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Portal Fundação – Comentários 2ª parte.

12/01/2010

Animmalia – Giulia Moon e Roberto Melfra

Esse conto traz um cenário exótico, pra dizer o mínimo. Inusitado também. Animais objetos de estudo de uma empresa de entretenimento desenvolvem mais que simples respostas a alguns comandos pré-estabelecidos. Matam em defesa própria. Uma narrativa bem fluente e trama detetivesca divertida e bem conduzida.

Habeas mentem – Ricardo Delfin

Esse é, ao meu entender, o conto mais fraco desse Portal. Narrativa apressada, confusa e equivocada em alguns momentos.
O autor desse conto foi fagocitado pela idéia (parafraseando o Braulio Tavares) e esqueceu de que estava fazendo literatura. Apresentou-nos a ideia e esqueceu-se de contar a história.

Sob as sete luas de sirena – Luiz Roberto Guedes

Ótimo conto. Ficção científica e horror numa trama muito bem ambientada.

O guarda-mor, a urutu dourada e o disco voador – Martha Argel

Conto em ritmo de “causo”, dando uma explicação bastante criativa para a existência de OVNI’s em regiões rurais, praticando abduções. Narrativa bastante divertida. Um bom conto.

A pescaria – Maria Helena Bandeira

Cenário exuberante, mas um conto incompreensível.

Até acabar este cigarro – Maria Helena Bandeira

Vixe…

Parállaxis – Maria Helena Bandeira

Qual é…

Opções imperfeitas – Maria Helena Bandeira

Cartoon Network rules.

Sol velho – Maria Helena Bandeira

Um conto perturbador. Cenário inquietante, perspectiva assustadora. Gostei muito.

Deslocalidade – Marco Antonio de Araújo Bueno

Já tinha lido esse conto antes, creio que no blog do autor. Muito bom. Cenário distópico perturbador. Narrativa muito bem conduzida. O Marco é um artesão da palavra, só fico puto quanto ele resolve liberar seu lado lisérgico e extrapola na punhetação.

Eu? – Marco Antonio de Araújo Bueno

Cadê a FC? Todo o traço de ficção científica devia estar dentro do lápis vermelho. Como não achou o lápis, não achou o traço. Ficou só o blá-blá-blá.

O prelo – Marco Antonio de Araújo Bueno

Olha a punhetação, aí.

Índex – Rodrigo Novaes de Almeida

Muito chato. Parei de ler duas páginas antes do fim.

Corpo seco – Leandro Leite Leocádio

Cadê a FC? Ainda no traço do lápis vermelho que desapareceu. Corre que o Seco pega!

O cérebro – Leandro Leite Leocádio

Conto bastante interessante e com abordagem original. Passa pela FC de raspão. Gostei.

O homem que parava o tempo – Leandro Leite Leocádio

Poesia transformada em prosa (proposital). Pra mim, não funciona. Fica parecendo um texto cheio de rimas e ecos; falhas de estilo.

Sésamo, bananas e kung-fu – Brontops Baruq

Bem escrito, mas passei batido pela leitura. Não me fisgou.

(hipocampo) – Brontops Baruq

Bom exemplo de que rigor narrativo, precisão de estilo e atenção à forma não impedem o desenvolvimento de uma boa história.

(história com desenho e diálogos) – Brontops Baruq

O autor mostra que tem talento para causar perturbação. Drama familiar durante ataque alienígena em guerra contra a humanidade. Um ótimo conto em ritmo de diário ou de literatura apócrifa.

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Portal Fundação – Comentários 1ª parte

09/01/2010

Antes de qualquer coisa, acho melhor voltar a abordar um assunto já tratado anteriormente.

Não tenho nem nunca tive a pretensão de me passar por um crítico literário, posto que certamente exige uma carga de conhecimento na área que não possuo. Isso não significa que não possa ter opinião, fundamentada nas impressões que cada narrativa me provoca. No caso específico dos Portais, passarei a me ater única e especificamente a cada trabalho, sem analisá-los em função do conjunto.

O que quero dizer com conjunto, neste caso?

Tenho pra mim (posso estar errado desde o início) que os Portais tinham a intenção primeira de mostrar tanto para os leitores de literatura realista, como para os de gênero, que existe vida inteligente em todas as vertentes literárias. Que as ferramentas de um podem ser úteis para o outro e vice-versa.

Na literatura de gênero valorizam mais o enredo. Na realista, valorizam mais a forma. Os Portais teriam a missão de conciliar ambas as ferramentas e mostrar ao leitor de ambos os gêneros que a união faz a força.

Por isso fui contra os experimentalismos estilísticos, os hermetismos. Para o leitor realista, um experimentalismo com linguagem de FC deve ser assustador. Para o leitor de gênero, idem. Uma boa história precisa ter… História. Precisa ser inteligível. Precisa ter uma boa trama. Precisa falar com todos os leitores e não com meia dúzia de eleitos.

De agora em diante, pelo menos em relação aos Portais, deixarei de analisar cada texto em razão de um objetivo que nem sei se existe. Vou ler cada conto como obra independente e não conciliada num coletivo literário com metas determinadas.

Assim sendo, vamos aos meus comentários:

Veja seu futuro – Ataíde Tartari

Já tinha lido esse conto antes. Gosto da prosa do Ataíde. Esse traz uma máquina especial numa loja de fotografia com o poder de mostrar o futuro às pessoas. Antecipar problemas e tentar resolvê-los na volta pode ser uma boa, mas nem sempre as coisas dão certo.

Cheiro de predador – Roberto de Sousa Causo

Continuação das aventuras de Shiroma/Bella Nunes, uma assassina implacável. Acho a narrativa do Causo cirurgicamente precisa. Mas não gosto da absoluta perfeição da protagonista. Pequenos erros de julgamento e imprecisões nos momentos de luta a tornariam mais crível. Torná-la humana nas últimas linhas não bastou. Há um trecho onde o Causo cita um spray capaz de endurecer tecidos moles. Acho pouco verossímil que isso fizesse uma camisa se transformar numa pá, já que ela não tem espessura e densidade suficientes para isso.

Estranho progresso – Richard Diegues

Bizarro, pra dizer o mínimo. Relato de um futuro distante ou de uma viagem alucinógena profunda. Cenário extravagante. Há trechos onde a compreensão fica dificultada e Isso prejudica o conjunto. Difícil abandonar a leitura. Apesar dos problemas a narrativa tem seus encantos.

A cor da tempestade – Mustafá Ali Kanso

Uma narrativa vigorosa. Lei Áurea liberta escravos, mas preconceito e racismo impedem que sejam imediatamente aceitos. É uma analogia, mas bastante adequada. Humanos e Sangarianos vivendo conflitos étnicos. Guerra com Najaris ocupa 2º plano na trama. Abordagem ética que conduz a uma espécie de lição moral. Cenário bem construído e muito boa ambientação.

Nuvem de cães-cavalos – Luiz Bras

Um conto bem escrito, mas o argumento, o cenário e a abordagem tornam, para mim, difícil aceitá-lo como ficção científica. Tirem as naves espaciais e coloquem em seus lugares carruagens, e a história terá a mesma força, sem perda de conteúdo.

O desenvolvimento insustentável do ser – Laura Fuentes

Outro conto que, para mim, não é ficção científica. Preocupações bastante contemporâneas com o progresso e suas conseqüências imediatas e futuras. Uma pequena extrapolação, inócua e poética, não justifica o gênero.
Existe um trecho que não bateu bem (sem trocadilhos): “…O sol daquela manhã mais parecia bigorna batendo no corpo sem dó…”. Bigornas não batem. Elas são o anteparo para o malho do ferro. Nem como licença poética isso me entra pela goela.

A segunda parte reunirá todos os demais contos e será postada na semana que vem.

Até lá.

E as coisas retornam aos seus lugares.

04/01/2010

As festas de fim de ano passaram, e as coisas voltam à normalidade. O É só outro blogue ficou algum tempo sem nenhuma atualização, respeitando meu recesso, embora, acreditem, eu tenha me sentido muitas vezes atraído em postar algumas coisas.

Me contive, em nome de um descanso necessário.

Agora vou retornando aos poucos, já que ainda estou de férias e isso me afasta bastante do contato virtual, limitando meus acessos a poucos minutos por dia (juro). Até dia 18 postarei esporadicamente. Depois disso, diariamente, ou quase.

Trago dois links. Num deles uma crítica bastante ácida de Rodrigo Novaes de Almeida ao meu conto Cibermetarealidade, da coletânea Contos imediatos, da Terracota Editora e organizado por Roberto de Sousa Causo. Publicado em seu Blog no dia 14 de dezembro, só fui tomar conhecimento dele no dia 02 de janeiro. Fiquei feliz em saber que ele dedicou ao meu conto quase o dobro de atenção que destinou a cada um dos demais. Sinal claro de que chamo a sua atenção, de uma forma ou outra. Muito obrigado, Rodrigo. Sua opinião – como a de todos – é importantíssima.

http://rodrigonovaesdealmeida.blogspot.com/2009/12/contos-imediatos-comentarios.html

Noutro, um site polonês dedicado à literatura de gênero, mais especificamente o Steampunk, relaciona meu livro O peregrino como lançamento futuro, para 2010. Bom ser citado internacionalmente. Faz-nos ver que temos alguma visibilidade, mesmo que quase insipiente.

http://steampunk.republika.pl/chrono03pl.html

Fora isso, vou anunciando para breve meus comentários sobre o Portal Fundação editado por Nelson de Oliveira e para o livro de Rodrigo Rosp, Fora de lugar, publicado pela Não editora.

Que todos tenham um excelente 2010. Que seja repleto de novos lançamentos, de relançamentos e de projetos vários que eclodam nos anos vindouros.

Viva!

Portal Fundação em mãos.

18/12/2009

Recebi ontem, quinta-feira, o quarto volume do projeto Portal, organizado por Nelson de Oliveira. Ainda não comecei a lê-lo, mas considerando que acabo de entrar em férias compulsórias, terei razoável tempo para isso.

O tratamento editorial está muito bom, a capa bonita. O projeto vem evoluindo paulatinamente. Chegará ao ponto de perfeição quando, por fim, se encerrará.

Os autores dessa edição, são: Ataíde Tartari, Brontops Baruq, Giulia Moon, Laura Fuentes, Leandro Leite Leocadio, Luis Bras, Luis Roberto Guedes, Marco Antonio de Araújo Bueno, Maria Helena Bandeira, Martha Argel, Mustafá Ali Kanso, Nelson de Oliveira, Ricardo Delfin, Richard Diegues, Roberto de Sousa Causo, Roberto Melfra, Rodrigo Novaes de Almeida.

Claro que deixarei neste blog os meus comentários. Sem eles não terá a menor graça (nem para mim, nem para os que me apedrejam).