porque a mãe sorria no final? Choque? Uma história bem contada, mas difícil de engolir.

3- A coruja empalhada – Guilherme Smee

Fiquei o conto inteiro aguardando por algo que me surpreendesse. Infelizmente esse algo não surgiu.

4- Sala de espera – Rodrigo Rosp

O conto acabou? Cadê o resto dele?

5- Olhos vazios – Luciana Thomé

Um bom e triste conto.

6- Emet – Rafael Bán Jacobsen

Uma narrativa boa. Bons cenários e ambientação. Mas porque o Golem pirou? Esse conto merecia um final mais climático, o que, de certa forma, até aconteceu. Mas quando o autor devia tê-la encerrado, continuou, diluindo o clímax obtido. Gostei, de qualquer forma.

7- Morte anunciada – Rafael Spinelli

O conto seguiu bem. Pude prever o final, embora apenas isso não estragasse a história. Estava claro que o Sr. Delacroix representava o conjunto de demônios que o protagonista vira em pesadelos. O que lamento foi o final anticlimático e inexplicado. Percebeu uma sombra e sentiu uma pancada na cabeça? E daí? Quem deu a pancada? O que aconteceu depois? Morreu, cumprindo o vaticínio? Perdeu os sentidos? A impressão que fica é que faltou um parágrafo.

8- A ilha de Tobias – Leonardo Silviotti

Esse é um conto que termina sem ter começado.

9- Nós, Robôs – Bernardo Moraes

Imagino que esse argumento se passe num futuro relativamente distante, onde robôs e andróides convivam irmanamente, possuindo inteligência artificial avançada. Então fica difícil de engolir que um precise carregar as baterias numa prosaica tomada e o outro (o andróide) se preocupe com as poucas horas de carga que sua bateria ainda lhe oferece. Já que é para extrapolar, imaginemos baterias com cargas extremamente duradouras, dezenas de anos ou mais.

10- Cura-te a ti mesmo – Carlos Orsi

Esse conto do Orsi é um caso clássico do que falei no início, sobre superestimarmos uma leitura. Cura-te a ti mesmo é, em si, uma excelente história. Mas estou acostumado a ler obras do Orsi que sempre me surpreendem, seja pela incrível imaginação, seja pela criatividade, seja pela inteligência do argumento (Tá, sou fã do cara, e daí?). Este, em especial, não deveu em nada disso, mas fechou, a meu ver, de maneira óbvia, sem surpresas. Isso tirou um pouco do brilho.

Amanhã posto os comentários em relação aos últimos dez contos.

Ficção de Polpa volume 1 – comentários

21/08/2009

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Recebi, no começa desta semana, os três livros Ficções de Polpa, gentilmente me enviados pelo Rodrigo Rosp, não-editor da Não Editora. Recebi também o Areia nos Dentes, enviado pelo Antonio Xerxenesky. Agradeço muito a ambos pelas agradabilíssimas horas de leitura que estarão me proporcionando.

Terminei o Ficções de Polpa 1, ontem pela manhã. Que posso dizer?

Que foi uma agradabilíssima surpresa. É fato que esses autores, em sua grande maioria, foram (e são, aposto que sim) burilados pelo mainstream, produzindo obras com tal esmero técnico que causa admiração a alguém (eu) acostumado com textos mal ajambrados.

A julgar pelo que li, creio que os próximos volumes me surpreenderão da mesma maneira.

Parabéns ao Samir Machado de Machado pela organização.

Vamos aos comentários individualizados, conto a conto:

1- O Homem que criava fábulas – Samir Machado de Machado

Um conto inquietante. Muito bom.

2- Carne – Guilherme Smee

A idéia de explorar a história sob o ponto de vista do zumbi é interessante, mas a condução da trama deixa a desejar.

3- Linguista – Rodrigo Rosp

Um conto perturbador. Impactante. Muito bom.

4- Cosmologia – Marcelo Juchem

Esse conto é obsessivo e inquietante. Começou a coçar um dos meus ouvidos. Me apavorei. Muito bom.

5- Os internos – Gustavo Faraon

Passei a leitura sem sentir nada a não ser tédio. Não há emoções na narrativa, tudo transcorre de forma fria. Descrições exageradas, protagonista sem carisma.

6- Dias de fome, noite de cão – Sergio Napp

Um conto razoável, mas sem surpresas.

7- O homem dos ratos

Esquizofrênico e inverossímil. Impossível acreditar que Marta tivesse suportado a situação por tanto tempo.

8- Tempestade em Coney Island – Rafael Kasper

Um primor. Excelente conto, impressivo.

9- Ventre – Roberta Larini

Comecei a leitura sentindo cheiro de clichê no ar. A velha história do psicopata e do delegado eficiente. Mas é bem conduzida e o final me surpreendeu. Bom conto.

10- Funghi – Luciana Thomé

Que conto louco! Quantos cogumelos a autora tomou antes de escrevê-lo? Rsrs

11- Vãos – Alessandro Garcia

Envolvente história. Acho que poderia ter sido um pouquinho mais curta, sem prejuízos à estrutura. Condução narrativa excelente.

12- A meia-noite do fim do mundo – Fernando Mantelli

Um conto que destoa dos demais. De certa forma caminhou bem até as batidas na porta, quando Ana ouviu o que parecia ser seu filho morto a chamá-la. A mudança de rumo, trazendo Nyarlathotep estragou tudo. Uma pena.

13- Cabeça de arroz – Annie Piagetti Müller

Vou ficar sem comer arroz por um bom tempo. A autora quis tornar o conto nauseante e conseguiu. Apesar do sucesso, não gostei.

14- O fígado – Silvio Pilau

Destarte a originalidade, a condução infelizmente não é das melhores.

15- O desvio – Antonio Xerxenesky

Errou, Antônio! Eu sou o Diabo!
Um excelente conto cujo final não pode ser entrevisto até que se chegue à última e derradeira linha.

16- Quando eles chegaram – Rafael Bán Jacobsen

Lembra argumentos já largamente utilizados em ficção científica, mas é pungente e muito bem escrito. Chega a ser desesperador. Um ótimo conto.

A faixa bônus, com o conto O cão de caça de H.P. Lovecraft, dispensa comentários.

Ficção de Polpa

12/08/2009

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Fui surpreendido com um email do Antonio Xerxenesky me perguntando se há interesse na leitura dos três volumes já publicados do Ficção de Polpa, livros organizados por Samir Machado de Machado para a Não Editora.

Claro que sim, respondi. Mas para fazer seus “comentários”,  disse-me ele. Melhor ainda, repliquei. Só que prometi para mim mesmo ser honesto nos comentários, completei. De outro jeito não teria graça, ele emendou. Então estamos acertados, mande-me os livros. Ok. Vai um Areia nos Dentes de brinde. Jura? Isso mesmo. Mas quero um Fome. Ok, mando um. Combinados? Combinados!

Devo receber estes livros por esses dias. Fiquem atentos aos próximos capítulos desta emocionante pulp ficcion.


Pedro Moreno

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