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A Fantasia brasileira vai bem, obrigado. Mas e a FC, como está?

30/01/2013

Capas Livros FC e Fantasia

A discussão FC x Fantasia não é nova, mas é sempre produtiva. O que vemos hoje no Brasil é uma quantidade de publicações de livros de Fantasia que ultrapassa a de Ficção Científica em muito (10 para 4, segundo estatísticas que me foram fornecidas por Cesar Silva, editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica).

Mas, onde está a questão?

Parece-nos bastante óbvio que seja assim. Afinal, obras de Fantasia são mais assimiláveis. Não obrigam o leitor a acompanhar — via de regra — longas e exaustivas explicações científicas, nem a ter conhecimento — mesmo que básico — de nada que se aproxime de tecnologia e ciência. Leis simples como as da gravidade são comumente desafiadas e vencidas. Nossos autores fazem com que todos os grandes obstáculos sejam suplantados com abracadabras, com pitadas de pó de pirlinpinpin, efeitos sobrenaturais inexplicáveis ou poções e encantamentos diversos. Gestos grandiloquentes fazem surgir tempestades, piscar de olhos movem montanhas.

Vilões e mocinhos se enfrentam numa tempestade coruscante de efeitos especiais, transformam e transmutam com uma sem-cerimônia tão banal quanto encantadora. E os personagens secundários, humanóides ou não, sucumbem diante de tantos poderes, arrasados, fragmentados, pulverizados.

Não temos no Brasil autores como Susanna Clarke, Ursula K. Le Guin, Fritz Leiber ou Patrick Rothfuss. Boa parte de nossos esforçados autores de Fantasia estão muito mais para J.K. Rowlings recauchutadas ou J.R.R. Tolkiens de calças curtas, exceção feita a poucos e talentosos autores que conseguiram fugir do lugar comum e desenvolver universos próprios. Infestam as imitações mal feitas, as poucas tentativas pífias de encontrar um estilo próprio, um cenário divergente e original (porque é muito mais fácil copiar o que já está consagrado).

Não há ciência nas histórias de fantasia (deixo de lado a fantasia científica, mas mesmo ela dialoga pouco com a verossimilhança). Há apenas uma imaginação profusa que não explica, apenas apresenta mirabolâncias.

A Fantasia traz à tona o nosso lado lúdico, nos faz retornar à infância, aos sonhos, às nossas íntimas fantasias pueris, quando nos imaginávamos repletos de poder. Nossa visão do mundo era mágica, o mundo nos parecia mágico. A FC é o contraponto a essa visão. Ela nos obriga a fincar os pés no chão, nos mostra que o mundo é físico e obedece a leis imutáveis. A FC nos rouba muito de nosso senso lúdico, nos esfrega a cara no chão. Obriga-nos a “despertar” para a realidade e para todas as responsabilidades decorrentes disso.

Será essa a razão porque a nossa literatura de Fantasia leva grande vantagem em relação à FC? Ou é mesmo porque não temos uma cultura tecnológica, de grandes descobertas e viagens espaciais?

Afinal é essa a explicação recorrente. Somos um país sem cultura científica. Nunca fizemos grandes descobertas, nossos melhores foguetes são os da Caramuru, nossos cientistas, os melhores, vão embora do país em busca de melhores condições de trabalho e em busca de reconhecimento.

Então, por que, afinal, histórias de Ficção Científica deveriam ser populares, não é mesmo?

Se formos falar de outras mídias, veremos que a FC vai muito bem nos HQs, nos games, no cinema e na TV. Filmes e séries desse gênero bombam e alcançam bilheterias expressivas e telespectadores apaixonados. São vários os lançamentos (inclusive brasileiros) disputando espaço nas salas de exibição.

Mas em quê a literatura de FC ganha com isso? Como nossos autores são beneficiados com o boom da FC nas outras mídias? A FC continua não sendo lida. Continua não sendo prestigiada, continua sofrendo o preconceito das casas editoriais (e de muitos leitores que a consideram um gênero “chato”) que parecem esperar que um de nossos autores (sem patrocínio, nem apoio de nenhuma editora significativa) consiga vencer as dificuldades de mercado e explodir em vendas (melhor ainda se tiver o livro transformado em filme).

Só esse chamado “boi de piranha” conseguiria superar o “dar de ombros” das principais casas editoriais e, enfim, fazer a FC brasileira ser vista com olhos mais condescendentes (porque a FC estrangeira é normalmente publicada aqui com rótulos diferentes que tentam disfarçá-la)?

Difícil crer que não haja público para uma boa e dinâmica história de FC. Ou que não existam leitores inteligentes que não se entusiasmem com histórias elaboradas, personagens com múltiplas camadas, cenários ricos, boas ambientações, argumentos convincentes e soluções criativas e verossímeis (Nem toda FC produzida aqui é assim tão complexa, mas não podemos esquecer que, qualitativamente, a literatura de FC brasileira é, no geral, muito mais bem trabalhada que a de Fantasia).

Ou crer que todos os leitores de FC estejam comodamente assentados dentro do nicho, incorporados ao fandom. Porque se for assim, é de se compreender a atitude das grandes editoras. Investir num gênero que não consegue reunir mais que uns poucos milhares de leitores (dos quais muitos sequer conhecem o que se produz contemporaneamente) é jogar tempo e dinheiro fora.

A Fantasia não precisa de apresentações prévias. Não precisa vencer o preconceito de editores. Há muita Fantasia sendo publicada, grande parte de qualidade duvidosa.

Sem contar que é notório que qualidade e apelo comercial não são correlatos. As editoras são casas comerciais e são as vendas (as boas, de preferência) que pagam as suas contas. Entre escolher um romance de Fantasia manco e com chulé, mas com apelo comercial palpável, e um romance de FC de boa qualidade, elas vão escolher o primeiro. Por que deveriam investir num gênero, construir paulatinamente um mercado, se o custo/benefício é incerto?

Casos como o de Luiz Brás que publicou Sozinho no deserto extremo pela Editora Prumo são exemplos que parecem apenas servir para confirmar a regra.

Assim, a FC fica relegada às pequenas editoras que trabalham com edições limitadas e publicam quase que especificamente para o nicho. Um possível manancial de leitores extra-fandom permanece inatingível, inalcançável. Porque esses vários milhares de leitores que adquirem Asimov, Clarke, Bradbury (e outros nomes estrangeiros que se escondem na chamada ficção especulativa), também podem adquirir Gersons-Lodis, Causos e Carlos Orsis.

Existe dificuldade nisso? Claro. Mas mercados existem para serem descobertos, desbravados. Não só por quem escreve (que esses não têm poder para erguer mercados) e, sim, pelas editoras que, se não têm nenhuma obrigação em formar leitores, também não deveriam se escudar inteiramente disso.

Afinal, assim como nas melhores obras brasileiras de Fantasia, existem trabalhos de Ficção Científica com bom potencial de vendas e com argumentos que cairiam muito bem em filmes. Nem é preciso garimpar muito. Basta abrir os olhos, não dar mais de ombros, atentar para a pilha de originais e conceder à FC brasileira um voto de confiança.

Pelo menos isso.

***

Links interessante cedido por Cesar Silva:

• Listagem de todas as publicações de literatura fantástica feitas em 2011 no Brasil para download:
http://issuu.com/cesarsilva7/docs/anu_rio_brasileiro_de_literatura_fant_stica_2011_l

Você quer o anuário?

• Anuários Brasileiros de Literatura Fantástica para aquisição (anos de 2009 e 2010, 2011 está esgotado até o momento):
http://loja.devir.com.br/catalogsearch/result/?q=anuario+brasileiro+de+literatura+fantastica

A Situação – Lido e comentado

15/01/2013

Situacao_Capa_Frente

Fantástico, causa bastante estranhamento. Bizarro, também. Kafkiano? Chega perto. Uma imensa alegoria. Metafórico.

Fala do universo próprio existente dentro das grandes empresas e corporações. Os inter-relacionamentos, as crises, as cobranças.. Hierarquia escravizante, jogo de interesses, influências, maledicências…cruel, pontual, mordaz, selvagem.

Lesmas e besouros… muitos.

Perturbador? Não, está mais para desconfortável.

VanderMeer decalca o terror que reina nas entranhas das grandes empresas. A ausência total de livre arbítrio. A contumaz presença de gerentes, supervisores, diretores, solapando a livre iniciativa.

Jogo de interesses. Ou você segue a correnteza ou está fora. E, nesse caso, não metaforicamente.

Leitura rápida que pode ser feita em duas horas num sofá confortável, na sua mesa de escritório ou num ônibus preso no trânsito.

Há efeitos colaterais. Pelo menos no meu caso. Surpreendo-me olhando com certa insistência para o teto da minha sala na empresa onde trabalho. Já tive a impressão de divisar uma arraia jamanta disfarçada no reboco.

Elas estão em todos os lugares.

***

A Situação – Jeff VanderMeer

Editora: Tarja Editorial
Gênero: Fantástico
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 118

Contos de fadas para adultos?

02/08/2011

Contos de fadas narrados de forma original e adulta são a aposta do mercado editorial

Em sintonia com o crescimento da literatura de fantasia no mundo e com os muitos eventos relacionados ao assunto no País, as editoras iniciam a publicação de literatura com um público-alvo que vem sendo esquecido: o adulto. Na ponta dessa tendência, a Tarja Editorial lança o livro Reino das Névoas – contos de fadas para adultos, da escritora paulistana Camila Fernandes, uma das autoras da coleção Necrópole e participante de várias antologias, como a recente A Fantástica Literatura Queer.

Ganhadora de uma bolsa oferecida pelo ProAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, a obra traz 7 histórias no estilo dos contos de fadas em sua forma original: violenta, quando necessário; bela, quando possível; picante, quando ideal.

O livro, de visual ousado, contém ilustrações da própria autora abrindo cada um dos contos do livro, com novas histórias que brincam com elementos clássicos: príncipes e princesas, feiticeiras, maldições, bosques misteriosos, feras falantes. Trata-se de um livro de contos de fadas que não se autocensuram e, ao mesmo tempo, têm o sabor da moderna ficção fantástica.

A apresentação, do escritor Richard Diegues, dá uma noção da obra: “Gosto de contos de fadas. Todos gostam. São histórias que ouvimos de pessoas queridas, desde tenra infância, com finais felizes, sempre nos transmitindo uma moral que devemos aprender e conservar para os futuros adultos em que nos tornaremos. (…) Crescemos com eles em nossa memória. E, então, chegamos à vida adulta e aprendemos que nem tudo neles é realmente factível na vida real. Enfim, começamos a nos perguntar: o que foi escondido pelos escritores que, ao longo dos tempos, foram adaptando, lapidando e moldando essas lendas para torná-las palatáveis? O que nossos pais esconderam sutilmente de nós enquanto os liam na cabeceira de nossas camas? Agora que somos adultos, procuramos por essas respostas. E aqui, neste livro, elas estão em cada linha (…).”

As ilustrações são um diferencial. “Sempre adorei livros ilustrados. Quero oferecer ao leitor o tipo de obra que eu mesma procuro”, explica a autora. Ela ainda destaca o fio condutor do livro: “o despertar para o mundo adulto e para o autoconhecimento, na forma dos vários perigos que os personagens têm de enfrentar para passar de um estágio a outro na vida. Minha proposta é usar a fantasia para falar da realidade”.

Reino das Névoas é uma ótima pedida para relaxar os olhos e a mente, desviando-se um pouco dessa neblina do politicamente correto que vem encobrindo a literatura nacional nos últimos anos.

Que tal um Fome?

02/09/2009

Fome - Capa 3DDaqui a dois meses meu livro Fome, publicado pela Tarja Editorial, fará um ano de publicação. Desde que foi ao mercado, em novembro de 2008, venho recebendo vários feedbacks, os mais variados. Sem dúvida não é um livro para se gostar fácil. Ou se gosta, ou se odeia. Mas ambas essas emoções eram previstas quando escrevi esse conjunto de contos ambientados num cenário pósapocalíptico. Tanto o gostar quanto o não gostar, ou odiar, faziam parte dos meus planos. Ninguém poderá dizer que Fome é literatura ruim. Apenas poderão combatê-lo enquanto um conjunto de idéias; poderão discutir o argumento, a trama, a crueza, a frieza, a violência, a ausência de quaisquer traços morais ou éticos. Nesse sentido, Fome vem cumprindo com seu papel de maneira exemplar.

Alguns comentários recebidos:

• Lixo! • Perturbador • Imoral • Uma porcaria • Coisa do demônio • Como pôde? • Fascinante • Assustador • Comecei a ler, mas não vou terminar • Senti nojo • Tenho filhos! • Maneiro, cara!

Se você leu, talvez se identifique com um ou outro destes comentário. Se não leu, convido-o a fazê-lo. E depois me diga o que achou. Comente aqui neste blogue. Xingue ou elogie. Sua opinião é importante.

Trechos:

“Arranquei os trapos que a cobriam. Ela recuou o que pôde, espremendo-se contra a parede. Dois pequenos montículos se sobressaiam onde um dia ela (se continuasse viva) teria peitos. A vulva mostrava pequenos e sedosos pelinhos que iam cobrindo a região. Agarrei-a pelas pernas e a arrastei para o meio do esconderijo, sobre folhas de papelão. Virei-a para ver suas nádegas. Brancas e exíguas. Espalmei-as. Apertei-as. Bati nelas. Avermelharam até parecer fogo.”

“Com olhares nervosos cortou os membros, separando-os do tronco. Abriu a barriga e retirou dele algumas vísceras. Mais ossos que carne. Afastou os urubus com acenos enérgicos, ajuntou as peças e começou a carregá-las para dentro do prédio.”

“Quisera que as letras impressas nas folhas surgissem uma a uma em sua pele, saltando como brotoejas. Ele então as poderia ler. Palavras novas surgindo, formações aleatórias, sentenças surpreendentes. Poderia ele se tornar num autor esofágico, epidérmico. Contemplaria o corpo nu diante de um pedaço de vidro e admiraria a metamorfose.”

“Os olhos se esgazearam e o brilho do metal refulgiu um segundo antes do golpe. Foi rápido, quase um instante. A cabeça tombou para frente e uma luz vermelha alaranjada surgiu fantasmagórica, lançando-o na estupefação da súbita descoberta da vida após a morte.”

“Girou nos calcanhares. Firmou o pé exatamente na marca. Olhou para frente e para o lado. Sobre o papelão havia um pedaço de carne. Nem seca ao sol, nem salgada. Quase fresca. Até seria, se não cheirasse mal.”

“Retirou ambas as mãos do meio das pernas e as cheirou. Ainda estava trêmula. Molhada, mas não muito. Lambeu a umidade entre os dedos como quem procura retirar a última gota de água de um copo vazio. Estava com fome e sede. De comida e de homem. De ambos.”

“— Seu deus morreu antes de todos nós! – insistiu a voz lá na frente. – O Paraíso foi invadido por diversas matilhas. Mataram todos os animais, beberam e comeram toda a comida, estupraram e devoraram todas as mulheres…

— Deus foi flagrado fodendo um menino sob uma laje. Enfiava nele o cajado tão profundamente que o sangue espirrava! Depois o devorou, mastigando a carne ainda viva e pulsante!”

“As pernas tremiam ligeiramente. Muito mais pelo esforço da caminhada ininterrupta do que pela doença que lhe devorava a carne. Cada bolha estourada levava consigo uma parte de nervos e músculos liquefeitos.”

“O menino, quieto, exibia a sua nudez conspurcada sem nenhuma vergonha. Olhos semicerrados. Respiração ausente. Tocou no seu peito. Procurou pelo batimento cardíaco. Procurou pelo hálito, pelo bafo quente e juvenil, mas não o encontrou.”

“Ao fim da oração, desferiu poderoso golpe. A faca penetrou na pouca carne, rasgou e partiu ossos, penetrou na terra, fincando-se nela. O capturado não gemeu. Não sibilou. Não proferiu nenhum som. Seus olhos embaciados acompanharam a descida da faca, arregalaram-se de leve durante o golpe mortal, depois pareceram sorrir.”

“Deu-se o pandemônio. Gritos terríveis antecederam um ataque maciço desferido por ambas as partes. Dezenas de homens se engalfinharam transformando a pequena clareira num palco de carnificina. Lâminas cortavam o ar, disparos eram efetuados, paus e pedras voavam em todas as direções. Agarravam-se, mordiam-se, unhavam-se.”

“E então todos pararam de comer e beber. Alguns regurgitaram o excesso de sangue, cuspiram a carne que se lhes entalava na garganta. Levantaram-se, atônitos e maravilhados. Alguns feridos e cambaleantes. Moribundos puseram-se de pé ao som das trombetas. Ossos partidos, fraturas expostas… E mesmo assim se puseram de pé.”

Fome está aí, na Tarja Livros. Baratinho. O Richard Diegues vai ficar contente com sua visita (eu também…rs).

Paradigmas 4 – Edição de colecionador

19/08/2009

Paradigmas

Por essa nem o editor e organizador Richard Diegues esperava. Enumero abaixo os treze melhores contos – em minha opinião – dentre os trinta e nove publicados até agora, formando uma edição virtual do crème de la crème da ficção especulativa nacional. Representantes legalíssimos do que foi apresentado nesta coleção até agora. A ordem dos fatores não é significativa de qualidade. Ou seja: o primeiro da lista não é necessariamente o melhor, o último não o pior. Claro que esta edição especial segue um parâmetro avaliativo personalíssimo, cujos critérios serão esclarecidos amanhã em nova postagem neste blogue.

1- Baby Beef, Baby – Richard Diegues

2- MAI-NI Expressas – Richard Diegues

3- Efeitos Adversos – Flávio Medeiros

4- Fuga – Fernando Trevisan

5- Carta a Monsenhor – Ana Cristina Rodrigues

6- Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue – Saint-Clair Stockler

7- Hatzemberger – Davi M. Gonzales

8- Madalena – Osiris Reis

9- Sinfonia para Narciso – Cristina Lasaitis

10- Fogo de Artifício – Eric Novello

11- Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração – Jacques Barcia

12- O Homem Bicorpóreo – Hugo Vera

13- Lamentações de Jeremias – Lúcio Manfredi

Existem outros contos bons e que fariam parte desse indicativo, se os volumes publicados ultrapassassem os treze contos regulamentares. Independente disso indicarei mais três cujas qualidades não podem deixar de serem reconhecidas:

14- De Vento em Pedra – Viviane Yamabuchi

15- A Boa Senhora de Covent Garden – Camila Fernandes

16- O Mendigo e o Dragão – Bruno Cobbi

Paradigmas 1 – Comentários

18/08/2009

paradigmas1

Para tentar escapar de uma maldição predita pelo Romeu Martins por ter deixado este volume da série Paradigmas de fora, corrijo-me agora. Fui buscá-lo onde estava, li novamente os contos e faço a cada um deles os meus mais singelos comentários.

MAI-NI Expressas – Richard Diegues

Para mim este é mais um capítulo dentro desde fascinante universo criado pelo Richard. Se fosse ele transformaria esses capítulos num romance. Vale a tentativa.

Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração – Jacques Barcia

Não sei se é conto, não sei se é ode. Mas é excelente. Muito bem escrito.

Um Forte Desejo – M.D. Amado

Bem escrito. Mas não explica o que uma mulher com a barriga totalmente aberta, com os intestinos espalhados, está fazendo, incólume, numa mansão. Enfiar a “calda” no ânus… É pra dar uma boa sopa (rs)? Trocaram o lobisomem por um réptil. No mais nenhuma novidade.

O Mendigo e o Dragão – Bruno Cobbi

Um conto bom. Narrativa firme. O rapaz leva jeito pra coisa.

Una – Roberta Nunes

O gênesis recontado. Não sei se gostei ou não. Essa dúvida me mata.

Fogo de Artifício – Eric Novello

Um surpreendente trabalho. Cenário e ambientação impecáveis. Pude ver a ação como se participasse dela. Esse é um pouco do universo que ele vem desenvolvendo. Vai fazer sucesso.

Aqui Há Monstros – Camila Fernandes

Um conto belo, mas que não surpreende.

Sinfonia para Narciso – Cristina Lasaitis

Mesmo tendo feito o leitor distraído engolir uma mesóclise logo na primeira linha (nada de errado, apenas inusual), acaba por nos presentear com um ótimo conto. E ótima condução narrativa. Só os personagens são meio burrinhos… Não é que não conhecem o mito de Narciso?

A Lenda do Homem de Palha – Leonardo Pezzela Vieira

Não achei nada assustador. Me parece um gigantesco clichê, como se já tivesse lido histórias assemelhadas aos montes antes desta.

A Teoria na Prática – Romeu Martins

Acho que o Romeu é o líder da organização que visa lançar o mundo no caos da informação e desinformação. Acautelem-se!! Um bom conto.

O Combate – Maria Helena Bandeira

Achei o conto envolvente. Imaginei uma realidade alternativa onde gladiadores lutavam pela vida (ou para perdê-la), mergulhei na história, ansiando pelo final, pelas surpresas que leria. Mas fiquei decepcionado. De todos os finais possíveis, a autora foi escolher o mais clichê. Gostei do conto apesar disso.

O Templo do Amor – Ana Cristina Rodrigues

Já havia lido esse conto antes. Não gostei na ocasião. Continuo não gostando.

Madalena – Osiris Reis

Um excelente conto. Me manteve absorto na leitura. Para mim, o melhor desse volume de Paradigmas.

Paradigmas 3 – Comentários

11/08/2009

paradigmas3

Terminei o último livro da série que não tem prazo para acabar. Já que não creio ser necessária uma nova apresentação desse projeto, passo diretamente aos comentários, que, sei, é o que procuram aqui.

Baby Beef, Baby – Richard Diegues

Não sou fã desse gênero específico, mas não posso negar o ritmo frenético e a impossibilidade de abandonar a leitura até o final. Muito bom, o conto.

O Mito da Fecundação – Ludimila Hashimoto

Terminei sem saber se o conto abriu meu apetite ou se me enfastiou. Achei-o interessante, mas me pergunto para que alcachofras onde não se come mais que chá, café, sopa (talvez de alcachofra?), pão com pasta de frango, água e pasta de peixe.

Reminiscências de Um Mundo Verde – Ronaldo Luiz Souza

Um conto belo, comovente e assustador. Um presságio? Espero que não.

O Animal Morto – Saulo Sisnando

Este conto é um caso extraordinário. Não posso me conter. É tão ruim, que dói. E tão mal escrito que me pergunto se os organizadores o leram. É um trabalho que compromete a seriedade do projeto e coloca o poder de avaliação dos organizadores em xeque.

Lamentações de Jeremias – Lúcio Manfredi

Este conto me faz pensar se receberei a visita do Saulo Sisnando com um teleportador, pronto para me teleportar para o condomínio onde porcos invisíveis roncam pelo quarto e onde menininhas de 7 anos cavam buracos de 40 centímetros no solo duro apenas com as frágeis e delicadas mãozinhas. Tenho medo da menina! O porco, como no jantar.

Ah, o conto do Manfredi é bom. Como não poderia deixar de ser.

Esperança Corrompida – Leandro Reis

Porque a água enfraquece os moradores assim que passam pelos limites estabelecidos da cidade? Pude até buscar esta resposta em exercícios de adivinhação, mas ela precisaria estar explicada na história. Fora isso, o conto é bom.

Em Berço Esplêndido – Camila Fernandes

Legal. Agora sei mais da cidade de Bofete que grande parte dos moradores.

Choque de Civilizações – Marcelo Jacinto Ribeiro

Fiquei com dó dos duendes e torci o tempo inteiro para o senhor Darling ser morto por eles. Conto mais ou menos.

Hatzemberger – Davi M. Gonzales

Putz!! Este conto valeu a do Sisnando. Muito bom. A do Sisnando é pouco… valeu toda a coletânea. Quero o autógrafo desse autor no livro.

O Cavaleiro e o Senhor do Inverno – Gianpaolo Celli

Um conto bacaninha. Este é um universo que parece não oferecer mais novidades. Juro, pagar para publicar um conto Arturiano me parece completo nonsense… Perde-se grande oportunidade para extrapolar.

(Digo isso, mas contos anteriores mostram que também há espaço para fazer coisas piores que contos Arturianos)

Velha Remington – Wolmyr Alcantara

Um conto interessante, mas nem um pouco original.

De Vento em Pedra – Viviane Yamabuchi

A Viviane me fez enxergar períodos de minha própria vida neste conto. Mostra também que basta ser mulher – fada ou humana – para tornar-se “Fúria”, entidade presente em todas as tramas que unem homens e mulheres na ficção e fora dela. Gostei bastante.

O Homem Bicorpóreo – Hugo Vera

Já havia lido este conto no concurso da comunidade de FC. O considerei o terceiro melhor na ocasião. Ainda continua muito bom.

Paradigmas 2 comentado

06/08/2009

paradigmas2

A série Paradigmas é um case de sucesso da Tarja Editorial e já está no terceiro volume. Só o Richard Diegues e Deus sabem até onde esta série vai parar. Mas a considerar o ânimo, creio que será longa e bem sucedida.

Recentemente fui premiado num sorteio da comunidade de Fantasia do Orkut com o livro Paradigmas 2. Por conta do sorteio fiquei incumbido de resenhá-lo. Como já disse que não sou resenhista, farei apenas comentários em passant dos contos, todos eles retirados das anotações que faço a lápis no livro imediatamente após a leitura.

Ricardo Edgar, Detetive Particular – Ataíde Tartari

Um conto divertido e despretensioso. Prosa bastante leve e fluída.

O Pequeno Oenteph – Raul Tabajara

Conto interessante. Gostei. Mas se o autor retirasse quase todos os “eu” e “ele” do texto, fluiria bem melhor.

Efeitos Adversos – Flávio Medeiros

Assim, de começo, me lembrou Hulk. Depois referências a Star Trek e homens de preto. Gostei, achei divertido.

A Boa Senhora de Covent Garden – Camila Fernandes

Bom esse conto da Camila. Chapinha no lugar comum sem, entretanto, parecer um repeteco cansativo de outras tramas tão parecidas. Escreve bem, ela.

Fuga – Fernando Trevisan

O conto que mais me surpreendeu até aqui.  Muito bom controle narrativo e ritmo ágil. Parabéns ao Fernando. Gostei muito.

O Deus de Muitas Faces – Gabriel Boz

Nada extraordinário, um conto razoável.

Frei François – Ademir Pascale

Um dos contos mais fracos desta coletânea. Histórias de vampiros precisam ser constantemente renovadas, sofrendo releituras ininterruptas para não caírem na vala comum. Este não acrescentou nada ao cansativo universo dos chupadores de sangue.

Abaixo de Nós – Luciana Muniz

Me Jane, you Tarzan.

Outro conto muito fraco. Dois contos fracos seguidos um do outro. Isso me preocupa.

Carta a Monsenhor – Ana Cristina Rodrigues

Bastante assustador esse conto da Ana. Cenário e ambientação excelentes. Narrativa firme. Momentos de tensão bem vívidos. Gostei bastante.

Triângulo em Tempo Rubato e Gota de Sangue – Saint-Clair Stockler

Uma verdadeira obra de arte, embora eu também discuta a cultura impressionante do gato que tenha lido a Bíblia e consiga citá-la na ponta da língua e do focinho. O título é curioso, mas ainda prefiro o anterior: Kandahar.

A Dama e o Cavaleiro – Ricardo Delfin

Não consegui entrar na história senão perto do fim, quando uma conclusão surpresa se avizinhava. Ledo engano. O fim propriamente dito me decepcionou. Não entendi nada. Fiquei boiando. Este é o tipo de conto que precisa vir com um manual de instruções para auxiliar na leitura.

O Fazedor de Terra – Ubiratan Peleteiro

Um conto simpático, mas também demorei pra entrar na história (e a história demorou em se fazer compreender).

Clausura – Richard Diegues

Conto extenso demais. Tem alguns bons momentos de tensão, que não valem, porém, a extenuante leitura. Cortaria, tranqüilo, algumas páginas. A tensão pretendida se dilui ao longo da leitura que parece não acabar nunca.

Fome – Palavras canibais

05/08/2009

Fome - Capa 2D

Há meses, quando Fome foi lançado, o meu companheiro de batalhas Eric Novello desenvolveu uma animação chamada Palavras Canibais baseada na narrativa distópica da obra. Resolvi trazê-la novamente à baila, já que a considero tão perturbadora quando os melhores contos do livro. Aproveitem para ir ao site da Tarja Editorial e comprar o livrete (pequeno, mas dá uma porrada boa!).