Lançamento a vista.

16/09/2013

Convite Fantasticon6

Sábado que vem, no Fantasticon. Prometo ir armado. Quem estiver a fim de experimentar uma virada louca na vida, puxo o gatilho!

O homem fragmentado já tem capa. Conheça!

10/06/2013

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Já faz um tempinho que anunciei meu contrato com a Terracota Editora para a publicação de O homem fragmentado. Agora, finalmente, saiu a capa (trabalho esmerado de Fernando Lima). Trata-se de uma imagem de  Étienne-Jules Marey, renomado fotógrafo francês e também inventor. Um dos pioneiros na área de fotografia e cinema.

Vou ser bastante franco em dizer que temia a capa. Não que não acreditasse na capacidade da editora em desenvolver uma bastante boa (tenho gostado muito das capas da Terracota, de maneira geral), mas temia obviedades. Fui surpreendido. A imagem revela a essência da obra, mas que só poderá ser entendida quando de sua leitura.

O Homem fragmentado está ambientado na São Paulo contemporânea e narra as aventuras fantásticas e surpreendentes de um suicida. Talvez a minha obra mais ambiciosa até aqui. Mas quem poderá dizer isso, claro, é você, leitor.

Leia a sinopse:

O homem fragmentado

Imagine-se arrasado pela culpa. Responsável pela morte de seu filho e pela vagarosa e inexorável dissolução do seu casamento. Imagine-se sem mais nenhuma perspectiva de vida; desmotivado profissionalmente, sem mais sonhos, nem esperanças.

Imagine um revólver em suas mãos. Imagine-se apontando-o para a própria cabeça e… puxando o gatilho.

Imagine um possível “depois disso”:

Seu filho vivo, seu casamento em pé, sua vida, a vida, outra vida, uma vida desconhecida e assustadora.

Imagine-se num mundo que não lhe pertence. Tendo amigos que nunca foram os seus, uma família que nunca foi a sua. Imagine-se consumido por um delírio difícil de refrear.

Imagine-se morrendo consecutivas vezes e vendo surgir novas e sucessivas realidades que violentam a sua ciência de realidade.

O homem fragmentado fala de alguém que vê seu mundo ser desconstruído e assiste, perplexo, a ruína de todas as suas verdades. Ao ponto irreversível da loucura ou da liberdade numa última e epifânica revelação.

***

A data de lançamento ainda está sob segredo de justiça, mas deve acontecer logo. Avisarei a todos assim que souber de alguma coisa.

Tolerância zero!

05/04/2013

Cocô gelado

Estou há tempos querendo dar umas dicas bem importantes para todos os que veem as redes sociais como uma importantíssima ferramenta de divulgação literária. É comum ver autores novatos e veteranos postando trechos de suas obras, ou falando do seu trabalho. Propagando aos quatro ventos sua importantíssima contribuição cultural ao insipiente mercado de literatura fantástica brasiliana.

Apoio todos eles. As redes sociais estão aí não só para dar voz a imbecis preconceituosos, mas também aos que procuram divulgar seus trabalhos.

Só que têm umas regrinhas básicas que todos os escritores e candidatos a escritor precisam conhecer.

Se você é escritor ou se pretende ser, espera-se de você que tenha conhecimentos suficientes da própria língua para não cometer atrocidades (pequeníssimos erros faço de conta que não vi). Não me canso de encontrar trechos de obras com erros imperdoáveis de português. Ou quem faz essas postagens é analfabeto funcional ou relapso, e da pior espécie.

Já ouvi gente dizendo que não se preocupa muito com esse negócio de revisão, porque se trata só de uma rede social, uma postagenzinha boba e rápida. Que está sem tempo, que precisa dividir atenção com trabalho e lazer ao mesmo tempo…

Não tem desculpa. Aliás, a desculpa só intensifica a cagada.

Se começo a ler e trombo com erros grosseiros, construções estranhas e bizarras… paro na hora. Desisto. E perco a vontade de ler o livro de onde saíram os excertos (mesmo considerando que passaram por revisão posterior).

Não há nada pior que um escritor ou candidato a escritor burro, do que burro e displicente. Antes de postar, tenha certeza que está bem escrito. Não tem essa competência? Peça ajuda a alguém. A primeira impressão é a que fica (principalmente no meio literário).

Não é legal ter que ruminar textos mal escritos. Nem trechos confusos que não dizem nada (ou que só dizem pra você).

Poste excertos bem escritos e que tenham algum significado, que dialoguem com o leitor. Capturar um trecho qualquer e postar faz você parecer uma besta que não conhece sequer uma única passagem em seu livro que valha a pena ser lida. Ou então é uma forma direta de você dizer que seu livro não é interessante.

Faça outro favor: pare de colocar esses excertos (e sempre um diferente do outro, quase todos inócuos) dia sim, dia não. Enche o saco tropeçar neles o tempo inteiro. Cansa. Me faz ter cada vez mais vontade de manter boa distância da obra.

Ser escritor (ou querer ser) não é sinônimo de ser chato. Nem de ser burro. Cuide da própria imagem e estará cuidando da imagem de nossa literatura de gênero (acho que serve para todas, não é?).

Desculpem a truculência, mas esse assunto me aborrece demais!

A Fantasia brasileira vai bem, obrigado. Mas e a FC, como está?

30/01/2013

Capas Livros FC e Fantasia

A discussão FC x Fantasia não é nova, mas é sempre produtiva. O que vemos hoje no Brasil é uma quantidade de publicações de livros de Fantasia que ultrapassa a de Ficção Científica em muito (10 para 4, segundo estatísticas que me foram fornecidas por Cesar Silva, editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica).

Mas, onde está a questão?

Parece-nos bastante óbvio que seja assim. Afinal, obras de Fantasia são mais assimiláveis. Não obrigam o leitor a acompanhar — via de regra — longas e exaustivas explicações científicas, nem a ter conhecimento — mesmo que básico — de nada que se aproxime de tecnologia e ciência. Leis simples como as da gravidade são comumente desafiadas e vencidas. Nossos autores fazem com que todos os grandes obstáculos sejam suplantados com abracadabras, com pitadas de pó de pirlinpinpin, efeitos sobrenaturais inexplicáveis ou poções e encantamentos diversos. Gestos grandiloquentes fazem surgir tempestades, piscar de olhos movem montanhas.

Vilões e mocinhos se enfrentam numa tempestade coruscante de efeitos especiais, transformam e transmutam com uma sem-cerimônia tão banal quanto encantadora. E os personagens secundários, humanóides ou não, sucumbem diante de tantos poderes, arrasados, fragmentados, pulverizados.

Não temos no Brasil autores como Susanna Clarke, Ursula K. Le Guin, Fritz Leiber ou Patrick Rothfuss. Boa parte de nossos esforçados autores de Fantasia estão muito mais para J.K. Rowlings recauchutadas ou J.R.R. Tolkiens de calças curtas, exceção feita a poucos e talentosos autores que conseguiram fugir do lugar comum e desenvolver universos próprios. Infestam as imitações mal feitas, as poucas tentativas pífias de encontrar um estilo próprio, um cenário divergente e original (porque é muito mais fácil copiar o que já está consagrado).

Não há ciência nas histórias de fantasia (deixo de lado a fantasia científica, mas mesmo ela dialoga pouco com a verossimilhança). Há apenas uma imaginação profusa que não explica, apenas apresenta mirabolâncias.

A Fantasia traz à tona o nosso lado lúdico, nos faz retornar à infância, aos sonhos, às nossas íntimas fantasias pueris, quando nos imaginávamos repletos de poder. Nossa visão do mundo era mágica, o mundo nos parecia mágico. A FC é o contraponto a essa visão. Ela nos obriga a fincar os pés no chão, nos mostra que o mundo é físico e obedece a leis imutáveis. A FC nos rouba muito de nosso senso lúdico, nos esfrega a cara no chão. Obriga-nos a “despertar” para a realidade e para todas as responsabilidades decorrentes disso.

Será essa a razão porque a nossa literatura de Fantasia leva grande vantagem em relação à FC? Ou é mesmo porque não temos uma cultura tecnológica, de grandes descobertas e viagens espaciais?

Afinal é essa a explicação recorrente. Somos um país sem cultura científica. Nunca fizemos grandes descobertas, nossos melhores foguetes são os da Caramuru, nossos cientistas, os melhores, vão embora do país em busca de melhores condições de trabalho e em busca de reconhecimento.

Então, por que, afinal, histórias de Ficção Científica deveriam ser populares, não é mesmo?

Se formos falar de outras mídias, veremos que a FC vai muito bem nos HQs, nos games, no cinema e na TV. Filmes e séries desse gênero bombam e alcançam bilheterias expressivas e telespectadores apaixonados. São vários os lançamentos (inclusive brasileiros) disputando espaço nas salas de exibição.

Mas em quê a literatura de FC ganha com isso? Como nossos autores são beneficiados com o boom da FC nas outras mídias? A FC continua não sendo lida. Continua não sendo prestigiada, continua sofrendo o preconceito das casas editoriais (e de muitos leitores que a consideram um gênero “chato”) que parecem esperar que um de nossos autores (sem patrocínio, nem apoio de nenhuma editora significativa) consiga vencer as dificuldades de mercado e explodir em vendas (melhor ainda se tiver o livro transformado em filme).

Só esse chamado “boi de piranha” conseguiria superar o “dar de ombros” das principais casas editoriais e, enfim, fazer a FC brasileira ser vista com olhos mais condescendentes (porque a FC estrangeira é normalmente publicada aqui com rótulos diferentes que tentam disfarçá-la)?

Difícil crer que não haja público para uma boa e dinâmica história de FC. Ou que não existam leitores inteligentes que não se entusiasmem com histórias elaboradas, personagens com múltiplas camadas, cenários ricos, boas ambientações, argumentos convincentes e soluções criativas e verossímeis (Nem toda FC produzida aqui é assim tão complexa, mas não podemos esquecer que, qualitativamente, a literatura de FC brasileira é, no geral, muito mais bem trabalhada que a de Fantasia).

Ou crer que todos os leitores de FC estejam comodamente assentados dentro do nicho, incorporados ao fandom. Porque se for assim, é de se compreender a atitude das grandes editoras. Investir num gênero que não consegue reunir mais que uns poucos milhares de leitores (dos quais muitos sequer conhecem o que se produz contemporaneamente) é jogar tempo e dinheiro fora.

A Fantasia não precisa de apresentações prévias. Não precisa vencer o preconceito de editores. Há muita Fantasia sendo publicada, grande parte de qualidade duvidosa.

Sem contar que é notório que qualidade e apelo comercial não são correlatos. As editoras são casas comerciais e são as vendas (as boas, de preferência) que pagam as suas contas. Entre escolher um romance de Fantasia manco e com chulé, mas com apelo comercial palpável, e um romance de FC de boa qualidade, elas vão escolher o primeiro. Por que deveriam investir num gênero, construir paulatinamente um mercado, se o custo/benefício é incerto?

Casos como o de Luiz Brás que publicou Sozinho no deserto extremo pela Editora Prumo são exemplos que parecem apenas servir para confirmar a regra.

Assim, a FC fica relegada às pequenas editoras que trabalham com edições limitadas e publicam quase que especificamente para o nicho. Um possível manancial de leitores extra-fandom permanece inatingível, inalcançável. Porque esses vários milhares de leitores que adquirem Asimov, Clarke, Bradbury (e outros nomes estrangeiros que se escondem na chamada ficção especulativa), também podem adquirir Gersons-Lodis, Causos e Carlos Orsis.

Existe dificuldade nisso? Claro. Mas mercados existem para serem descobertos, desbravados. Não só por quem escreve (que esses não têm poder para erguer mercados) e, sim, pelas editoras que, se não têm nenhuma obrigação em formar leitores, também não deveriam se escudar inteiramente disso.

Afinal, assim como nas melhores obras brasileiras de Fantasia, existem trabalhos de Ficção Científica com bom potencial de vendas e com argumentos que cairiam muito bem em filmes. Nem é preciso garimpar muito. Basta abrir os olhos, não dar mais de ombros, atentar para a pilha de originais e conceder à FC brasileira um voto de confiança.

Pelo menos isso.

***

Links interessante cedido por Cesar Silva:

• Listagem de todas as publicações de literatura fantástica feitas em 2011 no Brasil para download:
http://issuu.com/cesarsilva7/docs/anu_rio_brasileiro_de_literatura_fant_stica_2011_l

Você quer o anuário?

• Anuários Brasileiros de Literatura Fantástica para aquisição (anos de 2009 e 2010, 2011 está esgotado até o momento):
http://loja.devir.com.br/catalogsearch/result/?q=anuario+brasileiro+de+literatura+fantastica

Kaori, perfume de vampira – lido e comentado

24/01/2013

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Li recentemente o livro Kaori e o Samurai sem braço. A experiência foi fascinante e o sense of wonder fez valer cada linha de leitura. Ao terminá-lo, vi que precisava corrigir um erro e ler as demais histórias da série para poder fazer um julgamento mais abrangente.

Descobri que devia ter lido primeiro este ao Kaori e o Samurai sem braço. Não são histórias complementares, independem um do outro, mas o sense of wonder do primeiro não se repetiu no “segundo”, ficando numa espécie de “meio do caminho”.

Se a ordem de leitura tivesse sido inversa, a fruição iria num crescendo, atingindo o nível máximo com o terceiro livro da série.

Mas isso não significa que Kaori, perfume de vampira seja ruim. Não é!

Giulia Moon conduz a história em dois arcos narrativos distintos. Um, no passado, época dos Xoguns. Outro, nos dias contemporâneos. Ambos os arcos se sustentam com competência e prendem a atenção do leitor de tal forma que se torna difícil abandonar a leitura.

Um dos arcos, porém, o que transcorre no passado, é mais fantástico, é mais fascinante. Foge do clichê, das conspirações cotidianas, da receita já bem mastigada e regurgitada dos cenários de ação dos thrillers contemporâneos que nos lembram um mash up — tudo junto e misturado — do mesmo e sempre mesmo, já tanto usado e abusado (que não acontecem na mesma medida na obra de Moon, mas que deixam entrever sua marca indelével mesmo sem serem tão exploradas).

Um detalhe que me chamou a atenção — nem dá pra dizer que é detalhe —, é que não existe uma história propriamente dita. Avançamos na leitura sem saber para que lado estamos indo, sem saber o que nos espera nas páginas seguintes. Não há um plot que nos faça antever cenários. Só nos é dado conta da trama quando já passamos por quase dois terços da história. Existem micro histórias, eventos aparentemente isolados que não dão mostra do que se oculta em suas entrelinhas.

Não sei dizer se isso é bom ou ruim.

A prosa de Giulia Moon é bastante boa para que deixemos isso de lado e avancemos na leitura, certos de que, em algum momento, as peças se encaixarão.

E elas se encaixam.

Os dois arcos narrativos se encontram e passam a correr numa só trilha. O Gran Finale finalmente se avizinha e temos a abertura do leque, onde os vilões se revelam e ocorre o esperado enfrentamento entre mocinhos e bandidos.

Particularmente, o final meio que me decepcionou. Não sei bem o que esperava, até posso admitir que Giulia Moon nos deu o melhor de si e concluiu a narrativa da maneira mais acertada, mas ficou um sabor indefinido que me roubou um pouco de satisfação.

A coisa funcionou da seguinte forma comigo: o arco narrativo que se passava na época do xogunato era, em termos de cenário e de ambientação — e também narrativamente —, muito melhor que o arco que se desenrolava nos dias atuais. Houve um desequilíbrio que prejudicou minha fruição plena. Quando a autora juntou tudo, trazendo os personagens do passado para o presente, senti como se ela traísse esses mesmos personagens e toda a aura fantástica que havia criado.

Mas essa visão é minha, bem particular. Certamente muitos discordarão dela.

Não há como negar que Giulia Moon é mestra. Não sei de ninguém — no cenário nacional — que a ombreie no gênero de terror. Os demais devem lê-la e aprender com ela.

Kaori, perfume de vampira é, em síntese, um livro bastante bom. Tropecei aqui e ali, considerei algumas escolhas equivocadas, alguns caminhos errôneos, mas a obra em si é plenamente recomendada.

***

Kaori, perfume de vampira – Giulia Moon

Editora: Giz Editorial
Gênero: Terror
Formato: 16 cm x 23 cm
Páginas: 371

Ano novo, romance novo, casa nova.

22/01/2013

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Frontal Terracota

Venho, desde meados de 2011, laborando em várias frentes. Comecei em setembro do ano retrasado um thriller de Ficção Científica, suspense e mistério que me absorveu até fevereiro de 2012. Na verdade, ele vem me absorvendo até agora já que não consigo abandoná-lo, estou sempre mexendo numa coisa aqui, noutra ali.

Já disse várias vezes que, quando me ocupo com um romance, não há espaço na minha cabeça para outros formatos. Mergulho no trabalho e só me preocupo com contos ou noveletas quando o termino. Por pensar assim, deixei de participar de algumas submissões. Por outro lado, participei de algumas coletâneas porque já havia me comprometido com elas (como convidado). Nesses casos, e só neles, passo por cima de minhas restrições e me esforço em cumprir com a palavra dada.

Posso dizer que 2012 foi um ano bastante profícuo em publicações em coletâneas, embora não tenha publicado nenhum romance.

Três meses depois de ter oficiosamente terminado esse thriller, explodiu uma nova ideia em minha cabeça. Foi tão arrebatadora que não consegui me desvencilhar dela até que a tivesse concluído, o que aconteceu no começo de julho de 2012. Um pouco mais de dois meses e meio para escrever cerca de 250 páginas.

Esse romance de FC, ao contrário do anterior, não passou por várias mãos e várias editoras em busca de publicação. Passou por apenas uma só mão e a decisão em publicá-lo foi rápida.

Trata-se de O homem fragmentado, e a editora que aceitou o desafio de colocá-lo no mercado foi a Terracota Editora.

Tenho admiração pela Terracota. Venho acompanhando seus lançamentos, seu trabalho editorial, seu comprometimento, o diz-que-diz na mídia em relação a esses lançamentos, os autores publicados, os projetos executados.

Posso dizer que houve escolha da minha parte. Remeti o original para as mãos de Claudio Brites, certo de que queria publicar sob a sua batuta. E eu lhe disse isso. Era necessário, claro, que ele também o quisesse.

O “sim” veio algumas semanas depois, com elogios ao trabalho. O que muito me envaideceu.

Trata-se de um projeto onde tentei dar tudo de mim: construir bom cenário e boa ambientação, esculpir personagens fortes e bastante realísticos, desenvolver tramas e subtramas convincentes, dar ao trabalho meu toque especial na questão de ritmo tentando transformá-lo num page turner.

Se consegui isso, ou não, vocês mesmo me dirão quando o livro for lançado, ainda este ano.

Adianto um texto promocional que diz muito (se não tudo) da obra:

O homem fragmentado

Imagine-se arrasado pela culpa. Responsável pela morte de seu filho e pela vagarosa e inexorável dissolução do seu casamento. Imagine-se sem mais nenhuma perspectiva de vida; desmotivado profissionalmente, sem mais sonhos, nem esperanças.

Imagine um revólver em suas mãos. Imagine-se apontando-o para a própria cabeça e… puxando o gatilho.

Imagine um possível “depois disso”:

Seu filho vivo, seu casamento em pé, sua vida, a vida, outra vida, uma vida desconhecida e assustadora.

Imagine-se num mundo que não lhe pertence. Tendo amigos que nunca foram os seus, uma família que nunca foi a sua. Imagine-se consumido por um delírio difícil de refrear.

Imagine-se morrendo consecutivas vezes e vendo surgir novas e sucessivas realidades que violentam a sua ciência de realidade.

O homem fragmentado fala de alguém que vê seu mundo ser desconstruído e assiste, perplexo, a ruína de todas as suas verdades. Ao ponto irreversível da loucura ou da liberdade numa última e epifânica revelação.

***

Ainda é cedo para falar de capa e projeto editorial, mas, quando tiver novidades, eu as posto aqui.

Ah, obrigado Terracota!

Vós Sois Máquinas – Lido e comentado

17/01/2013

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Fiquei sabendo dessa obra no grupo de discussão do CLFC do Yahoo. Goulart Gomes citou-o como uma obra livre, de distribuição gratuita. Interessei-me de imediato e solicitei uma cópia. O autor, bastante solícito, atendeu ao meu pedido.

Devo salientar que a leitura de Vos sois máquinas me cativou.

Prosa madura, vocabulário amplo e bem empregado, abordagem interessante e desenvolvimento idem. A história se passa em 2245, após um surto de cibersuicídio (narrada em obra – Deixando de Existir – que antecede a essa) que eliminou grande parte dos androides da face da Terra.

Dessa vez, um novo e surpreendente fato voltará a abalar as estruturas mundiais: um contato alienígena a partir de um androide (Andr-El) que servirá de intermediário entra Patxa (líder alienígena) e os humanos.

Goulart Gomes lida bem com as emoções humanas, trabalha bem os personagens e instiga o leitor a se manter na leitura, sempre na expectativa de descobrir o que essa raça alienígena promete para os humanos, que tipo de evolução traz consigo.

A história nos arrasta das metrópoles para a Amazônia, nos brinda com pirâmides, com revelações que antecedem historicamente os fatos narrados, consegue segurar o pique até as últimas páginas.

O autor peca na construção do antagonista. Misterioso, ficamos sem saber mais sobre ele, quem é, o que o move. O vilão é pouco trabalhado, fica nas sombras (talvez tenha sido bem explorado na obra anterior, mas para quem não a leu, fica a impressão de falha). Poderia ter sido mais aproveitado, o que daria à história mais tensão.

De qualquer forma, uma agradabilíssima leitura (embora tenha abusado um pouco de discursos pacifistas politicamente corretos, o que chegou a soar muitas vezes inocente ou ingênuo, e me fez ponderar se os argumentos do vilão não eram mais razoáveis). Uma obra que deveria ter mais divulgação, ser distribuída além das fronteiras de Salvador (onde mora o autor), lida por mais gente. Seria um bom concorrente ao prêmio Argos recentemente promovido pelo CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica).

Que venham mais obras desse autor.

***

Vós Sois Máquinas – Goulart Gomes

Editora: Obra publicada com recursos do Governo do Estado da Bahia, Secretaria da Fazenda e Secretaria da Cultura
Gênero: Ficção Científica
Formato: 11 cm x 20 cm
Páginas: 148

A Situação – Lido e comentado

15/01/2013

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Fantástico, causa bastante estranhamento. Bizarro, também. Kafkiano? Chega perto. Uma imensa alegoria. Metafórico.

Fala do universo próprio existente dentro das grandes empresas e corporações. Os inter-relacionamentos, as crises, as cobranças.. Hierarquia escravizante, jogo de interesses, influências, maledicências…cruel, pontual, mordaz, selvagem.

Lesmas e besouros… muitos.

Perturbador? Não, está mais para desconfortável.

VanderMeer decalca o terror que reina nas entranhas das grandes empresas. A ausência total de livre arbítrio. A contumaz presença de gerentes, supervisores, diretores, solapando a livre iniciativa.

Jogo de interesses. Ou você segue a correnteza ou está fora. E, nesse caso, não metaforicamente.

Leitura rápida que pode ser feita em duas horas num sofá confortável, na sua mesa de escritório ou num ônibus preso no trânsito.

Há efeitos colaterais. Pelo menos no meu caso. Surpreendo-me olhando com certa insistência para o teto da minha sala na empresa onde trabalho. Já tive a impressão de divisar uma arraia jamanta disfarçada no reboco.

Elas estão em todos os lugares.

***

A Situação – Jeff VanderMeer

Editora: Tarja Editorial
Gênero: Fantástico
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 118

Kaori e o Samurai sem braço – Lido e comentado

10/01/2013

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Conheci Kaori antes de conhecer Giulia Moon. E foi na coletânea Amor Vampiro. Já na ocasião achei a personagem bastante forte para apenas uma história. Não foi surpresa nenhuma ver que a autora deu a Kaori um universo próprio, desenvolvendo-a em (até agora, mas tem espaço pra mais) três livros.

Vou ser sincero em admitir (mea culpamea máxima culpa) que não li os dois primeiros livros da saga (erro que estou a corrigir, já que comecei a leitura de Kaori, perfume de vampira).

Kaori e o Samurai sem braço foi uma leitura libertadora.

Vou explicar.

Andava cansado de ler obras de gênero cujos estilos e talentos se diferenciam tanto na pegada quanto na qualidade, quase sempre densos, ou experimentais, ou herméticos (ou simplesmente ruins, está cheio disso por aí). Andava como Jó, de vela em mãos, a procura de uma obra cuja prosa conseguisse me desintoxicar.

Giulia Moon tem o mesmo talento nato para a escrita quanto Kaori para a sedução… foi uma leitura deliciosa.

Nesse livro, Kaori vive aventuras no seu passado remoto, no tempo dos Xoguns.

Ilustração Kaori

Ela tem a vida salva por um Samurai — Kuroshima Kitarô, conhecido como Migitê-no-Kitaro (O Samurai sem braço) — e faz com ele um acordo: um ano ajudando-o na busca por um demônio chamado Shinkû. Vivem várias aventuras durante a busca por esse poderoso Bakemono, enfrentando monstros das mais diversas naturezas.

Ajuda-os uma pequena kitsune, raposa com poderes mágicos com a faculdade de se transformar em humano, nesse caso, numa mocinha esperta, comilona e bastante levada.

Narrativa com fino humor e ação precisa e bem descrita. A ambientação e o cenário – Japão do século XIII – são fascinantes. Envolvente até a última linha, trata-se de leitura tão agradável que quando você se dá conta, acabou. E isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Não por acaso Giulia Moon foi indicada e terminou entre terceiro lugar no Concurso Hydra, promovido pela revista eletrônica norte-americana Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show e o Website brasileiro A Bandeira do Elefante e da Arara do escritor Christopher Kastensmidt com o conto Eu, a sogra, publicado no primeiro volume da coleção Imaginários em 2009 (organização Eric Novello, Saint-Clair Stockler e Tibor Moricz).

Se você ainda não leu Kaori e o Samurai sem braço, corra até uma livraria. Você não sabe o que está perdendo.

Kaori

***

Kaori e o Samurai sem braço

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Fantasia
Formato: 16 cm x 23 cm
Páginas: 196

Betume – Lido e comentado

10/12/2012

Betume

4ª capa:

“Betume existe. É um povoado localizado próximo à cidade sergipana de Neópolis, banhada pelo São Francisco e distante cerca de cento e cinquenta quilômetros de Aracaju.

E Betume, com o seu nome curto e contundente, inspirou o escritor Rogério Santos, que revisita neste livro a literatura regionalista nordestina numa narrativa crua, cheia de vigor e permeada de tipos marcantes que ficarão na memória e na imaginação do leitor.

Em meio ao cenário agreste, num texto enxuto e simples, o autor mescla realidade e ficção, narrando uma história forte, onde coronéis, prostitutas, árvores conselheiras, vagabundas e almas penadas vivem uma história de amores bizarros, gestos dementes e vinganças que trespassam a barreira da vida e da morte”.

***

A melhor característica de Betume (Giz Editorial) é justamente o seu caráter de meia ficção, meia realidade. Rogério Santos narra a história de uma cidade real, misturando a ela generosas pitadas de fantasia. Fala do malandro Capilé, um sujeito que nos faz percorrer ao seu lado (não se trata de um companheiro de viagem que vá agradá-lo) toda a trajetória de Betume e de sua gente, do nascimento ao apogeu e, depois, lento declínio. A prosa regionalista é vigorosa, o cenário e a ambientação, ricos.

No entanto, a obra não conseguiu me fisgar. Tive que me forçar a ler, obrigando-me a avançar um número determinado de páginas a cada dia. Não foi aderente. Permaneci emerso, sem conseguir me aprofundar. Talvez acompanhar a evolução da cidade não tenha sido tão interessante. Talvez os personagens não tenham me cativado. Talvez os argumentos não tenham sido fortes o bastante. Talvez a busca de vingança de Capilé tenha me parecido estranha e pouco convincente.

O final, quando Capilé enfim encontra a sua vingança, me soou forçado. Como se o autor tivesse terminado o livro e depois se dado conta de que faltava alguma coisa. Acrescentou páginas, um novo capítulo e “arredondou” a contação.

Por certo a narrativa fantasiada de Betume tem tudo para fazer sucesso entre seus próprios conterrâneos. Vão se identificar dentro dela, terá uma aura de familiaridade capaz de cativar o leitor que conheça sua história ou tenha passado por ela.

Não funcionou comigo, me senti distante e pouco atraído pela trama.

Pode bem ser um defeito meu.

Leiam o livro e tirem suas próprias conclusões.

***

Betume

Editora: GIZ Editorial
Gênero: Regionalista
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 122