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Jebediah Crow, o Anjo do Senhor.

18/05/2012

Já faz algum tempo que eu não posto nada a respeito de meus próprios projetos. Não tenho andado parado, como podem até supor. Acho que venho sofrendo uma lenta e gradual mudança de conceitos. Começo a não acreditar em projetos previamente anunciados e divulgados nas redes sociais. Tenho a impressão de que essa divulgação acaba se transformando numa faca de dois gumes. De tanto o publico leitor potencial ouvir falar de um livro, dos seus protagonistas, do tema e do argumento, eles acabam meio que saturados e quando esse livro é finalmente lançado, têm a impressão de já o ter lido.

A novidade pode agregar interesse. Pode provocar a premência, a urgência. Pode fazer o leitor, surpreendido, se interessar pelo livro mais do que se interessaria se fosse bombardeado por ele durante meses ou anos anteriores.

Apesar disso, essa postagem é para falar de um romance fix-up que estou escrevendo no momento. Um projeto recente que está atropelando outros mais antigos (comigo é quase sempre assim).

Trata-se de Jebediah Crow, o Anjo do Senhor.

Ficção científica, fantasia, terror, suspense… uma mistura que vagueia por diversos subgêneros, mas mais especificamente no Steampunk. Jebediah Crow é um dos protagonistas, um enviado de Deus para levar Sua ira aos homens de boa vontade. Ele cruza o meio oeste americano nos anos de 1890 travando lutas contra demônios, vampiros, zumbis, contra monstros de todas as espécies. Deus sempre ao seu lado, sempre lhe fornecendo milagres.

Claro que Deus é um dos protagonistas, como não poderia deixar de ser.

Nas palavras de um dos leitores beta, “Deus é um aloprado, um lunático”. Um personagem grandioso que rompe com os próprios paradigmas.  Irascível, imprevisível, bipolar.

Seguem dois trechos:

Jebediah Crow, o Anjo do Senhor – História I

Bateram à porta. Encontraram uma menina com não mais que dezesseis anos, aguardando-os com paciência. Cabelos dourados e cacheados. Olhos azuis. Tez alva, sardas, nariz arrebitado. Vestido longo, branco como a sua alma pura. Deixaram-na entrar, convidaram-na a se sentar na cama. Acomodada, a menina pôs-se a chorar.

— Quem é você? — perguntou-lhe Ishmael, curioso.

— Madeleine. Minha irmã foi raptada pelos demônios. Vim implorar a ajuda de vocês.

— E porque choras? — retornou Ishmael, compadecido.

— Porque estou diante dos anjos do Senhor. Meu pai me enviou para lhes dar conforto e em busca de purificação. Imploro que não recusem a minha oferenda — disse-lhes a menina enquanto erguia a saia e lhes mostrava a brancura imaculada de suas coxas, o fulgor robusto de seu monte de Vênus e, entreabrindo as pernas, o vale onde repousa a alegria dos homens.

— Pobre garota — disse Jebediah se aproximando da coitada. Reconheceu-a como uma das que os receberam com o canto de louvor. Passou-lhe os dedos no rosto, sentindo-lhe a maciez da pele. Recolheu uma gota de lágrima e a levou aos lábios, sorvendo-a com deleite. — Que Deus a abençoe e que o cajado do Senhor a locuplete.

E o cajado do Senhor a locupletou pelo que restou da noite. Ishmael a tudo assistiu, contrito em oração. Quando lhe coube a vez, repetiu o sinal da cruz setenta mais sete vezes. Ao nascer do sol, a menina, repleta de bênçãos, purificada, feliz e esfuziante por ter servido à causa do Senhor, deixou-os a sós.

Jebediah Crow, o Anjo do Senhor – História II

O homem se aproximou de Jebediah Crow. Parecia um touro inquieto, remexia os pés chutando cavacos inexistentes. Seu olhar indicava um grau de irritação que ia um pouco além do considerado saudável para alguém que ousa enfrentar o negro num mau momento.
— E pode me dizer por que é que Deus não colocou um fim nisso, ainda? — perguntou o homem quase cuspindo as palavras.
Jebediah respirou fundo, comprimiu os lábios lambendo-os e esfregou os olhos, cansado.
— Porque Ele está com preguiça.
O homem diante de Jebediah estancou. Parou de se remexer. Seus olhos se arregalaram.
— Ele está o quê?
— Com preguiça — repetiu Jebediah sem muita paciência.
— Com o quê? — quase gritou o homem, indignado.
Um raio arrebentou o telhado do Saloon, estourou o piso de um quarto e caiu na cabeça do indigitado que desapareceu numa nuvem de fumaça.
— Com preguiça e sem pachorra nenhuma para questionamentos… — concluiu Jebediah pedindo ao barman mais uma dose de uísque.

***

Isso é tudo o que lerão a respeito de Jebediah Crow, o Anjo do Senhor, até que ele seja lançado. Apesar das minhas mudanças de conceito, acabei não resistindo em revelar o projeto e alguns dos seus trechos.

Uma recaída para a qual já estou tomando alguns comprimidos. Logo, passa.

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E as boas resenhas não param!

29/04/2011

Meu romance O Peregrino tem recebido avaliações muito boas dos leitores brasileiros. O bastante para me fazer acreditar que acertei a mão ao escrevê-lo. Foram, afinal, cerca de seis meses de trabalho, numa imersão total, que inclui desde os primeiros esboços do livro com o acompanhamento dos leitores beta até o período de finalização onde todos os apontamentos foram observados e corrigidos.

Alguns capítulos desapareceram inteiros, dando lugar a outros ou simplesmente jogados fora. Mexi e remexi muitas vezes e ainda fiz passar por mais duas leituras beta depois das duas primeiras e das correções necessárias que essas leituras apontaram.

Ou seja, O Peregrino deu bastante trabalho mas foi altamente recompensador. Além das resenhas positivas feitas por Cesar Silva, Daniel Borba e Álvaro Domingos, soma-se a elas, agora, a resenha feita por Larry Nolen, editor e crítico Norte-Americano.

Ele destaca, principalmente, a qualidade da minha prosa, comparando-a, em alguns aspectos, com a de Cormac McCarthy, coisa que obviamente me deixou bastante satisfeito.

Você pode lê-la no original, aqui. Ou pode ler o texto colado abaixo, em bom português:

OfBlog – Tibor Moricz, O Peregrino (The Pilgrim)

Uma escuridão imensa.  Silêncio.  Um nada absoluto.  Foi assim por um tempo desconhecido.  Até que se iniciou um rumorejar.  Como água correndo pelo leito de um rio.  De começo uma correnteza leve.  Depois uma enxurrada que sai arrastando tudo o que encontra pelo caminho.  Estava mergulhado nela, sendo arrastado.  Ora submergindo, indo até as profundezas mais densas, ora explodindo na superficie, procurando por ar.  A água corria por leitos impenetráveis.  Embora estivesse sendo conduzido violentamente para algum lugar, era-lhe impossível determinar o seu destino.  Era-lhe impossível determinar qualquer coisa, porquanto a escuridão ainda imperasse. (p. 9)

A passagem de abertura do romance do escritor brasileiro Tibor Moricz, O Peregrino: Em Busca das Crianças Perdidas (2011) chama a atenção pela rigidez. Ao longo do primeiro terço desse romance curto (196 páginas), a narrativa de Moricz está repleta de frases curtas e afiadas que ilustram a dureza da terra pela qual perambula o peregrino do título. Esta terra é uma visão do Velho Oeste americano no século 19, através dos olhos de um estrangeiro. A leitura foi interessante pelo tanto de estranheza que causou em alguns momentos.

A história que Moricz escreveu sobre o peregrino (seu nome, embora revelado na narrativa, vai permanecer em segredo para os poucos que desejem ler o livro em português) captura essa sensação de brutalidade e estranheza no mundo que tantas vezes inspira outros a vaguearem em direção a seu abraço implacável. Não é uma história simples; há alguns apartes e passos em falso que encontrei enquanto lia. Mas foi uma história que prendeu minha atenção ao longo da narrativa.

O que mais gostei em O Peregrino foi a prosa de Moricz. Ele usa passagens curtas e descritivas para expor a sua versão do oeste americano de uma maneira que, às vezes, me fez lembrar de Cormac McCarthy. Isso não quer dizer que suas histórias sejam parecidas, mas sim que suas narrativas compartilham uma brutalidade que chega a ser semelhante. A escuridão está presente o tempo todo neste romance, desde as primeiras linhas até o final. Em alguns pontos, há um pouco de luz, mas são momentos que servem apenas para enfatizar a desolação que encontrei em várias cenas.

Um problema que tive foi com os nomes. Talvez devido a ser um escritor estrangeiro (ao menos para mim), os nomes utilizados por Moricz para várias pessoas soaram um pouco fora — às vezes inadequados — de lugar. Mas, novamente, essa sensação de “fora de lugar” não prejudicou a narrativa, mas deu-lhe uma espécie de sensação estranha ou transposta, como se o Oeste americano não fosse aquele lugar onde mitos são criados, com o qual já estou acostumado, mas tivesse sido transformado em algo menos familiar e ligeiramente mais ameaçador. Esta qualidade fez de O Peregrino um trabalho imaginativo agradável, apesar de pequenas falhas, que chamará a atenção de quem quiser ler uma história ambientada no Oeste americano, com alguns elementos de steampunk acrescentados em boa dose.
Larry Nolen

Tinham fios soltos e partes metálicas.

18/04/2011

Sorria quando chegou ao meio da escadaria. Ao fim dela estava o proprietário do Posto de Trocas. Finnegan era o seu nome. Nas mãos um rifle apontado para seu peito. Os outros homens continuavam diante dos copos, mas as armas estavam sacadas. Repousavam sobre o balcão. Os copos de bourbon estavam pela metade.

— Você não é o Harvey! – cuspiu Finnegan.

— Harvey? – perguntou sem esconder a curiosidade. Não sabia mesmo quem era o sujeito.

— O dono do cavalo lá fora.

Aí tudo começou a fazer sentido. O tal caçador de búfalos que matara era o tal Harvey. Devia ter calculado que o cavalo o levaria para um lugar conhecido. E para próximo de caras conhecidos do dito cujo.

— Era amigo, é? – perguntou, desfazendo o sorriso, antecipando problemas e se regozijando com isso.

— E dos bons – retrucou Finnegan.

— Ele está na correnteza.

— Ele está o quê? – Finnegan pareceu confuso – Você é uma espécie de maluco, é?

Não estava certo do que havia dito. Nem podia explicar o que a correnteza, qualquer uma, tinha a ver com mortes e mortos. Mas as palavras saíram-lhe da boca com naturalidade. A mesma naturalidade com que sacara e atirara em Harvey.

— Não quero confusão – disse, contradizendo sua vontade mais profunda. O olhar varreu o ambiente numa fração de segundos. Três homens armados com a atenção nele. Um deles pronto para puxar o gatilho. O que seria feito a qualquer instante.

— Só quero beber alguma coisa e ir embora – Intimamente imaginava que faria exatamente isso. Mas sem testemunhas para vê-lo partir.

Então sacou o Colt.

O rifle nas mãos de Finnegan nem chegou a disparar. O Colt foi derramando balas em sucessão espantosa. A mão apontava para todos os lados e o gatilho ia sendo puxado. A fumaça e o cheiro de pólvora encheram o Posto. Foram três balaços no Finnegan. Primeiro um, depois outro no segundo homem e outro no terceiro. Completou com mais dois quando reparou que ele não havia caído. Continuava de pé, embora meio fora de si, tremendo todo, ainda com o rifle nas mãos.

Das três balas, duas foram na cabeça. A segunda e a terceira. A primeira encheu-lhe o peito. Os homens no balcão ainda sorriam. Os olhos esgazeados. As cabeças furadas, ambas na mesma altura, entre os olhos, assim como com o tal Harvey. Derramaram-se no chão, desaparecendo atrás do balcão.

Finnegan zunia. Seus olhos reviravam. O rifle caíra. Ele cambaleava para um lado, depois para outro. Estranho e incompreensível. Apontou mais uma vez. Num dos olhos. Era para ser o derradeiro. O que põe fim à conversa. Mas foi interrompido antes do disparo. Maryanne apareceu de algum lugar e, num grito, se atirou sobre suas costas.

Foi como ser atingido por uma rocha. A mulher pesava bem mais do que fazia supor a bela figura. Desceu o que restava da escadaria, carregando-a sobre si, seus braços apertando-o num abraço sufocante. Chocaram-se contra Finnegan.

Caíram todos. Tentou se livrar, mas era como estar sendo esmagado pelo abraço de um urso. Nem titubeou. Apontou o Colt para trás, bem junto ao pescoço e disparou duas vezes. Ignorava que não deveria ter mais que uma bala disponível na câmara. Mas saíram duas. E ambas fizeram a cabeça chacoalhar o suficiente para livrá-lo do aperto. Rastejou para longe dela, se levantou e ficou observando Finnegan e a mulher soltando parafusos no chão. Era desconcertante.

Aproximou-se de ambos. O Colt bem apontado. Chutou Finnegan uma vez. Era pesadão. Cutucou a mulher. Ela idem. Não sabia o que eram os dois. Tinham fios soltos. Partes metálicas. Balbuciavam coisas sem sentido. Não sabia se coisas como essas podiam ser mortas. Não eram humanos. Não eram mesmo.

Voltou a atenção aos dois homens caídos. Eram aparentemente normais. Sangraram, deixando uma poça grande no chão. Os copos de bourbon sobre o balcão. Seus olhos lacrimejaram, mas bebeu o que havia neles e ainda o que sobrava numa das garrafas. Arrotou, enfiando o Colt no coldre, não sem antes abrir o tambor e verificar que estava carregado. Como se não tivesse disparado nenhuma bala.

Saiu do Posto e deu de cara com um garoto. Olhos esbugalhados. Olhando-o como se estivesse diante de uma aparição. Não sabia há quanto tempo estava lá, vendo tudo, assistindo a tudo. Ponderou se devia matá-lo também. Não fez isso.

— Que gente é aquela? – Perguntou indicando o Posto com o queixo.

O menino permaneceu mudo.

— Quem é você?

O menino piscou os olhos, rápido.

— Ajudante. Fico nas máquinas.

— Maquinas?

Parou de piscar e olhou para o Colt. Absorto pelo brilho do metal.

— Pra que lado encontro a cidade?

— Siga para Leste na direção das colinas. Downtown fica depois da Garganta do Enlouquecido.

Montou, esporeando o cavalo, que saltou para frente seguindo na direção das colinas que nem estavam tão longe. O bourbon ainda lhe queimava a garganta.

De Bar em Bar entrevista Charles Stross.

02/02/2011

Charles Stross, 46 anos, é escritor de ficção científica em tempo integral e reside em Edimburgo, na Escócia. É autor de seis romances indicados ao prêmio Hugo, tendo vencido os prêmios de 2005 e 2010 na categoria melhor novela, e já teve suas obras traduzidas em mais de doze idiomas. Como muitos escritores, Stross teve uma variedade de carreiras, ocupações e trabalhos catastróficos no passado, desde farmacêutico (do qual desistiu depois da segunda autuação polícial) a programador em tempo integral numa bem sucedida empreitada "pontocom" (mas com um timing perfeito, tentou mudar de empregador justo quando a bolha estourou)

Chamas azuladas e faíscas explodiam ruidosamente. Encolhi-me, assustado e sem entender o que estava acontecendo. Devia estar em casa, descansando depois da entrevista com Ekaterina Sedia, mas me via envolto em fumaça, fogo, sirenes e gritos de alerta. Sem iniciativa para agir, atônito.

Então fui agarrado num dos braços e puxado com força para fora do nicho em que estava metido. Fui sendo arrastado por alguns metros ao mesmo tempo em que um grupo de homens tentava, com extintores de incêndio, debelar o fogo que ganhava força. Olhei para o homem que me arrastava e reconheci Charles Stross.

Se eu já estava atônito, fiquei ainda mais. Nossa entrevista não deveria acontecer antes de alguns dias de intervalo. Levantei-me dividindo minha atenção com ele e com meu relógio quântico, tentando adivinhar o que estava acontecendo. Provavelmente uma discrepância que me lançara em outra realidade alterada de maneira subsequente.

Ainda cutucava o relógio quando Charlie, exasperado, me chamou a atenção.

— Vamos ficar aqui brincando de cuco enquanto a nave se desintegra?

Claro que sentia um peixe fora d’água. Não sabia o que estava acontecendo, nem como fora parar ali.

— Não, claro que não – respondi sem nem saber ao certo como devia proceder.

Charlie não me deixou pensar por muito tempo. Voltou a me pegar pelo braço e a me conduzir por um curto corredor até uma porta que se abriu imediatamente à nossa aproximação. Do lado de fora a azáfama era igualmente grande. Um intenso corre-corre de homens e mulheres, todos vestindo macacões cinza chumbo, olhares de espanto, expressões de medo.

— O que está acontecendo? – perguntei.

— Aparentemente fomos arrancados, sem nenhuma graciosidade, do hiperespaço.

Eu o ia seguindo apressadamente, vendo os outros passarem por nós, às vezes trombando conosco. Subimos e descemos escadas, caminhamos por inúmeros corredores sendo, por vezes, sacudidos pelo que pareciam explosões próximas.

— Hiperespaço? – perguntei de novo, tentando entender.

Charlie olhou para mim como quem olha para um completo estranho.

— Viagem inaugural, lembra-se? Cargueiro Pegasus de primeira classe. Nível 2 na escala de Reymond & Clever. Com destino à constelação de Orion, ao sistema de Bellatrix. Vindos do conglomerado industrial de Io, a serviço da Corporação Amgen & Toyota. O que você andou bebendo?

— Fomos arrancados – continuou ele – de nossa viagem por um flare solar de grande magnitude. Ar-ran-ca-dos! Entende isso?

Parei de acompanhá-lo por alguns instantes. Havia em meio ao corredor uma abertura ampla, aparentemente envidraçada. Ao me aproximar e tocar a membrana que nos separava do espaço exterior foi que me lembrei de já ter visto aquela tecnologia antes, na entrevista com Calife.

Aproximei meu rosto do campo energético e vi uma coisa colossal e sinuosa. Era a nave cargueira onde estávamos. Ela se estendia a perder de vista, toda formada por blocos metálicos agrupados como um imenso Lego. Em vários lugares as junções explodiam, blocos se separavam uns dos outros, girando, batendo, abrindo suas paredes e despejando no espaço carga e gente. Vi vários focos de incêndio, intensos. Logo desapareciam no vácuo para serem substituídos por outros. As explosões iam se sucedendo.

Um grito de Charlie me trouxe novamente à realidade. Corri para alcançá-lo. O chão sob nossos pés estremecia com cada vez mais força. Comecei a ouvir gritos não muito distantes e, para meu terror, vi o segmento da nave onde eu estava há pouco, rachar e abrir ao meio, expulsando as pessoas que corriam por ali, jogando-as no espaço. Charlie me agarrou e me lançou para dentro de uma sala, fechando hermeticamente a porta atrás de nós.

Eu estava apavorado.

— Há a entrevista, mas não sei o que perguntar. Não estou preparado para isso. Não era para estar aqui – balbuciei confuso.

— Entrevista? Que besteira é essa?

A sala onde estávamos possuía uma série de casulos que se projetavam das paredes. Observei-os tentando adivinhar-lhes as funções. Arrisquei um palpite.

— Sistema de fuga?

— Bolhas de ejeção. Existem algumas centenas nessa gigantesca cidade flutuante. Mas a grande maioria já se perdeu, destruída pela desintegração da nave.

Então Charles parou e olhou fixamente para mim.

— Você não está brincando comigo, não é? Quero dizer, está querendo dizer mesmo de que não sabe o que esta acontecendo e nem sabe onde estamos? Você comentou sobre essa entrevista e tive uma sensação curiosa de que… Bem, perguntas foram feitas, lembro-me delas. Eu as respondi, não sem antes recusar algumas. Parece-me que isso aconteceu há centenas de anos. Como se essa lembrança ressurgisse do fundo, bem do fundo de minha memória.

— From Bar to Bar, entrevistas perigosas. Lembra-se? Entrevistei Ekaterina Sedia, depois era você, mas com um intervalo. Esse intervalo não ocorreu. Vim parar aqui de chofre.

— From Bar to Bar… – murmurou Charles, enquanto ia me empurrando para dentro de um dos casulos.

Cintas magnéticas prenderam-se ao meu corpo, imobilizando-me. Uma membrana energética igual a que vi na ampla área aberta surgiu, selando-me dentro do casulo. Ofeguei sentindo falta de ar; uma sensação mais psicológica que física. Vi Charles entrando em outro casulo, vi a membrana se fechando, isolando-o dentro dele. Vi o homem cutucando um painel (que existia dentro de onde eu estava) e então tudo começou a tremer.

Pensei que o segmento onde estávamos ia arrebentar, mas então nossos casulos foram sugados por um tubo e lançados logo depois no espaço exterior. Cruzamos destroços quase abalroando alguns. Distanciamos-nos da nave o suficiente para que eu descobrisse que ela era ainda maior do que eu supunha inicialmente. Fiquei estarrecido diante de toda a sua incrível magnitude. Corcoveando, retorcendo-se como uma cobra. Anelos sendo expelidos, segmentos sendo arrancados, explosões simultâneas destruindo uma incrível obra da engenharia humana.

Então nossos casulos giraram no espaço iniciando uma espécie de ignição, como se houvesse foguetes de cauda neles. Disparamos numa velocidade vertiginosa, distanciando-nos da imensa nave terrestre, rumo a um destino totalmente ignorado por mim.

——

Estava grogue quando despertei. Sentado, com as costas apoiadas numa rocha. Charles estava perto de seu casulo, remexia dentro dele em busca de alguma coisa.

— Ah, acordou. Já estava na hora – ele me disse sem se voltar em minha direção.

— Onde estamos?

— Um pequeno planeta rochoso alguns milhões de quilômetros distantes da Pegasus ou do que sobrou dela.

— Como viemos parar aqui?

— Este lado da galáxia está todo mapeado. Programei o destino mais próximo e os sistemas de sustentação de vida dos casulos fizeram o resto.

— Sustentação de vida?

— Você acha que chegaria vivo aqui com apenas 2 litros de oxigênio disponíveis? Foram seis dias de viagem! Você foi colocado para dormir e seu metabolismo reduzido a níveis mínimos.

— A Pegasus era dirigida por uma lagosta? – perguntei, ainda confuso.

— O quê?

Então foi como se abrissem uma comporta dentro de minha mente e todas as perguntas necessárias para conduzir a entrevista fluíssem com liberdade.

— Lagostas sonham com viagens através de buracos de minhoca? E será que devemos temer que um dia elas tenham um livro sobre “como servir a um homem”?

Charles estava debruçado sobre seu casulo e ergueu-se. Tinha nas mãos uma pequena sacola. Na outra carregava o que parecia um binóculo.

— Apetrechos de primeira necessidade – ele disse, vendo minha curiosidade – este binóculo, canivete, abridor de latas, primeiros socorros, comida desidratada, pastilhas de hortelã.

— Pastilhas de hortelã?

— Lagostas… Bem, vamos com calma, até onde sabemos elas são apenas crustáceos, criaturas com cara de inseto gigante que vivem no mar, quase sem nada de sistema nervoso. Eu as escolhi para a primeira parte de Accelerando depois de ler sobre uma experiência interessante…

Charles escolheu um trecho plano de terreno, afastou alguns pedriscos e sentou-se diante de mim. Largou a sacola e o binóculo de lado e apoiou o queixo nas mãos livres.

— Pelos últimos 400 anos, tem havido um debate entre dois lados filosoficamente opostos: os que propõem um dualismo mente/corpo (o pensamento de que nossa consciência é separada da nossa existência física, surgindo daí uma espécie de “alma”) e os materialistas que acreditam que a consciência é propriedade emergente da matéria. Nos últimos 60 anos o caminho parece estar apontando para os materialistas. Dois grandes avanços na ciência os ajudaram bastante: o desenvolvimento da teoria da computação, que admite a existência de grandes estruturas computacionais que podem emular umas às outras, desde que haja tempo e capacidade de memória suficientes, e o desenvolvimento da neurobiologia, que esboçou os mecanismos pelos quais os nervos funcionam, mostrando que estes são, de certa forma, estruturas computacionais. Outras pesquisas científicas falharam em provar a hipótese dualista: cérebros vivos analisados por ressonância magnética não dão sinais de terem almas se escondendo em seu interior.

Eu permaneci quieto, apenas ouvindo sua dissertação. Impossível impedir que meus olhos se perdessem na topografia alienígena, curiosos, observando a redondeza. Havia rochas de diversos tamanhos, uma paisagem quase marciana. Mas eu podia ver pequenas florescências intensamente rubras que nasciam aos pés de grande parte das rochas presentes. Pareciam nacos de carne abertos e expostos; flores estranhas.

— Como consequência – continuou ele –, mais recentemente há ideias a respeito de uploads mentais: se nossas mentes são essencialmente padrões de atividade mantidos por um neurocomputador, seria possível transferi-las de maneira intacta (e com continuidade plena de consciência) para um substrato diferente e possivelmente mais rápido e poderoso?

Charles fez uma pausa ao mesmo tempo em que senti um leve sopro em minha orelha esquerda. Olhei para o lado e dei um salto, assustado. Abriu-se uma fenda na rocha e de dentro dela foram expelidos diminutos esporos. Recuei dois passos, olhando com incredulidade a estranha manifestação. Charles riu de meu espanto.

— Isso que você vê não são rochas. Pelo menos não na sua maioria. A botânica aqui é exótica. Não vê as flores rentes ao chão, juntos dessas “rochas”? Mas são todas inofensivas. A não ser que você seja alérgico a pólen.

Dei um sorriso sem graça e preferi me manter de pé.

— Nos anos 1980 – ele continuou mais uma vez –, o professor de robótica da CMU (Carnegie Mellon University) Hans Moravec, planejou uma experiência mental. Sua ideia era a seguinte: você leva um paciente para cirurgia e abre seu crânio sob efeito de anestesia local, mantendo-o consciente. Um robô-cirurgião fantasticamente preciso então (a) identifica um único neurônio na superfície do neurocortex, (b) mapeia suas conexões com os neurônios vizinhos, (c) desenvolve um software que modele seu potencial de ação, (d) substitui seus terminais axônios e dendritos por aparelhos eletrônicos capazes de unir o modelo computacional do neurônio a todos os seus vizinhos, de modo que o computador assuma o trabalho de emular o estado interno do neurônio e trocar sinais com seus vizinhos e depois (e) remove o neurônio redundante. Repita o procedimento cem bilhões de vezes e no final você vai ter um crânio vazio forrado de eletrodos funcionando como se fossem nervos para um corpo e uma mente que, apesar de ter estado consciente o tempo todo, agora existe somente numa simulação de computador. Mas nós não vamos começar isso direto com os humanos, né?

Aproveitei a pausa dele para lançar o olhar com mais atenção ao horizonte, onde eu parecia ver alguma movimentação distante. Talvez ilusão de ótica, talvez não.

— É algo com que devamos nos preocupar? – perguntei, apontando o dedo para o norte.

Charles se ergueu, aproximou o binóculo dos olhos e soltou uma exclamação de assombro.

— Não é possível! – ele disse, numa voz tensa. Então empurrou o binóculo em minha direção.

Olhei para o horizonte e vi o que parecia ser uma massa humana se movendo. Vinham a pé ou conduzidos por máquinas que soltavam nuvens de vapor. Homens e mulheres com roupas estranhas, antigas. Alguns pareciam vestir armaduras bizarras, Vi duas formas humanoides, certamente mecânicas, movendo-se pesadamente. Um ou outro também nos observava com binóculos. Apontaram os dedos em nossa direção, excitados. Então Charles tocou no binóculo que eu mantinha diante dos olhos, forçando-me a apontá-los mais para cima, na direção do céu, bem acima da turba. Dois enormes zepelins apontavam seus narizes para nós.

— Steamers! – Charles exclamou com a mais viva perplexidade.

— Steamers? Aqui? Mas esse não é um planetoide rochoso, perdido nos confins do universo?

Charles olhou para meu relógio como se o responsabilizasse por tudo.

— Acho melhor nós nos movermos.

— Por quê? Podem ser nossa salvação. Estamos perdidos, não estamos?

— Mova-se. Se ficarmos vamos ser massacrados.

— Um candidato – Charles voltou à sua dissertação. A voz bem mais tensa, é verdade – muito melhor para fazer experiências de uploading mental é a chamada Pacific Spiny Lobster, panulirus interruptus. Este inseto super-crescido tem um jeito estranho de comer: ao invés de morder sua comida em pedacinhos, ele a engole por inteiro, e a mastiga usando uma espécie de moinho cheio de dentes dentro do seu estômago. Este moinho é controlado por um amontoado de nervos chamado stomatogastric ganglion, nervos muito grandes, fáceis de se estudar, e muito simples: o gerador padrão central que o controla tem apenas onze neurônios (e muito grandes). Essas conexões neurais foram mapeadas já nos anos 1970 e no final dos 1990 eu li um artigo no qual alguns pesquisadores verificaram o seu mapeamento, realizando a experiência de Moravec. E funcionou. (Em um neurônio, é verdade, mas já é um começo!).

Então ouvimos um estrondo. Olhamos para trás e vimos, ao longe, o que parecia ser um diminuto pontinho escuro se erguendo contra o céu e, numa parábola, ir aumentando de tamanho gradativamente. Vinha em nossa direção.

— Corra! – gritou Charles, me empurrando.

Corremos desviando-nos das “pedras” até chegarmos perto de uma suficientemente grande para nos ocultar. Paramos por uma fração de segundo e olhamos para trás. O projétil se aproximava rapidamente. Uma bola metálica que caiu a cerca de cinquenta jardas, rolou chocando-se contra vários obstáculos (destruindo algumas “plantas” e provocando fortes emanações de esporos) e foi parar não mais que 10 jardas de nós. De sua superfície abriram-se pequenas aberturas e delas se projetaram dezenas de agulhas metálicas. Charles me agarrou e jogou-se, junto comigo, detrás da pedra. Os dardos foram disparados e espalharam-se para todos os lados, algumas perfurando a rocha vários centímetros.

— Querem nos matar! – exclamei, assustado! – E eu que pensei que vieram da Terra para nos salvar.

— Terra? – inquiriu Charles. A Terra praticamente não existe mais, mergulhada numa terrível guerra entre as corporações que não aceitam mais a diplomacia política como forma de diálogo.

— Esses Steamers saíram de onde, então?

— Da fantasia louca desse seu relógio quântico. Eu e minha grande boca…

— Não creio que meu relógio esteja funcionando direito. Vim para cá sem pausas, num salto quântico imediato. Mau funcionamento, provavelmente.

— Ou alguém brincando com você.

— Alguém?

— Alguém com um relógio igual. Faz sentido, não faz?

Franzi o cenho, tentando acompanhar o raciocínio dele. Logo descartei a possibilidade, era absurdo que mais alguém possuísse um relógio quântico igual ao meu.

— Vamos ficar aqui até quando? – perguntei, preocupado com o avanço dos Steamers.

— Vou dar uma olhada rápida. A verdade é que não temos muito para onde fugir. Esse planeta é desolado, sem muitos lugares que possam servir de abrigo.

Charles levantou-se e pôs a cabeça para fora, espiando os inimigos. Soltou um grito de terror, levou ambas as mãos ao rosto e cambaleou para trás, em agonia. Envolvendo sua cabeça estava um… Parecia um… Eu diria que era um… Corselete cheio de rendas e pregas?

— Estão nos alvejando com clichês! – gritou aos brados, furioso.

— responda às perguntas. É o único jeito de escaparmos dessa enrascada.

— Claro que a questão de o que realmente seria possível fazer com um upload de lagosta continua sem resposta. Mas se você tiver pelo menos um, basta ligar mais um monte de neurônios, ensiná-los a falar e “perguntar” para eles – completou Charles, jogando a corselete ao chão. — Aqui não é mais seguro, vamos em frente.

Levantei-me e pus-me a segui-lo. À nossa frente se descortinava um cenário de poucas alterações. Podíamos ouvir gritos e risadas não muito longe.

— Se senciência não é uma meta evolucionária mandatória (como sugerido pelo filósofo alemão Thomas Metzinger e proposto por Peter Watts em Blindsight), e se a inteligência pode realmente existir sem que a espécie seja ciente disso (como enxames, etc.), pode-se dizer que nós somos na realidade a singularidade (em cada um de nossos cérebros, a matéria se transformou em pensamento)? – perguntei, apressado.

— Eu já não considero que a singularidade seja um conceito incrivelmente útil. Tem muita bagagem escatológica envolvida nela. Consciência é, indiscutivelmente, um fenômeno interessante, como Richard Dawkins demonstrou em The Extended Phenotype – nos dá a habilidade de nos desenvolver através de transferências horizontais de características desejáveis, encurtando o processo de incrementação que seria necessário pela evolução clássica. Mas se é um fenômeno estável ou desejável, quem sabe? Como espécie, temos menos de 200.000 anos de idade e já desencadeamos a sexta maior extinção em massa dos últimos 600 milhões de anos. Também estamos sob o risco de uma crise de falta de recursos seguida por uma queda de população. Isso não é sinal de características de sobrevivência!

Olhamos para cima e os zepelins estavam sobre nossas cabeças. Para nosso espanto, despejaram centenas de sombrinhas coloridas, abertas, que desciam como pequenos paraquedas, rodopiando. Outros disparos foram efetuados pela multidão que nos seguia. Dessa vez foram chapéus coco, cartolas, pince-nez (um deles me atingiu na testa, me provocando um pequeno corte). Charles apressava o passo, temendo ser atingido por mais um clichê. Certamente não sobreviveria a outra violência dessas.

— Portanto, se estamos vivendo num universo pós-singularidade, o estágio pós-humano (longevidade, etc), se vier a acontecer, não será um empecilho, já que um dos principais motores da evolução vem de vidas curtas individuais e do abastecimento constante de blank slates (cérebros novinhos de bebês)? – continuei a perguntar.

— Você está confundido o alto grau de mudança com “progresso”. Progresso sugere teleologia e uma meta. Mas evolução não é conduzida por metas. É um passeio de bêbado pelo espaço da adaptação, com uma parede do outro lado (extinção). Também não há garantias de que não haja limites para a ciência, nem limites para a quantidade de conhecimento que podemos acumular e aproveitar.

As sombrinhas caiam ao nosso redor. Era visível o esforço de Charles em não lhes dar maior atenção. Assim como às polainas, bengalas com castão de prata, monóculos, suspensórios e bigodes postiços.

Então fomos forçados, brutalmente, a parar. Diante de nós se abria um imenso despenhadeiro. Um precipício assustador com milhares de metros de altitude. Gotas de suor escorreram por nossas frontes. Vimos-nos sem saída, tendo que enfrentar os Steamers cara a cara, sem chances de sucesso.

— Mais alguma pergunta?

— Uma.

— Faça-a.

Batidas fortes no chão nos fizeram dar meia volta. Três robôs cheios de engrenagens, com quase três metros de altura, estancaram umas quinze jardas de nós. De seus flancos se destacaram canos de metralhadora. A multidão se aproximava.

— Freya Nakamichi-47, ou alguém de sua descendência, voltará para mais aventuras?

Uma rajada no chão, próximo a nós, nos fez retroceder alguns passos, aproximando-nos perigosamente do precipício. Uma nuvem de pó se ergueu.

— Sim! Tem um conto, Bit Rot, que vai sair na antologia Engineering Infinity de Jonathan Strahan em janeiro…

http://www.amazon.com/Engineering-Infinity-Jonathan-Strahan/dp/1907519521

…Também tenho planos para mais um romance passado no universo de Saturn’s Children (embora não seja sobre Freya, e provavelmente só seja publicado em 2013).

Então apertei o botão.

Nada aconteceu. Apertei de novo. Olhamo-nos um para o outro, angustiados. Voltei a apertar o botão outras vezes, mas não houve resultado. A entrevista não acabava, o perigo não se extinguia. Engoli em seco, mas não tive tempo de expressar minha preocupação. Outra rajada de metralhadora nos fez recuar ainda mais. O chão me faltou, procurei apoio e não o encontrei. Soltei um grito abafado de terror antes de me sentir solto no ar, prestes a sofrer uma queda livre. Vi Charles se voltando, vi-o esticando o braço, vi sua mão próxima e ao mesmo tempo tão distante.

Quando pensei que estava tudo acabado. Senti meu braço agarrado com força, meu corpo contido, balançando ainda, solto no ar. Respirei fundo tentando afugentar o medo e olhei para o meu salvador. Levei um susto terrível. Não era Charles Stross que me segurava com firmeza, era Jeff VanderMeer. Não era num planeta inóspito que eu estava, mas numa terra, a Terra, devastada pela guerra.

Acompanhe essa incrível aventura na próxima entrevista com Jeff VanderMeer.

—–

Luis Filipe Silva colaborou com essa entrevista.

O Baronato de Shoah. Steampunk na veia.

25/01/2011

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.

Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.

Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

Sobre o autor:

José Roberto Vieira

Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009). BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio

Autor: José Roberto Vieira
Gênero: Literatura fantástica – romance
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90

E bota diesel na máquina!

20/10/2010

Há poucos dias Gerson Lodi-Ribeiro tornou público por email e dentro de alguns fóruns direcionados ao gênero, uma chamada de submissão para uma nova coletânea a ser publicada pela Editora Draco. A exemplo de Vaporpunk, recentemente publicada, vem agora o Dieselpunk. Trata-se, aparentemente, de uma evolução natural que deverá nos conduzir à uma coletânea Cyberpunk assim que essa atual for lançada (isso é um chute e não uma antecipação editorial…rs).

Não participei de nenhuma dessas coletâneas voltadas à temática punk. Ou por estar ocupado demais com outros projetos ou por descobrir que os deadlines eram próximos demais, me roubando qualquer possibilidade de produzir um trabalho verdadeiramente bom.

Mas já estou trabalhando para a Dieselpunk. Deverei terminar meu conto bem antes do prazo final, sem correrias nem atropelos (e acabo contrariando minha postagem anterior, onde digo que trabalhar com prazos apertados deixa qualquer projeto mais emocionante).

Se vocês também tem interesse em participar, cliquem nesse link aí em baixo:

http://www.4shared.com/document/eRNpjGr8/Guidelines_da_Antologia_DIESEL.htm

Tem tudo pra ser um sucesso, como o foram as obras antecessoras. As batutas de Gerson Lodi-Ribeiro e da Editora Draco só deixam as coisas ainda melhores.

E boa sorte.

Ajoelhem-se diante de suas majestades.

06/08/2010
 

Cliquem na imagem para vê-la ainda maior

Foi com enorme surpresa que vi essa capa, publicada no Cidade Phantástica do Romeu Martins. Fiquei embasbacado com a qualidade dela e certo de que demorarei para ver uma capa desse gênero melhor que esta, tão cedo. Não conheço os contos que rechearão este espetáculo de edição, mas se forem tão surpreendentes, teremos uma obra para lembrar por muito tempo.

Acompanhem o release:

Vaporpunk – Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades

Com força mundial, a estética steampunk vem angariando cada vez mais fãs brasileiros e portugueses. Seu apelo visual e o rico conteúdo inspirados no século XIX são o combustível certo para a produção de uma literatura que pode ser intensa, mas também descontraída. Descubra o que oito autores maquinaram nesse intricando conjunto de engrenagens que é a imaginação.

O steampunk nasceu como um gênero literário, mas ganhou vida própria e dominou a moda e as artes plásticas, tornando-se cada vez mais conhecido. Se a cultura da era vitoriana virou inspiração para essa estética, em Vaporpunk – Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, os organizadores Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva imaginaram essa época tão distinta sob a ótica brasileira e portuguesa, repleta de inovações tecnológicas e acontecimentos inusitados.

Com a presença de renomados autores da ficção especulativa dos dois países, Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi e o próprio Gerson pelo Brasil; Jorge Candeias, Yves Robert e João Ventura por Portugal; a coletânea traz oito noveletas movidas a vapor, disputas políticas, personagens famosos e armas engenhosas.

Tudo isso regado a muita aventura e surpresas, porque mais do que repensar o gênero, Vaporpunk é um convite para conhecer um mundo alternativo, e o que Brasil e Portugal poderiam ter sido com tamanhas novidades.

Sobre os autores:

Gerson Lodi-Ribeiro

Autor carioca de FC e história alternativa. Publicou Alienígenas Mitológicos e A Ética da Traição na edição brasileira da Asimov’s. Autor do romance Xochiquetzal – uma princesa asteca entre os incas (2009), e participou das coletâneas Outras Histórias… (1997), O Vampiro de Nova Holanda (1998), Outros Brasis (2006), Imaginários v. 1 (2009) e Taikodom: Crônicas (2009). Como editor, organizou as antologias Phantastica Brasiliana (2000) e Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (2002). Trabalha desde 2004 como consultor da Hoplon Infotainment, sendo um dos criadores do universo ficcional do jogo online Taikodom.

Luís Filipe Silva

É autor de O Futuro à Janela (prêmio Caminho de Ficção Científica em 1991), dos romances Cidade da Carne e Vinganças, e, com João Barreiros, de Terrarium. Tem contos publicados no Brasil, Imaginários v. 2 (2009), Espanha e Sérvia, na antologia luso-americana Breaking Windows, e na antologia representativa da FC europeia em 2007, Creatures of Glass and Light. O seu trabalho mais recente é Aquele Que Repousa na Eternidade, uma novela lovecraftiana. site TecnoFantasia.com.

Octavio Aragão

Doutor e mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes – EBA, UFRJ (2007 e 2002).  É professor Adjunto Nível 1 da Escola de Comunicação – ECO/UFRJ. Autor do romance A Mão que Cria (2006) e editor da antologia de contos Intempol (2000). É co-autor do livro Imaginário Brasileiro e Zonas Periféricas (2005), com a professora doutora Rosza Vel Zoladz, e publicou artigos em revistas como Arte e Ensaios e Nossa História.

Jorge Candeias

É português algarvio e tem desenvolvido nos últimos anos intensa atividade nos meios ligados à FC e ao fantástico dos dois lados do Atlântico (embora mais do lado de lá do que de cá, por óbvias razões logísticas). De momento ganha a vida como tradutor, e já tem no currículo um par de traduções de que se orgulha. Também tem no currículo um pequeno livro, Sally, (2002) e contos espalhados por publicações portuguesas, brasileiras, inglesas e argentinas, em papel e em bits.

Flávio Medeiros Jr.

Nasceu e vive em Belo Horizonte. Escreveu durante toda a infância, por isso joga mal futebol. Um dia entendeu que poderia ser médico e escrever como hobby, ou ser escritor e exercer a medicina como hobby. Como a última opção dá cadeia, optou pela primeira. Formou-se em medicina na UFMG e tornou-se oftalmologista. Autor do romance policial de ficção científica Quintessência (2004). Tem contos publicados nas coletâneas Paradigmas 2 (2009), Imaginários v. 1 (2009) e Steampunk (2009).

Eric Novello

É tradutor, escritor e roteirista. Publicou os romances Dante, o Guardião da Morte (2004), Histórias da Noite Carioca (2004) e Neon Azul (2010). Participou de várias coletâneas e co-organizou os primeiros dois volumes da coleção Imaginários e Meu Amor é um vampiro (2010).

Carlos Orsi

Natural de Jundiaí (SP) é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005) e os romances Nômade (2010) e Guerra Justa (2010). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias como a Imaginários v. 1 (2009), revistas e fanzines no Brasil e no exterior.

Yves Robert

É licenciado em informática, tem um mestrado em matemática e é professor assistente no IADE – Instituto Superior de Artes Visuais, Design e Marketing. Para além da sua actividade de docente e programador escreve textos publicitários estando especializado na área do marketing directo. Tem vários contos publicados em antologias brasileiras e portuguesas.

João Ventura

Escreve ficção curta que pode ser lida na internetE-nigma, Tecnofantasia, Épica, Storm Magazine, Contos Fantásticos, Axxón, Quimicamente Impuro, Breves no tan Breves Bewildering Stories, AntipodeanSF. Tem textos publicados também em fanzines e participou em várias antologias – A Sombra sobre Lisboa (2006), Universe Pathways (2006), Grageas ( 2007), Contos de algibeira (2007) Brinca comigo! e outras estórias fantásticas com brinquedos (2009), Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas (2006). blogue fromwords.blogspot.com

Autor: Vários

Organizadores: Gerson Lodi-Ribeiro e Luís Filipe Silva

ISBN: 978-85-62942-12-9
Gênero: Ficção científica – Steampunk
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 312 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 49,90

Disponível em: 27/08/2010

Cliquem na imagem para vê-la em tamanho maior

O Peregrino: primeira entrevista.

12/03/2010

Fui procurado pelo Conselho Steampunk paulista para uma entrevista. Me senti honrado, claro. O assunto não poderia ser outro que não o lançamento breve de O Peregrino, romance que mistura habilmente ficção científica e fantasia.

Sigam o link abaixo e conheçam mais alguns detalhes da trama que ainda não foram revelados.

http://nocturlabio.steambook.com.br/2010/03/12/vapor-engenho-e-arte/

http://sp.steampunk.com.br/2010/03/12/o-peregrino/

E as coisas retornam aos seus lugares.

04/01/2010

As festas de fim de ano passaram, e as coisas voltam à normalidade. O É só outro blogue ficou algum tempo sem nenhuma atualização, respeitando meu recesso, embora, acreditem, eu tenha me sentido muitas vezes atraído em postar algumas coisas.

Me contive, em nome de um descanso necessário.

Agora vou retornando aos poucos, já que ainda estou de férias e isso me afasta bastante do contato virtual, limitando meus acessos a poucos minutos por dia (juro). Até dia 18 postarei esporadicamente. Depois disso, diariamente, ou quase.

Trago dois links. Num deles uma crítica bastante ácida de Rodrigo Novaes de Almeida ao meu conto Cibermetarealidade, da coletânea Contos imediatos, da Terracota Editora e organizado por Roberto de Sousa Causo. Publicado em seu Blog no dia 14 de dezembro, só fui tomar conhecimento dele no dia 02 de janeiro. Fiquei feliz em saber que ele dedicou ao meu conto quase o dobro de atenção que destinou a cada um dos demais. Sinal claro de que chamo a sua atenção, de uma forma ou outra. Muito obrigado, Rodrigo. Sua opinião – como a de todos – é importantíssima.

http://rodrigonovaesdealmeida.blogspot.com/2009/12/contos-imediatos-comentarios.html

Noutro, um site polonês dedicado à literatura de gênero, mais especificamente o Steampunk, relaciona meu livro O peregrino como lançamento futuro, para 2010. Bom ser citado internacionalmente. Faz-nos ver que temos alguma visibilidade, mesmo que quase insipiente.

http://steampunk.republika.pl/chrono03pl.html

Fora isso, vou anunciando para breve meus comentários sobre o Portal Fundação editado por Nelson de Oliveira e para o livro de Rodrigo Rosp, Fora de lugar, publicado pela Não editora.

Que todos tenham um excelente 2010. Que seja repleto de novos lançamentos, de relançamentos e de projetos vários que eclodam nos anos vindouros.

Viva!

Comprou um, ganhou o outro.

19/10/2009

Promoçao

Semana passada fui surpreendido com uma promoção da Tarja Editorial, oferecendo meu livro de brinde para quem comprasse o livro Steampunk. No início fiquei surpreso, mas depois vi que era uma grande sacada.

Quem aproveitou a promoção terá em mãos duas excelentes obras. Leitura de primeira. E eu terei mais leitores e mais feedbacks. É isso realmente que move as ambições de qualquer escritor (já que ganhar dinheiro com isso no Brasil é, salvo raríssimas exceções, fantasia pura).

Foi uma excelente oportunidade de ter em mãos duas das principais publicações desse ano.

A única coisa que pegou mal nessa promoção é o texto, com dados referentes ao Fome, onde se lê:

“…128 páginas de um livro apocalíptico escrito por Tibor Moricz, que ainda poderá existir um dia.”

Que? Hã? Como é que é? Poderei existir um dia? Está parecendo argumento de “Além da Imaginação”. Cadê o preparador de texto, einh? Eric, candidate-se!